quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

RETROSPECTIVA DO VALE DAS SOMBRAS


(resumo dos principais acontecimentos)


01 de janeiro de 2009

Iniciou-se um novo ano cheio de sentimentos sombrios no Vale das Sombras







08 de janeiro de 2009

Entrega do Certificado do último Concurso do Vale de 2008 - Concurso do Vale das Sombras & Turba Literária





12 de janeiro de 2009

Entrega do Premio pela "A Turba Literária"







04 de fevereiro de 2009

Abertura do primeiro concurso do Vale de 2009 - Concurso do Vale Edição de Aniversário.







07 de março de 2009

Lançamento do III Ebook do Vale das Sombras







16 de abril de 2009

LUCASI lança a nova heroína dos quadrinhos - Me Morte, Radical Honorária









23 de abril de 2009

Abertura do Concurso do Vale Edição Niver da Me Morte









13 de maio de 2009

Lançamento do Ebook Cotidiano Alternativo/Quadrinhos de Rafael Pereira e Me Morte









28 de maio de 2009

Lançamento do Ebook do Vale IV Edição Denise de Souza Severgnini











29 de maio de 2009

Aniversário da Morte, rs









2 de julho de 2009

Resultado do Concurso do Vale & Turba Literária Edição Dia dos Namorados









26 de agosto de 2009

Lançamento do primeiro livro impresso de Me Morte "A Lenda do Corpo Seco"







6 de dezembro de 2009

Lançamento do Cantinho de Vlad Tsepesh, o Conde DrÁcula, um sonho da Me.









24 de dezembro de 2009

Revelação do Amigo SEcreto do Vale das Sombras





Valeblogueiros

Me Morte, Adriano Siqueira, Sirlei Passolongo, Flávia Perez, Jessiely Soares, Radyr Gonçalves, Felix Ribas, Lúcia Czer, Ruy Villani, Ana Kaya, Rafaela MachaDO Longo (Malon), Darkness, Thiers R>, Flavio Mello, René Ociné, Allan Vidigal, Giselle Sato, Breno Filth, Celso Mendes, Rommel Werneck, Marcelo dos Santos Faria, Adroaldo Bauer Spíndola Corrêa, Gaivota, Angela Oiticica Nadjaberg Ceschim, Émerson Sarmento e Mensageiro Obscuro.




O Vale deseja a vocês um Feliz 2010 e eu, Me Morte, agradeço a todos, que ajudaram a fazer desse nosso cantinho um lugar onde depositamos nossos sentimentos mais secretos e sombrios, sem perder nossa alegria de viver. Obrigada aos escritores do Blog do Vale e todos que participam das comunidades e do site Portal do Vale no Ning.Conto com vocês em 2010 para continuar fazendo de nosso projeto algo que valha a pena e que fique para sempre em nossos corações.

Um super beijo especial a todos!







Me Morte

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Death Note - O Caderno da Morte



Há tempos a humanidade precisa ser reformulada,
Sonhos e pesadelos se mesclam em minha mente,
Com o peso dramático de uma realidade decadente.
Só desejo um mundo melhor, sou divino,
Sou a lei da vida e da morte.

Atingirei o ápice pisando sobre cadáveres,
Quem atrapalhar meus planos pagará caro,
Escreverei mais nomes no Caderno da Morte,
Saboreio o doce fim do lixo social.
Fracotes! Não fujam, pois os encontrarei.

Enganei e despistei até a polícia para matar mais,
Livrei a humanidade de parte de sua escória,
Após tanto trabalho ainda querem me controlar?
A prisão perpétua ou pena de morte não mudam nada,
Tenho um "Death Note" para destruir quem eu escolher.

Humanos agora são marionetes, pois sou um deus!
Lembrem-se: Shinigamis só comem maçãs!
Sou Kira! Ditarei como e quando muitos morrerão.
Pela caneta destruo mais vidas que qualquer arma,
Com malícia nos lábios aguardo o início de meu império.

Não sou um monstro, sou apenas um deus incompreendido.


- Mensageiro Obscuro.
Janeiro/2008.


N.A.: Texto em homenagem ao anime, mangá, filme e outras produções da série otaku Death Note escrita por Tsugumi Ohba e ilustrada Takeshi Obata.


