
Bem vindos ao Cemitério do Vale das Sombras. Uma Necrópole de nossos textos sombrios. Aqui só crônicas, poemas, contos e tudo no bom e velho estilo gótico de viver. Falou de morte? Poste aqui. Tristezas? Raiva? Contos macabros? Fábulas assombrosas? Temas exóticos? Textos fantasmagóricos? Aqui não tem meio sorriso, sorriso inteiro, só choro e sobrenatural. Venha fazer parte das almas atormentadas do Vale das Sombras.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Quem é ela?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008
ANIVERSÁRIO MACABRO – mini conto

Silvinha estava nas nuvens, seu aniversário havia finalmente chegado. Era hoje o grande dia, a grande festa, os presentes, os amiguinhos, a família.
Hoje ela estava decidida a fazer tudo ser diferente. Silvia era a filha temporã de um casal de idade já meio avançada, e seu pai, que ela tanto amava, só tinha olhos para as outras filhas mais velhas, Silvia era uma coisa não querida, um lapso nas pílulas tomadas diariamente por sua mãe.
Seu pai nem a olhava, era como um móvel da casa grande e bonita, casa antiga com um grande quintal com árvores centenárias. Ela era um incômodo com suas correrias pela casa, suas brincadeiras de menina que tanto o irritavam.
Silvia estava linda, seu vestido novo feito fora do país, por vontade de sua mãe, era estonteante, mas um vestido de menina, não de moças como alguns pais gostam de fazer e pular uma parte tão linda de nossas vidas. Não era possível que o pai não a visse hoje, hoje ela a tomaria nos braços e daria o abraço tão ansiado e desejado. Daria beijos em seu rostinho redondo de olhos azuis e boca vermelhinha, tão linda parecia um anjo.
Todos na família amavam Silvinha, ela era o xodó da casa e de todos, menos de seu pai. Ele não gostava de crianças e odiava quando aquela pestinha vinha para perto dele com seus ataques carinhosos que só o faziam sufocar-se e sentir nojo daquela pirralha insignificante. Lindas eram suas filhas mais velhas com suas famílias e filhos vivendo longe dali, suas filhas sim não davam trabalho algum, pelo contrário, elas o ajudavam mensalmente com dinheiro para as despesas da enorme casa antiga, mas que ninguém queria vender haviam todos crescido ali e era dali que tinham as mais tenras lembranças.
O jardim era o ponto algo da casa, enorme, todo arborizado com árvores centenárias e imensas que davam um ar majestoso ao velho palacete. Era ali que Silvinha mais gostava de ficar, podia correr, brincar com os cachorros, se sujar, sentar na grama, subir nas árvores, comer frutos madurinhos das árvores frutíferas que havia ás pencas, de todos os tipos.
Ela passava o dia inteiro no jardim. Em casa não podia fazer barulho ou seu pai ficaria irritado, já era um velho aposentado e muito ranzinza.
