quarta-feira, 30 de setembro de 2009

LIVRO P.O.E.M.A.S. 2 - Ana Kaya partipante


Olá a todos os amigos do Vale das Sombras.

Estive muito ausente por motivos particulares e estudantis eheheheh.

A faculdade tá me matando, mas vou indo.

Não me sobra tempo de

postar meu textos como antes fazia.

Mas tentarei daqui pra frente postar algo de vez em quando.

Agora o que me trás aqui é o livro acima, onde faço parte desta antologia poética com outros 9 colegas.

Estou vendendo o livro através do correio, valor R$ 20,00.

Quem estiver interessado, falem comigo através de meu email:

anabuonanato@gmail.com

Obrigada a Me pela chance de "propagandear". Sucesso a todos é o que desejo.

Beijos e mordidas

Ana Kaya

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Lúcifer Arquetípico

L uz brilhante que com exuberância seduz,
U ma personalidade poderosa é nossa marca,
C ondenados somos ao nos rebelar,
I nterpretação é a porta para a compreensão
F raqueza não persiste em quem luta e vence,
E nergia sem contraparte não existe,
R ebeldia é a libertação contra a opressão.

A rrependidos não se superam,
R ebanho é o grupo das marionetes,
Q uando os vermes nos atacarem
U niremos nosso poder contra eles.
E staremos prontos para lutar,
T rabalhamos por nossa autonomia,
I niciados na solitária estrada
P ara fazer o que desejarmos.
I nsistimos em destruir o Sistema,
C aímos e nos levantamos,
O rdenamos nossas próprias vidas.


- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2008.


Foto: "Lúcifer" por Guillaume Geefs.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tempo.


-

Tempo


tempo,tempo...
Morreu!
Nasceu,
no segundo seguinte.

O tempo é breve
leve
pesado
reiventado,
num piscar de olhos.

É pouco,e quando
louco,
passa!
quando?
Passa,passa...

Tempo.


Por Emerson Sarmento.

ASSASSINATO NA NOITE – mini conto


Raul chegou a casa aquela tarde, como todas as outras, vindo do serviço de meio período que conseguiu arrumar depois de dois anos desempregado.
Perdera a auto-estima e sentia-se um lixo, sem falar na esposa que o desprezava e não perdia uma chance de jogar na cara dele que ela estava sustentando a casa sozinha, que ele não ajudava nas contas, era sempre a mesma ladainha.
O dinheiro que ganhava no emprego não dava nem para as despesas do cachorro, seu grande e único amigo Thor.
Ao abrir o grande portão de madeira da frente da casa para colocar o carro para dentro, Thor veio correndo abanando seu rabo peludo era um lindo labrador preto.
Raul que já sabia o que ele queria, abriu a porta do carro para que entrasse e fosse sentadinho no banco da frente até que o carro estivesse totalmente estacionado.
_ É isso amigão, dê aqui um abraço e um beijo no papai.
Thor lambia o rosto de Raul deixando-o todo molhado. Raul não se importava, amava o cachorro mais que tudo.
Desde que Sônia fora promovida no banco, era agora gerente geral de grandes contas. Citibank, belo salário, ótimos benefícios e um bônus no final do ano que fazia valer a pena acordar cedo todos os dias.
Além de que ela, muito comunicativa, tinha dezenas de amigos com os quais saia depois do trabalho para beber, jantar e até dançar, largando-o em casa sozinho sem comida e sem amor.
O casamento estava desmoronando e ele estava muito triste, pois amava Sônia desde a adolescência, era sua rainha. Mas ele não era mais o príncipe encantado, havia virado o sapo para ela. Fazia meses que não faziam amor, dormiam na mesma cama como autômatos.
Sentado no sofá da sala, no escuro, Raul pensava e sofria.
Neste instante ele ouviu que Sônia chegava e até alegrou-se, que bom, pensou, ela chegou mais cedo, podemos passear juntos.
Abrindo a porta da sala com estrondo Sônia já entrou gritando com Raul porque ele não havia cortado a grama do jardim, que ele não havia limpado os excrementos do cão, aquele maldito cão fedorento, que ele não fazia nada que prestasse e que ela ia embora de casa, não agüentava mais aquela vida com ele, aquela vida vazia. Disse que encontrara outra pessoa e que ia pedir o divórcio.
Raul ouvia tudo calado, grossas lágrimas desciam por seu rosto cansado e de barba por fazer.