-- Glossário --

Death Note = É o nome do anime, mangá e filme de longa metragem que conta a história do Caderno da Morte, este é um artefato místico fictício em forma de caderno, consiste em matar quem tiver seu nome escrito nele. Com o caderno ganha-se um shinigami e certas regras sobre a realidade envolta pelo caderno. Durante a obra diversos detalhes apresentam um enredo denso e interessante que prende a atenção do espectador e leitor.

Kira = É um pseudônimo usado pelo protagonista de Death Note, tem relação com a fonética japonesa da palavra inglesa "killer" (assassino em português).

Shinigami = Um tipo de divindade japonesa responsável pela morte. Shinigamis são deuses da morte japoneses.


Foto: Imagem anônima extraída do Google Imagens.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ultima postagem de 2009:


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Soneto

Quero versar-te em quatorze versos
em dois quartetos e dois tercetos
esculpi - los em mármore paroniana - ao certo
declamarei as estrofes mais belas em soneto.

Porque tens os olhos negros e miúdos
a pele rosada,recém-chegada,como uma pétala de flor;
e esses lábios de criança,trazendo-me versos maduros
dos cabelos obscuros esvoaçados cheirando a licor.

Quanta brandura vasta de uma manhã virgem
que acaba de nascer numa aurora de vertigem;
raiando em constante brancura no plasma mútuo da vida.

E ao te metrificar poesia orvalhada da manhã
sinto a fragrância escorrer em lágrima comovida
porque de toda primavera,foste a rosa colhida.

Por Emerson Sarmento.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Boas Festas!





É o que deseja o pessoal do Vale das Sombras e "Os Radicais".
(Lucasi & Me Morte)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ai, meu Jesus Cristinho!

As pessoas até mataram umas às outras na disputa pela compra de mercadorias em oferta naquela semana.
Poder-se-ia chamar sem exageros de semana da loucura, da demência, da estupidez, sem erro, qualquer adjetivo se escolhesse.
Fora uma semana atípica.
Os comerciantes em desabrido entusiasmo por mais vender, as pessoas com algum dinheiro movidas por apelos vários, motivadas na libido, no ego, na inveja, na luxúria, no prazer, até na caridade, a pretender um melhor preço para o melhor presente.
Chegara finalmente o dia.
E esse dia seria inesquecível também para bilhões de outras pessoas.
Elas não sabiam mais, há muito, o que significava aquele dia.
Algumas associavam a data, o número 24 a possível dia do veadinho, o que os mais antigos associavam a renas de um ultrapassado ícone do comércio de barbas brancas longas e roupa de inverno.
Nos trópicos centro e sulamericano, caribenho, africano, pleno verão, tal figura espantosa, fantasmática, aparecia também assim... E de botas. Talvez surfasse assim no Rauái.
E procuravam inutilmente por chaminés, meias de lã ou sapatinhos pendurados em janelas de favelas, porque, bons velhinhos que deviam ser, conforme rezava a lenda, estavam atrás de um goró, uma boca livre, e sempre dispostos a carregar um saco que fossem emprestar a alguma reunião de família em que faltasse a figura insólita, as que ainda recordavam dela.
Bem, tinha uma outra presepada.
Essa nasceria no dia seguinte, 25 de dezembro. Uma estrela apontaria o rumo da estrebaria de uma hospedaria e três reis o visitariam 12 (1+2=3) dias depois, no dia seis, e depois teria 12 (1+2=3) apóstolos e morreria com 33 anos trocado por 30 trocados e um ladrão, entre dois ladrões (30 + 1 + 2= 33), sendo um deles arrependido do que fizera... chamado, então, de bom.
Inesquecível, eu dissera, para bilhões porque...
Se avançar mais, mato dois coelhos com uma só cajadada (1+2=3) e vou processado pelo Ibama por infligir sofrimento a animais.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

PREDADOR


Aonde o corte sangra e aquela imensa língua banha suas papilas, o sabor se insinua levemente alcalino. Ferida fresca como ele gosta; sangue vermelho vivo temperado à lâmina de aço. Sorve à exaustão, num êxtase frenético. Se a vítima sofre ou morre muito antes, acidifica-lhe o sangue, azeda. Vítimas sugadas enquanto vivas sim, inigualável sensação. Quando consegue do subjugado o gozo, o prazer em conjunto, aí é como se ter em mãos um royal street flash!