À noite finalmente chegou trazendo os convidados, música, os tão esperados presentes, os amiguinhos da escola, todos estavam ali, menos o seu pai.
Ele estava ainda em seu quarto.
Em alguns minutos, Silvia viu quando o pai saiu do quarto e vinha descendo pela grande escadaria.
_ Papai, papai veja – gritou a menina. Veja meu vestido novo que mamãe comprou para meu aniversário, veja papai não é lindo?
O pai passou por ela sem ao menos dar-lhe um olhar, seu coração pesou, sua alegria se esvaneceu. Seu pai, seu adorado pai nem olhara para ela, não vira o vestido, não vira os olhinhos que brilhavam com amor e esperavam ansiosos por um simples carinho. Mas ele fora embora falar com os amigos, como sempre, e ela ficou esquecida aos pés da escadaria.
A tristeza a corroia por dentro, esqueceu-se dos amiguinhos, dos presentes, de todos, queria agora era chamar atenção de seu pai. Não era possível que nem no dia de seu aniversário ele não iria nem olhar em seus olhos e desejar parabéns, pois presente ele nunca havia dado mesmo.
Correu para o jardim, entrou no depósito de ferramentas e pegou uma grossa e comprida corda, papel, tinta e cola.
Já tomara sua decisão, hoje sim o pai iria olhar para ela de qualquer forma, querendo ou não. Nem que fosse apenas esta vez, mas pelo menos teria seu olhar, o olhar de um pai que nunca a amou de verdade.
_ Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii – veio o grito lá de fora do jardim todo iluminado.
Quando todos saíram para ver o que estava acontecendo, viram Paula, amiguinha de Silvia chorando e gritando como louca em estado de choque e, quando viraram o rosto para o lado esquerdo, para o lado das árvores, todos ficaram mudos e em estado de puro horror.
Pendurada pelo pescoço na grande árvore jazia o corpo de Silvinha, morta com uma feição de esgar, com a boca aberta quase inteiramente e a cabeça caída de uma forma muito estranha para o lado, o pescoço havia quebrado na queda.
Naquele instante o pai de Silvia saiu de dentro da casa já gritando que barulheira era aquela quando viu o corpo da filha pendurada na grande mangueira.
Ele caminhou em direção ao corpo e viu em câmera lenta, como se não estivesse vendo aquilo.
Parou em frente ao corpo, todos ao lado em comoção, a mãe desmaiada, as tias gritando e chorando e olhando para ele com ódio nos olhos. No peito de Silvinha, em cima do vestido tão lindo e caro, bilhetes colados com letras grandes escritos com tinta vermelha por ela antes de se jogar do mais alto galho da árvore:
_ Papai, veja meu vestido novo, não estou bonita? Agora sim papai, tenho certeza que o senhor está olhando para mim, olhando para sua filha que nunca viu ou amou. Eu te amo papai.
By Ana Kaya Cristina
domingo, 28 de setembro de 2008
Entre sangue e perdão - O Cabeleira