Para amenizar sua dor, Raul decidiu sair para passear com Thor assim que Sônia subiu as escadas em direção ao quarto do casal para arrumar as malas. O cão adorava estes passeios noturnos onde corria livremente na praça que havia perto da casa.
Raul sorriu ao ver o animal que ia de um lado a outro da praça em velocidade vertiginosa, latindo feliz. Isso compensava toda a amargura que lhe inundava o peito.
_ Cuidado Thor, não vá se machucar seu louco. Gritou para o amigo canino que neste instante corria para o lado mais escuro da praça, onde havia árvores grandes e majestosas, mas que deixavam o local tenebroso à noite. Os garotos haviam quebrado todas as lâmpadas da praça. Moleques idiotas.

Ouviu então um ganido alto e agudo que lhe arrepiaram os pelos do corpo.
_ Thor? Chamou o cachorro.
_ Thor onde você está amigão?
Sem resposta do cão que sempre vinha correndo quando ele o chamava, levantou-se do banco correndo e se dirigiu ao local de onde havia vindo o ruído terrível.
Ao chegar ao local Raul estacou paralisado, horrorizado com a cena dantesca á sua frente.
Thor jazia no solo sujo, com a garganta despedaçada, uma pequena poça de sangue ao lado do corpo imóvel.
_ Thor? Acorda amigão, o que fizeram com você? Oh meu Deus o que aconteceu aqui?
Raul chorava convulsivamente ajoelhado ao lado do amigo morto e nem percebeu o farfalhar das folhas na árvore logo acima de sua cabeça.
Um homem enorme, todo de preto, saltou do galho mais alto e desceu no chão sem fazer ruído.
_ Venha cá humano, esta foi apenas a entrada, agora é que vem o jantar.
Sem chances de se mover, dada a grande velocidade do monstro, Raul sentiu mãos geladas em sua garganta apertando e levantando-o do solo com facilidade jogando-o do outro lado da alameda. Raul bateu com a cabeça em uma árvore e estava tonto demais para resistir quando o vampiro pegou-o novamente e trouxe o seu pescoço para perto das presas que já estavam á vista, brilhando na escuridão.
A mordida foi dolorosa, Raul quis gritar, mas não conseguiu, foi sentindo-se fraco e cada vez mais fraco até que seu corpo jazia totalmente drenado, ao lado do corpo do cão dilacerado. Os dois mortos, estraçalhados sob a luz das estrelas.
Dando uma risada macabra o vampiro transformou-se em morcego e voou para longe dali, saciado por aquela noite.

Em casa Sônia estava furiosa com a demora de Raul para voltar. Ela pensava que ele não queria enfrentar a separação.
_ Que se dane, vou terminar de arrumar tudo e vou correndo para a casa de Geraldo, seu novo amor.
Dlim dlom.
Tocou a campainha. Ela praguejou quem seria a esta hora?
Ao olhar nas câmeras e ver que era a policia ficou intrigada e correu para abrir o portão.
_ Dona Sônia Macedo?
_ Sim, sou eu, o que desejam.
_ Sentimos informar-lhe, mas encontramos o corpo de seu marido e de um cachorro mortos lá na praça. Um garoto que voltava para casa mais tarde achou os dois. Nossos sentimentos senhora, mas precisamos que vá ao necrotério reconhecer o corpo.
Sônia sentiu um misto de tristeza e alívio e nem sequer derramou uma lágrima. Agora estava livre daquele estorvo e ainda por cima do maldito cão que soltava pelos por toda a casa.

Após o reconhecimento do corpo e do enterro, Sônia sentiu-se a vontade para trazer o novo namorado para casa.
De fato a campainha acabava de tocar, era ele, ela ficou trêmula como sempre ficava quando ele estava com ela nas últimas noites.
Abriu o portão e um grande e alto homem, todo vestido de preto, perguntou?
_ Posso entrar minha querida?
_ Claro Geraldo meu amor, a casa agora é sua.
Tendo o consentimento para entrar, Geraldo não perdeu tempo e ali mesmo no jardim segurou Sônia pelos cabelos e enterrou as presas no pescoço delicado sugando até matá-la.
_ Ha, ha, ha, ria-se Geraldo, o vampiro.
_ Uma família a menos neste bairro chique e cheio de burgueses.
E partiu na noite escura, em busca de novas vítimas.

