sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Soneto do descrever



-

De forma tão humana parece verdade:
com cabelos castanhos tão sempre amenos
do sorriso atento a gritar por liberdade
dos olhos tímidos,variados e alentos.

Pele,sonho meu,numa paz que me resiste
numa beleza angelical,acesa de saudade
que verte no meu peito quando persiste;
vivo momento,é quando encontro felicidade

Ah natureza!tanta perfeiçao me espanta;
Junto ao sol,ela se põe e levanta
com a beleza superior a quem nasce despercebido.

Numa aurora ferida e frágil,digo-lhe:
Tão linda és tu, amada minha de pele branca
que trás a beleza tardia que minha alma clama.

Por:Emerson Sarmento

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

É NATAL! - Convidado Darkness





O carrilhão dobra a meia noite


Solitário no campanário retumbante


Acolho minha maldita existência


Esqueço a plangente temperança


É Natal! Repicam os dobrados


Mas que é o Natal dos homens


A um ser sem mérito ou esperança?



Transeuntes vagam excitados


Explosões luminosas povoam o céu


Agitação frenética domina o ar


Os brados vivazes ecoam ruidosos


Serei o único a verter as lágrimas?


Serei o único a viver a dor?


Por que não encontro eco aos rogos


Que vomito sobre meu passado?


Por que não me oscula a morte


Anjo despido de virtudes ou pecados?



Meu eu sangra em profusão


A agonia que o abate é cruel


Ainda posso ouvir o riso


Ainda posso ver o rosto plácido


Ainda posso sentir o calor


Do corpo suave e delicado


O perfume inebriante e adocicado


O anjo terreno que me houve roubado


O princípio de meu presente inglório


Este vagar sem fim... amaldiçoado.




Os mortais nada sabem do conflito


Este penar interno que dilacera


Esta mácula mortal que me tortura


Celebram o momento de paz


Mesmo tendo os corações em ódio


Mesmo não se dignando em crer


Naquele que festejam o nascer.



Terá sido, meu crime, mais odioso?


Serei punido pela eternidade?


Por que me recusam a redenção?


Por quanto mais este sofrer?


Nem mesmo a bênção do fim


O repouso abençoado da entrega


O dom de poder, enfim, morrer...



É Natal! Presentes são distribuídos


Abraços e beijos compartilhados


Sorrisos vagos e ricos em hipocrisia


Tempo de armistício aos litigantes


Olvidam-se as injúrias... os acintes


Celebram a mesa farta e apetitosa


Dizem estar plenos de alegria.



Mas ao lado, lançado a própria sorte


Desfaz-se em prantos um moribundo


Peleja, com a fome, um deserdado


Mendiga um pedaço de pão


Vai seguindo na sarjeta desumana


Esperando quando ouvirá outro não!



Tanta maldade perpetrada


Tanto mal dissimulado


E o único a mortificar-se


A viver a condenação solitária


A esquecer-se que já morreu


A vagar sem paz... sem lenimento


Este único maldito sou eu!



Vergado pela pena mais rigorosa


Cedo a dor e dobro-me em joelhos


Minhas vistas tingem-se de rubro


Apenas vultos chegam-lhe a razão


Num momento de desatino


Ouço uma celestial canção.


De onde provém mavioso som?


Qual será o anjo a entoá-la?


Procuro a origem da melodia


Busco-a no mais suntuoso palacete


Procuro-a na mais potente igreja


Onde está a fonte da sublimidade?


Incrédulo e indignado a descubro


Não nos cumes da sociedade


Mas em meio às sarjetas da cidade.



Toda minha tortura vaza num instante


Que pode, um ser atormentado


Maldito em sua essência imortal,


Valer diante da simplicidade da criança


Que mesmo tendo apenas a solidão


A abraçá-la com seu frio voraz


Eleva o olhar cândido e solta sua voz


para externar sua gratidão


para expressar sua esperança?



Mesmo que excluído da ventura


Ainda que me seja negada a redenção


O canto singelo de uma criança


Pode mais do que mil vivas


Pode mais que todos presentes


Pode mais que milhares de sinos


Pois ao ouvir suave canto


Senti minha alma aliviar-se


Já não me dobra o peso da condenação


Sinto a brisa serena a soprar


É Natal! Os homens podem conspurcar


Esta data de sentido tão especial


Mas enquanto ecoar, no seio noturno,


Um cântico tão doce e afável


Haverei de permitir-me sorrir


Haverei de ainda acreditar...


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Grito silencioso





Meu grito já não mais ecôa
Meu berro não é alto suficiente
A brisa é insuficiente em te trazer
Não chega nem o som da voz
Nem a letra torta
Nada chega a mim
Essa angústia é dolorosa
A covardia do destino foi grande
Mas o passar dos dias ainda é maior
Por sua falta só me fazer mais profunda
Mais sangrenta a chaga
A úlcera mais malígna
Nada pode curar
Um amor assim.

Cristiana Passinato


terça-feira, 25 de novembro de 2008

POEMA AO DEMÔNIO




POEMA AO DEMÔNIO

De que trevas lúgubres
apareceu essa morte?
agouro ou ouro?

Não tenho medo
tesouro
pois foi
dentro de
teu olho que vi

Estavas vestida de negro
qual noiva do demônio
por baixo
carregavas
fina
vestimenta de orvalho
brilhante
parecia cetim

Eu tonto
pensei assim:
é um anjo! é um anjo!
pois hoje é carnaval
peguei a morte
rompi a casca
chutei pro alto
vai demônio
desescraviza a menina


RJ – 20/02/2006
** Gaivota **


Para a amiga da morte( Me),

LIBERDADE CONDICIONAL

Me Morte. Emblemática, misteriosa, paradoxal, lúbrica, criativa, escritora, mulher. Me Morte, a mulher de burka, inseparável, contraditória, interessante burka. Me Morte, a mulher que desperta os pensamentos mais loucos e faz fervilharem os hormônios masculinos, especialmente quando sobrevém a constatação inevitável de que embaixo daquela negra burka, existe uma mente brilhante e apaixonante.


Esbarrei com Me Morte, casualmente, numa de minhas incursões internéticas, quando pesquisava comunidades góticas no site de relacionamentos Orkut. Aquela figura estranha, com grandes olhos e indumentária muçulmana chamou minha atenção. “Fuçando” suas comunidades, cheguei ao Bar do Escritor, onde tive o prazer de ler vários poemas e contos por ela escritos. Daí, veio a agradável surpresa: não é que aquela mulher – que de muçulmana-talibã-xiita só tinha os trajes – tinha talento? Dona de um estilo peculiaríssimo, Me Morte aborda, com destreza, arrojo, precisão e uma boa dose de refinado humor negro, temas conflitantes e por vezes antagônicos, como amor, ódio, vida, morte, traição, ciúme, avareza, crueldade, beleza, virtude e sexo, muito sexo. Tudo isso “sin perder la ternura jamás”. O sentimento, a emoção, o sublime está sempre presente em sua obra. Me Morte não é uma personagem, é humana, demasiado humana.

