quarta-feira, 18 de junho de 2008

As noites lambidas dos anjos





Enroscada na minha prece
Uma pena medonha
Envolta em bestiário iluminado
De arcos que nunca se dobram
Sonhos assassinados me chamam no escuro
Fale meu nome maldito uma única vez


Das asas que nunca vão me amar
Das asas obcecadas pelas minhas idéias
Dos furacões que luto para benzer
Das idiotices que me arrancam choro
Prantos amarelos e furiosos
Osmose apaixonada


A corrida dos mil olhos
Em língua impiedosa
A minha menina Letras
Esfaqueadas na grade estigma
De uma cama obesa

O ímpeto de rasgar-se em encantamentos malucos
As músicas espirituais comendo as horas
A morte em festas carniceiras
Roer o céu com o próprio cadáver abençoado
Vender a alma pelo sorriso do anjo

Eu te entrego aos delírios de Deus
O doce massacre borbulhando sorrisos
Em peles abandonadas
Essa flutuação das maravilhas
Traindo-te as suspeitas
Minha admiração chata aos pés da tua mesa
A obsessão perfumando
Nossas trilhas despencadas

Um ave chupado aos nossos medos
Pedindo-me a mão na beira do frasco
Enxurrada de nós na nota imperial
Meu odor de fósforo te tirando do lençol




2 comentários:

Giselle Sato disse...

Rita...minha querida escritora, que viagem voce nos oferece, caminhos tortos de anjos caídos...um bj menina linda e talentosa.

Me Morte disse...

A Rita é única. Um anjo versando sobre anjos...lindo! beijos