-
Salve o Cabeleira camará!
Triste o seu destino assim
errou sem o direito de lutar
graças a crueldade de Joaquim.
Salve a quem tinha coração
foi separado da mocinha Luiza
e da proteção da mãe querida
que morreu pedindo perdão.
Lembro-me que quase sem vida
sua mãe, ao vê-lo morrer,caia aflita...
escutando Cabeleira,que gritava aos prantos:
“Adeus! minha mãezinha querida...”
Por Emerson Sarmento
sábado, 27 de setembro de 2008
†††Vale das Sombras††† Brasil

DIVULGUE!!!
Me Morte
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
DERRAMO EM TUAS MÃOS

DERRAMO EM TUAS MÃOS
Rosto desfeito de pele
alma de poeta
fala ao faminto
coração
Que importam cascas
deterioradas
comida de vermes?
Insanamente existo
Beijo-te com a gula
do olhar
Abro o peito
cravo o punhal
rompem artérias
no abraço
da aragem
Parido
da concha
expelida na dor
pérola tornei-me
em meio
ao sangue
que pintava
o mar
Degluti
cuspi rosas
acariciei teu
rosto
Beijei a lágrima
dei poesia
que em pingos
transparentes
derramo em tuas
mãos.
RJ – 30/07/2005
** Gaivota **
________________________________________
A COMUNIDADE VALE DAS SOMBRAS FOI DELETADA PELO ORKUT
1) NÃO FOI HACKER (fosse hacker a excluir ela estaria relacionada lá em cima da página, nas comunidades excluidas)
2)ELIMINANDO A OPÇÃO DE UM HACKER DEDUZIMOS QUE FOI O PROPRIO ORKUT.
a) por acidente
b)por algum tipo de denuncia
obs.: Como conheço a seriedade do pessoal do Orkut torço para que tenha sido acidente, mas, se não foi, chego a conclusão de que tomaram uma atitude intempestiva, sem a devida averiguação.
Esclareço: Estava acontecendo uma entrevista com o artista plástico Alex Plunk, o que gerou muita polêmica por parte dos membros, chegando mesmo a "alguns" se tornarem intransigentes quanto ao rumo do rapaz em nossa comunidade. Resumindo: Eu tive pessoas que exigiram que ele fosse retirado do Vale, CINCO, para ser exata, pois achavam de baixo nível sua arte (pintura com materiais como fezes, sêmem, etc...)
Não quero acreditar que esse foi o motivo, pois isso nos levaria ao retrocesso, afinal isso seria um tipo de CENSURA há muito exterminada de nossa sociedade.
O Vale das Sombras tem como meta a introdução do jovem na literatura e artes em geral, seja ele um desconhecido, talentoso ou não, audacioso ou não, irreverente ou não...enfim, lá é um portal sempre aberto para quem faz ou simplesmente gosta de artes em geral.
Informo ainda, que já enviei os formulários burocráticos que o Orkut exige nesses casos e estou esperando a devida resposta para dar continuidade (ou não) na entrevista e na votação do Concurso de Gótico do Vale.
Estou triste, mas decidida a fazer JUSTIÇA, por isso, mesmo que não recuperemos o Vale, farei um novo e, o mais importante, vou investigar até o fim para saber se houve um responsável e, se houve, sobre sua identidade para EXPULSAR do Vale e de qualquer projeto que tenha ligação a ele, pois lá é lugar de literatura e democracia, e não tem lugar para ARROGÂNCIA, INVEJA ou afins.
Desculpem as minhas maneiras, mas todos sabem da importância que o Vale das Sombras tem para nossos projetos literários.
Qualquer nova notícia eu posto aqui.
Me Morte
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Deste lado do umbral, ainda

