sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Fruta Podre

Sentia sabor de sangue, mordia a fruta, mas não sentia o gosto,

Uma amargura me invadia e transformava meu rosto.

Os dias eram iguais as noites, escuras e frias!

Sentia nojo, como se estivesse no esgoto.

Apesar de estar pálida como quem vive da noite,

Meu estado era de ânimo, um estranho estado de vivência,

Não gostava da situação, mas sentia um estranho prazer,

Não gostava de viver, mas a angústia salientava uma dependência

Via-me em uma estranha questão

A solidão me fez dependente

Queria mudar de estação,

Mas minhas mãos estavam presas, como se fosse uma delinqüente

É estranho como estava naquele momento

Presa a momentos sombrios e tristes,

E mesmo que de alguma forma aquilo me fizesse ficar,

Experimentar o diferente me fazia querer voltar..

Seria o medo de se desprender do antigo?

Medo de enfrentar o novo?

Mesmo sabendo que poderia ser diferente?

Pois sabia que o momento, por mais que ruim, era "seguro"?

Fruta podre, acostumada aos vermes

Acostumou-se com o cenário em que vivia

Fruta que pode ter gosto e ser doce

Mas tem medo do caminho que desconhece.


Rafaela Malon (23/07/2008)


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