terça-feira, 29 de abril de 2008

CILADAS DO AMOR


O sol se punha no horizonte, detrás das montanhas cobertas de neve.
Era como uma bola de fogo, os reflexos vermelhos tingindo os cumes brancos num cenário quase irreal, belo e selvagem.
O vento frio soprava forte, continuo, varrendo as montanhas geladas.
A escuridão chegando aos poucos, sorrateira, avassaladora.
As primeiras estrelas já brilhando no céu de um azul profundo.
Neste mesmo instante, ele acordava de seu sono profundo. A sede imperiosa o fez acordar. Ele não queria mais viver assim, eternamente. Não agüentava mais a solidão das noites frias. Estava cansado de matar, de caçar pela noite afora em busca do tão precioso fluido vital.
Ah, ele sonhava com uma companhia para aplacar a dor de existir sozinho na imensidão da eternidade.
Em vão, havia corrido o mundo em busca de seus irmãos e irmãs no sangue negro. Alguém, com quem pudesse compartilhar a insanidade desta condição.
Ele sentia em seu coração sem vida, ele sabia que existiam outros como ele. Mas os havia perdido de vista durante os séculos que se passaram. Cada um preocupado consigo mesmo, sempre fugindo dos constantes ataques, do mundo cada dia mais perigoso. Era arriscado demais se aventurar sem planos definidos.
Mas ele continuava a ter as visões, a ouvir o chamado silencioso de um coração igual ao seu. Morto para a vida, mas vivo o suficiente para sentir, para amar e odiar.
Em suas visões ele via uma mulher, uma vampira como ele. Bela e forte. Sábia. Antiga.
Ele ouvia o chamado, ele sabia que ela estava a sua procura, a sua espera.
Ele a via em seu covil escuro, esperando por ele noite após noite. Chamando por ele.
Mas por que ela o chamava, por que ansiava por ele?
Ele tinha que saber tinha que ir até ela, não agüentava mais esperar por um bom momento.
Resolveu que seria nesta noite, uma noite tão linda e fria. Sim, ele iria até ela agora, não esperaria mais nada.
Usando seus poderes ele começou a levitar, ficando mais leve que uma pena. Deixou seu coração e sua mente livres para o guiarem na direção correta. E ele voou leve, ligeiro, as luzes das cidades lá embaixo, difusas. Um torvelinho de luzes e escuridões.
Cruzou montanhas, mares e florestas deixando-se levar pelo chamado, pelo coração.
Ela já sabia que ele estava a caminho, ele podia sentir a emoção, a ansiedade, a alegria depois de tanta dor.
A despeito de sua velocidade sobrenatural o dia estava amanhecendo, ele pode ver a claridade no horizonte. Era tempo de se esconder.
Desceu de seu vôo incansável pelo céu. Estava numa floresta, precisava procurar um local adequado para se esconder dos raios assassinos. Ele não queria mais desaparecer, agora tinha uma razão para continuar, tinha um ideal, tinha alguém esperando por ele.
Sem local aparente para seu repouso, Adolf cavou um grande buraco na terra coberta de folhas secas. Antes que o sono de morte chegasse, ainda teve tempo de enviar uma mensagem para sua amada.
_ Estou chegando meu amor, amanhã estarei ao seu lado. Finalmente juntos.
O sono chegou, nublando os sentidos.
Na noite seguinte ele saiu de seu esconderijo e iniciou o restante da viagem.
Estava bem perto agora, podia senti-la. Podia ouvir sua doce voz chamando.
Adolf voou por mais um tempo. Sentia até o perfume dos cabelos dela. Estava perto, muito perto.
Ele sentiu que chegara ao local. Olhou para baixo e viu as luzes da cidade.
Pisou suavemente no solo desconhecido.
Estava num beco escuro e fétido. Pessoas passavam apressadas na calçada. Assustado ele se escondeu no canto mais escuro e chamou por ela.
_ Estou aqui amor, apareça.
E então, de cima do telhado do prédio mais próximo ela pulou.
Adolf se virou na direção do barulho e finalmente a viu. Linda, etérea.
Vestia roupas estranhas, coloridas. Sensuais.
Seu coração a tanto morto, apertou-se no peito cansado. Ele a amava. Precisava dela.
Abriu a boca para falar algo, mas as palavras morreram na garganta.
Ela não estava só. Agora ele podia ver que havia outros três homens atrás dela. No afã de vê-la, de falar com ela, havia se esquecido de sua habitual precaução.
Quem seriam? O que estavam fazendo ali naquele momento tão esperado e particular?
Quando viu as estacas de madeira nas mãos deles, subitamente seu instinto de predador sabia que havia sido enganado.
Era uma armadilha, eles vieram para matá-lo, matá-lo outra vez. Matá-lo de vez.
E num segundo os caçadores estavam ao seu lado.
Ele havia sido traído, traído por ela. Mentirosa, pensou. Não havia amor, não havia nada, apenas ódio e vingança.
E ele sentiu as estacas entrando em sua carne fria, sentiu a dor dilacerante.
Seu corpo explodiu em chamas iluminando o beco escuro.
E finalmente sua alma vagou livre, em direção ao céu estrelado. Finalmente livre de tudo, de todos os traidores.
Livre talvez, para encontrar seu tão esperado amor e a paz para seu espírito torturado.
_ Pegamos mais um Endora, graças a você!
_ Vamos acabar com todos eles, serei a única a reinar na escuridão. Vamos rapazes, temos muito trabalho ainda. Já localizei outro vampiro. Vamos começar tudo outra vez..................



By Ana Kaya, the vampire

3 comentários:

Emerson Sarmento disse...

Ana que conto maravilhoso de leer...
Amei arretada!
kkkkk
Um xeruuuu

Me Morte disse...

Desculpe a demora, costumo ler mais de uma vez qdo é conto. É muito traiçoeira essa vampira, coitado!Eu esperava um final sangrendo a dois e vejam só,rss

Ana Kaya disse...

emerson, vc é um xerosu.

Me, obrigada. eheheh as vezes é bom surpreender tb né?

Beijos pros meus amigos lindos.