E é essa explosão de criatividade que nos chega agora em forma de E-book. “Liberdade Condicional” narra a história de Paulo e Falcão, policiais civis de Belo Horizonte, os quais, estressados com sua desgastante rotina profissional, decidem tirar férias e refugiar-se num rancho localizado num canto esquecido da zona rural, longe do corre-corre urbano, dos crimes, dos problemas, das ocorrências, do delegado e... das esposas. Entretanto, o plano dá errado, ambos não conseguem distanciar-se da delegacia nem tampouco de suas respectivas mulheres. As aprazíveis e merecidíssimas férias tornam-se um “revival” narrativo de crimes investigados por eles. Aliás, casos bem interessantes. Como o de Luíza, cujo clitóris foi arrancado com os dentes durante uma “cheirada”, com uma cena em particular, das mais originais:

“... O que vai fazer? Onde está minha sobrinha? O que fez com ela seu louco? Ele pegou uma colher de carne moída da bacia de cima do balcão e direcionou até perto de meus lábios com um sorriso no rosto. Não! Você é louco! Diga que não é ela... Abra a boca... Vamos! Abra a boca, sua cadela...”

“... Ele chupava com avidez meu clitóris... Eu me excitei! Era inaceitável! Eu estava sentindo tesão e ele percebeu... Sabia que ia gozar a qualquer momento e ele parecia muito satisfeito com isso. Com as coxas pressionou minha cabeça e gozou muito... Foi aí que desmaiei, não vi mais nada...”.

“Liberdade Condicional” é uma trama policial que foge ao modismo contemporâneo, largamente explorado pela literatura e principalmente pelo cinema, do polícia-traficante-favela-violência, enfocando, com propriedade, os dramas profissionais e pessoais dessa classe tantas vezes injustiçada pela sociedade: o policial. Enfim, um livro ótimo.

Carlos Cruz

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A pessoa comum que sou




O mel prefiro ao fel
o doce da alma à bile .

Há mulheres e mulheres
Homens e homens
cada um é único
cada uma única é

o que fazem mulheres e homens
diz das pesoas que são nas circunstâncias
não o fazem porque pedem os deuses

fazem porque o querem fazer
fazem porque os fazem fazer
deixam de fazer por querer
desistem por medo de ser

A irmã única que tenho e amo
pariu quatro mulheres lindas
Dão-me luz à vida também
duas filhas mulheres
dois filhos homens
que tive de mulheres.
Eu as amei, amo e amarei
Ajudei a gerar e ajudo a criar
Deuses e deusas não me servem,
nem ao espírito nem a mesa
nem a eles sirvo eu, filho de mãe e pai
No máximo, uma ou outra rara vez
sou inspirado por musas.

domingo, 23 de novembro de 2008

POEMA CONCRETO






















O corpo queimado
e as cabeças de fósforo,
são fósfor mesmo
nos passos da escada.

Em vigas de ferro
_esqueleto de aço! _
se ergue o gigante,
mirante do além.

_Ah, praça cinzenta!
_Ah, fungo projeto!
Te espalhas, deserto,
ao vácuo horionte!
_planície sem sonhos.

Teu céu é de chumbo.
Teu sol é mormaço!
Teu fel é o compasso
com gosto de nada!
_Nada!

Nem vale ou montanha.
Nem rio ou ribeira.
Nem árvore, ou bicho.
Nem guincho, nem esguicho.
Só ciso concreto!
Reto!
Reto!
Reto!...



Marcelo Farias - Para Entender a Mágica. Ilustração: La Chateau des Pyrenees - Magritte.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

TOCO PRETO

O viandante vinha displicente na sua montaria.

O luar claro. A noite silenciosa. A brisa noturna amenizava o intenso calor àquelas horas mortas.

Adiante, no carreiro, distinguiu um vulto preto.

Estacou na sela, teso. O cavalo refugou, meneando as rédeas e crivando os cascos na terra.

-Eia! – bradou o homem, um tanto inseguro diante do desconhecido.

O vulto não respondeu. Mas pareceu serpear em rito macabro, evolucionando como se se enleasse em invisível coluna.

O cavalo baforejou, recuando ante o retesar das rédeas e o espicaçar da espora.

A cavalgada foi longa. O homem ouviu gargalhadas atrás de si, e baforadas frias, fortes, intermitentes na cerviz.

Suores frios invadiam todo seu dorso, refletindo em arrepios medonhos.

Não ousou olhar atrás de si. E berrou, pelo vasto altiplano, descobrindo já em casa dum colono que sua covardia fôra ouvida por distâncias longas.

No outro dia, ele e seu cavalo, revestidos de bravata, sob o sol alto e a companhia de dois peões, foram até ao local amaldiçoado.

Qual não foi seu espanto, sua surpresa, sua vergonha – quando detiveram-se diante de um toco – um toco preto, resquício de aroeira impiedosamente fendida por um raio, há décadas.

Sim, um toco – um toco preto!

Longe do luar, que incita ao cenário fantástico; longe da penumbra da noite, que imprime nas retinas as oscilações de uma mente alterada; e banhado pelos raios do sol – o toco preto revelou-se inanimado, inócuo, rijo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Notícias frescas da Me Morte

Depois de alguns dias sumida (problemas no PC), retorno às atividades normais logo mais a noite.
O Concurso do Vale está de vento em popa, muitos concorrentes a espera que eu publique seu poema no Vale.
Desculpem o transtorno!
Continuem participando. Enviem seus poemas em estilo sombrio para memortesp@gmail.com ou valedassombrasmemorte@gmail.com e concorram a lindos prêmios.
Beijos!!!!!!!
Me

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A estrada da noite- Joe Hill- Resenha- Giselle Sato


Hoje comecei um livro de terror e suspense. Autor relativamente novo mas com a pesada bagagem de ser filho de Stephen King, mestre do gênero.

As primeiras páginas me conquistaram, não consegui parar de ler até ser vencida pelo cansaço. Eram quase três da manhã e a história bem contada não dava uma trégua.
O escritor muitas vezes tem um texto maravilhoso nas mãos, argumento, personagens e construção perfeitas. E não acontece.

Existem pessoas que irão achar loucura, mas um toque de magia pessoal tempera o enredo. Volto e releio atentamente, não houve buracos ou enxertos desnecessários. É escrita limpa, direta e recém saída do forno.

Cheia de sabores diferentes. Para o leitor ávido a descoberta promete reviravoltas bem amarradas, surreais e completamente inusitadas.
Sempre fui fã de Stepen King e Dean koontz, são estilos diferentes, embora ouça, que tudo não passa de Terror. Isto não é verdade. King pega um eletrodoméstico e transforma em instrumento mortal, dá vida a um carro fantasma, cria situações impossíveis com uma simples caneta.

