segunda-feira, 31 de maio de 2010

Desenho de terror - temas fantásticos - Epigrayne de Anderson Siqueira

domingo, 30 de maio de 2010

Balanço

sábado, 29 de maio de 2010

Pelo meio






Duas migalhas bastam
Para ocupar o espaço vazio
Desse meu ar desocupado
Se um amor tivesse ao lado
Ao meu coração restaria
Só a lembrança de que fui sozinho...



Me Morte

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Soneto da Tristeza


-

Soneto da tristeza


Os dias que passam mal nascem
e mostram rosas de lira morta
tão tortas das petalas que fazem
cair orvalho da face que desflora.

Tão pequeno aos céus que implora
os versos da alma em carne tristonhos
saudando sonhos em sangue de glória
a vida passa triste em dias medonhos.

Tantas são as quimeras de grinaldas
que enganam as narvalhas das ilusões
enchendo canções de esperanças caladas

No sangue és a alma em tantas inspirações
és tu tristeza,dolorosa tristeza cevada
que nesta aurora tiveste a primavera dada.

Por Emerson Sarmento.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

RELOGIO HUMANO







Prefácio


“Tempo, tempo, tempo, faço um acordo contigo…” diz a letra da canção, colocando o tempo como um ser animado com quem podemos falar e tentar fazer um acordo. Que tipo de acordo faríamos com ele? Pediríamos que passasse mais devagar? Porém, isso nos daria um tédio terrível! Pediríamos que voltasse para que pudéssemos reformular nossa vida? Será que mudaríamos alguma coisa?
Nietzsche, quando falava do tempo, dizia que vivíamos num eterno retorno. Para ele o tempo é algo circular e não linear. Penso que o filósofo tem razão: o tempo são ciclos que se repetem: embora não sejamos nunca os mesmos, vivemos ciclos muitos parecidos.
O fato de sermos finitos e de morrermos faz com que tenhamos medo da passagem do tempo que nos leva inexoravelmente ao envelhecimento e à morte. Assim, o homem busca na religião, nas artes, na literatura e em outras tantas áreas do conhecimento humano respostas para algumas questões.
Mariângela Padilha, como toda boa poeta, também se debruça sobre essa questão do tempo e o faz com maestria. Suas poesias trazem essa inquietação que move os artistas, intelectuais, filósofos e todos os seres humanos: as angústias que permeiam a nossa existência, a perplexidade diante dos fatos da vida que não entendemos muito bem com a razão, mas que falam ao nosso sentimento.
Nesse livro seus poemas falam de amor com lirismo, de dor com sentimento, de problemas sociais sem ser panfletária. Carregados de lirismo revelam a profunda sensibilidade artística da poeta. Destilam emoção sem serem piegas.
Para não alongar muito esse prefácio, pois creio que os leitores estão ansiosos pelos poemas, recorro a uma frase de Nietzsche: “A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!”.


Geralda AparecidaDias
Um lindo dia de maio, outono de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

com sorte, vida e morte era






















Lançamento em 15 de junho, na Palavraria Livraria Café, em Porto Alegre, às 19 horas.



Depois da luz
a sombra se impõs
reluzente entanto era
era do encanto, assombrada
urgente, pudera, pois
sequer seduz a gente
ninguém inda se dipõs

dizer mais é preciso
viver desnecessário
tanto é pouco o juízo

fazer-se de conta
em fins de contas
já não conta, nem
a sorte de alguém
a morte que vem
será norte, porém

viver ou morrer
morrer, apenas
se um dia viver

sexta-feira, 21 de maio de 2010

PÂNICO



Sempre o medo e a angústia, a falta de cor selando seu semblante desbotado de vida e a música do silêncio a pesar sobre seus ombros. O ritmo acelerado de um coração mecânico, autômato, que nem mais lhe pertence, bate forte e descontrolado como a querer saltar de seu corpo, o mesmo corpo que flutua, límbico, na eletricidade de sonhos psicossomáticos; os mesmos sonhos focados na direção imagética de seu olhar estático.

Percorrer caminhos arteriais só leva a retornos venosos, escuros, tortuosos e sem oxigênio. Alma sufocada, seus olhos, por alguns segundos, arriscam explorar um vazio cercado de coisas sem razão ou sentido. Plantas artificiais enfeitam o dia fabricado por encomenda enquanto cãezinhos latem até acabarem suas baterias.