Fiquei por um beijo
Estas cores fortes
as vi à frente,
um infindo horizonte
ao norte
mas voava, não sentia os pés
nem tapetes haviam
eram nuvens de escuro azul,
de azuis-claros, de azuis pastéis,
de cruéis azuis
pedi um beijo à amada,
já bêbado de anestésico
para a travessia do umbral
sem dores, em paz
negou-me, astuta, solerte,
até risonha
repeti que seria assim feliz
sorriu-me ainda mais,
negaceou
disse-me para ficar junto dela
e tudo eram rosas já
E mais e mais amores, quiçá
[Das lembranças em uma maca, a pressão a 6 x 4, no peito intensa dor, o solerte, sutil e insidioso cateter levando o stent até paralíticas coronorárias. Ainda não foi dquela vez que me fui à outra]
terça-feira, 23 de setembro de 2008
BRUMAS FUNESTAS
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Infância





-Boa tarde doutora. Essa é Elisa, a menina de que falei ontem.
-Sim, sim, mas sentem. Olá Elisa, como vai?
-Oi Tia...
-Luiza, Tia Luiza. Completou a médica com um sorriso nos lábios. A sua Tia Ana me contou que você é a menina mais esperta do orfanato. E tem apenas cinco anos, é verdade?
-A Tia disse isso? Os olhos da menina brilharam. Eu sou sim. Minha mamãe sempre dizia isso.
-Como se chama sua mãe?
-Não me lembro não senhora. Só lembro que ela gostava muito de mim. Um dia me deu uma boneca Xuxa enorme.
-Verdade? Então sua mãe devia gostar muito de você.
-Ah, gostava sim. Ela sempre disse que eu era a mocinha da casa.
-Você ajudava sua mãe nas tarefas?
-Claro. Eu cuidava da minha irmãzinha para a mamãe trabalhar.
-E sua irmãzinha dava muito trabalho?
-Não, era boazinha. Só quando tava doente. Aí ficava chorando no berço.
-Ela não dizia o que doía? A menina deu uma risada que ecoou pela sala.
-Ela não falava Tia, era bebe. Não andava, não falava e fazia coco na fralda.
-Ah, bom. E você trocava a fralda dela?
-Claro que sim. Eu aprendi com minha mamãe.
-Onde está sua irmãzinha agora?
-No céu. Ela morreu de doença.
-Que tipo de doença?
-Ninguém sabe Tia. Ela tava gripada. Minha mamãe deixou remedinho pra eu dar pra ela. Eu dei, mas não adiantou. Ela dormiu e não acordou mais.
-Assim? Morreu dormindo? Ninguém percebeu?
-Claro que percebi Tia, não sou boba. Ela chorou e eu dei remédio pra passar a dor. Mas não adiantou, ela chorou uma porção de vezes e eu dava o remédio pra ela parar de chorar, mas ela dormiu e não acordou mais. Depois aquela droga de juíza me trouxe pra cá. Acho que pensou que eu não cuidei dela.
-E você cuidou?
-Claro. Mas o remédio acabou...
Me Morte
domingo, 21 de setembro de 2008
A PROCISSÃO
A mulher estava acotovelada ao peitoril da janela, olhos sobre a campina distante, iluminada pelo plenilúnio.
-Vem dormir, mulher...
o ritmo na zona rural levava os camponeses bem cedo à cama. Mas a esposa parecia não ter sono. E ficava até altas horas enamorando a eremia dos pastos desertos.
Num momento, viu uma procissão. Vinha, silenciosa, através do carreiro entre os cafezais, desde o capoeirão virgem do vale que se abria bem nas divisas da grande fazenda.
A mulher ainda chamou o esposo, entusiasmada ante o préstito que vinha, lentamente, velas em riste, frontes abaixadas e encobertas pelos capuzes alvos. O homem não respondeu. Talvez já mergulhara no sono.
Que belo cortejo! - ela pensou, suspirando fundo, saboreando os passos ritmados daqueles corpos vagarosos, agora já quase à sua janela, seguindo a estrada que sumia-se nas divisas da próxima herdade.
Não ouviu um rumor seguer, não detectou um rastro na areia da estrada. Assim a procissão passou, comportada, aos olhos muito vivos da mulher madrugadeira.
Um dos últimos fiéis desprendeu-se do préstito, chegou junto à janela, estendeu a vela à mulher:
-Coloca-a no teu oratório.
Não pôde distinguir os olhos e os traços do seu interlocutor. Um estranho arrepio percorreu-lhe todo o dorso.
Fechou a janela, inexplicavelmente trêmula e um tanto sonolenta. Colocou a vela no oratório. E deitou-se.
Um sono agitado. Sonhou com sombras vaporosas, esquifes entreabertos, necrópoles inçadas de cruzes e capelas gemebundas.
No outro dia, à abrução matinal, foi até ao oratório. E viu, estarrecida, um formidável osso, pontiagudo, esguio, tal qual uma vela, espetado na cera derretida do pequeno castiçal, exatamente onde deixara a vela na véspera.
O refrescar-se à janela às altas horas agora tornou-se um tabu. Ela nunca o violou.
E como invariavelmente ocorre nas experiências místicas da gente do campo, nunca pôde atinar o que sucedera. Imperdoavelmente.
sábado, 20 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
CALEIDOSCÓPIO