By Ana Kaya

domingo, 27 de setembro de 2009

DENTRO DOS BRAÇOS TEUS




DENTRO DOS BRAÇOS TEUS
** Gaivota **


Os passos atravessavam

arregalados

libertos

decididos

pintavam auroras

amanheciam dias

a luz verde do oceano

perseguia desejos

pintava bocejos

procurava razões

redescobria instantes

mesmo que a luz

dormisse

na pálpebra amarela da nuvem

tracejando olhares

ludibriava lágrima

cristalina e indecente

tremulando incoerente

em busca deste sorriso etéreo

apenas porque

queria atingir meu dia

fuzilar as horas

que construí

dentro dos braços teus




*

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O inverno da existência

É a hora certa de morrer na esquina
Num parque já florido, ainda inverno
A demência, a preguiça, a sonolência
A vida tão assim esvaziada e vadia
De certo sem acerto ou mais conserto
Sem pressa de alcançar a primavera
Sem paciência de esperar o verão
Dividida, canceladas todas as saídas.
Queda inesperada, sem volta por cima

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A FLORESCÊNCIA NO CENTRO CULTURAL JABAQUARA





Nel mezzo del camin di nostra vita... e assim como nos belos versos de A Divina Comédia, de Dante Alighieri, no meio do caminho para o litoral paulista, surgiu o Sítio da Ressaca, um conjunto arquitetônico bem ao gosto rural embalsamado pela ressaca do mar. Ali atualmente se encontra o Centro Cultural Jabaquara, um belíssimo centro cultural que abriga: a casa do Sítio da Ressaca, a biblioteca Paulo Duarte, o teatro e a belíssima área verde. No dia 12 de setembro de 2009, sábado, no aniversário natalício de Álvares de Azevedo e às vésperas do equinócio de primavera, ocorreu o Primeiro Sarau de Primavera produzido pelo professor Rogério Temporini e pelo grupo teatral Novos Fulanos, companhia vocacional, mas titular do espaço onde ocorreu o evento.



A apresentação obteve uma quantidade significativa de público e apenas uma atração com a música “As Rainhas do Rádio” foi cancelada. O sarau começou às 15h e foi presidido pelo poeta e ator David, do grupo Novos Fulanos. Quanto ao espaço propriamente falando, começou na área verde, num território atrás da casa do Sítio da Ressaca e ao lado da biblioteca Paulo Duarte e terminou no saguão do Centro Cultural. O Coral Conservatório Vila Mariana tocou três músicas, dentre elas o sucesso popular A Capela, na abertura. Em seguida o poeta Alê Santos recitou poemas de própria autoria e um texto de Pablo Neruda sobre o Rio de Janeiro. Em seguida, o grupo Novos Fulanos trabalhou com teatro de mamulengos uma adaptação de “ A inconveniência de ter coragem”, primeiro ato de “A pena e a lei”, peça de Ariano Suassuna. Do ambiente popular nordestino o espetáculo foi parar na Espanha com a viola flamenca de Caio Rothje mostrando o caráter pluricultural de um evento artístico e comunitário. Osmarina Mendes entrou em cena com Fernando, ambos do grupo Novos Fulanos, para representarem um trecho de “ Por Causa da Tina”, peça muito engraçada de Arthur Azevedo. A tarde prosseguiu com as intervenções musicais, Zilda, Maycow & Maricene, Malu, artistas de Rogério Temporini em belas músicas e melodias.