Koontz algumas vezes começa o livro tão cheio de descrições e sentimentos, que se você descuidar pensa que está lendo um romance. Paisagens bucólicas, famílias felizes e cidades perfeitas.

E no meio da calmaria, introduz uma criatura desumana, um assassinato inesperado, abre as portas do pesadelo e seduz. Ele consegue, assim como King , desafiar o leitor em hipóteses que saltam aos olhos e nos empurram para o oculto. Aquilo que não queremos enxergar, o banal que passa despercebido.

Até onde ele ousa, sinceramente não sei, quando penso que já li tudo que uma mente prodigiosa poderia criar, eles lançam obras completamente diferentes. Reinventam.
Comecei com Joe Hill e seu livro Estrada da noite, não consegui resistir e falei um pouco dos velhos senhores do Horror. Não existe a menor chance de confundir os três escritores.

Hill é a lufada de vento forte, invadindo espaços e preenchendo lacunas. Traz a modernidade sem perder o foco principal, irresistível e muito bem vindo. Não esconde o jogo, na capa ele diz o que vai contar. Uma boa história de terror com tudo que temos direito.

O que este moço vai mostrar se já sei que o personagem principal coleciona coisas bizarras, arrematou pela internet um terno assombrado em uma leilão virtual, e entre outras tem uma namorada Gótica?

Aí está o maior engano, Hill propõe um jogo e vale a pena entrar e aproveitar. Impossível resistir ao mistério oculto por trás das cortinas. Como fã , estou aguardando o próximo ansiosamente.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Lobotomia

.
A faca rezou pedaços de mim
Na mesa dos teus planos
Tanto fui filha da ausência
Quanto suicídio verbal no caule das meias verdades

Meu próprio estupro
Trapos de desengano

Quem me perguntou
Por que o mais extirpar
Se não a foice dourando um colar?

Estuda, disseca e engole
Um sorriso orvalhado de esquecimento

O dia seguinte não trará um berço para nós
.
.
Rita Medusa

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Marasmo


Foi-se o domingo morno, menos que um dia neutro. Andei de um lado para o outro como um velho leão de circo. Não me senti confortável em nenhum canto, nenhum filme me interessou, a música não se exerceu. Enfim, eu quis estar num outro lugar por todo o dia, nem sei onde, tanto que não fui. Os domingos têm se tornando esquisitos há tempos. Creio que sempre me senti um leão velho andando dentro de uma jaula, então estava sempre indo para algum lugar. Apenas aquietei-me um pouco no último período, por um bom motivo.
Se chover num dia assim, ganho com algumas ausências na desprogramação do domingo, vou fingindo de morto, enquanto durar o marasmo morno no clima que me envolve. Agradaria-me menos dessa normalidade de finais de semana, que fossem salpicados por um pouco do dito útil dos dias. Na última noite, um velho pesadelo de estrada, que permanece, que sempre diminui a empolgação para sair, quando nessa falta do que fazer.
No caminho do mar, a imprudência não se camufla em pureza de sentimento, um descuido no piso traiçoeiro e, o abismo cresce. Há um retorno antes, tome-o enquanto é tempo. Depois, é onde se desenha com tinta branca no asfalto, a silhueta de um homem descuidado. Nesse caminho escorregadio, a incerteza nunca acompanhou quem chega do outro lado. Se entrar na curva, então se entregue por inteiro, abrace-a como o seu maior tesouro, sua vida depende unicamente de que ela não caia ali. A quem vai além, temendo o escorregadio do piso, a espera cínica dos braços do abismo.
Ricardo Jaffet, aí você ainda tem retorno, depois, ou está muito certo de saber tocar, ou o prenunciado chão, abaixo dele inclusive, para o que finge e na última hora vacila trêmulo. Seu descuido é tomado por débito, e por todos os cantos têm um dito buraco quente, é de onde lhe observa o ente que lhe cobrará a alma, avisado de seu audacioso despreparo. Esteja atento, ele olhará nos seus olhos bem no meio da sua incerteza, e, se ela escorregar, o abismo será o prêmio pelo seu atrevimento medroso.
Um pesadelo de estrada, agora sabe, observe quem olha nos seus olhos, é hora de começar a se preocupar com a sua conhecida imperícia. Ou tem coragem para tocar até o outro lado, ou nem saia de casa num dia assim, de muito marasmo. Finja-se de morto e viva.

sábado, 15 de novembro de 2008

CAPÍTULOS DE EXISTÊNCIA II




CAPITULO DE EXISTÊNCIA II
Thiers R >


Folheei, as páginas coladas
informavam que o livro não fora aberto
quem sabe algum mal guardava
dis simulado
des troçado
infame delírio se apossa
a boca semi aberta
scream
I’m crazy..
I’m crazy..
Terá o dia enlouquecido?


>>>

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

GUARDADOS - FRANCK


Guardados

O ato de judiar ganha dimensões de fenômeno natural raro, cada vez que Anita decide dar-se a pungente atenção ao membro mais atrevido da constituição física humana. O chá de canela nada pode fazer em tais tempos de fértil imaginação, porque do núcleo mais profundo e estreito, frui a predominante fusão renovadora. Anita rói as unhas enquanto imagina o outro ali adiante, prontificado a fazer valer os vaivens dos relâmpagos que desvirginam o céu da boca. Ela olha para os hemisférios do ambiente, busca a certeza da solidão aliada, providenciais instantes do “eu comigo” Um beijo ardente roubado de outra boca delirantemente doada. Dela, a língua altruísta, turista elevada ao quadrado, bel prazer do umbigo.

Anita se contorce, ruboriza na bela face que fervilha de febre eloqüente. Dengosamente ela lambe os lábios sem controle, pisca os faróis bem no cume de cada um de seus fartos de compartilháveis anseios. O coração fibrila sem males parecendo ser o regente de outras artes por partes que compõem o corpo físico. O cansaço do olhar traduz-se na gula para os alimentos que não nutrem o estômago. As mãos juntam um feixe de músculos inflado de sangue, sacodem-no loucamente para atordoá-lo ainda mais. Fazer valer os vaivens dos remos que cortam a água ao meio sem experimentar estadas por profundezas oceânicas. Anita sussurra seqüestrada de delírios benéficos ao mergulhar um pedaço do outro no interno de sua boca esfomeada. Ela apresenta a própria garganta como anfitriã para o asteróide e particular corpo estranho.