Estabelece-se um contato com o centro do nada. Segue brincando com lágrimas presas, que brilham, mas distorcem sua visão, e tenta, assim, esquecer que o sangue inunda lentamente seu mediastino prestes a transbordar ansiedade ou implodir sua tristeza. Já tem consigo uma certeza: não há anatomia que resista a mais um dia tonificado de pânico. E a noite chega.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

UMA VOLTA AO PASSADO








À VENDA NO SITE CLUBE DOS AUTORES MIL NOVECENTOS E ANTIGAMENTE LIVRO IMPRESSO com histórias apaixonantes!
“Mil Novecentos e Antigamente” é um resgate da ingenuidade e pureza dos romances dos anos 60. Livretos de bolso eram vendidos aos montes nas bancas e nos transportavam ao mundo dos “Principes Encantados”. Em “Mil Novecentos e Antigamente” o amor é peça fundamental da história, com muita paixão, mas sem o apelo sexual grosseiro, tão evidente na literatura atual. Quer viajar no tempo? Inicie sua leitura e delicie-se com tramas repletas de romantismo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

MEDO DEVORADOR



MEDO DEVORADOR


Ía pela rua, sentava na calçada,
do outro lado olhava-me.
Descalço, fingindo-se de mendigo,
estava ali
procurando-me.
O que queres medo?
Por que penetras meu espaço?
Invades minhas noites?
Torturas minha paz?
Responde o desgraçado.
Por que sou teu outro lado!
Pego minha lança,
com lágrimas escorrendo,
cravo um punhal, e mato.
Mato um pedaço meu,
mato o que não quero.
Mato meu terror!
Olho pro chão e no sangue escorrido,
toco o diamante azul.
Pego
implanto-o no peito!