Aproximadamente às 16h45min, houve um momento para o público apresentar algo. Inicialmente, muitos se mostraram tímidos, mas assim que surgiu o primeiro artista a querer fazer algo, vieram outros. Mara improvisou um cordel, Luiz cantou com Osmarina que por sua vez também declamou poesias de autoria própria, um texto de Hannah Carolina e imitou a cantora Roberta Miranda. O ponto alto do evento foi a conversão da primavera paulistana numa tarde de verão árabe com a Companhia de Dança Flores de Lótus. Aíne Aymelek e sua bailarina fizeram um grande espetáculo de dança do ventre dividido em três momentos. Primeiramente, ocorreu a dança o ventre tradicional em seguida a dança do punhal que segundo Aymelek explica: “A dança do punhal que executamos, significa a morte, pois era dançada para a Deusa da Morte, mas olhamos a morte de uma outra forma...” E para finalizar a dança do ventre, houve uma dança coletiva chamada dabke numa roda envolvendo a platéia, trata-se de uma dança onipresente nas festas árabes. Aymelek brincou: “Esfiha e dabke não podem faltar”.


O fim do evento foi marcado por mais uma manifestação literária, o contador de causos Eufra Modesto. Ocorreu a apresentação do Coral Vozes Fraternas, regido por Temporini e arrancando inúmeros aplausos. Depois, foi minha vez. Eu, Rommel Werneck, declamei três sonetos, sendo dois meus e um do escritor Buno Fagundes Valine do blog Poesia Retrô, o blog que presido. A leitura de Dormindo foi ofuscada pelo barulho do avião que passava no local, o que não aconteceu felizmente com a leitura dos outros dois textos cujas performances estão em vídeos. Depois, David leu poemas num repertório acompanhado por músicas de fundo de bandas, dentre elas, Tears for Tears. Temporini e grupo realizaram mais uma intervenção musical finalizando o sarau na área verde no início da noite. O fim propriamente do evento foi o lanche comunitário organizado por todos que permitiu a confraternização de artistas e platéia.


O que mais se destaca num evento como este é a promoção social e cultural. Não são apenas as apresentações artísticas que merecem aplausos. Há algo mais belo, há um trabalho em equipe para organizar e divulgar o evento respeitando as diferenças e somando as semelhanças. Há o resultado do evento, as pessoas que saem de lá saem diferentes de como entraram, elas aprendem algo e compartilham o conhecimento. Há uma retomada cultural muito significativa porque em pleno sábado pessoas assistirem performances de dança do ventre e declamação de poesia retrô num espaço cultural, por exemplo, é realmente algo fantástico. Sábado é consagrado pelo consumismo como dia das compras e a mídia destrutiva rouba as atenções no dia do descanso. Floresceu no Centro Cultural Jabaquara um importante evento para retomar o conhecimento no renovar da primavera.



Rommel Werneck






VÍDEOS:






JOIA AO VIVO


http://www.youtube.com/watch?v=ZDWoSaIZUoE



O OURO E A PRATA ÀS MAIS SACRAS ESCULTURAS AO VIVO


http://www.youtube.com/watch?v=LcVy8vB-Jek


Malu e Rogério - Sarau da Primavera


http://www.youtube.com/watch?v=6tG8wCPVvMM&feature=player_embedded



Zilda - Sarau da Primavera


http://www.youtube.com/watch?v=mUE6TfOZe-E&feature=player_embedded



Maricene e Maycow - Sarau da Primavera


http://www.youtube.com/watch?v=cklLhiLXUfM&feature=player_embedded


Eufradísio Modesto Filho- O saco e o papo


http://www.youtube.com/watch?v=rD-dbrwkZlM


FOTOS EM: www.novosfulanos.blogspot.com



Extraído de: http://www.opiagui.com.br/2009/09/a-florescencia-no-centro-cultural-da-jabaquara/

domingo, 20 de setembro de 2009

Realidade não real


Ele faz todas tuas coisas favoritas
Enquanto você esta presa em tuas ilusões...
Ele te alimenta como abutres,
E você ainda se esconde sob suas mãos?

Eu adorava ainda quando
Você estava perto de mim,
Eu estava te Amando
Mas não significo nada, mesmo no fim...

Nem se quer posso ver teu sorriso
Pois ele a aprisiona em fantasias,
Vamos saia! Para ver a luz, não seja submissa
Mais uma vez mostre teu sorriso


Ele te faz dormi em pesadelos
Mas quando decidir...
Acorde em meus abraços
Mas quando perceber, não estarei aqui.