A mulher abaixa a vergonha até os joelhos, murmura receptiva, olha-se inteira refletida no espelho e deixa jorrar tal declaração por palavreados: “A mulher está pronta, tonta, na conta para sentir o outro no lado interno e avesso de si”. Anita guarda o asteróide no berço interior da alagadiça carne trêmula. A mulher avulsa cavalga para o temporário destino estrelado das explosivas supernovas. Ela dança ao ritmo acelerado do kari kari, entorna-se mulher rappa nui, na verdade, sem ser. Seus seios rijos remetem a Ilha de Páscoa, enquanto o restante dela convida ao melhor paradisíaco que aguarda um homem, tesouros a sete chaves

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Cadela de Raça




Sou fogo
Dou jogo
Cadela de raça!

Me quer
Teu gozo
Cheiro de cachaça!

Decida
Me quer lânguida
Ou lambida?

Devassa
Ou de virgem
Andar e graça?

Me Morte

(foto de SUJA, cadela do meu amigão Paulão, num momento mágico...)

Meninas Malvadas- Giselle Sato



É possível escrever um texto erótico e ao mesmo tempo, preservar o bom gosto? Usar a sensualidade como aliada e contar boas histórias?

Giselle Sato, diz que sim. Vai além: propõe espiar pelo buraco da fechadura e deixar a inibição de lado. Reais ou imaginárias, a escritora não revela.

Existem pistas, detalhes do cotidiano, o que torna a leitura muito interessante. Se o leitor se identificar com algum personagem, é livre para seguir em frente.

Para a escritora, sexo vai muito além do físico, está na imaginação de cada um. O que torna tudo permitido. Traições, vinganças, fetiches, taras, romance e fantasias. Cenas do dia-a-dia, desejos escondidas no fundo da gaveta. São retratos que formam um álbum delicioso. Vibrante e atual.

Sexo é um tema que abre um mundo de opções. Ao logo da história esteve presente em todas as formas de arte. O proibido, o que está oculto por trás dos panos, é o que nos excita. Aquilo que existe muito além do obvio, age como o impulso. Somos naturalmente atraídos.

''Meninas Malvadas'', é um livro erótico. Dentro do estilo ágil da escritora, apresenta enredos temperados com humor, terror, suspense e dramas. As personagens deste livro; se ainda não sabem o que querem, estão descobrindo o caminho.

São mulheres ousadas, conhecem o próprio corpo e desejos. Levam a camisinha na bolsa e escolhem os parceiros, sem medo de ser feliz. Sônia, Jana, Angel e tantas outras...

Em comum: a audácia de saber como se goza.

Onde estão estas mulheres fantásticas, que abraçam o mundo com as pernas e amam pequenas maldades?

Basta dar uma olhada com atenção. Quem sabe, sentadas em algum café, por trás do livro, '' Meninas Malvadas'', observando o entre e sai das pessoas...

Apresentação feita; deite, role e deleite-se. É diversão garantida, o prazer é todo seu...

Editora Temátika

ed.tematika@hotmail.com

domingo, 9 de novembro de 2008

17- Pedro Faria -


Dezessete

Ele precisava dar uma volta.
Saiu de casa com o passo apressado, e subiu no primeiro ônibus que parou.
Queria matar, destruir. Estava irritado com tudo. Achava que se alguém o olhasse nos olhos naquele momento, ele partiria para cima para brigar.
Com a intenção de se acalmar, ele fechou os olhos e tentou se lembrar de coisas boas. Porém, em cada imagem que lhe aparecia estava ela, e isso o fazia fechar com mais força seus punhos, até que suas unhas mal aparadas lhe cortassem superficialmente a pele áspera das mãos.

Para ele, ela havia morrido. Ele cansara de despejar seu carinho e amor sobre ela, e não obter nada em retorno. Ele queria apenas o amor dela, um tom de satisfação na voz dela quando conversassem. Um pingo de felicidade, de carinho, em seus olhos, quando ela o visse.
Ele queria se sentir desejado. E com ela, nunca tinha conseguido.

O ônibus seguia seu caminho enquanto ele olhava para fora: As pessoas, que não passavam de borrões para ele, cuja existência não lhe acrescentava em nada. Ele sentia ódio por elas, um ódio que vem do ciúme, da inveja, da vaidade. Ele precisava machucar alguém, ferir uma pessoa, fazê-la sentir como ele se sentia.

O que lhe despertou para a realidade foi a gota de sangue no assento a seu lado.
Ele balançou a cabeça. Tinha saído de casa justamente para esfriar a cabeça, para deixar a violência contida dentro de seu quarto, numa bolha. Mas ao que parecia, a bolha o havia seguido, e grudara em seu coração.

Puxou a cordinha, e saltou no ponto. Colocou as mãos nos bolsos da jaqueta e olhou ao redor.
Não conseguiu conter uma risada ao ver onde estava.
Tinha pegado justamente o único ônibus que lhe deixava à porta da casa dela e, como o bordão de alguma piada cósmica sem graça, era lá onde havia saltado.
Naquele momento, ele não conseguiu mais se segurar. A bolha de raiva tremia em seu peito, sua respiração tinha acelerado.

Ele marchou até a casa dela. Bateu vigorosamente na porta.
Quando ela abriu a porta, ele achou que iria desmaiar. Era esse o efeito que ela fazia sobre ele: Perto dela, ele não era nada, era como um fragmento de um gigantesco cenário construído para a diversão dela, no qual ela era o centro de todas as ações, e todos os diálogos eram sobre ela.

O olhar dela quando o viu foi de confusão. Isso não foi o bastante para detê-lo.
Ele investiu para ela, fazendo-a cair sentada numa poltrona.
Ela começou a gritar.
Após fechar a porta, ele se aproximou:
-“Não, agora você vai ficar sentada aí e me ouvir! Eu fiz tudo para você, tudo mesmo. Ouvi seus lamentos, tratei de suas feridas, enxuguei suas lágrimas. E você, nada!”
Ele estava errático. Seus olhos desfocados, como se estivesse drogado.
Ela tentou se levantar e fugir, mas ele a segurou de bruços na poltrona:
-“Eu vou fazer o que tenho que fazer. Eu vim fazer a cobrança”.
Havia uma estante atrás da poltrona. Ele puxou seu cinto e prendeu as mãos acima da cabeça, amarrando o cinto na estante.
Com seu joelho nas costas dela, ele tirou suas calças. Toda aquela briga o havia deixado excitado.
Arrancou a bermuda dela, e a calcinha. As nádegas dela estavam quentes, e ela chorava.
Ele queria que ela não gostasse.
Enfiou as mãos entre as pernas dela. Ela chutava e gritava.

Ele ignorou a vagina. Não, ali seria fácil demais.
Então ele a penetrou entre suas nádegas, de uma vez só. O grito dela foi horrível.
Com as duas mãos pressionando o corpo dela contra a poltrona, ele começou o vai e vem dentro dela.

Ela chorava, implorava para que parasse, mas ele não se importava. Estava adorando aquilo. Estava finalmente tomando o que sabia ser seu de direito.
A posição estava ficando desconfortável para ele. Então, ele a segurou por baixo, para levantar seu corpo na poltrona.

