sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Paz




Padecer em sílabas não ditas, que fervilham o meu silêncio distraído, desapercebidas por tua dormência que me olha nos olhos e sorri nos intervalos. Apenas minha forma de te amar, poupando-a de que se dê conta das tuas mãos atadas, como as minhas. Para que? Ao ver não terás mais o engano que supõe paz, dita pela hipocrisia em alta resolução digital, que não nos permite enxergar a nossa inaptidão para a verdade.
Eu não me atei, conhecer não é suficiente para que eu me liberte. Dos tantos sábios que se contradizem, ganhamos o direito de rir, nada mais.
Que se escolha um charlatão qualquer a seguir, crendo neste ou naquele indiferentemente, não signatários de si próprios, ou seriam mais cuidadosos ao apresentarem suas certezas a quem lhes aplaude sorrindo, que me olha, sem supor que o meu silêncio a poupe de mais uma verdade contrária e plausível.
Engulo palavras ocas, adaptado-me a tua atmosfera propícia. Minha verdade não se enquadra no teu senso favorável e crente. Eu, frontalmente divergente ao clã que desagravo, dou-lhes as costas, quando em trajes de seda negra solicitam a minha última camisa. Recuso sua conveniência, banindo-me consciente e me desobrigo prazeroso do seu fervor dominical.
Quis crer que pudesse ir de encontro ao autêntico, vi que, se autêntico, me sabe, apenas. A maior distância que cumpro assim, é a da minha própria respiração, até quando isso a ela mesma provier.
Vá, salve-se do meu falso silêncio, regozije-se como quiser, enquanto penso que a tua felicidade ilusória possa ser a minha suposta paz.

3 comentários:

Me Morte disse...

Mais direto que qualquer depoimento!
Mas, pelo menos, esclarecedor.

ociné disse...

Direto?
Esclarecedor?
Que bom Me, então me explique, pois eu não o entendo muito bem. Só palavras juntadas, uma cena de novela, talvez. Mas obrigado por tê-lo lido e comentado.
Beijo!

Raiblue disse...

Querido,René!

Amar é padecer?

É melhor o silêncio e uma suposta paz que se desfaria ao mínimo contato...porque aquilo que se imagina é sempre mais prazeroso do que aquilo que 'é'...??

O autêntico é aquilo que se mostra, de fato? ou isto é apenas o que se sabe... e o que sabe nem sempre é o que 'é'?...porque o que é está sempre em movimento,talvez nem mesmo nós saibamos...???

Sentir é ir além do que se vê...é tocar o invisível do outro...e finalmente enxergá-lo...?

R...meu querido...reflexões profundas...
Parabéns!

E obrigada por me levar
pra dentro...nesse silêncio onde temos que nos encarar...

Beijinhos azuis...
RAI