Eu adorava ainda quando
Você estava perto de mim,
Eu estava te Amando
Mas não significo nada, mesmo no fim...

Tua realidade não é real
Tua vida não vive mais,
Sonhe de novo
Viva outra vez em meus braços...
Breno Filth


POESIA RETRÔ, A POESIA DE SEMPRE!
&
EU ESCREVO PEMAS GÓTICOS

sábado, 19 de setembro de 2009

Dueto assassino- Giselle Sato e Pedro Faria




Ela

Gosto de jogos, de riscos e rasgos. Tragos e traços em finais imprevisíveis.
Ser musa é o preço de viver através da eternidade.
Gostaria que houvesse um toque de poesia e requinte, uma pequena alusão ao belo que compõe o quadro imaginário.
Contudo estou disposta a barganhar meus pequeninos luxos.
Imaginei uma cena mas bem sei o quanto gostas do grotesco, horrores que somente você consegue imaginar... E que te delicia não tanto quanto o calor do meu seio em tuas mãos, manchadas de dores e agonia.
Nascemos no mesmo dia, separados por minutos, em um parto maldito de uma carne morta. Desde sempre amaldiçoados, fomos separados, temidos e condenados. Mas um dia você me trouxe de volta e atravessamos o mundo dos vivos deixando um rastro de trevas.



Ele
Deitar contigo à luz da lua
Sob a lona que depois servirá de mortalha
Contando histórias, cantando, planejando

Transporemos essa muralha
Nosso brinquedo estará esperando
Primeira honra será sua. Sempre.

Alisarei os seus seios suavemente
Com uma mão, na outra o bisturi
Incisão inicial sob o pescoço frio

Minha mão no seu sexo, eu já sinto aqui
Brincando na umidade, entrando sem esforço
Lâmina deslizando lentamente

Pressiono-te contra mim, estou duro
Sua mão sobre a minha, no cabo da faca
Beijamo-nos enquanto o sangue jorra

Você desfaz meu cinto, meu pau como estaca
Penetra violento, como procurando desforra
Por algum mal, ou prejuízo prematuro


Animais no cio, e a vida sob improvisada cabana
Vai-se embora, atravessa para o além
Éramos três, somos agora um par

Gozamos, nos sentindo bem
Amamos, matamos, e voltaremos a amar
E a matar. Pois o sangue nos chama.



Ela

Olhos febris refletem medo e terror, perdem a inocência e odeiam.
O grito suspenso que jamais será ouvido, morre no murmúrio da mulher encolhida e trêmula. O homem tenta proteger a amada, você não permite e mostra sua força. Ele cai muitas vezes e eu peço que não o mate. Ainda.
Abraço a pobre moça e aliso os cabelos em cachos perfeitos. Ela é bonita e jovem demais, percebo seu olhar e decido cortar cada fio. A tesoura vai e volta enquanto as mechas caem...Caem... Formando montinhos.
Pequenas gotículas de sangue escorrem, ela geme sob as cordas apertadas. A boneca de trapos levanta os olhos azuis e me encara com raiva. Sou a ultima imagem antes da lamina destruir a cor.
E assim seguimos, alguns nos chamam de monstros, outros de loucos e desalmados. Mas o que importa? Nossa essência é assim, mesclados em trevas, dores, agonia.... Seguimos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Rua estreita




O calçamento da rua estreita, desgastado por séculos a mais, foi caminho a muitos lugares diferentes. Desceu ao porto, rudimento e carroças, pés descalços o traçaram num percurso vão. Elevou-se elite, reflexo de suas negras carruagens, onde ninguém nunca pisou. Multidão, aos bondes futuros, nascedouro da pressa desse encontro inútil, que antes mesmo, ficou. A fuligem soberba das chaminés do incremento, que prometeu outro tempo e nem a si suportou. Testemunha, ladrões, por corridas noturnas, por sua baixa perícia num silêncio cúmplice, que também se passou. Uma rua que foi possuída pela noite, nas entradas furtivas em misteriosos perfumes, aposentos discretos, sem amor.
Séculos. Consumidas pedras da vida urbana, suportou a história do que não adianta, mas ainda pôde, em passos marcados de indulgência, aceitar a graça. Sentido em ser o caminho, nos passos pequenos de pés femininos, descalços, quando dela se servem na sua volta extrema.
Sandálias e o brilho, mais um doce no sorriso entre róseas maçãs. Gentilezas e um verso, pétalas abatidas; do álcool, gargalhadas, e dessas pedras madrugadas, que a sentem em seu âmago, por esparsas lágrimas entregues ao seu pó, em pisadas macias, suaves à essa rua, que viu tantas e tristes histórias e lamenta, quando deixa atrás de si, as mesmas pegadas em direção à alvorada. Para quem se dá às tantas danças da noite, mas que, sempre volta só.