A estrada parecia longa demais e a noite densa como os pecados que ele carregava. Um espectro de angústia vagando sem rumo, a história perdida em algum momento.
Noite sem lua, caminhos torturantes, corrompidos pelas incertezas. O mal impregnou a pele, marcou aquela alma e a única certeza é que precisa seguir adiante.
A memória vazia, as mãos sujas de sangue e o cheiro do suor de vários dias. Caminhava pela estrada de terra ladeada pela vastidão da mata fechada. O silêncio absoluto trouxe maus presságios. Alguma coisa ruim esgueirava-se na noite,algo apavorante que calou a floresta.
Finalmente chegou em uma grande encruzilhada. Parado no meio do nada, tremendo de medo e sem conseguir decidir. Cansado demais, as pernas amoleceram e o corpo tombou pesado. Ouviu sons e não conseguiu distinguir se eram vozes ou algum ruído desconhecido. Um imenso cão aproximou-se farejou sua face com o focinho gelado.
Procura enxergar os vultos, eram tantos e pareciam agitados, moviam-se como um grupo compacto. Um ser bizarro com mil olhos e faces. O instinto forçou a rastejar em busca de algum apoio.
Na beira do caminho uma cruz imensa parecia ser a única opção. Estranhou, até então não havia percebido sua existência. Culpou a madrugada escura e os olhos doloridos.
Encostado no grande bloco de madeira, assistiu os estranhos desmembrando-se lentamente em várias pessoas. Formaram uma grande fileira murmurando frases desconexas. A cabeça começou a doer ... abriu a boca e constatou a mudez.
Começou a entrar em agonia...Sou um pedaço de carne largado ao pé de uma cruz tosca, jogado na beira da encruzilhada no meio do nada. Mudo, sem forças e confuso. O que sou? O que estou fazendo aqui?
Subitamente violentas visões surgiram em jorros, cenas de mutilações e horror. Eram fragmentos de muitas memórias em seus últimos momentos de vida. Em todos, ele
aparecia praticando diferentes métodos de tortura.
Seu maior desafio era prolongar os suplícios em dias e dias. As vítimas imploravam pela morte, mas ele não se importava- Eu sou a morte, eu controlo a morte,gritava para os moribundos ....as cenas sucediam-se em um caleidoscópio surreal.
Enquanto isto, a turba avançava em sua direção. Mãos estendidas, garras prontas a arrancar cada naco de carne. Estavam famintos e queriam vingança. Tudo escureceu e a visão apagou-se completamente.
A primeira coisa que ele sentiu foi o cheiro de rosas , depois a maciez dos lençóis brancos e a certeza que estava tudo bem. Abriu as cortinas e o jardim continuava perfeito, a piscina espelhando o sol das montanhas e a natureza respondendo ao dia bonito de verão.
Abriu a agenda e verificou os horários . Uma pequena correção de pálpebras ao final da tarde. Bobagem corriqueira para um cirurgião plástico. O pesadelo não foi forte o suficiente para impedir que visitasse o porão recém -reformado da ampla residência. Isolada o suficiente para que nenhum vizinho incomodasse.
As três mulheres presas em camas hospitalares, arregalaram os olhos quando ele entrou. Cada uma em diferente estágio de mutilação. Todas sem as cordas vocais e incrivelmente belas. Moças sozinhas que poucos sentiram a ausência imediata.
Perfeitas assistentes selecionadas após muitas entrevistas e investigações:- Bom dia queridas meninas, sentiram minha falta? Claro que sim, minha noite não foi muito agradável, tive pesadelos. Hoje vou modificar um pouco o rosto de Carol. Perfeito demais, agradável em excesso. Não se preocupe, não é nada muito complicado...vai doer um pouco mas não há risco de vida. Podemos começar.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Cateter

Nestas profundezas em que habito
Já não moram mais lirismos
Mas um canudo de borracha
Alertando a fragilidade dos órgãos
Um hospedeiro exibido em radiografia
Na noite em que me derramei
Não foi poético
Foi líquido sujo e cansado
De um corpo doente
Em poente descascado
A anestesia que me roubou o corpo
Não era apenas metáfora
Mas substância poderosa
Mergulhando as pernas
Como rosas paralíticas
A obsessão não era mais caligrafia
Nem a morte hipótese paranóica
Se meu corpo chorava em cama de hospital
Escondido em filmes bobos e comida sonsa
Picadas,soro,orações e azias
A asfixia e a tontura
Não eram mais lenitivas
A bandeira de carne na janela do medo
Desta vez não era segredo
E a temperatura vazando barreiras
Não era mais surpresa
Da minha caixinha
Quinze copos de água
lavam minha ternura
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Instante da Poesia
Ah! Áridos tempos, no âmago da poética vida.
Lembro-me de Goethe, alias, de Fausto... ou seria o jovem Werter!?
Foste tu, Ó Esperança, sobre a tênue mágoa que míngua a nódoa cadavérica?
O indébito Amor não pode ser poesia, pois assim, hastear a ânsia e com ela fervilhar o ódio, seu Cornífero Ser faz-se presente e rege o tremor: - Pântano Erótico!
Deveras, tudo é poesia!
Deixe cair sobre a mobília à pétala efêmera, ascenda à vela, alumie o crânio... mesmo o texto mais lúgubre, tétrico nos eleva a instantes de poesia!
E o hálito de cânhamo e álcool faz-se presente, o óbolo artificial. Baudelaire diria, em palavras simbolistas, que o mais importante seria tecer versos e morrer de amor, e seus séqüitos fariam tímidos, o êxodo cultural e a pictórica cena, seria vista, e a poesia bem quista!
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
EL DORADO
domingo, 14 de setembro de 2008
BATE PAPO no Vale das Sombras!