Naquela noite, aquela vadia gemia de prazer enquanto a língua penetrava-lhe a carne e ele, sem pressa, bebia-lhe a vida temperada com alcalóides, gota a gota, enquanto a adaga era habilmente manejada em movimentos lentos e rotatórios sem ser retirada da carne, de forma a impedir a coagulação. O rosado da pele dando lugar a uma progressiva palidez para terminar em cianose. A agitação inicial sendo amansada lentamente até a absoluta imobilidade. De gritos e gemidos, ao silêncio terminal. O calor migrando de corpo. No final, uma carcaça de cabelos louros, unhas negras e vulva úmida.

Nesses momentos ele se convencia que era uma evolução da natureza: um Predador que oferecia à vítima o prazer ao invés do terror precedendo a morte. Afinal, predadores são indispensáveis ao equilíbrio da natureza e a raça humana ameaça perigosamente o planeta com seu crescimento descontrolado. Estava apenas cumprindo sua missão.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Vício

Saio do escritório tarde. Prazo para o dia seguinte, maior correria. Exceção de incompetência. Coisa chata. Saio lá pelas três da manhã. A portaria da Líbero Badaró fecha às onze da noite e depois disso, só pelo Vale do Anhangabaú. Que é terra de ninguém depois que escurece. Os quinhentos metros até a alça da 23 e o ponto de táxi são sempre uma aventura quando saio tarde assim.

Cansado. Distraído. Tentando lembrar se esqueci de alguma coisa na petição. Acendo um cigarro. Gitanes sem filtro. Coisa reservada para dias de estresse especial.

“Dá um cigarro, tio?”

Paro. Olho. Enfio a mão no bolso do paletó e pego o maço; tiro um e dou para o cara. Penso com meus botões que ele não faz a menor idéia de quanto custa o cigarro que ele vai fumar. Vai acender e tragar como se fosse um roliúdi qualquer. Não que tenha qualquer importância.

“Tem fogo?”

Guardo o maço de cigarros num bolso e, com a outra mão, pego o isqueiro.

“Dá a carteira!”

Cansado. Distraído.

“O quê?”

“Dá a carteira, porra! Relógio, celular! Vai, filhadaputa!”

Com o canto do olho percebo algo brilhante na mão do figura. Faca. Olho meio fascinado para ela, que parece ocupar todo o meu campo de visão. Fodeu.

Ouço um grunhido molhado e desvio os olhos da lâmina por um instante. Meu interlocutor me encara, surpreso e exoftálmico. Surpreso eu, também, ao ver minha mão livre agarrada à sua garganta. Ouço o som da faca caindo no mosaico português, um som distante. Minha atenção se concentra, toda, na visão — daquela boca contorcida — e no tato: na pele quente, escorregadia, sebosa; na carne que cede, relutante, à pressão dos dedos; na sensação, afinal, das pontas do polegar e do indicador quase se tocando atrás da traquéia, separadas apenas por uma dupla camada de derme.

Minha mão tem vontade própria e continua a se fechar, comprimindo as vias aéreas do coitado e forçando a língua para fora. Em câmera lenta, vejo minha mão trazer o rosto em pânico para perto do meu. Aos poucos meus sentidos abrem espaço para o olfato e percebo seu hálito podre. Meus olhos dentro dos seus, que, estranhamente, parecem pedir ajuda. Ajuda? A essas alturas? Não tem mais jeito, meu caro: o hióide e a cricóide já foram pro saco. Eu senti quando eles partiram. Não tem mais jeito.

Praticamente me derramo naqueles olhos de sampaku. Entre o horror e o fascínio, vejo as pupilas se dilatarem até comerem quase toda a íris. Minha mão está praticamente fechada. Nossos narizes quase se tocam. Quando minha mão finalmente começa a se soltar, um último suspiro escapa daquela boca morta: agudo, discreto, rouco, como uma mulher que goza baixinho. Minha perdição.

