quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

CONVIDADO DO VALE... Adroaldo Bauer



E que amigo eu seria


Ela me sorri,
meu sorriso não retorna
há de ser de mim o que
que não mais a percebo
nem se se refira ela a mim
Definiu-se-me como a dor
Estou vivo, o coração dói
Eu a amo e é isso só
que nada importa.
Faz penar
Diz que se refere a mim.
Indiferença seria ainda pior.
Muito, muita vez mais.

Nem trocamos apenas olhares
e já somos os mais fiéis amigos.
E por que, então, sinto dor
pela amizade da mulher que amo?
E por que furtar-me jamais de dizer
que é amor, aceite assim...
ou mesmo não, porque, eu sendo
louco desato aqui o que sinto,
seja doçura do grande amor,
sejam meus ais, vão ser os teus.
Desatinado. Sei que não há destino,
nem fadado está nosso caminho,
que pavimentaria para te amar
Pronuncias o impronunciável: amiga
A palavra é amor.
Ouve-me mesmo?
O clamor que me esgana e te conclama?
Um amor sem a conseqüência, assim, é
p'ra morrer de te querer, deixá-la então
por cálice a mais de tão amargoso vinho
vou-me reerguendo em prantos. Não te
aflijas que ainda não vou à tibieza
Não estou então fraco,
é apenas morto que estou,
não tenha dó, não é lamúria,
é meu modo de purgar...
o falso do verdadeiro
Serve-me em teus dedos finos a delicadeza
tua que me alcance os lábios e talvez me toquem,
que é desespero não saber se o buquê
é teu ou de qualquer
Sei da tua amizade.
escreves nos meus escritos,
És mais amiga deles que eu próprio,
que tento desvencilhar-me
como alguém outro, um não autor
à cata de que sirvam a outrem
mais do que a mim têm servido
Jornada sentimental sem melodia
"Sempre te amarei, amigo"
Um leitor de agora tão estranhas linhas,
posso dizer-te, parece a canção vulgar
não o tão belo clássico que me ofereces
com as ilustrações ainda mais belas.
És hoje uma amiga. É brega, nem luxo,
estar apaixonado assim parece
que posso fazer a canção,
mas sequer firo um violão, menos
ainda tanjo um banjo.
Desafino.
Deixa-me mal comigo mesmo,
Então, mais desespero
Vou em frente um pouco tímido,
Levo esse barco já sem leme
em busca do que, sim, do querer
e o que me espera, sei, é um amor
que nunca em mim se apaga,
nem que não encontre quem o afague
nos atormentados momentos, poucos,
mas intensamente contrariados por
um grande desamor.
(E vê que as rimas já me fogem,
empobrecem; entristecem...
É tarde, o sono me aperta os olhos,
cobra um indevido repouso
que não ouso buscar no sono)
Oh! Estranhada amiga minha.


Adroaldo Bauer - Jornalista, autor da novela O dia do descanso de Deus -
http://coisaegente.blogspot.com

3 comentários:

Me Morte disse...

Olá
Sabe, as vezes mais vale perder uma amizade do que o sossêgo. Eu jamais levaria a vida sem tentar uma avançada de sinal, se tivesse amando um amigo. Muito ansioso teu poema, muito mesmo. Combina com os sentimentos conturbados do nosso cantinho.
Obrigada pela visita ao Vale. Espero que tenha gostado das flores.
Abraços

Adroaldo Bauer disse...

As flores, estas, as minhas prefridas, a chama acesa e a precaução de uma apagador próximo, tudo a ver. Há espinhos. Disse tudo a ela, no poema. Disse-me tudo, ela: cê é louco, cê não pensa?! De pensar, fiz o que devia, mandei guardar todas as lâminas de casa em canto bem escuro, que nãos econtro, mesmo tanto procuro.
Beijo, guria. Grato por tua gentileza. por teu convite a este canto. Tentarei adiante fazer por mais merecê-lo.

giselle sato disse...

Muito apreciado o convidado, espero que volte sempre.