sábado, 12 de abril de 2008

CRIATURA E CRIADOR




O sol estava se pondo e o ultimo familiar, aquele mais pesaroso se movia para longe do local. O coveiro terminava de encostar a lápide de mármore ocultando o caixão de pinho em que o jovem rapaz havia sido enterrado. Na plenitude de seus dezesseis anos sua vida fora ceifada bruscamente por um carro que invadira a calçada em que ele caminhava.
O corpo havia sofrido sérios danos internos, ficando dilacerado em vários pontos. Enquanto que seu rosto ficara intacto mantendo a face juvenil perfeita. O coveiro percebeu isso quando a pequena tampa do caixão havia sido aberta pela ultima vez no cemitério, para os familiares desconsolados despedirem-se.


O homem conhecedor dos mais variados tipos de corpos encantou-se com a beleza do jovem rapaz, seu cabelo negro sua boca de lábios bem marcados era perfeita, ele nunca vira algo assim.
Esperou que a noite caísse e as sombras fúnebres do cemitério ocultassem sua presença. Dirigiu-se para o túmulo do belo jovem o qual ele havia selado de forma precária já prevendo sua visita noturna. Abriu o esquife e vislumbrou o rapaz coberto por orquídeas até a cintura. Como era lindo, parou um instante para gravar em sua memória a belíssima cena, o cadáver mais belo visto por ele em anos de serviço.
Tocou as faces do jovem, gélidas, mas vívidas como se ele estivesse a abrir-lhe os olhos a qualquer momento. Com uma pequena cerra ele demoradamente decapitou o jovem tendo o máximo de cuidado pra não lhe prejudicar a beleza. Reparou os quão destruídos estavam os restos da parte inferior do corpo do menino. Sentiu-se satisfeito por a face estar a salvo.
Ocultou a cabeça dentro de um saco e saiu rapidamente do lugar. Estava visivelmente excitado com seu ato de paixão pelo defunto.
Chegando em sua casa pôs-se a admirar seu mórbido troféu, lindo colocado sobre uma mesa de centro. Enquanto a estante da sala abrigava pedaços de corpos expostos e bem ao topo da mesma um dorso feminino com pequeninos seios.
Colocou sua bizarra coleção sobre a mesa da cozinha, costurou pacientemente a cabeça do jovem no dorso feminino, seria um belo rapaz com entranhas femininas capaz de gerar um filho, com um golpe seco decepou a vagina do dorso e colocou uma pequena vulva infantil, pois esta possuía a pureza necessária para o ser perfeito que ele vislumbrava. Igualar-se-ia a deus, então, pois ele sabia que possuía o dom da criação.


Terminou de gerar seu belíssimo ser, e se submeteu ao auto sacrifício àquele que só um pai faz por seu filho ou um amante faz por sua amada. Esfaqueou o próprio peito com uma adaga abrindo a si próprio e oferecendo seu coração a bizarra criatura morrendo lentamente a seus pés.

de Juliana T. P.

4 comentários:

Me Morte disse...

Uau!!!
Que coisa macabra!!!Muito bom!
Santa Juliana dos contos sombrios, lindo!
Parabéns moça, prendeu a atenção do começo ao fim e, o final, que final!
Uma ótima surpresa!

Ana Kaya disse...

Juuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu menina, vc me surpreende mais a cada dia, a cada texto.
Realmente adorei. Já sou sua fã, em todos os sentidos.
Além de uma grande amiga, humilde, bacana, carinhosa, és uma diva escrevendo.
Queria te dar um abraço apertado.
Parabéns, continue nesta linha vc se dá muito bem em textos assim.
Beijos enormes minha fofa linda.

Thiers R> disse...

Parabéns Ju, real/ a Me tem razão, ficamos querendo saber o que acontecerá.. Estarrecedora criatura, e exótico criador.. Aquele frase final arrepia cara! Dar a "seu"
filho o ppio coração, dar sua vida ao ser inanimado.. Loucura Ju... Natural/ uma exelente narrativa.
Somos colegas de blog, mas eu n a conheço.. ou conheço e n sei?? rs..

Baccios,
Thiers

Juliana T.P. POE disse...

Galera obrigado pelos comentários...

adoro vcs
bjão