segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Não permita que seus anjos encarnem


Não permita que seus anjos encarnem.
Encarnados, anjos perdem o seu lume.
Se mortais, anjos abdicam da agelitude
E se enrascam no pior dos sentimentos.
E assim, chegam a sentir ciúme.

Foi-se o tempo do maniqueísmo
Bons e maus, agora sei, é aforismo
São os mesmos anjos bons que se rebelam
E os maus, anjos menores, vêm à tona

Anjos são isso só: anjos pendentes,
Iminentes, nunca anjos verdadeiros.
Os primeiros querubins anunciados
São malvados como só foi Belzebu.

Anjos são, pois, referências primitivas
A cuidar de nossa insônia, nossa sorte.
Madrugada, e meus anjos frios do norte
Me carregam, sem querer, p’ra sul do sul.

Que importa? Sejam anjos de verdade
A me oferecer, não o todo, só metade.
Ainda assim são anjos. Assim seja.
Que os perdoe esse Deus que não é nada,
Só vontade.

Ruy
(foto de Anjos de Belini - Roma)

2 comentários:

Ana Kaya disse...

Pobres anjos Rui, não seja tão malvado com eles ehehhe.
Eu gosto dos anjos e acho que eles fazem o bem. E como em tudo e todos, deve haver anjos ruins tb, mas creio que a maioria é de boa índole ahahahahahah.
Bjs

Juliana T.P. POE disse...

amei!
um texto elegante.
Vocabulário imaculadamente rebuscado!
parabéns