sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

ALMA ERRANTE


Tu, que sob o sepulcro grandiloquente,
Repousas entre os vermes, numa catalepsia.
Hoje tens visita.

Teus caros vêm à campa.
Choram por ti, em prantos autênticos.
Acorda! Senta sobre a lápide,
Alma errante.

Esta enxerga dura não é mais tua.
As flores sintéticas, os querubins de granito,
As correntes de aço que cingem teu mansoléu;
O epitáfio, assombroso, plangente,
Teu retrato esmaecido pelo sol e a intempérie,
Inclementes do campo santo.

O triste carvalho, ainda jovem,
Fincando suas raízes vigorosas
No húmus pútredo do teu sepulcro.

Alma errante!

Acabou!
Aí é só podridão. Estagnaste.
A terra clama por teu corpo.
Dá-lo a ela. Os brotos precisam ser germinados.

O guardião te espera.
Desvencilha-te das amarras
Dos prantos dos teus caros.
Do forte magnetismo do epitáfio.
Da perfeição do granito negro.
Das correntes de aço que cingem teu mausoléu.

Um comentário:

Me Morte disse...

MACABRO!
MUITO MACABRO!
bOA ESTREIA.