Até amanhã...


.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

De línguas&beijos



De línguas&beijos

Thiers R >




Desencantado

Atravess’o berço da agonia

reviro olhos

destravo ações

brilha a fagulha

explode o coração

grito ao mundo

-o amor é doce poético-

penetra veias

incendeia mãos

destranca portas

aldeia de cabeças

toco língua

sabor incorpora

respiro em

cantoria

beliscando o amanhecer

de línguas &beijos



<

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

LICANTROPUS

(Darkness)

Indiferente ao caudal liquido que desaba, a sacerdotisa mantém-se concentrada em seu mister. O ritual tem por objetivo a invocação da proteção da Deusa. Os últimos acontecimentos haviam dizimado os seguidores da Grande Mãe. Seu coração confrangido roga pela ação direta de sua protetora:
-- Oh, Grande Mãe Protetora daqueles que seguem sua orientação, olha pelo povo que sofre sob o julgo ferrenho dos asseclas das trevas.
Um estrondoso trovão, seguido pelo fagulhar de um relâmpago incandescente, arrebata-a do tempo e do espaço impelindo-a a uma viagem singular. Seu corpo desloca-se suavemente sobre planos difusos. O aparente caos representa a celeridade de sua viagem.
Depois de um tempo imensurável, o movimento é contido e seus olhos divisam a silhueta diáfana de uma senhora majestosa. Seu manto monocromático reflete nuances espectrais das mais variadas combinações de cores.
-- Grande Mãe! Exclama jogando-se de joelhos diante da imponente figura.
Toda angústia que a dominava esvai-se num átimo. Invadida pela força do olhar daquela a quem reverencia, sente suas dores serem drenadas de seu âmago. Uma paz como jamais havia sentido preenche seu íntimo.
Nenhum som fendeu o silêncio canoro que dominava o ambiente. A harmônica sutileza da comunicação se processava na alma, as palavras não tinham lugar naquele encontro especial. A sacerdotisa pressentiu a grandeza do momento e recolheu-se a sua pequenez humana.
Assim que a absorvente visão cessou, ela ultimou as fases do rito. Concluído seu mister, deixou o abençoado recanto dirigindo-se para o centro do pequeno povoado que lhe servia de morada.
Encravado no coração da floresta, aquele era o último reduto onde poderiam considerar-se a salvo da sanha ambiciosa dos senhores da terra. Todo vigor e serenidade, percebidos na majestosa figura etérea, revestiam seu frágil corpo. Seus olhos resplandeciam o brilho de um fogo imaterial.
Todos que cruzaram seu caminho foram tocados pela força que emanava de seu corpo. Utilizando o magnetismo de seu olhar, ela os convocou para um encontro no centro do povoado. Eles precisavam preparar-se para o embate que se avizinhava.
-- Meus filhos, nossa Grande Mãe se revelou a mim. Fui levada a sua morada e pude contemplar aquilo que nos aguarda.
Olhares atenciosos não desgrudavam um segundo sequer da figura rutilante da sacerdotisa. Desde há muito, eles sabiam que podiam confiar nas determinações que a mulher lhes dava. Jamais haviam sofrido revés algum por seguirem as determinações da guia.
-- Muitos de vocês acreditam que o mal se origina no coração do Senhor dos Infernos e se manifesta através de seus demônios, mas está na hora de saberem que nem sempre é assim. O homem tem se esmerado na tentativa de se igualar ao tenebroso. Nossos irmãos sofrem não pela ação de demônios sanguinários, mas pela ambição desenfreada de homens que não se importam em perpetrarem as mais ignóbeis crueldades para alcançarem seus objetivos.
Exclamações elevaram-se por todo os cantos. O desassossego reinante parecia preste a convergir para um desastre real. Os adultos tentavam acalmar seus jovens, mas não estavam obtendo sucesso uma vez que eles próprios não conseguiam manter seus corações serenos.
-- Vamos perecer? Soou a indagação trêmula do líder local.
-- Vivemos os últimos estertores de nossas existências. A visão que me foi concedida mostrou o lugar para onde deveremos ir quando a hora soar.
-- Não tem como evitar?
-- Uma grande fera foi despertada por aqueles que ambicionam nosso solo. Há seis solstícios ela vem reunindo um número considerável de asseclas. Não temos chance de fazer frente a sua investida.
-- Mas a Deusa não pode nos proteger?
-- Durante milênios nosso povo recebeu a proteção incondicional de nossa Grande Mãe, mas nosso tempo é finito. Outros tempos estão nascendo e não temos lugar na nova ordem.
-- Nossos filhos são tão pequenos! Lamentou um dos presentes.
-- Todos que permanecerem fieis a Deusa serão recebidos em sua morada.
-- Que tipo de fera nos ameaça? Um outro quis saber.
-- Muitos uivos precederão a chegada da matilha.
-- Lobos! Exclamou o mesmo que perguntara a respeito da identidade da fera.
-- Os lobos jamais nos causaram mal algum, assim como também não lhes causamos quaisquer infortúnios. A fera que foi despertada é de uma espécie única. Nem homem nem lobo, uma fusão entre ambos.
-- Quanto tempo temos? A pergunta do líder foi feita em tom resignado.
-- Antes que a décima lua cubra a terra com seu brilho argênteo, teremos deixado este plano.
-- Tão próximo!
-- Aproveitem o tempo que nos foi concedido para libertarem-se de seus pendores, medos e vícios. Os laços existentes só se manterão se não olvidarem as orientações recebidas através de nossos antepassados. Agora vão e procurem fazer o melhor que conseguirem.

