segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O ESPECTRO

E eis que o espectro, qual sombra vaporosa, foi-se definindo, em contornos evanescentes.

Um facho de ectoplasma jorrava, vigoroso, alvo, intenso, alimentando a aparição.

O médium arfava agora, exaurido, desfigurado, as têmporas infladas, perigosamente tomado de taquicardia.

O mais assombroso veículo de transmissão de fluidos.

E então, materializada, tão palpável quanto qualquer matéria densa e ponderável desse nosso Plano, a entidade inspirou com sofreguidão o ar, moveu os dedos, perpassou assombrada seus olhos por sobre os contornos daquele corpo efêmero.

A assembléia, a banca examinadora, céptica, incrédula, rotulou-o de fruto de animismo, ou de reles truque de holografia.

Mais uma vez o método científico falhava na má apreciação do seu objeto de estudo.

2 comentários:

Me Morte disse...

Incorporação, entidade, ainda tenho que escrever sobre isso. Tua experiência é real? Eu vi toda a cena, dá até pra sentir o arrepio percorrendo o corpo incorporado.
Muito bom Mago. Ótimo!

Giselle Sato disse...

Concordo com a Me, consegui vivenciar a narrativa e foi assustador.
Excelente desfecho. Muito bom.