**Gaivota**



* * * * *

domingo, 16 de maio de 2010

FALIDO



FALIDO
Thiers R >



Ombro desnudo

veste pavor

esta noite

cai em prantos

cavidade semi extinta

abre-se como argola

da boca

escorre sangue

palma desfeita

coxa macia

luz difusa

boca falida

vadia

rompe o dique da paixão

perco-me

sombra que me faz farsante

lua que me retalha

fogo que me consome

noite q’escapa

dobra esquinas

atrás do sono

fecha portas

o amor se queima

na ponta dum cigarro

ainda aceso





> > >

sexta-feira, 14 de maio de 2010

METAMORFOSE

O ambiente recendia sangue. A desordem dominava todos os aposentos da residência. As roupas estavam espalhadas, os moveis revirados, objetos destruídos, enfim, o caos se instalara por completo. Em meio a tudo, um corpo seminu repousava inerte. A escura mancha, em que se encontra banhado, é a origem do aroma dominante.
Os traços delicados e belos da jovem ainda guardam um certo viço jovial. Há dias que ela deixou de habitar entre os vivos, mas estranhamente as expressões cadavéricas não marcam seu semblante. Observá-la, além do cenário de destruição, confere a falsa impressão de que ela dorme.
Uma diáfana figura contempla, a cena, dominada pela revolta. A semelhança com os traços da jovem leva a concluir que se trata de seu espectro ectoplasmático. Durante os primeiros dias posteriores ao assassinato, ela se deixou dominar pela dor entregando-se a um pranto que parecia não ter fim. Agora o sentimento que a dominava era o ódio mais ferino.
Sem saber como deixar o ambiente, ela sentia-se impotente e isto aumentava ainda mais seu ódio. Ela queria sair à procura do responsável por sua morte. Embora confusa, as cenas insistiam em se repetir em sua mente. Desde o encontro casual até o momento em que o maldito a esfaqueou.
A noite mostrava-se convidativa para aqueles que adoravam perambular por seus domínios. O ar tépido e a lua esbelta despertavam sensações inebriantes. Qualquer resquício de desanimo evaporava sob a regência de uma noite tão auspiciosa.
Caroline admirava-se diante do espelho. O corpo escultural e perfeito era seu maior trunfo para conquistar tudo que desejava. Muitos de seus amigos a alertavam sobre os riscos que corria, mas ela os ignorava. Tudo despeito, considerava sem se dignar a ouvi-los. Seus olhos se desviaram por um momento para percorrer o imenso banheiro. Mesmo ali ela tinha muitos exemplos do quanto era desejada. Jóias e outros agrados misturavam-se as vestes de grife, aos perfumes importados, enfim, ela tinha tudo que sempre desejou e sem precisar se prender a um emprego enfadonho.
Seu local predileto, para noitadas, estava repleto de pessoas ricas, nem todas famosas, mas a fama era ago que ela podia muito bem dispensar. Interessava a carteira recheada e os mimos que seu corpo podiam conquistar. Sabia que bastava um olhar mais caprichado, um sorriso mais afável, uma insinuação mais explicita e o pato da vez estaria em suas mãos. Naquela noite não seria diferente.
Durante duas horas ela rodou pelo salão lotado. Um copo de bebida nas mãos, o corpo sempre movendo-se com graça ao som das músicas que ela quase não ouvia, mesmo estando em uma altura ensurdecedora, o olhar garimpando entre os presentes. Seu instinto de caçadora apontava um ou outro, mas ainda não havia se decidido em aceitar nenhum dos gracejos que lhe dirigiam.
De repente sentiu um olhar mais firme cair sobre ela. Sempre acreditou que possuía o controle da situação, imaginar-se dominada pela sensação que se apossou de seu âmago a deixou contrariada. Resistiu o mais que pôde, mas foi obrigada a voltar-se na direção de onde sentia vir a força que a chamava.
Assim que identificou aquele que a prendia com os olhos, sentiu seu corpo estremecer e arrepiar. Aquele não lhe pareceu um homem comum. A aura de mistério que o envolvia a deixou indecisa e insegura. Seu instinto de preservação bradou o mais forte que pôde para que ela evitasse o contato, mas sua libido aflorou com uma violência que ela jamais havia sentido.
Devido ao fosco dominante e ao fato de cada um estava envolvido com suas próprias conquistas, ambos se entregaram ao delírio que ardia em suas entranhas. As caricias eram ousadas e incessantes. O ardor aumentava e ela sabia onde aquilo a levaria. Um misto de prazer e medo a fez desejar mais do que nunca se entregar aquele homem. Não fosse pelo controle que ele demonstrava, teriam copulado ali mesmo.