Além de bate papo temos seleções musicais, clipes diversos, galeria de fotos, perfis de amigos escritores e muita, mas muita literatura.
Venha para o Vale no Ning, vc vai gostar!
Beijos
VALE no NING
Me Morte
sábado, 13 de setembro de 2008
Sindrome Vampírica - por Adriano Siqueira
O vampiro é assim,
conquista como suas palavras,
seus jeitos seus mistérios.
Mostra o mundo que queremos ver.
Mostra o prazer que nunca tivemos.
transforma a nossa vida e nosso mundo.
A amizade transforma-se em loucuras,
em demências e dependência.
Sindrome da abstinência vêm em seguida.
Precisamos saber mais sobre ele.
O que esta fazendo. O que esta vestindo.
Até que uma hora, quando nos olhamos no espelho,
percebemos o quanto estamos sendo sugados,
retalhados e perdidos.
Finalmente, a consciência volta e nos vêm a pergunta...
- O que foi que eu fiz pra mim mesmo?
É quando vemos o quanto é prejudicial depender de alguém.
Muito menos um vampiro.
A solução é imediata.
Procuramos outros vampiros, e com a ajuda de
bruxas, fadas, e seres misticos.
Voltamos ao nosso normal
Continuamos nossa vida com nossos amigos.
E o vampiro...que atormentou tanto nos sonhos
se tornará, seu próprio tormento.
Energia Pura - por Adriano Siqueira
Havia algumas estrelas que se rebelavam
Elas não queriam ficar paradas, quietas, estagnadas e apenas brilhando.
Corriam então, de um lado para o outro, sem rumo,
sem um local especifico para ficar.
Duas das estrelas que corriam pela noite,
perdidas e sem rumo estavam indo na mesma direção.
O choque que estas estrelas causariam, com o impacto,
poderiam destruir tudo a sua volta.
Mas, por algum motivo, as estrelas pararam bem próximas uma da outra.
Havia algo bem no meio delas que as deteve.
Algo muito maior do que podemos imaginar.
As duas estrelas tiveram o seu brilho mais forte.
Com este brilho, uma silhueta apareceu entre eles.
era você que estava lá.
Abraço Vampiro - por adriano siqueira
Venha nesta noite,
neste momento obscuro que nos encontramos,
junto com nossos irmãos,
para celebrar este momento tão raro.
O abraço que precisamos tanto.
Nesta hora em que a lua está bem no alto
é que devemos encontrar nossos amigos,
comemorar nossa existência,
nossos relacionamentos e nossa natureza.
Venham para os nossos braços.
Pois sempre precisarei do seu.
Vamos trocar nossos fluidos,
nossas energias,
nossas vontades e nossos desejos.
Vamos ser eternamente únicos.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Concursos de Poemas Góticos do Vale das Sombras

Tivemos um probleminha na comunidade que já foi resolvido e por isso criei mais um blog, o dos Concursos do Vale. Isso por garantia de ter mais um lugarzinho para documentar nossa história que vem se desenrolando desde a fundação em 2006.
O Concurso atual está em fase votação e convidos todos a darem sua contribuição votando AQUI no melhor poema sombrio e AQUI no melhor poema em outro estilo.
Os Concursos passados estão sendo postados AQUI, se quiserem acompanhar é só clicar.
Vamos prestigiar o nosso Vale!
Beijos
Me Morte
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Em que lugar, em que distância me escolheste o castigo
O temor do perigo que nem sei se há?
Por que o silêncio?
Por que tudo o que penso
É terror, coisa malsã
Coisa menor?
Por que a dor de um temor maior?
Que notas em escalas tão sabidas
Ocorreriam em nossas vidas
Não fosse o aprendizado do pior?
Por qual razão justificável
Vago neste lúmpen, tolerável
Apenas por ser teórico
Ou ser meramente retórico.
Por que razão me exponho à cegueira
Do que verei, de alguma maneira
A me esbordoar a face
Para que, como quem renasce
Um dia, quem sabe, eu acorde.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Eu juro que vi!!! Nova Comunidade:

