sábado, 15 de agosto de 2009

NA LIMPA E BRANCA MESA





NA LIMPA E BRANCA MESA
Thiers R>


Sou um ator
um mentiroso
um canalha do bem
sinto enorme prazer
em destroçar palavras
eu as enforco
até gritarem
Socorro!
Sendo civilizado
sensível
possuo um coração
que bate dentro
da maçã
vermelha
espetada
nas festas
Comam-me!
sou uma falsidade
sequer estou na fila pra me ver
muitas vezes passo o dia
na cegueira
dormindo no dedo de alguém
que me ama
pois arrumo letras
na mesa do jantar
branca e rendada feita por artistas
que trabalham com mestria
no santuário deposito o punhal
limpo, brilhante e afiado
esperando o exato momento de cortar
o músculo do poema e
fazê-lo jorrar




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Um comentário:

Me Morte disse...

Teu poema me lembra os adoráveis canalhas que tanto fascinam as mulheres...quem nunca foi fissurada num? Lindo!