sábado, 12 de setembro de 2009

MEU LIVRO


A Biblioteca24x7 tornou meu sonho possível! Lancei meu primeiro livro impresso: Uma história de aventura infanto juvenil, que tinha guardado na gaveta há alguns anos já.
Contei com o apoio do sempre incansável parceiro René Ociné, o cara que abriu meus horizontes aqui na net, me adotando literáriamente. Não tem obra que não esteja vinculada a ele atualmente, é um anjo da guarda.
Revisão gráfica de Geralda Aparecida Dias e diagramação e capa do René Ociné.
Está sendo vendido no site da editora. Vamos lá amigos, prestigiem a Me nessa empreitada. Vão gostar do livro!

Site para compra:
BIBLIOTECA24X7

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Demônio



.
Maldito!
Achas que pode
Chegar assim de mansinho
Me cegando, possuindo
Devagarinho....

E depois sair?
Volta Demônio!

Maldito!
Toma tua cria,
Tua composição química,
Pois que sem ti pereço
Em decomposição...

Me toque!
Em ritual e mãos!

Me

domingo, 6 de setembro de 2009

Ave negra



Só risco o teu céu
em dia de chuva e de vento
e canto no teu muro
para te acalmar

Sempre que há tempestade.

Quando o céu fica azul
faço o caminho inverso
volto pra o teu inconsciente
pra teu esquecimento efêmero

E nada mais te peço.

Só quando os raios desfazem
a paisagem dos teus desejos,
tu me trazes de volta,

com as asas negras
pousadas em teu peito.

A primavera é só tua
entre noites de lua e concreto.
No frio, vulnerável,
reacendes-me

Só eu sei clarear o teu inverno.



(Jessiely Soares)


Imagem: Google.

sábado, 5 de setembro de 2009

Áspide Bórgia - Flá Perez


Bipartida,
minha língua pinga
a tua dádiva.

Deito-me contigo
e me entrego
(sujeição
é meu veneno
predileto)

Imunizada,
esgueiro-me até a porta
e saio,
ofídica e desatenta.