Quando a mão dele tocou no meio das coxas, uma surpresa: Ela estava encharcada! A puta estava gostando!
Esquecendo qualquer desconforto que pudesse estar sentindo, ele continuou mais forte.
Aí, ela riu.
Ele parou. A risada dela não era apenas fora de lugar, era horrível. Seu sangue congelou.
“É só isso? Vamos, mais forte! Vamos lá! Vai me dizer que já entrou tudo? É só isso mesmo?
Você me enoja! Precisa me pegar desprevenida, me amarrar, para fazer o que não teria coragem. Você é um fraco.
Mais! Você começou agora você vai terminar.
Mais forte! Mais, mais!”

Ele continuou se movendo, a risada dela ecoando em sua mente, suas palavras flutuando pela sala, ditas com uma voz gutural, que não era a dela.
Seu suor escorria sobre o corpo dela, e ele achava que ia desmaiar. Notou que estava muito fácil penetrá-la. Mesmo que o corpo dela tivesse se ajustado, estava muito fácil.
Olhou para baixo, e gritou.

As nádegas dela lhe envolviam a barriga. Ele estava entrando nela, como ele sempre quis. Estava se tornando parte dela, para sempre. Achou que deveria estar feliz.
Mas não estava. A única coisa que sentia era um medo paralisante.
“Isso, agora sim, mais forte! Somos apenas eu e você agora, amor.”

Ele gritou, e algo o atingiu no rosto.
Olhando bem, ele viu que era o chão. Estava caído em seu quarto, o suor do pesadelo lhe ensopava a camisa.
Esfregando o rosto, ele se levantou. As imagens do sonho iam e vinham em sua mente, e ele estava tonto com a queda. A última coisa que lembrava era de ter ido deitar com raiva.

Aí ele se lembrou dela, e deu um soco na parede.
Estava cansado dela em sua cabeça.
Levantou-se. Daria um passeio.
Isso o acalmaria.
Sim.
Uma caminhada. Talvez uma volta num ônibus.
E tudo ficaria bem.


foto- Rafael Pozzo

sábado, 8 de novembro de 2008

POEMA

Eu sangro um verso preso num chão duro
De forma vaga e crespa como um trilho
Um verso é desamor, pior que filho
E a forma é apenas capa em pé de muro..

Eu vivo no poema um mal completo
Que a letra não disfarça em pensamento
O verbo é uma imagem de convento
Palavra em fogo seco e incompleto.

Parti da treva em espiral projeto
Na pagina do ódio pelos cantos
Com números de chaga em sete prantos
Dum corpo sem sabor de sal infecto.

Poemas são descargas de impureza
Escritos sem favor do desconsolo
Poemas são as casas da incerteza
E ruas sem um “que” deixado em rolo.


Me fiz da ilusão do meu cimento
Argila que sangrava sem socorro
Num verso nunca vivo, sempre morro
No espaço que sobrou do meu acento.

Escrevo o que restou da primavera
Pedaços de casais numa alpercata
Em sinfonia triste de lagarta
Que finge ainda amar e só adultera.

Eu passo de mim mesmo um irmão sujo
Família amarga sem perdão nenhum
Pra esses é que eu como e ainda fujo.
.
.
dos Anjos

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A ENTREVISTA QUE DETONOU O VALE DAS SOMBRAS!!!






A famosa entrevista com o artista plástico Alex Plunk que levou o Vale das Sombras para as profundezas por alguns dias, rs. Alguém, um invejoso, se aproveitando da irreverência do garoto, denuciou a comunidade por conteúdo impróprio e os meninos do Orkut deletaram o Vale.
Depois vieram os protestos, abaixo assinado e tal...Bom, os meninos do Orkut, num ato de profissionalismo e humildade, devolveram-na e se desculparam. Então, deliciem-se: Alex Plunk



ENTREVISTA COM ALEX PLUNK

http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=8910225&tid=5232421196301876770 EU VOU ENTREVISTAR O IRREVERENTE ARTISTA PLÁSTICO E ESCRITOR VALEBLOGUEIRO ALEX PLUNK. TENHO MUITA CURIOSIDADE EM CONHECER MAIS DESSE ARTISTA E SE ALGUÉM QUISER PERGUNTAR, FICA A VONTADE, PODE FAZER NA ORDEM QUE MELHOR ACHAR E A QUALQUER MOMENTO.

Me Morte - ALEX Desde quando pratica arte em telas e em literatura?



Me lebro de uma exposicao em um colégio que minhas irmas faziam balet e eu curso de desenho, Colegio capitao cenecista Lemos Cunha, me desculpe a falta de acentos, nao estou em casa e esse teclado aqui é meio estranho, bem, a exposicao era de desenhos meus e de colegas meus tambem do curso, eu tinha desenhado uma mulher nua e de costas, quando cheguei no dia seguinte havia uma marca de cigarro bem no cu do meu desenho, isso me magoou profundamente, eu devia ter sei lá uns 12 anos, acho que desenho des de sempre. Nunca fui de muitos amigos, sempre preferi escrever estorias no caderno ao invés de jogar bola com os moleques no recreio.



Me Morte - Vc pinta com materiais bem originais, diga-se de passagem, com fezes de animais e humanas, sêmem, etc... Poderia explicar mais sobre isso. Que tipo específico de materiais usa e de onde tirou essa idéia, ou seja, como isso começou?

Thiers R >

Alex n vi seu blog, o máximo q vi foi o tube

Nessa medida, eu pergunto: Porque essa preocupação tão intensa com as fezes? Se a qstão hemorróida existe mesmo, eu aconselho o silêncio e a concentração, uma colher de aveia de manhã e um pco de leite..rsrs.. Além do que hemorróida é tratável... Agora se td for uma fantasia, fale-me dessa questão anal tão discutida por Mr Freud, a famosa fase anal. Aguardo seu pronunciamento.. o que vc pensa da fase anal descrita por Freud?

†††Me

só uma observação para os que não conhecem a obra do Alex: http://telasdovale.blogspot.com/

Thiers R >

Darei uma olhada no blog

Contudo, conversando com minha mãe (que é artista plástica) sobre esta qstão fezes, ela me disse que esteve numa Bienal de SP e na sala sueca havia um fotografo muito preocupado com a questão do elemento fezes. De longe parecia apenas um objeto, mas as fotos foram se aproximando e um detalhe mostrava na estrada um belo, real e famoso cocô. Isto em 70, plena Bienal.. rsrs... Fiquei mais curioso ainda e aproveito pra perguntar ao Alex se ele como artista plástico conhece o autor sueco e essa 'escola' de trabalhar com a ( com licença) 'Merda', qual o porque das gerações... o sueco...vc e outros.. terem essa obsessão..

Thiers R >

em tempo

Estive no blog..

Adriano Siqueira

é fascinante o seu trabalho alex.
Fico pensando quanto tempo leva para fazer um quadro como os que faz.

trabalhos assim devem levar semanas.

abraços e parabéns pelas obras.