O trajeto ate seu apartamento foi totalmente despercebido. Mesmo ao volante de um possante automóvel, eles se devoravam com volúpia. Em nenhum momento ela se perguntou como ele conseguia manter a atenção ao trafego ao mesmo tempo em que a explorava com as mãos. Sua mente só tinha espaço para o tesão que a consumia.
Antes mesmo de trancar a porta, suas roupas já estavam atiradas ao chão. A boca do estranho colava-se aos contornos de seu corpo num bailado intenso. Fora de controle, ela deixou que ele assumisse o comando das ações. Estava tão entregue que não se deu conta do momento em que ele a havia invadido. A carne sendo possuída pelo instrumento viril incendiou-a ainda mais. A mente consciente esvaeceu incondicionalmente.
Toda voracidade carnal só foi contida, totalmente suprimida, quando a dor se manifestou. Seu olhar assumiu aspecto grotesco, sua respiração falhou, sua libido se apagou, o prazer morreu no florescer de uma dor sem igual. Sua carne ainda estava sendo possuída pela virilidade máscula, mas não sentia mais prazer, apenas dor.
Assim que recuperou parte de suas faculdades, levou seus olhos para o ponto onde a dor se manifestava. Não precisava ter olhado para saber que sangrava. A tepidez do líquido que escorria por suas coxas era suficiente para saber que seu amante a ferira contundentemente. Mas como? Aquilo era impossível!
Não foi através de um objeto que pudesse ter se tornado uma arma. O instrumento que a feria estava dentro de sua carne. O potente músculo avançava dentro de suas entranhas ultrapassando os limites impostos pela conformação física. Ele a estava violentando no mais explicito dos sentidos da palavra violentar.
No limiar da inconsciência, ela passou a ter visões confusas e irreais. O estranho já não lhe parecia mais um ser normal. No lugar do homem atraente e belo, um ser de feições demoníacas a mirava com ar de puro desdém. O escárnio que cintilava em seus olhos a deixava impotente. Ele divertia-se com seu sofrimento.
As feições humanas alternavam-se com um rosto animalesco. Chifres pontiagudos e ameaçadores dominavam a fronte que antes era coberta por cachos dourados. Os sussurros roucos de intenso prazer eram substituídos por grunhidos selvagens e grotescos. Onde estava a barreira que a separava da loucura?
Em seu desespero maior, tentou libertar-se dos braços, mas não obteve êxito. Ele a dominava por completo. Suas forças não eram páreo para a brutalidade do animal que a possuía. Fosse quem fosse, aquele ser infernal não parecia disposto a abandonar o festim antes que o último suspiro houvesse se perdido. Para sua tragédia pessoal, ela era o prato principal do banquete bestial.
Repentinamente tudo se apagou. Num átimo e apenas as trevas se manifestavam ante sua mente diluída. Não havia mais dor, mais excitação, mais medo, mais vida... o nada dominava absoluto. O tempo, e tudo que estava relacionado ao mundo material, perdeu seu sentido. A morte chegou mansamente.
Assim que sua alma se libertou do peso material, sua consciência começou a retornar. Demorou um tempo até que ela se localizasse. A visão, de seu belo e escultural corpo jogado de qualquer maneira sobre uma poça viscosa, a deixou ensandecida. O que aquilo representava? Estaria tendo um pesadelo? Por que não conseguia gritar com todas suas forças? Teria ficado louca?
Flashes espocavam em sua mente. Cenas confusas se misturavam sem que ela conseguisse atinar sobre seu significado. Luzes piscavam em algum lugar, vozes ecoavam vindas da escuridão, risos e gritos troavam sem que ela conseguisse ver alguém. As manifestações a deixavam mais e mais perdida.
Sentiu seu corpo ser dominado por um desejo feroz. A carne ansiava pela possessão que a satisfizesse. O desejo sexual foi crescendo até tornar-se insuportável. Não tendo como atender os apelos da carne, passou a esfregar os dedos estimulando seu órgão sexual. Não demorou a constatar que esfregar apenas não lhe bastava. Sem perceber, logo estava introduzindo um, dois e mais dedos em suas entranhas.
A loucura substituiu a certeza da morte.
A razão só voltou a manifestar seu domínio quando a dor a golpeou. Sentiu seu útero ser devorado por uma força descomunal. Mesmo sabendo que o órgão possuía insensibilidade, não conseguia afastar a sensação de dor que a dominava. O sangue voltou a vazar por suas pernas. Como era possível? Não estava mais na posse de seu corpo físico e mesmo assim sentia o sangue verter de seu interior.
