domingo, 17 de maio de 2009

Certidão



O ritmo marcado afro
Oito velas tremem acesas
A nona à conclusão

Sete fitas e um nó sacro
Do túmulo sua certeza
Rudimento cingido à mão

Remove o livro do saco
Assinala páginas ilesas
A lê-las na atuação

Tragou puro tabaco
Destilado escorre à mesa
Arranjo da sensação

O arrepio é de um fraco
Que espera por gentilezas
Da faca a cortar-lhe mão

Gagueja o escrito opaco
Deita noite à sua Peleja
Nega o próprio coração

O sangue escorre ao prato
Retoma sua ruiva beleza
Confiou-se em gratidão

Obriga ao malogro trato
Do belo pela esperteza
Em vermelho na certidão

A nona marca no ilíaco
Escrava de uma destreza
Concebeu sem intuição

Um comentário:

Me Morte disse...

caramba!!! vc me surpreende a cada dia! isso é coisa de quem entende do riscado de cor e saltiado, como dizia minha mãe, rs
parabéns! muito lindo!