quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Silenciado

a noite me disse
para ficar em silêncio

e eu fiquei.

mas ela mesma não ficava:

tinha sempre um gato preto
correndo na telha,
e um ruído sombrio sentado
na mesa da sala.

tinha sempre uma garrafa velha
espumando as horas,
e uma ventania que contra a janela
se suicidava,

mas era só minha consciência
que, embora
em mim, na própria noite
se espalhava.

André Espínola

2 comentários:

Jessiely Soares disse...

Sê bem vindo, meu bem.

Linda poesia!

=**

Me Morte disse...

Nossos medos são sempre parecidos com um gato preto...boa estreia andré, seja bem vindo!