Foi ao mirar a poça rubra que se acumulava sob seus pés que o viu. A principio imaginou ser mais um delírio, mas não. A face diabólica que a fitava não era uma miragem. Os olhos vermelhos a desafiavam com uma tenacidade ígnea. O que aquele ser abjeto ainda poderia querer? Não bastava tê-la assassinado?
Desejando afastar aquele incômodo, cerrou os olhos. Tudo se tornou ainda pior. No lugar da escuridão sufocante, surgiu um ambiente mais apavorante. Labaredas irromperam de todas as direções. O fogo consumia seu corpo causando-lhe dores mais intensas. O pesadelo parecia não terminar mais.
Na vã tentativa de fugir daquele vórtice solapante, voltou a descerrar os olhos. A sensação de ardência bem como as labaredas desapareceram de imediato. No entanto, já não eram mais dois olhos que a miravam sarcasticamente. A silhueta completa de um diabo a encarava da escuridão.
Num último esforço para fugir ao pesadelo, ela tentou gritar. Sentiu que sua garganta estava ressecada. Não era capaz de emitir som algum. Suas mãos buscavam algum ponto de apoio, mas a escuridão era impenetrável. Tateou desesperadamente. Ousou alguns passos vacilantes, mas teve que detê-los ao notar a ausência de um piso mais seguro.
Há muito que o desespero tinha se transformado em terror vivo. Olhos abertos e era obrigada a contemplar a face escarnecedora daquele demônio; olhos cerrados e eram as labaredas e a sensação de ardor que a dominava. Como escapar daquele inferno? Será que isso era possível?
Em meio ao pânico reviveu alguns momentos os quais nunca dera qualquer importância. Alertas insistentes, apelos repetitivos, admoestações urgentes. Os rostos amistosos iam sendo substituídos por expressões sisudas. Uma questão tardia a assaltou: por que não considerara as advertências dos amigos? Os mesmos rostos que se mostravam sisudos voltaram a modificar seu aspecto tornando-se máscaras escarnecedoras. Seu desespero intensificou-se.
Neste ponto crucial de sua insanidade foi que tudo se obliterou. Medo, dor, desespero, loucura, excitação e impotência foram aniquilados por uma força maior e mais viva. A Tônica de seu âmago foi sendo ocupada por um apelo incontrolável. Ódio! Não lhe restou mais nenhuma emoção. A efervescência única era reflexo de um ódio intenso que não podia ser destilado ou ignorado.
Assim que sentiu todas partículas de seu ser serem dominadas por aquela energia destruidora, ouviu o mais aterrador riso ecoar na escuridão. De repente tornou-se consciente de que seu algoz aguardava justamente pelo momento de sua metamorfose. A frágil e inconseqüente mulher humana se fora. Não bastou que ele a matasse fisicamente, o ato teria que ir além. Ele queria que ela morresse enquanto espírito consciente.
Lampejos fugazes ocorriam como se uma legião de pequenos pirilampos a rodeassem. Lentamente a escuridão foi recuando. A incipiente claridade obrigou-a a fechar os olhos. Era necessário readaptar-se a manifestação luminosa. A cortina que obscurecia seus sentidos foi suprimida e ela pôde contemplar o ambiente que a acolhia.
O que era desespero transformou-se em terror. O terror tornou-se ódio. Quando o desejo de vingança aflorou, ela pensou que nada mais poderia impingir-lhe angústia que a fizesse desejar o estágio anteriormente atingido. Mas ela estava enganada. Aquilo que sobreveio a escuridão era muito pior do que ela podia imaginar... ou desejar.
Espelhos resplandecentes ladeavam todo o ambiente. O reflexo luminoso não era tão intenso que impedisse o visualizar das imagens que eles refletiam. A convulsão foi imediata. Ao invés de contemplar o glorioso e sedutor corpo que tanto gostava de admirar, a figura que viu a deixou entorpecida. Se o nada, inerente à escuridão lhe pareceu um vazio infinito, a manifestação de recusa que se instalou em seu âmago a fez mergulhar em um não existir ainda mais asfixiante.
Finalmente, ao se ver exposta pela claridade imperturbável, ela compreendeu a verdade: não havia nenhum diabo contemplando-a, os olhos vermelhos que a fitavam da escuridão eram seus próprios olhos; a silhueta grotesca que divisara entre um lampejo e outro era o reflexo de seu próprio corpo. O diabo que tanto a assustara era ela mesma.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

