quarta-feira, 28 de julho de 2010

Soneto da anunciação



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Soneto da anunciação

Diante da madrugada esvaída
caída,a noite chora no canto
a aurora vem de notas esquecidas
na agonia de versos brotando.

seguido de uma voz cantando
o sol em brando verve a luz
nos azuis raiados entrelaçando
cordas e poesia a noite conduz.

E quando anuncia sua chegada
a voz belamente soa sobre o sol
dos lábios rosados em seda - lençol.

E quando calada o silencio pasma
a madrugada que derrama saudade
ostenta a dor de uma breve felicidade.

Por Emerson Sarmento.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Rastejante Maldito

Faminto em profunda decadência
e miséria rasteja o trôpego,
em sua desgraçada vida
o indigente apenas existe.

Farejava dor e putrefação,
ao mastigar restos e carniça
nomeado mordazmente:
Rastejante Maldito.

Rejeitado com chorume nas veias
sua carne repuxada sustentava
uma pele cadavérica
que sorria doentemente.

Distante de nossos sentidos
a fantasmagórica criatura
desejava uma vida verdadeira
mas só levou migalhas e surras.

Morreu! Um sem-número de cabeças
observaram seus restos mortais
negando que sua origem
é o mesmo ventre nos pariu.


- Mensageiro Obscuro.
Março/2010.


Foto: "Escolhas" por William A. R. Ferreira.
Portal do artista: Will Artes

sábado, 24 de julho de 2010

Morrer de amor

Só morre de amor quem mais não tem amor,
então não morre de amor, morre de desamor.
Vive mais quem ama sempre.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Fronteiras

"Entre mim e a vida há
uma ponte partida...”
(Fernando Pessoa)


tenho navegado sobre duas vidas
duas dimensões
duas fases do tempo

projeções distintas
verdades partidas
mentiras divididas

nesta viagem abstrata
em que a espera
confunde-se com a busca
meu voo é subterrâneo e solitário

eu tenho estado entre dois mundos
entre dois sonhos
entre quatro olhares
trinta e três palavras
infinitas imagens
uma só tristeza
e a única certeza:

do que fui
do que sou
tornar-me-ei
o que me restou

(Celso Mendes)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O DESAFIO

Desafios eram comuns entre os amigos que se reuniam no clube dos destemidos. À parte os arroubos juvenis, eles se consideravam verdadeiros heróis, além de ignorarem o medo, adoravam sentir a adrenalina eclodir numa explosão de energia. Quanto mais arriscada, se mostrasse a aventura, tanto melhor.
No entanto, até mesmo entre os mais insensíveis ocorre estabelecer um limite para os desvarios a serem cometidos. Moradores de uma região interiorana, habituados aos costumes vigentes, mesmo desejando romper com a mediocridade da maioria, eles eram obrigados a reconhecer que alguns tabus ainda os incomodavam; entre eles, o território proibido. Nenhum deles admitia, mas o território proibido era um desafio que nem entre eles estava em consideração.
O tão temido território localizava-se além dos limites da área urbana. Uma antiga fazenda que o tempo e as políticas econômicas cuidaram em reduzir a um mero sítio. O terreno restante englobava uma considerável porção de terra e uma imponente, porém abandonada, construção.
Circulavam inúmeras historias a respeito do passado da casa grande, mas nenhuma delas podia ser comprovada. De todos os boatos que corriam, a única certeza era de que a fazenda tinha pertencido a um rico proprietário de escravos, um dos muitos cafeicultores da região. Alguns anos antes da proclamação da Lei Áurea, uma rebelião eclodiu e acabou em um banho de sangue. Quando as autoridades chegaram a propriedade os escravos sobreviventes tinham fugido e os corpos dos antigos proprietários estavam espalhados, divididos em dezenas de partes.
Desde então, as histórias se multiplicaram. Assombrações, maldições, mortes inexplicáveis, desentendimento entre as famílias que se atreveram a comprar a propriedade, enfim, todo tipo de superstição comum a lugarejos perdidos no tempo.
A rotina seguia sua normalidade até a chegada de um estranho. Um visitante em si já seria motivo de falatório e atenção sem limites, mas aquele estranho parecia decidido a se tornar o centro das atenções. Começando pelo automóvel incomum que ele dirigia. Nenhum dos moradores conhecia sua marca ou modelo, além deste detalhe, ele era todo preto brilhante e seus vidros escuros impediam qualquer observação de seu interior.
Fosse apenas pelo carro, ainda poderia se considerar alguém possuidor de índole extravagante, mas todo seu visual era destoante da habitual moda local. Assim como seu veiculo, o individuo trajava vestes negras, coladas ao corpo e tão diferente de tudo que conheciam que era impossível definir o tipo de tecido em que foram confeccionadas. Os longos cabelos brilhantes escondiam parte do rosto que se exibia ainda mais exiguamente devido aos óculos escuro que cobria os olhos.
Dizer que ele causou frisson inédito é seria minimizar as reações. Mas os mais incomodados foram os sócios do clube dos destemidos. Antes da chegada do estranho, eles eram a nata da sociedade local. Todas as moças se derretiam por eles, mas agora o estranho estava roubando toda a atenção. Em segredo, eles se reuniram tentando encontrar uma maneira de anular a interferência do indesejado visitante.
continua AQUI

terça-feira, 13 de julho de 2010

Convite - Adriano Siqueira - Georgette Silen

Convite - Adriano Siqueira - Georgette Silen

Olá pessoal,

Convido à todos para irem neste evento sobre Vampiros que será no dia 31 de julho na Livraria Saraiva Megastore Shopping Center Norte às 19hs

CONVITE BATE-PAPO SOBRE VAMPIROS - 31/7 na Livraria Saraiva MegaStore Shopping Center Norte, às 19hs - Bate Papo com Adriano Siqueira e Lançamento do livro de Vampiros - Lázarus da autora Georgette Silen - Editora Novo Século

Abraços
Adriano Siqueira

segunda-feira, 12 de julho de 2010

“BLUE FEELINGS”



Blusa azul, “blue feelings”.
Pulseiras e brincos combinando.
Meu coração dilapidando.
Onde o consolo do tornado?

Vento que ceifa que leva.
Os sonhos tão acalentados.
Leva a tristeza, leva a vida.
Leva a terra tão sofrida.

E meu coração está inquieto.
Sem rumo, sem destino certo.
Vida “blue”, blusa azul.
Tentando embelezar o que detesto.

E o vento uiva sem dó.
Levando tudo de uma vez só.
O azul enegrecido do céu tempestual.
Tão “blue” e negro, como um portal.

O portal que leva para dentro de mim.
O portal que é azul e negro sem fim.
“Blue feelings” em seu interior.
Destruição, lágrimas, gritos de dor.

Olho para o céu azul.
Logo após a tempestade.
“Bluee feelings” é o que resta.
Desta vida de dor que não presta.


By Ana Kaya

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ÉTER


Não sou eu nos traços,
nem meu corpo efêmero

e mesmo que perdesse
(de repente, aos poucos)
todos os meus membros
ainda seria eu

e nada menos.

Não sou eu meu nome
(esse que escolheram),

- som tão inventado e fraco
reverberando o espaço -

E se mesmo perdendo a voz
ainda penso,

sou feita de algo
que afronta o Tempo.

Inútil, pois, interpretar meus olhos:
são apenas sombras, reflexos,
sem nenhum intuito

e podem mudar a qualquer momento.

sexta-feira, 2 de julho de 2010