_________

Faz anos que às vezes me pego fazendo hora no escritório, inventando motivo para ficar até tarde e ter que sair de madrugada pelo Vale. Às vezes tentam me assaltar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

SOB U'NEGRO VÉU




SOB U’NEGRO VÉU
Thiers R >




Perdeu-se na madrugada

aspirand’o suspiros

perdeu-se na contrapartida

a’cometida

prostituída

buscando na negritude

os valores da razão

soluçavam os passos

na calçada pobre de brilhos

tossindo cascalhos

na cidade

n’areia

nos dedos estalando castanhas

volúpia

volúpia

a voz rouca gritava’o mundo

a’borrecido na fresta

olho de fenda

masturba e goza.





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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O "Corpo Seco" vai virar filme de Zé do Caixão!


“Zé do Caixão“ vai gravar filme em Pouso Alegre
O cineasta esteve na cidade a convite da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás). Em coletiva falou da expectativa para a nova produção cinematográfica
A lenda do corpo seco de Pouso Alegre vai ser o enredo do novo filme de José Mojica Marins, popularmente conhecido como “Zé do Caixão”. As filmagens devem começar no próximo ano e, segundo o cineasta, vai contar com um elenco de atores e atrizes contratos aqui no Município. “A idéia é contar a história do corpo seco, um ser do mal, que será derrotado por Zé do Caixão”.

O cineasta este na cidade, no dia 15 de dezembro a convite da Universidade do Vale do Sapucaí. O objetivo da instituição é incentivar a cultura, através da arte do cinema e da dramaturgia. Além do filme, em 2010, José Mojica deve promover palestras e uma oficina sobre a arte cinematográfica, em Pouso Alegre.
A ideia de trazer o cineasta à cidade surgiu há quase três anos, em um almoço entre o radiologista e médico do Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL), Renato do Amaral Mello Nogueira e José Mojica Marins. “Ao almoçarmos juntos, enquanto trocávamos ideias, surgiu o propósito de realizar um trabalho em Pouso Alegre. Fiquei muito animado com este projeto, sentindo-me a altura da divulgação dessa bela cidade. De minha parte deixo clara, a minha satisfação na realização de um trabalho nessa maravilhosa cidade“, comentou “Zé do Caixão“.

José Mojica Marins tem 64 anos de experiência em cinema. Em 1945, aos sete anos de idade, iniciou a carreira produzindo filminhos com imagens paradas (slides). Já em 1946, escreveu e filmou em 8mm “Juízo Final“. No ano de 1948 escreveu “Os Lugares por Onde Eu Passei“ (película em 16mm). De 1949 até 2006 produziu dezenas de filmes, além de escrever, produzir, dirigir e interpretar longas-metragens. Atualmente, Mojica apresenta o programa “O Estranho Mundo do Zé do Caixão“, pela TV Brasil, todas às sextas-feiras, à meia noite.

“Zé do Caixão“ recebeu inúmeras premiações e o reconhecimento internacional. Entre as principais condecorações estão o “Troféu Chacrinha“, como melhor cineasta de 1968; prêmio “L’ Écran Fantastique“ de originalidade na “III Convention Francaise Du Cinema Fantastique“, realizado em Paris, França, pelo filme “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver“, de 1974; prêmio “Thiers Monde“ na “III Convention Du Cinema Fantastique“, realizado em Paris, França, pelo filme “O Estranho Mundo do Zé do Caixão“, também em 1974; troféu “Chiller Theatre Tor Award“, em New Jersey, nos Estados Unidos, em 1994; “Oscar do Cinema Nacional“, em 2005, por serviços prestados à cultura, dentre outras dezenas de premiações, ao longo de seus 64 anos de carreira.

