quinta-feira, 14 de abril de 2011

CAPITULAÇÃO

Não vou chorar sobre seu sepulcro Não conhecerá as lágrimas que cultivo As trevas não mais dominarão meu ser Repudiarei suas injúrias decrépitas Serei o eu de minha existência O sol de minha caminhada final Não depositarei meu ósculo em seus lábios Estou morto para você... estou perdido... ... para sempre... Não adianta evocar minha maldição Fustigar-me com meus pecados Vergastar-me com minha queda Sei que não terei o perdão da Vida Mas não desejo nem necessito Ser ungido por suas escusas O fetereo é concluído em silêncio Repousa sob a terra pútrida Seu corpo consumido pelo ódio Sua carne corroída pelos vermes Meus olhos chovem, mas você não vê... Sinistra... a escuridão dominante... A solidão que rege a noite infinda... Os diapasões estridentes... A agonia que se apossa de mim Não lamento, até celebro, seu fim Mas minha mente se distorce Minha alma se confrange O espírito padece a dor maior Desejo olvidá-la... abortá-la... Mas não consigo... não posso... A cova rasa ainda guarda a maciez A terra ainda não se acomodou Minhas mãos ensandecidas cavam Meu peito arde... meu coração queima... Preciso de você... preciso de seu perfume... Não, não é nada disso que me faz falta, Tudo se resume em sua mais cruel fealdade Falta-me a tirania de sua maldade... Maldito! Este sentimento infeliz... insano Leva-me a violar seu túmulo Torno-me um vil abutre O ataúde já se mostra... eu a vejo... Horror! O choque é intenso Seus olhos, sem vida, me fitam... Acusação e rancor são seu luzir Por que? Por que sou tão fraco? Onde está o guerreiro indomável? O campeador invencível e inabalável? O choro verte sem vergonha A dor sufoca a certeza do eu Saber que seu fim foi justo Não atenua o sofrimento A carne apodreceu antes do tempo Não existe mais possibilidade Não posso mais ser seu Nunca mais poderá ser minha Apenas o vazio a golpear-me A fermentar o fel em meu ego A destilar o veneno mais cruel Ainda que não vaze ou se mostre Este abatimento atroz e interno Faz-me padecer, na terra, Tudo aquilo que você padece... Solitária... atormentada... no inferno...

Um comentário:

Poesia da alma disse...

Saudações adorei seu blog e estou seguindo desde já....Ficarei grata se vc seguir o meu e repassar adiante a seus amigos,desde já agradecida.
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Por: Debra Roses of blood.