Angela Oiticica

Dei uma olhada no seu trabalho e vi as cores brilhando além da transformação. Muito bom.

†††Me

realmente, fica aí duas perguntas do adriano siqueira: vc leva muito tempo para fazer um quadro desses? e a da angela oiticica: vc sofreu uma transformação geral, do menino irreverente que deixava o Giovani Iemini lá do Bar do Escritor puto com tanta postagem (tanta que até se criou uma regra por lá, rss) a esse talentoso homem das artes. como vc sente essa transformação?

Thiers R >

E a pergunta do Thiers

Que tvz por ter um cunho psicólógico a me não quiz comentar... eu queria pto perguntar a Me, pq não referendou minha pergunta.

†††Me

porque vc já a fez, foi claríssimo...eu só refiz a do adriano e da angela porque eles não fizeram, leia lá e verá a afirmação no lugar da pergunta (dois dois), rss

Alex

Vc pinta com materiais bem originais, diga-se de passagem, com fezes de animais e humanas, sêmem, etc... Poderia explicar mais sobre isso. Que tipo específico de materiais usa e de onde tirou essa idéia, ou seja, como isso começou? Me, é bem interessante vc perguntar isso, eu estava refletindo sobre tudo isso essa semana mesmo, você sabe que muita gente não acredita na autenticidade dos meus quadros, é tudo muito irônico pois não pintalos teria sido a atitude mais Dedalista da minha vida, porque Dedalismo é isso ai, puramente, exaltar o artista e tratar a obra de arte como uma mera ferramenta, nem mais nem menos que isso, o que importa é sempre o antes e o depois e o que está em volta da obra, ela em si é só uma lupa no coração do Dedalista, a obra de arte Dedalista é o artista, o objeto de arte nunca vai ser mais importante que o Dedalista. Um quadro fake seria a maior representação disso tudo, um quadro que gera uma empatia, que é a assinatura de um artista, digo assim pois sou contra a assinatura e o autografo, tudo é mais importante que a simples e patética existência de um objeto quadro, mas uma pintura não-feita simplesmente por excrementos, um deles, a mentira. Mas infelizmente não tive essa sacação a idéia é bem mais primitiva do que parece, tento tornar o descartado em essencial, o nojento em belo e o feio em esperança. Utilizo muito pouca matéria prima excreta, ao contrario do que parece nem dá pra ter muito cheiro, uso mascara e pincel, mas a presença das fezes, sêmem e sangue é quase imperceptível, lembrando que a superfície da cartolina é lisa e a matéria é muito bem espalhada. Isso começou como uma forma de fugir da realidade, só descobri que a coisa poderia ser levada a serio quando pagaram 250,00 reais pelo quadro em uma exposição aqui na ilha. A idéia do descartavel deve ser bem entendida, a uns 2 meses fiz um quadro chamado Armele feito basicamente por pasta de dentes e giz de cera.





Alex

Alex n vi seu blog, o máximo q vi foi o tube
Nessa medida, eu pergunto: Porque essa preocupação tão intensa com as fezes?
Se a qstão hemorróida existe mesmo, eu aconselho o silêncio e a concentração, uma colher de aveia de manhã e um pco de leite..rsrs..
Além do que hemorróida é tratável...
Agora se td for uma fantasia, fale-me dessa questão anal tão discutida por Mr Freud, a famosa fase anal. Aguardo seu pronunciamento.. o que vc pensa da fase anal descrita por Freud?

Thiers, tive hemorroida e já operei, a canção que vc viu no you tube foi um retrato de um acontecimento real e exatamente naquele banheiro. Embora eu não fale especificamente sobre minha hemorróida, dá pra se entender bem o contexto em que propiciou seu surgimento lendo minha auto-biografia "Queijo com banana" que pode ser encontrada no Blog do Vale das sombras. Eu quase não comia no hospital, antes e depois da operação, obviamente para não passar nada pelo buraco ferido, o sofrimento era a fome e o medo do dia D, o dia do primeiro cocô com o cu novo. Um dia eu já não podia mais conter a vontade e tive que cagar, fui ao banheiro e doia muito o sair, no desespero joguei meus óculos no chão que lá ficaram até alguem pisar e quebrar parte de uma das lentes, tive que usar aqueles óculos quebrados por anos.
Acho Freud um gênio pelo pouco que o conheço, minha forma de fazer Dedalismo é expor a infantilidade nos sentimentos adultos e a infantilidade DOS sentimentos adultos, recalque é elemento sempre presente em meu trabalho seja na pitura, seja na literatura, seja na música.


Alex

Darei uma olhada no blog
Contudo, conversando com minha mãe (que é artista plástica) sobre esta qstão fezes, ela me disse que esteve numa Bienal de SP e na sala sueca havia um fotografo muito preocupado com a questão do elemento fezes. De longe parecia apenas um objeto, mas as fotos foram se aproximando e um detalhe mostrava na estrada um belo, real e famoso cocô. Isto em 70, plena Bienal.. rsrs...
Fiquei mais curioso ainda e aproveito pra perguntar ao Alex se ele como artista plástico conhece o autor sueco e essa 'escola' de trabalhar com a ( com licença) 'Merda', qual o porque das gerações... o sueco...vc e outros.. terem essa obsessão..

Thiers, não conheço o trabalho do sueco, gostaria de conhecer, se puder me informar o nome do fotografo ficarei agradecido. Acho que você não me faria essa pergunta se eu trabalhasse com água por exemplo, que é um elemento também presente na vida de cada ser humano, e eu trabalho com água. Acho que o cocô é mais representativo que a tinta, ninguém pergunta para um pintor qual a marca de tinta que ele usou para pintar tal determinado quadro, tá certo que ninguém me pergunta também de que cu sairam as fezes, mas me sinto em maior sintonia com uma obra que leva parte minha, não se Theirs o porque de tal obsessão, talvez não seja obsessão e sim preconceito coletivo.

Alex

é fascinante o seu trabalho alex.
Fico pensando quanto tempo leva para fazer um quadro como os que faz.

trabalhos assim devem levar semanas.

abraços e parabéns pelas obras.


Lord Dri, obrigado, o primeiro quadro "Eu" demorou 5 anos para aperfeiçoamento da técnica e concepção da obra, os mais novos não levam nem uma semana para serem feitos, o que demora é o acerto, fazer um quadro belo, que é essa a proposta, muitos são descartados por mim e essa seleção exponencia o tempo.



Alex

Angela Oiticica
Dei uma olhada no seu trabalho e vi as cores brilhando além da transformação. Muito bom.

†††Me
realmente, fica aí duas perguntas

do adriano siqueira: vc leva muito tempo para fazer um quadro desses?

e a da angela oiticica: vc sofreu uma transformação geral, do menino irreverente que deixava o Giovani Iemini lá do Bar do Escritor puto com tanta postagem (tanta que até se criou uma regra por lá, rss) a esse talentoso homem das artes.
como vc sente essa transformação?

