terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Despeço


Despeço-me de um sonho inevitável
Meneio a cabeça, aquiescente,
Se era para ser o improvável
Que fosse, ao menos, algo delinqüente.

Que me tomasse as rédeas da vontade,
Que me fizesse um paria assumido,
Mas sob a aura do tanto vivido
Não há nem o que fique, nem que reste

Nem veste sob a qual me esconda ou guarde
Nenhum lugar no qual me sinta em casa
Nem o conforto de ave sob a asa
Nem ninho que me acolha e nem fonte.

Nenhuma sinalização de lar
Que fosse, pelo menos, um lugar
Onde aportar seria oportuno
Mas jamais tive alma de gatuno

Portanto, me despeço deste sonho
E abro, triste, as portas de tua alma
Pra calma que eu jamais ofertaria.
Que é nada, não apenas calmaria,
Só a tua fria eqüidistância
Minha ânsia, nessa doce coincidência.

Um comentário:

Me Morte disse...

Teu poema passa uma tristeza incrível! Muito bom Ruy. Como sempre.