sábado, 24 de dezembro de 2011

Na eira assobradada

Versos de Juliaura Bauer , esperta cria minha.





Foto: Alone, de Nuno Ramos
 Sei não, sei de mais nada
tá um dia de pôr o dedo na tomada
Tem espera pra mais horas
e tanto assim louca senhora
voraz a torto e a direito devora
Só sei que não demora
Sei que pra tudo tem hora
Sei nada mais de nada
nem de nadar de costas
nem de a nada dar as costas
sei de ir em frente
decadente,
crescente,
poente,
nascente e descrente
sei de um rio e de um mar
lembro como era amar
dia mais, dia menos,
duros dias, outros amenos
uma noite mais ou menos
estrela de quantas pontas
estreias de faz-de-contas
ano mais outro, lá se vai
fico, vou querendo ficar
acredito que tudo passará
mesmo o passaredo
embora sem muito medo
não sou de vacilar
que dá na mesma
igual à mesa posta
figurando doce em calda
escultura de isopor
cultura de tirar e botar
estatura de gostar
de altura e do ar
de lonjuras e de cá
de andar mesmo sem ir
de ir sem, de ficar
sem rir de nada
também de nada agradada
terrificada em água fresca
assombrada na eira assobradada.

3 comentários:

Me Morte disse...

Que orgulho hein Adroaldo! Lindo poema!

Adroaldo Bauer disse...

Tô dizendo. A gente cria as bichinhas e elas soltam as tranças pelo mundo e avuam, sem nem asas bater. Grato fico, amiga ME.

Francis Davis disse...

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