Se você curte literatura sobrenatural, realismo fantástico, causos, suspense e afins...
Se já passou por alguma situação inexplicável, algo que jamais esqueceu e que até hoje te faz tremer ao lembrar...
EU JURO QUE VI é um cantinho para se confidenciar, trocar experiências, ler, se divertir e arrepiar.
Venha postar seu depoimento/conto/causo/etc...
Ou simplemente se deliciar com a leitura, vai ficar de queixo caído!
Me Morte
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
O último pigarro.
Que possa abafar minha esperança
Eu parto quase sempre da lembrança
De ter sido meu único cigarro.
Disfarço sempre um mal qualquer que seja
E como em mesmo prato sempre puro
Ter sido como arroto sempre duro
Foi como esquartejar-me numa igreja.
Encontro sempre um caos por onde andar
Julgado pelo tempo esfarelado
Na dura incidência de ser corpo.
Eu tenho sempre um caco pra pensar
E um juízo mal e ainda porco
Na porta de um leproso só de um lado.
Dos Anjos
domingo, 7 de setembro de 2008
sábado, 6 de setembro de 2008
O Vale das Sombras apresenta:
Visite Vale das Sombras
Isso porque somos empenhados no conceito que goticismo é arte e não tem que vir
ligado a depressão ou suicídio.
Quer literatura sombria? Entre para o Vale. Com certeza um dos nossos projetos é a sua cara!
Me Morte
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Músculo de Minhoca!

A Me foi homenageada por um escritor de Brasília!
Giovani Iemini, de Brasília, lançou o ebook de poesias Músculo de minhoca, com 27 poemas da melhor qualidade e um deles, "Xará Demônio", foi dedicado a Me Morte. Estou orgulhosa porque além da homenagem ser linda, o poema é lindo e o dono do poema muito talentoso.
Por favor, baixem o livreto, é bem pequeno, leiam o "Xará Demônio" e todos os outros, vão adorar!
- "ele era um poeta triste, macambúzio e sorumbático."
leia a matéria aqui
ou baixe diretamente aqui
GIOVANI IEMINI está também no site do Vale das Sombras nos "ebooks dos Amigos do Vale", confira tudo que rola lá aqui.
Me Morte
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A morte
Movediça
ela vêm
Não se sabe
se para o mal
ou bem
sem escape
pra ninguém
Será agonizante
instante
da morte?
ou será ameno
descanso
da carne
entediada
da rotina
infernal...
Ela...
Única imortal.
(Sirlei L. Passolongo)
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Onde se meteu meu amigo pulguento? Doctor!!!
EXEMPLO DE VIDA, AMOR, SOLIDARIEDADE E CUMPLICIDADE... PENA QUE OS SERES HUMANOS NÃO SEJAM COMO OS ANIMAIS.
Um cachorro foi visto no meio de uma avenida com muito trânsito cuidando de seu amigo que foi atropelado por um carro. Usando a pata, o cachorro tentava acordar seu amigo que estava morto.

O cachorro tentava empurrar seu amigo para fora da avenida. E quando alguma pessoa tentava ajudar, ele rosnava e afugentava os que se aproximavam dele.


Em situações difíceis é quando sabemos quem é um verdadeiro amigo.
Definitivamente não vamos esperar que situações difíceis sejam necessárias para demonstrarmos o quando consideramos aqueles que são nossos verdadeiros amigos.
http://mt62.spaces.live.com/blog/cns!F9C9335DA3678683!3632.entry
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Culpa
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Quer ler a verdadeira entrevista da Me Morte?


Ta rolando pela net uma suposta "entrevista" da Me Morte, uma montagem grosseira feita por um cara sem talento, que quer pegar carona no sucesso da Mezinha aqui (não digo quem é para não dar audiência a mau caráter).
NÃO É VERDADE! A única entrevista que dei foi para o Bar do Escritor no ano passado, leiam ela aqui no INSTINTO (a outra é balela).
Ou leia diretamente no site do BAR DO ESCRITOR, no ezine de número dois.
Não dê audiência para sensacionalistas baratos, leia somente jornalismo sério.
Beijos
Me Morte



