quinta-feira, 19 de março de 2009

Perséfone - Giselle Sato

Nos campos em flor onde vagueio, sigo os aromas e cores
Flutuando em lembranças, desejos proibidos e ansiados
Tão diverso dos mistérios profanos e ocultos do teu reino
Onde mesclam-se medos, lendas, segredos e mistérios

Apelos e dores incalculáveis em detrimento do instinto sutil
A luz da aurora já não desperta nem faz qualquer sentido
O que me torna tão especial não é a pureza malfazeja
São os vislumbres daquilo que posso me tornar
Pelas tuas mãos que prometem conduzir e partilhar

Âmago do que nenhuma outra mulher possuirá
Transbordando a libido reprimida em sonhos amorais
Desperto o lado oculto da lua, negra lua...Minha lua
Companheira derradeira onde fiz minha morada

Sim! Comi a fruta que me abriu as portas e o destino
E todas as delícias e sabores que jamais imaginei existir
Bato com força o pé na terra macia que se curva. Complacente
Única passageira da velha barca de Caronte... Deslizamos

Indescritível mundo de aflições eternas em que és Senhor
Respiro o calor e a densidade. Não me importo, estou em casa!
Tomo o lugar ao seu lado: Rainha, Deusa, Musa, Maldita, temida...
Perséfone.

Gian Lorenzo Bernini (escultura)

Um comentário:

Me Morte disse...

giselle tem uma escrita sensual, inteligente e real na medida que o sobrenatural se faz...beijos