Angela Oiticica, obrigado, acho que a maior transformação na minha poesia ocorreu com a contrapartida critica de minha massiva insistência poética no Bar, quando falo em transformação quero falar sobra a transformação da minha imagem, do meu reconhecimento, por dentro sempre fui o mesmo e sempre escrevi as mesmas coisas.
Me, obrigado pelo talentoso homem das artes, rss.


†††Me

Na literatura quais escritores te inspiram, qual sua linha de origem? E nas artes? Quem é teu ídolo? Vc pensa em uma exposição para breve? O que significa para a sua vida esse teu talento com as telas e o que vc pretende alcançar?

Volstag

Cara, eu não te conhecia até receber o convite da Me pra te fazer uma pergunta... Mas li tudo, e achei muito louco, pra falar a verdade, pergunta mesmo eu acho que não tenho, mas tenho talvez um comentário. Achei demais o que você faz, principalmente pelo material usado e tal, pra mim arte é isso, não só cores e riscos, mas forma e textura também!! a profundidade do que você faz, talvez ainda não seja alcançada como deveria ser pela maioria das pessoas, mas reconheci nisso algo a frente do nosso tempo! Continue assim, ganhou um fã cara!

Thiers R >

cara..

Em nenhum momento citei a palavra pre... conceito[/]b]. Se fosse tinta, aquarela, lápis de cor, lápis cera, lixo, restos de comida, grãos, performance, vidros, etc ... eu faria a pergunta sim... Eu perguntaria sobre os elementos usados, pq sou curioso. Essa é minha forma de ser. Eu disse a verdade em td q citei e digo o q penso agora. Parte de vc qstão de vc mesmo olhar c um olhar diferente. Se eu pintasse eu não usaria caca pelo simples motivo que naum curto mexer em caca seja de quem for( nem de filho sakou?). Se me perguntar eu penso que o cimento seria um elemento que me encantaria pq curto o trab dos pedreiros e acho o cimenticola delicioso, é uma qstão de olfato, toque. Vc é quem pensa que o outro vai pensar preconceituosamente.




Alex

cara..
Em nenhum momento citei a palavra pre... conceito[/]b]. Se fosse tinta, aquarela, lápis de cor, lápis cera, lixo, restos de comida, grãos, performance, vidros, etc ... eu faria a pergunta sim... Eu perguntaria sobre os elementos usados, pq sou curioso. Essa é minha forma de ser. Eu disse a verdade em td q citei e digo o q penso agora. Parte de vc qstão de vc mesmo olhar c um olhar diferente. Se eu pintasse eu não usaria caca pelo simples motivo que naum curto mexer em caca seja de quem for( nem de filho sakou?). Se me perguntar eu penso que o cimento seria um elemento que me encantaria pq curto o trab dos pedreiros e acho o cimenticola delicioso, é uma qstão de olfato, toque. Vc é quem pensa que o outro vai Alexpensar preconceituosamente.


Thiers, quando falo em preconceito coletivo de forma alguma quero denuncia você e sim o coletivo que estou introduzido. Você tem razão, como pode ver recalque é elemento sempre presente em meu trabalho.

Alex

Na literatura quais escritores te inspiram, qual sua linha de origem?
E nas artes? Quem é teu ídolo? Vc pensa em uma exposição para breve?

O que significa para a sua vida esse teu talento com as telas e o que vc pretende alcançar?

Me, na minha literatura eu sou muito mais inspirado pela mídia cinematográfica e televisiva acredita? Mas se é que posso traçar algum tipo de comparação na vertical seria, nos romances de ficção filosófica, minha admiração por Douglas Adams e a idéia de fazer uma Biografia quando lia Misto quente de Charles Bukowski.
Diria que minha linha de origem já arrebentou e eu me amarro a Steven Spilberg, Matt Groening, Quentin Tarantino como qualquer pessoa normal.
Nas artes plásticas não posso deixar de citar Van Gogh e o maior de todos em minha opnião, Dali. Além desses, Admiro muito as bandas Focus, King Diamond, os músicos Raul seixas, Rogerio Skylab... Nada muito refinado.
Estou começando a fazer uma nova pintura e quando estiver pronta eu gostaria muito de ter o prazer de vê-la numa exposição. Ao contrario do estereótipo do artista plástico cheio de amigos e de convites para exposições, sempre fui uma pessoa muito introspectiva, a arte é minha forma de por pra fora e o cocô representa bem isso, é um pouco disso que é a minha significancia, acho que somos todos talentosos só pelo fato de conseguir fecundar um óvulo, tenho conseguido vender meus quadros e isso é a única coisa profissional no meu trabalho, quase nunca por exposições e sim por amigos da internet, gostaria de um convite expor não é uma atual realidade na minha vida plástica, não mais.
Na literatura e na música, pretendo alcançar os olhos de cada internalta deste planeta.

†††Me

Alex É verídico que vc se lançou aqui na net de uma maneira atípica, vc postava poemas aos montes numa comunidade do orkut (bar do escritor), de estilo bem inusitado, para muitos, palavras jogadas como um protesto ou uma forma de chamar a atenção, sem nenhum valor literário, chegando a versar sobre "miojo", "papel higienico", "coca cola", etc... Muitas vezes jogava 10, 15 poemas, todos de uma vez e algumas vezes os enviava até por email, contando com a ajuda da moderação para postar. Enfim, era uma chuva de Alex Plunk, criticada, mau vista, e, como já citei anteriormente, sua atitude foi uma das causas da famosa regra de postagem uma vez por dia. Como aqui no Vale, que vc acaba de chegar, o seu tratamento não é lá essas coisas e muitos não se pronunciam por respeito a mim (rs). Hoje você tem um tratamento diferenciado no Bar, mais respeitado, mas lido, enfim, hoje não é execrado como antigamente. Isso acontece, esse preconceito, ou etapa de conhecimento, como chamam alguns, em todos os lugares onde expõe sua obra? Contando que: sua obra não mudou, os poemas continuam com a mesma qualidade e as pinturas já eram um fato em sua biografia, pergunto: O que levou ao reconhecimento geral no Bar e em outros lugares da net, ou seja, por que hoje vc não é mais achovalhado e sim tratado como artista, que é? Tem explicação para tal?


Sirlei

Boa Noite! Alex!! Tudo bem?

admiro vc pela coragem de expor o que pensa, inclusive complementaria o titulo de seu e-book, "Só existem duas coisas que não abro mão na vida, cagar fumando e foder beijando "... frases de um velho amigo hehehe que vc me fez lembrar, evidente que estou longe do seu estilo ao escrever, mas admiro pessoas que mostram a cara sem medo de ser feliz.
Perfeita a tela Criança Morta, forte e real
pode me dizer como foi produzi-la?


