quarta-feira, 26 de março de 2008

CONVIDADO DO VALE...Juliana T. P.


REAL?


Eu já falei que sou uma rainha? Não sou muito modesta, por isso não me acanho em dizer que sou muito bela. E rica também.
Meu Rei partiu há algum tempo. Ele está numa batalha defendendo os interesses do nosso reino, lutando contra forças malignas que querem nos derrubar.
Eu fico quase o dia todo nos meus aposentos reais. Estes são alvos e revestidos com plumas de ganso. Tenho uma criada que me traz comidas indescritivelmente deliciosas, ela usa um uniforme branco. Algumas vezes por dia ela me traz, em uma bandeja de metal, balinhas de coco. Que são meus doces favoritos. Geralmente eu sinto sono nessas horas. Não necessito de cama meu quarto é revestido de plumas de ganso, vocês sabem sou uma rainha.
Eu tenho um escravo forte ele me ajuda com meu espartilho algumas vezes, ele é escuro de pele e também usa uniforme branco. Tem dias que mal posso respirar com o aperto do acessório. Mas preciso manter-me esguia. Meu corpo deve estar impecável. Uma rainha deve ser sempre linda e esbelta. Por isso deixo que meu escravo aperte bem as cordas.
Estou indo para meu banho agora. Minha criada está comigo, me faz companhia enquanto me deixo mergulhar na água quente da banheira.
É estranho. Aquele não parece ser o meu banheiro.
Vejo um chuveiro grande e coletivo. Meu corpo estremece. Tem uma velha senhora com olhos brancos em baixo da água que corre até um ralo de metal enferrujado, ela ri sem parar, os seios caídos balançam sobre o tronco magro e molhado. Uma moça obesa está sentada de cabeça baixa numa poça de água bem ao lado da velha, ela balança-se num ritmo frenético da sua boca escorre um fio de saliva que se une com o chão. Estão nuas. Elas também têm suas acompanhantes que usam uniformes brancos como a da minha.
O que está errado aqui? Essas pessoas me dão medo. Elas não deviam estar no meu castelo, nos meus aposentos íntimos.
Desvio o meu olhar tento pedir que minha criada explique o que se passa, quando vejo meu reflexo na água. É odioso, sinto repulsa. Aquela mulher do reflexo sou eu?
Ela tem grandes olheiras, o rosto se parece muito com o meu, mas é magro e velho os cabelos caem em mechas cinzas grisalhas.
Eu grito então, grito, pois aquilo só pode ser um sonho, um feitiço, uma maldição, É LOUCURA. Eu continuo gritando os olhos bem fechados. Tudo escurece.
Acordo no meu quarto forrado com plumas de ganso. O espartilho bem preso a minha cintura, mal consigo mover meus braços eles parecem estar presos as minhas costas, tudo está normal outra vez. Graças a Deus tudo fora um sonho. Tudo está no lugar onde deveria estar. Vem chegando minha criada de uniforme branco ela traz uma bandeja de metal com balas de coco. A propósito eu já contei a vocês que sou uma rainha?

Juliana T. P.

5 comentários:

Adroaldo Bauer disse...

Seu rei, bela rainha, ser eu quisera, a loucura, no entanto, não m'o permite, nem é meu precoce envelhecimento... penso logo "exito"!

Diego Tussi - 28LK - FIAP disse...

Muito legal o conto. Bjs. Diego Tussi

Ana Kaya disse...

Nossa Juuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
que coisa mais maravilhosa, que idéia, que desenvolvimento, que texto bem escrito, já dá pra adivinhar oque é mais ou menos no meio do texto, mas até o começo a gente pensa que é uma rainha mesmo, e pq não é, talvez seja.
A Rainha da Loucura. E quem não é louco neste mundo insano?
PARABÉNS DE PÉ E APLAUDINDO.
Beijos linda, ficou maravilhoso mesmo. adorei.

Juliana T.P. POE disse...

Gente brigadão, pelas palavras, pelo apoio ... enfim por tudo.
Ana vc é demais :)


Bjão

Minha Arte disse...

olha minha filha escritora, quando eu comecei a ler este seu novo conto confesso, me passou calafrios gosto muito do vocabulário que vc usa porque sempre consigo ilusrar em meu psique os personagens em suas formas e personalidades.

parabéns bjs.