sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

primeiros passos do calvário

Foto de Rosane Scherer, Adroaldo Bauer ao pôr-do-sol

dizias amar a vida
sem alguma dúvida
devias amar
posto que só ela resulta em morte
por falta de calor
trocaste o sul pelo norte
aqui sem praias
lá, tanto mar
continuavas a dizer, amor
agora já sem dor
dispensa a flor
basta-lhe do fim o horror
ai, três vezes ai,
afasta de mim esse cálice, pai



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

† Secas Feridas †




Feridas abertas
Regadas às chagas
São pústulas sempiternas
São folhas rasgadas

Quand´o sangue coagula morno
Respingando da tez deruptiva
Anjos despencam no frívolo engodo
Exumando-se em sonata abortiva

Feridas são fendas abusivas
Degladiando-se ao coração prestimoso
Nacos d´almas maltrapilhas
Passado d´um futuro glorioso

Opulentas nuvens pestilentas
Carregadas na secura sentimental
Férvidas gotículas lamarentas
Chuviscos das flores do mal

Sanguessugas portadoras virais
Em salutantes danças lamuriosas
Nênias sibilantes e sepulcrais
Odes maestosas e ruidosas

Seco, por fim, o cruor agourento
Lambendo o sangue coagulado
Findando os tons macilentos
Urjindo pelos beijos dizimados


Tiago Tzepesch 
http://luciferoscanticos.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Necrópole

Necrópole,
lar dos justos
Necrópole,
onde moram os rejeitados,
melancólicos
que um dia foram insultados

Justos,
mantém acesos a luz da esperança
pelo intricado problema (a vida)
Tão complexo
quanto um poema

Necrópoles,
fadário dos necrófilos
que os buscam
com a finalidade
de satisfazerem sua
concupiscência
E agem com pressa
sem piedade nem paciência

Cemitérios são,
na verdade,
lugares imundos
onde os mortos
vão em direção
de um poço sem fundo

Cemitérios não são
fatídicos,
ao contrário da
mente humana
que cria mitos
envolta de
fatos verídicos.


Renan Aranha

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

ultima ratio


espreito o indefinido como quem morre outra vez
meus olhos carregam cinzas
seguem opacos, cansados
mas avistam a última barreira

um sussurro me confessa mistérios
demônios dançam libertos
tridentes na carne que sangra fustigam meus sonhos
que teimam existir

insisto
rasgo realidades com meu arpão de delírios
penetro o infinito como um bólido
abaixo do limiar, o desejo do verme me devora entranhas
mergulho-me

caminhos a escolher e um destino marcado
resta-me seguir e contar às estrelas

até a treva, seus derradeiros reflexos
haverão de me acompanhar

(Celso Mendes)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mande sua foto e entre para o Vale!

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domingo, 5 de dezembro de 2010

Livro solo de Adriano Siqueira - "Adorável Noite" - Lançamento em Abril 2011

Livro solo de Adriano Siqueira - "Adorável Noite" - Lançamento em Abril 2011





Olá pessoal,

Um livro que esta sendo muito comentado nos eventos que participo é o "Adorável Noite" meu livro que será lançado no mês de Abril de 2011. O livro vai trazer várias matérias sobre este mundo dos vampiros brasileiros, como começou o site "Adorável Noite" e também terá vários dos meus contos incluindo ilustrações sobre vampiros do desenhista Anderson Siqueira.
Terá também a participação da Liz Vamp ( cineasta, atriz, escritora e criadora do Dia dos Vampiros) no prefácio do livro.
A capa e a contracapa já estão no site da editora.
http://editora.estronho.com.br/index.php/adoravelapresenta

Confiram e Divulguem!
Abraços
Adriano Siqueira
twitter @adrianosiqueira
www.contosdevampiroseterror.blogspot.com
www.adoravelnoite.com
www.adoravelnoite.blogspot.com

Primeira Antologia organizada por Adriano Siqueira

Divulgação de livro: “Os Infiltrados – Espiões Fantásticos”, organizado por Adriano Siqueira

Espantomania fecha o ano com muito terror!




ESPANTOMANIA:
2 dias de arrepiar! Dia 11 e 12 de Dezembro em São Paulo - Zona Sul
Confira no link abaixo a programação!


http://espantomania.webnode.com.br/programa%C3%A7%C3%A3o/

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A pergunta que não quer calar:

Estou ao lado do caixão, preto, com detalhes em dourado...Por que as pessoas acham bonito esses detalhes horrendos, esse pano de cetim roxo...Por que roxo? Por que essa vestimenta de domingo?
As pessoas lutam a vida inteira para andar bem vestidas, não querem fazer feio, sapatos e roupas bem transadas...Por que na hora da morte a família a veste com essas roupas que mais parecem saídas de uma época antiga, como se vivessem em 1800 e la vai cacetada...? Mulheres com rendas brancas, homens com ternos pretos, camisas de seda, cheiro de éter...Ah! Bem lembrado, o cheiro! Que cheiro é aquele que exala da sala onde o corpo é velado? Não poderiam colocar "Bom Ar" ou algum perfume mais agradável? Sem esse odor de velas queimando, por favor, isso é absurdamente tétrico!
Existem pessoas que pedem uma festa no dia de seu enterro. Música, cantoria...Não seria o caso de fazer disso um hábito?
Se as pessoas tratassem a morte como uma partida temporária, uma despedida da vida corpória apenas, um "até breve" como tem que ser, acho que o terror iria embora. Hoje o que vemos são pessoas aterrorizadas, doentes pela vida, temerosas do dia fatídico...Pensar na morte é um tormento, falar então, nem pensar!
Morte é recomeço, é transição, é virgula, então para que marcar como algo que vamos querer esquecer?
É triste ver um corpo inanimado, assumo, é muito triste, mas, é mais triste cobrir de terror a despedida de um bem que nos foi tão caro, a vida.
Morrer ninguém quer, jamais! Mas passar pela morte muito menos...
Então a pergunta que não quer calar: Por que marcar com tanta feiura um acontecimento que por si só já é tão triste?
Fico sem respostas...