De longe ainda agradeces
tua morte
doce e lenta.


Este poema faz parte do meu livro
"Leoa ou Gazela, todo dia é dia dela"
Convido todos para o lançamento na
Livraria Cultura Shopping Iguatemi Campinas,
dia 11/09/2009 a partir das 19:00 horas .
E para o lançamento e noite de autógrafos em São Paulo,
que acontecerá durante o XXIII Sarau Politeama Diverso:
Data: 15/09/2009 Hora: 20 h 46 m
Local: Fidalga 33
Rua Fidalga, 32 – Vila Madalena
Tel: 3032-7346

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DRACULEA - O LIVRO SECRETO DOS VAMPIROS




DRACULEA - O LIVRO SECRETO DOS VAMPIROS
Organização: Ademir Pascale
Prefácio: Nelson Magrini
Participação especial: J. P. Balbino e Adriano Siqueira (site Adorável Noite e um dos autores do livro Amor Vampiro)
Autores: 27 autores Tema: Segredos dos Vampiros Editora: All Print

www.cranik.com/draculea.html

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Estas são algumas curiosidades sobre a história que escrevi FILOSOFIA VLAD e é parte de uma das histórias que está no livro DRACULEA - o livro secreto dos vampiros.

Está história que tem muitos suspense, mistério e ação foi contruída através de vários elementos e personagens já existentes em histórias que criei ao longo destes anos.

Os personagens que aparecem na história Filosofia Vlad

Angêlo - caçador que apareceu antes nos curtas e hqs
HQ - http://contosdevampiroseterror.blogspot.com/2008/03/historias-em-quadrinhos-sobre-vampiros.html
http://contosdevampiroseterror.blogspot.com/2008/03/hitrias-em-quadrinhos-sobre-vampiros.html
HQ do Cavaleiro Valente
http://cavaleirovalente.wordpress.com/2009/03/01/hq-do-cavaleiro-valente/
CURTA - http://www.dailymotion.com/video/x36yhr_cacador-noturno-cacando-vampiras-va_shortfilms


Alexia/Lumina
A atriz Alexia que interpretava a personagem Lumina no cinema na história "Os Escolhidos" também participa da Filosofia Vlad. o nome Lumina, a personagem vampira, foi contruido em homenagem as grandes vampiras brasileiras.
Lu - Lucila(Personagem da Martha Argel do livro Relações de Sangue)
Mi - Mirza (Vampira do desenhista Eugênio Eugenio Colonnese)
Na (Nadia a filha de Drácula do Zalla e Rubens Cordeiro)
A história "Os Escolhidos" está no SCARIUM MEGAZINE 15
http://www.scarium.com.br/quinze.html

Katrin
Esta personagem vampira apareceu pela primeira vez na história "A vampira de vermelho"
http://contosdevampiroseterror.blogspot.com/2007/12/vampira-de-vermelho-autor-adriano.html

Sandra
Esta personagem é comentada na história e a sua primeira aparição veio desta história
http://contosdevampiroseterror.blogspot.com/2007/12/carta-por-adriano-siqueira-siqueira.html

O espelho que reflete os vampiros - Este espelho que aparece em FILOSOFIA VLAD teve a sua origem neste história abaixo.
http://contosdevampiroseterror.blogspot.com/2009/08/o-espelho-que-refletia-os-vampiros-por.html

Para terminar esta relação de curiosidades a história fala de uma comunidade homônima e ela existe no orkut para conhecimento sobre Vlad Tepes
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=90605918

Com todos estes elementos juntos a históra Filosofia Vlad mostra que existe um universo muito maior do que a própria história.

Apreciem e agradeço o carinho de todos sobre o meu trabalho.

Abraços
Adriano Siqueira
http://www.contosdevampiroseterror.blogspot.com
http://www.adoravelnoite.blogspot.com
http://www.adoravelnoite.com

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O desescritor

O descritor desescreveu o descrito de um desescritor que desalento descreveu o descritor

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cacos





Será preciso morrer
para contar os vermes?
Um a um, todos ali,
impermeabilizando
os cacos do corte
e o único som
é do pulsar do tétano;
e a única dor
já se foi...





Me Morte
A Lenda do Corpo Seco
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