quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Por detrás das lágrimas

Rasteja o ente entre as tumbas
Por sobre a terra fria e úmida
As vestes rotas pelo chão que o seguem
Levam um séqüito de flores pútridas

Criatura criada à imagem do Criador
Hoje vaga em meio a lápides e detritos
Aborto expurgado pela mãe desdita
Percorre as dores deste mundo insano

Este ser bizarro é mero espectro profano
Sacia o cio usando o vil metal
Mais fera híbrida do que humano
Rega folhas mortas com o sêmen fétido

A mão que estende é de chagas feitas
Lazarento resto do que foi em vida
Só vê sua imagem através das lágrimas

O reflexo que lhe devolve, não o reconhece
Simulacro de homem que já foi outrora
Insensato objeto do amor que jogou fora

Clama aos céus sem nenhuma prece
Chora, o pária, genuflexo
Ao ver sua alma pelo avesso.

3 comentários:

LEONARDO MORENO disse...

que poesia é essa, é sobre uma barata?

LEONARDO MORENO disse...

que poesia é essa, é sobre uma barata?

Me Morte disse...

é uma alma vista de dentro para fora, rs

eu gostei...