http://www.mgsulnews.com.br/noticias.asp?identificacao=1612200911559

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O ANTAGONISTA

A queda do misericordioso foi um acontecimento tão brutal que gerou ondas de energias destruidoras. Todos os auxiliares ficaram sabendo sobre o fato. Muitos se surpreenderam com a atitude daquele que deveria ter sido o supra-sumo da falange.
Mas teve um que não acompanhou seus pares. A inveja brotou violenta em seu íntimo. Ele nunca teria a primazia nos desdobramentos da missão. Há tempos que vinha urdindo uma trama nefanda. Elaborara uma maneira de ter alguns dos auxiliares sob seu comando. Tudo dependeria do quanto eles estivessem dispostos a abandonar as diretrizes originais.
Em sua revolta ele amaldiçoou seu oponente. Por que ele tinha sempre que ser o primeiro? De que valeram seus esforços em elaborar um plano ousado se outro o tinha executado? Por que tinha esperando tanto tempo para agir? Ah, sim, ele temia as conseqüências de seu ato.
Não fosse por seu temor em ser amaldiçoado e expulso da falange, teria agido sem nem pensar. Mas seu oponente não temeu pela maldição que o atingiria. Nem mesmo se deu ao trabalho de ocultar seu gesto. Todo o cosmo sentiu o impacto de sua queda.
Uma compensação ele tinha; agora que seu oponente não pertencia mais à falange, ele podia ser combatido de igual para igual. Mas para isto, ele também teria que sucumbir ao apelo que abatera seu igual.
Secretamente, ele separou uma das jovens que viviam sob sua condução. Não sentia nenhum desejo diferente por ela, mas sabia que só assim atingiria o mesmo plano ocupado por seu oponente. Que este plano fosse inferior àquele que ocupava, não importava; que este plano pertencesse às trevas, ele não dava a mínima.
Seu desabar foi ainda pior do que aquele que atingiu o primeiro. Não estando dominado por desejo algum, ele não podia ocultar-se sob manto algum. Suas intenções moldavam a nova conformação que teria após o ato. Toda sua beleza seria consumida pela deformação; sua aura sedutora desapareceria sob a máscara da morte; seu âmago seria dominado pela frieza dos que abandonam o Amor.
A hora escolhida chegou. Mantendo a jovem em um estado latente, ele a observou por todos os ângulos. Ainda em tempo de impedir seu descalabro, ele considerou a possibilidade de não executar seu plano. Que interesse levou seu oponente a agir como fizera? Esses seres não possuiam atrativo algum, ao menos para ele.
Talvez a atração estivesse relacionada ao corpo... Com um sorriso sarcástico em seus lábios, ele a despiu. Os humanos deveriam usar o corpo para perpetuar sua espécie. As relações usariam as energias oriundas de planos superiores... sim! De repente tudo ficou claro.
Ele se apossaria de energias muito mais potentes do que aquelas que podia manipular. Com toda certeza foi por isso que seu oponente deixou-se seduzir pela pureza da jovem que sacrificou. Ela sabia que as energias, direcionadas aos humanos, eram mais poderosas.
Despindo de sua condição de anjo, ele aproximou-se do corpo inanimado da jovem esperando sentir algo diferente. Nada! Ele não compreendia o que estava fazendo de errado. Por que seu maldito oponente conseguira e ele não se sentia capaz de ir em frente?
Não estivesse possuído por sua sanha ilusória de se tornar o primeiro em algo, ele teria compreendido que sua incapacidade nascia da proteção que cingia todos os auxiliares. Quebrar esta proteção o tornaria tão frágil quanto os seres que deveria proteger.
Refletindo sobre o fato passado além de seu domínio, ele concluiu que não tinha como sentir nada estando no plano destinado aos auxiliares. Se quisesse efetivar seu desejo teria que descer até o plano material. Somente na matéria ele poderia sentir o apelo mais forte originado pela energia sexual.
O local escolhido ficava em um paradisíaco vale temperado. As flores preenchiam o ar com seus aromas suaves; as águas vertiam de fontes cristalinas; os animais vagavam despreocupados pela campina; os seres humanos mantinham-se atentos a toda lição que lhes era destinada.
