segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Depois da noite amaldiçoada





Os últimos raios de um sol frio, quase aniquilado,
vieram ao alpendre me encontrar ainda duvidoso.
Não havia o som do vento, sequer um ser alado,
tudo que existia estava preso no véu misterioso.

Envolto em névoas densas, o mundo sucumbia,
nem mesmo uma lembrança da vida anterior.
No total silêncio daquela noite nada se permitia,
atônito, o luar capitulou, ora rendido ao amargor.

Não puderam ser rendidas últimas homenagens,
antes que se consumassem momentos fatídicos,
nada mais estaria vivo em dantes claras paragens.

No esplendor da destruição, a morte anunciada
selou sem glória os infaustos episódios verídicos;
não houve amanhã depois da noite amaldiçoada.

  

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