segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Jazigo

Me sentei para contemplar
Carneiros voadores no céu
A suave briza acaricia meu rosto
Leve toque

Silêncio majestoso
Paz infinita...

Meus olhos chegaram a inscrições
Palavras de honras a alguém...
“Não me deposite flores;
Não me acendas velas;
Muito menos presentes;
Pois,
Todas as flores que poderias me dar
espero que já tenhas o feito.
Enquanto pude sentir seu maravilhoso aroma.
Não preciso de Luz,
pois já sou luz e todas as luzes destas velas
Iluminaram meus dias ao seu lado...
E nenhum presente terá o mesmo valor
que o tempo que passamos juntos.”

Notei uma bela flor
Crescida sozinha
em meio a tanto concreto...

Este descanso não porta identificação...

Senti novamente a carinhosa briza
Porém ela não tocava mais meu rosto
Mais sim o coração....

Passeio solitário ao campo santo

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tempo e morte

O tempo nos consome o tempo todo
A morte minha depende da minha vida
Tempo, morte e vida, inda severina são
Da existência consequência e razão

Uma pela outra não se troca
Dá-se a outra pela uma vez ou outra
Ah, quantas vida tivesse há tempo!
Ah, tempo mais tivesse pra uma só vida!

Justo, acordado, acerta os neurônios
posto que um rei é morto e a dama
de lilás jaz , decaída sem hormônios

Sob o balcão, ou cadafalso, o passo
Em falso e morto será, um fracasso
A trama é toda urdida, sendo a vida

domingo, 5 de junho de 2011

Perseguição

Ando fazendo versos como um condenado
que foge pela floresta as vésperas do cadafalso.

Ando fazendo versos enlameados,
arranhados das quedas desesperadas por chegar.

E chegam esbaforidos, descompassados
pra descobrir, no fim de tudo
que serão expostos
e postos,
inúteis, numa espécie de altar.

Quem sabe assim esgote o poço
onde me alimento de mim,
e então me sobre um pouco.

Vou talvez roer as patas,
escapar da armadilha, transbordar o copo

pra que me deixem de vez em paz
as Musas e os poetas mortos.

*Catopeblas é um animal que se alimenta dele mesmo.
Borges o descreve em seu livro" Livro dos Seres Imaginários"
Lhosa compara o escritor ao Catopeblas.

(poema de 23/07/09, agora com vídeo da Casa das Rosas)



(antes porém, declamo o poema Alegoria, já postado em meu blog)