Sob a sombra de uma imensa árvore, ele a deitou ainda desfalecida. Fitou-a por longo tempo até que seus olhos se cansaram. Irado, ele levantou pragas aos céus. Por que não sentia nada por aquela infeliz? Por que seu oponente tivera êxito quando ele não fazia idéia de como agir?
Enfurecido, ele a tomou em seus braços de modo desajeitado. Apertou-a contra as narinas, mas nada sentiu. Tocou seu corpo inteiro e ainda assim não despertou nenhum desejo interior. Sua zanga crescia descontroladamente.
Mentalmente reviu a forma como os seres humanos tinham que proceder para a perpetuação de sua espécie. Entendeu o ato como estando aquém de sua condição de anjo, mas se essa fosse a maneira para ele conquistar seu objetivo, que assim fosse.
Selvagemente ele possuiu o desfalecido corpo. Com brutalidade ele conspurcou a inocência adormecida. Ensandecido, ele ultrajou a pureza de um dos seres que deveria proteger. Seu desatino foi ainda pior do que aquele praticado por seu oponente.
Terminado o ato, ele sentiu-se vazio. Ao invés do poder que imaginara, um vazio gigantesco começou a se avolumar em seu âmago. As energias superiores não estavam envolvendo seu ser, pelo contrário, pareciam estar abandonando-o.
Passada a sensação de vazio, ele foi acometido por intensas dores. Seu corpo se contorcia em espasmos violentos. Feridas horrendas surgiam sobre a superfície de seu corpo. Seus olhos inchavam, sua tez tornava-se plúmbea, seu hálito se condensava em um vapor fétido e corrosivo. A metamorfose começara.
A aura protetora se desfez de imediato. Todas as radiações passaram a atingi-lo com violência. Não fosse sua perspicácia, teria sucumbido antes à pressão esmagadora das manifestações astrais. Como se fosse um ladrão flagrado em pleno ato, ele fugiu para o seio das trevas.
A dimensão das sombras estava vazia. Seus sentidos demoraram a adaptarem-se. Quando conseguiu inteirar-se das nuances que dominavam o ambiente, o desespero; a solidão, que o abraçou, mostrou-lhe o quão equivocado estava. Não havia séqüito, não havia poder, não havia... nada!
Cego pelo ódio, ele vagou a esmo. Seus passos claudicantes o levavam para além das silhuetas amorfas, porém não eram capazes de libertá-lo das sombras. A escuridão o prendia em seu manto originando uma sensação de sufoco descomunal.
Inconformado, ele não se abria às correntezas energéticas que perpassavam a dimensão. Sua mente só era capaz de fixar-se em um objetivo, precisava encontrar seu inimigo e destruí-lo. Como faria para encontrá-lo?
O objetivo de sua andança não podia ser encontrado ali. Mesmo tendo se lançado ao abismo da perdição, o “inferno” não tem um único plano. Suas faltas não era equivalentes e, portanto não podiam padecer num mesmo ambiente ou sofrer a mesma punição. Cada desatino produz seu próprio “purgatório”.
O tempo avançava sem considerar seu inconformismo. Séculos? Milênios? Quanto tempo ele estava vagando por aquela escuridão sem fim? Mesmo sendo, ou já tendo sido, um anjo, seu corpo ressentia da falta de alimento. Não os mesmo que sustentavam os humanos, mas da energia restauradora que mantinha a Vida pulsando em todos os seres viventes.
Olhos ressecados, garganta ardendo, peito arfante, membros doridos, ele se aproximava da exaustão. Seu exaurir seria silencioso e solitário. Sua queda não lhe trouxe nenhum benefício, ao contrário, só servira para destruí-lo.
Mas então, um fato modificou tudo. Um rogo egoísta retumbou na abóbada que servia de teto à dimensão em que se encontrava. Alguém, um humano, exigia compensação por sua dedicação. O tolo não compreendia que a recompensa era sua própria Vida.
Atraído pelo rogo, ele abandonou a dimensão das trevas. Deslizou mansamente ao encontro do incauto arrogante. Não estava no controle do deslocamento, mas isso não o incomodava. Ele havia se libertado da escuridão.