MISTÉRIO NO CEMITÉRIO, UM CORPO QUE DESAPARECE




Padre Rogério fazia suas últimas preces antes de dormir quando ouviu um barulho vindo de fora, do pequeno cemitério que ficava nos fundos da igreja, próximo a seus aposentos.
Estranhou o avançado da hora, seria alguma de suas ovelhas com problemas querendo sua opinião?
Na pequena cidade era conhecido por todos pela sua generosidade, paciência e sabedoria. Todos o procuravam para um conselho de última hora ou para confessarem seus pecados.
Saindo de seus devaneios, ouviu o barulho novamente, era como se alguém estivesse gemendo ou chorando e alguns passos no chão forrado de neve.
O inverno estendera-se este ano e a cidade ainda estava branquinha como um cartão postal.
Calçando suas botinas e o robe acolchoado, levantou-se da cama com um rangido. Pegou a lanterna em cima da cômoda.
_ O que poderá ser? Disse em voz alta.
Abriu a porta dos fundos que dava para o cemitério e acendeu a lanterna. Estava escuro feito breu.
Na parte mais nova do cemitério pensou ter visto algo. Caminhou naquela direção.
Ah, se aqueles moleques estivessem outra vez bebendo e namorando ele chamaria a policia. Não agüentava mais o assédio de certas tribos que invadiam o local sagrado á noite, sentando nos túmulos, deixando garrafas de vinho e preservativos usados espalhados em todo o local.
O barulho outra vez, agora mais próximo, como se alguém se debatesse e também murmúrios de prazer.
_ Só podem ser eles, pensou.
Mas qual não foi sua surpresa quando avistou um homem alto e forte, com um sobretudo negro que esvoaçava ao sabor do vento gélido, abraçando alguém que ele não conseguia enxergar.
O homem parecia muito compenetrado no que fazia e nem viu o padre se aproximar.
_ Ei voces, saiam já daqui, gritou.
Foi quando o homem parou o que fazia e virou-se para olhar o velho.
O sangue do velho padre gelou nas veias, seus olhos arregalaram-se assustados. O homem tinha a boca toda suja de sangue e uma jovem jazia lânguida em seus braços.
_ Saia daqui velhote, ou encontrará seu fim.
O homem virou-se outra vez para a jovem e continuou a morder o pescoço já machucado e a sugar o sangue quente.
A jovem gemia alto agora, clamando por mais, em total êxtase sensual.
O padre avançou para o sujeito e deu-lhe uma pancada na cabeça com a lanterna, que se espatifou.
Como se não houvesse sentido a pancada o homem largou a jovem deitada em uma lápide e num átimo quebrou o pescoço do velho que caiu ao chão já sem vida.
_ Velho idiota, eu avisei.
Voltou à atenção para a jovem que o chamava suspirando.
_Volte anjo da noite, toma-me inteira, já pertenço a ti.
Sem hesitar o homem misterioso voltou para perto dela e começou a tirar sua roupa deixando-a totalmente nua, a pele branca arrepiada de frio. Deitou-se ao lado dela e a cobriu com o sobretudo voltando a morder, agora os seios redondos, as presas cravando-se na pele macia sugando com prazer, mas devagar, saboreando cada gota do líquido rubro, não queria matá-la tão cedo.
As presas ávidas morderam o corpo inteiro enquanto ela sucumbia ao prazer inenarrável, gemendo e pedindo mais.
Ele então abriu sua calça abaixando-a rapidamente e deitou-se em cima da jovem que se abriu sem pestanejar para que ela a penetrasse.
Teve que tapar a boca dela, pois agora ela gritava de prazer num orgasmo tão intenso que ela quase desfaleceu.
Com estocadas firmes e profundas ele também chegou ao ápice cravando as presas no pescoço já dilacerado e sugando o resto do sangue quente e saboroso até que a jovem morreu em seus braços.
Saciado, recompôs as roupas e saiu do cemitério tão rapidamente que pareceu nunca ter estado ali.
Os dois corpos ficaram para trás.
No dia seguinte foram encontrados por um coroinha apavorado que chamou a policia.
Ao chegarem ao local do crime, os policiais não entenderam nada, não havia vestígios ou impressões digitais. Nunca iriam pensar que fora um vampiro feroz. Colocaram a culpa em algum jovem psicopata daquela turma de góticos arruaceiros que sempre rondava o cemitério.
Como não conseguiram provar nada, enterraram os corpos e arquivaram o processo.
Algumas noites depois, o vampiro voltou para pegar sua nova discípula.
Pâmela, assim que ele chegou, arrebentou o caixão que a prendia e cavou a terra acima dele surgindo nua e bela, mais bela do que antes.
Ele trouxe novas roupas para ela, negras como a noite.
E os dois foram-se noite adentro juntos, assassinos sanguinários em busca de mais vítimas.
E o mistério do sumiço do corpo da jovem nunca foi solucionado.

By Ana Kaya

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Portal Vale das Sombras no NING será desativado!


Visite Vale das Sombras


É com tristeza que comunico que nosso cantinho no portal NING será desativado. Esse site que era gratuito, de uma hora pra outra virou "pago". Agora para ficar lá temos que pagar uma taxa e como o Vale das Sombras não gera receita, temos que cair fora...
É triste, mas vou bolar um outro lugarzinho em breve. Não vamos desistir!


Me Morte

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A culpa



É um Inferno

de gelo intermitente
e a memória arrepia a nuca

- cadavér do amigo morto
que se leva
às costas da gente -

e não sai mais,
nunca


(sobre uma música sertaneja)