quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

† Secas Feridas †




Feridas abertas
Regadas às chagas
São pústulas sempiternas
São folhas rasgadas

Quand´o sangue coagula morno
Respingando da tez deruptiva
Anjos despencam no frívolo engodo
Exumando-se em sonata abortiva

Feridas são fendas abusivas
Degladiando-se ao coração prestimoso
Nacos d´almas maltrapilhas
Passado d´um futuro glorioso

Opulentas nuvens pestilentas
Carregadas na secura sentimental
Férvidas gotículas lamarentas
Chuviscos das flores do mal

Sanguessugas portadoras virais
Em salutantes danças lamuriosas
Nênias sibilantes e sepulcrais
Odes maestosas e ruidosas

Seco, por fim, o cruor agourento
Lambendo o sangue coagulado
Findando os tons macilentos
Urjindo pelos beijos dizimados


Tiago Tzepesch 
http://luciferoscanticos.blogspot.com/

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