Ao encontrar-se com o conjurador, tentou manifestar seu desejo de atender ao rogo do egoísta, mas não foi capaz. Sua voz desaparecera, seu semblante não era percebido pela visão do humano. Ele ainda não estava preparado para atuar na matéria.
Desta vez ele não se desesperou. Lembrou-se do dom com que fora dotado, ele podia comunicar-se através de suas ondas mentais. Sorriu zombeteiro e iniciou o contato com o homúnculo.
Sob sua orientação, o desprezível obteve a hegemonia sobre aqueles que compartilhavam de sua existência. Sequioso pelo poder, ele tiranizou os seus exigindo que o tratassem por rei. Sem importar-se com o ônus que impunha, ele levou os seus à beira de um precipício. A deflagração da guerra foi sua maior afronta.
Enquanto seu servo seguia suas orientações, o anjo caído exercitava suas habilidades para poder atuar diretamente junto aos homens. Em sua tentativa, ele se deparou com o quadro mais repugnante que poderia se apresentar; a beira de um lago de águas plácidas, ele se viu refletido na superfície cristalina.
Um urro apavorante fendeu o ar. O som foi tão potente que reverberou para além dos domínios de seu servo. Esta foi a primeira vez que os humanos ouviram um som proferido por suas entranhas. Todos que o ouviram foram tomados pelo pavor.
O semblante maravilhoso e suave que ele portava havia sido substituído por uma mascara disforme e grotesca. Os olhos não passavam de fendas desproporcionais e sem vida, as orelhas se tornaram avantajadas e pontudas, os dedos alongados e delgados, as pernas e os braços não tinham mais a proporcionalidade comum à criatura resplandecente que fora, a boca se tornara uma abertura desprovida de lábios ou contorno que tivesse alguma conformidade harmônica, o nariz crescera e se cobrira de verrugas purulentas, a pele perdeu seu brilho argênteo e ganhou um aspecto escamoso e sulforoso. Aquela criatura deformada não podia ser ele.
O descontrole voltou a dominá-lo. A fúria bloqueou sua capacidade de superar sua condição maldita. Novamente se deixou levar pelo ódio aquele que o precedera. O odioso inimigo não perdera sua aparência angelical. Mesmo tendo sido o primeiro a cair, ele ainda era tão maravilhoso quanto antes.
Por que ele teve que receber toda carga do castigo? Ainda não conseguia proferir uma palavra audível aos humanos e, agora, mesmo que conseguisse, eles fugiriam de sua aparência monstruosa. Como poderia reinar sobre os humanos se não pudesse atraí-los de alguma forma?
A arma das armas se apresentou como sendo uma dádiva coberta pelo visco da podridão. Assim que sua mente se apoderou do controle das sensações, ele tomou ciência da maneira como poderia submeter o ser humano, o riso sarcástico que se desprendeu de suas entranhas foi o segundo som, que ele conseguiu emitir, que foi percebido pelos homens. A mentira seria sua arma infalível.
Convencer, a mente humana, de que ele ainda era tão maravilhoso quanto antes não foi nada difícil. Manipular os sentidos para que seu grunhido gutural fosse recebido como sendo a manifestação maviosa de um anjo, também foi fácil. Estabelecer um objetivo para que o homem se rendesse a sua influencia foi um pouco mais trabalhoso, mas ele também conseguiu dobrar o espírito humano.
Seu único receio era quanto à reação dos outros auxiliares; aqueles que não haviam se rendido ao apelo da sedução. Como eles iriam reagir quando os homens começassem a agir de modo contrário a suas orientações?
Mas, neste ponto, ele teve a total cumplicidade da humanidade. Os auxiliares foram sendo preteridos pelas constantes instigações que ele realizava. Antes mesmo do que ele acreditava, os homens haviam se colocado sob seu poder. A humanidade se rendeu às trevas.
Ainda preso ao peso de seu erro, o anjo da misericórdia recebeu todo o peso da carga que a humanidade gerou com sua escolha. Ainda dominado por sua dor, ele não era capaz de combater seu antagonista. A derrota que ele viveu ainda não tinha produzido todos os frutos. Sua seara ainda seria muito mais maldita e amarga.

