sábado, 5 de fevereiro de 2011

Atenuante

À noite minha cama
se enche de demônios,
e o choro de crianças não nascidas.

São césares, otelos, minotauros,
creontes, menelaus, jasões e midas.

Chegam de costas, como a saírem,
carregando as almas tortas
mancando atrás dos corpos.

São íncubos furiosos e antigos
de olhos másculos, músculos,
espartanos, falos maiúsculos
e vem brandindo os rabos
e os remorsos
pra ter alento
nessa boca tântrica
e na doçura soberana do meu dorso.

tenho o equilíbrio das forças
entre as cheetas e os antílopes,
papoulas, carma dos lobos,
entre meus dedos de morgana

tenho o olhar dos destinados
às grandes revelações e martírios
contrastando com a cara de sacana

e a pele santeria
manuscrita em pena ígnea
que dissolve cianetos,
aleijões, incestos,

e faz das faltas deles
meros palimpsestos.

Quando amanheçe,
e peço aos céus,
que acabe logo com isso...

bem, eles se vão, como a chegar,
quando repito, como se fora em prece:

"ao menos uma vez
me mandem cristo".

(postagem de 11/08/09, agora com vídeo feito por Márcia Regina Medina)

4 comentários:

Me Morte disse...

esses nossos demônios só aparecem na intimidade mesmo, rs
amei teu poema!

The Morning Star disse...

Gostei bastante =)

Um poema curto e agradável de ler!

Estou te seguindo e coloquei uma recomendação para o seu blog na lista de recomendações em meu próprio blog! (http://elfmetal.blogspot.com/).

Celso Mendes disse...

Maravilha! Adorei o vídeo com sua declamação também...

Beijo!

Flá Perez (BláBlá) disse...

obriada pessoal!

bjbjbj