sábado, 5 de julho de 2008

Hermenêutica lupina



Aguardam-se longos caninos destes dedos que se desfiguram em sangue.

À noite qual uma várzea grande me esconde as fumaças brumosas.

Intolerância!

Não nos escritos. Não creio em censuras acho-as dilacerantes. Meu eu licantropo de há muito ri dos pequenos erros humanos. Hermenêutica.

Nem nos passos alados de Hermes há segredos. Atrofiar o sonambulismo opiato? As palavras são livres, já dizia Aluísio de Azevedo.

Transporto-me ouvindo aquele grito mais velho do Coruja. Lá, anterior a minha rapinada, encontrei o significado destas garras rubras. Caço sim, é inevitável. Meu ser lupino anda nas ruas em busca de sangue.

Como são curiosas as extravagâncias de um sorver dos lábios licantropo. Um arranhão proveniente das nebulosas em que me escondo, forja em teus lábios entreabertos o meu encontro.

Caço manadas de soberbos humanos, estou a limpar a noite do que lhe causa dano, me permuto também em sábios encontros. Nesta troca ambígua de valores restam os pântanos refeitos pelo sangue; a guardar vaga-lumes, estórias, mitos e incertezas.

Se são covardias nossas desonras? Conclusões amorfas que deixaram rastros de baba respingados. Há as desonras que vêem dos inventos dos sabujos rotos nas calúnias. Invertem o tempo como fazem os tolos.

Meus pelos crescem e a matilha saúda a lua.

Um comentário:

Me Morte disse...

esse tema é fascinante!
bom angela, bom demais...