sábado, 12 de dezembro de 2009

NATAL VERMELHO





Papai Noel se preparava para viajar o mundo inteiro em seu trenó encantado. Passara meses fabricando os presentes.
Agora estava tudo pronto, faltando apenas alguns pequenos ajustes de última hora.
Seus amigos duendes já haviam partido de volta a seus lares para festejar o Natal com seus familiares.
O bom velhinho estava sozinho em sua casinha de madeira. Pela chaminé saiam rolos de fumaça branca enquanto a sopa fervia.
A noite estava bem escura, mas como era de seu costume, Noel saiu para a caminhada diária antes do jantar.
Olhos vermelhos e brilhantes o espreitavam na escuridão, seguindo-o pelo caminho coberto de neve. Olhos malignos e cínicos.
Um plano terrível estava em ação, toda população da Terra estava em perigo.
Noel caminhou por meia hora e resolveu voltar, começara a nevar outra vez e ele já estava enregelado. Pensou na sopa fumegante que o aguardava e apertou o passo.
Na última curva do caminho coberto de neve, ele sentiu que estava sendo observado. Ficou a pensar quem poderia ser naquelas paragens desertas, talvez um esquilo ou uma coruja.
_ Noel, você é um bobo, quem poderia estar aqui nesta região tão inóspita?
Rindo de si mesmo continuou a caminhar.
O barulho de um galho de árvore quebrando o fez olhar para trás.
Qual não foi sua surpresa ao ver que havia um homem caminhando em sua direção. Era alto e vestia-se de negro, a longa capa esvoaçando com o vento gelado. Os longos cabelos negros estavam soltos e também voavam ao sabor do vento, emprestando-lhe uma aparência fantasmagórica. A pele era tão pálida que parecia ser feita da neve que caia abundante do céu invernal.
_ Quem é você? Perguntou Noel ao estranho.
_ Meu nome é Igor, vim de muito longe para encontrá-lo.
_ Mas o que quer comigo?
_ Vim dar-lhe meu presente de Natal e, este presente, você vai compartilhar com todos os humanos do planeta.
_ Não estou entendendo, que presente é esse.
Como se estivesse apenas esperando esta pergunta, os olhos de Igor tornaram-se incandescentes, de um vermelho vivo como sangue, as longas e alvas presas brilharam na noite escura.
Noel ainda quis gritar, mas o vampiro foi mais rápido e cravou suas presas no pescoço roliço.
O sangue jorrou farto em sua boca maligna. Ele sorveu com sofreguidão até que o corpo pesado foi ao chão.
Antes do suspiro final, Igor cortou seu pulso e deixou que o sangue escorresse para a boca do velho.
Esperou algumas horas até que surtisse o efeito desejado.
Noel, vestido em suas roupas vermelhas e brancas levantou-se lentamente, mas com uma energia nova e sobrenatural. Seus olhos agora eram vermelhos também. Noel era agora um vampiro.
Igor gargalhou.
_ Meu plano deu certo. Agora você vai disseminar nosso sangue maldito pela Terra. Legiões dos nossos irão cobrir o mundo de flagelo e dor.
E esse foi o inicio do reinado do mal.


By Ana Kaya

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sentinela




Maquia o cadáver
Maquiavelicamente vela
À luz de velas
O ágape do finado
Que ainda respira
E ultrapassa
O limite da via
Transgride a lógica da vida
Que não se dá por perdida
Apenas não se dá.

E nada há.

Enfeita o que resta
E te presta
À condição.

Te impõe o mesmo risco
Direciona ao mesmo limbo
Cava a vala
E aguarda.

Monta guarda
E não permita que a invadam.

Segue o rito
E fica o aflito
Seguro e insofismável
Maldito e inevitável.

Cala!
És apenas
O sentinela da cova
E nada em contrário se prova.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Negociação

Deixe-me estar, voz inumana,
com equações,física quântica
em acelerado,
"1,2,3,4..."
até me arrancar da cama!

Prefiro os mortos que me telefonam
de distâncias pálidas do tempo-espaço,
contando-me segredos (que não guardo)
confiando-me recados (que não mostro).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vermelho




Vermelho é cor da vida e da morte,


do sangue que jorra ao nascer


do sangue que coalha ao morrer.


Da paixão que brilha ao chegar


E quando o amor se vai


Dos olhos vermelhos de chorar.




Sirlei L. Passolongo

(foto "VERMELHO" de Rodrigo Motta)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eterno...





Demônio!
Maldito!
Achas que pode
Chegar assim de mansinho
Me cegando, possuindo
Devagarinho

E depois sair? Volta !

Maldito!
Toma tua cria,
Tua composição química,
Pois que sem ti pereço
Em decomposição

Através dos anos
Das noites sem dias
Estradas sem chão
Clamo teu nome
Amor que não morre

Um toque! Em ritual e mãos!

Me Morte
(foto do filme "Dracula de Bram Stoker)