Veja O Rebate

Dora

Alex
Eu sempre fico um tanto confusa
Com a capacidade do ser humana de nos ensinar algo, não tenho perguntas
Achei seus quadros perfeitos, agora quanto ao material usado sou da saúde, e vejo sempre o lado bacteriológica mas respeito toda forma de comunicação. Parabéns por conseguir passar para a tela linguagem e expressão tão vivas e real.



Alex

Alex
É verídico que vc se lançou aqui na net de uma maneira atípica, vc postava poemas aos montes numa comunidade do orkut (bar do escritor), de estilo bem inusitado, para muitos, palavras jogadas como um protesto ou uma forma de chamar a atenção, sem nenhum valor literário, chegando a versar sobre "miojo", "papel higienico", "coca cola", etc... Muitas vezes jogava 10, 15 poemas, todos de uma vez e algumas vezes os enviava até por email, contando com a ajuda da moderação para postar. Enfim, era uma chuva de Alex Plunk, criticada, mau vista, e, como já citei anteriormente, sua atitude foi uma das causas da famosa regra de postagem uma vez por dia. Como aqui no Vale, que vc acaba de chegar, o seu tratamento não é lá essas coisas e muitos não se pronunciam por respeito a mim (rs).
Hoje você tem um tratamento diferenciado no Bar, mais respeitado, mas lido, enfim, hoje não é execrado como antigamente. Isso acontece, esse preconceito, ou etapa de conhecimento, como chamam alguns, em todos os lugares onde expõe sua obra?
Contando que: sua obra não mudou, os poemas continuam com a mesma qualidade e as pinturas já eram um fato em sua biografia, pergunto:
O que levou ao reconhecimento geral no Bar e em outros lugares da net, ou seja, por que hoje vc não é mais achovalhado e sim tratado como artista, que é? Tem explicação para tal?

Me, de fato o único lugar em que eu consigo expor realmente minhas obras são no Bar atualmente, e com certeza eu não tenho todo este respeito na comunidade, acho que o que mudou de lá pra cá foi apenas o tempo de casa. O BDE é um lugar que realmente funciona e pra qualquer um, tenho a impressão que sempre vou receber muito mais criticas negativas do que positivas, agradeço a todo e qualquer desgaste que causei de você para com seus amigos, mas definitivamente respeito pra mim é só uma palavra, entrei na arte para resolver problemas pessoais e não para criar novos.

Alex

Boa Noite! Alex!! Tudo bem?

admiro vc pela coragem de expor o que pensa, inclusive complementaria o titulo de seu e-book, "Só existem duas coisas que não abro mão na vida, cagar fumando e foder beijando "... frases de um velho amigo hehehe que vc me fez lembrar, evidente que estou longe do seu estilo ao escrever, mas admiro pessoas que mostram a cara sem medo de ser feliz.
Perfeita a tela Criança Morta, forte e real
pode me dizer como foi produzi-la?

Sirlei, tudo.
Obrigado.
Obrigado pela idéia.
Infelizmente a Tela: Criança morta que vc se referiu não deve ser uma das minhas, agora, posso dizer que no quadro: Ladra, que utilizei esperma como matéria prima a idéia das crianças mortas pelo quadro e pelo prazer foi produzida com o puro gozo da simplicidade de fazer arte.


Alex

Alex
Eu sempre fico um tanto confusa
Com a capacidade do ser humana de nos ensinar algo, não tenho perguntas
Achei seus quadros perfeitos, agora quanto ao material usado sou da saúde, e vejo sempre o lado bacteriológica mas respeito toda forma de comunicação. Parabéns por conseguir passar para a tela linguagem e expressão tão vivas e real.

Dora, obrigado, também sou da saúde, não me incomodo em achar certas vezes que eu estou certo e o mundo errado, nunca tive esse medo contido na maioria das pessoas deste planeta, acho que saúde e liberdade são duas coisas totalmente interligadas.


Maria Goreti

Sirlei,

. A tela "Criança Morta" é de autoria de Cândido Portinari. . Alex, Fantástica a sua Arte Plástica, em todos os sentidos! Eu diria mesmo tratar-se de um ato de coragem! Não me considero artista-plástica, mas gosto de fazer minhas artes. Já utilizei em minhas pinturas materiais diversos como cimento, areia, argila... Mas fezes, acho que nem as minhas. E olha que a bosta do dono não fede... Só a do vizinho, rsrs. Eu te pergunto, após observar seu trabalho no blog: Não dava para suprir a necessidade de ser diferente utilizando materiais mais perfumados, do tipo frutas e legumes, casca de certas madeiras, tintura de cabelo e outras coisinhas menos extravagantes? Até porque daria para fazer uma certa economia nas tintas, já que o seu trabalho tem colorido intenso. Bem, o que eu quero dizer é que, embora eu não seja tão corajosa e excêntrica, não poderia deixar de elogiar o seu trabalho. Parabéns! Maria Goreti


Lola

Olá Alex... Engraçado, quando me deparei com sua entrevita, a li, mas não a levei a sério, confesso que não me animei em olhar o blog com suas pinturas. Não achei errado o que faz, mas não me despertou interesse em ver quadros pintados com fezes e outros materiais. Mas ao me questionar sobre o porquê do uso desses materiais e querendo fazer algumas perguntas a você, claro que fui olhar suas telas. E foi pra mim uma surpresa, não entendo nada de artes plásticas, mas gostei do que vi, da intensidade das cores, do que eles despertam. Gosto é gosto, não entendo de pintura, mas gostei. Então Alex, a minha primeira pergunta agora se torna ainda mais consistente já que eu mesma fui preconceituosa em relação à sua arte. Como é para você assimilar ou trabalhar com o preconceito (quando ele existe, claro) em relação ao que escreve e pinta? A segunda pergunta: Você escreve usando palavras que a uma maioria não usa, o faz para chocar ou o faz como um expurgo, uma catarse? E por último: Não estariam as duas formas em que se expressa interligadas à uma necessidade visceral de deixar sua rebeldia como protesto? Beijo e parabéns. Lola


Mαriαnα

Aaaaa"!

[Mandei um recado pra Me pensando que não podia responder aqui... mas deepois percebi que ainda não tunha entrado na comu/ der]

E olha, me surpreendi ao ver que tive medo em ver as obras do Alex.[Talvez isso seja um preconceito, que querendo ou não.. a gente sempre tem!] E a melhor forma de acabar com isso é ter interesse em ver essas obras e estar preparado pro que der e vier(curiosidade - que creio ser maior que o preconceito! E isso é o que não me falata!)
E sabe.. até fiz um comentario com a Me de que estamos precisando de coisas novas!
Seil la! ´"...de 90 pra cá num tem nada de novo..."/ mas até então eu não sei se isso é realmente novo ou se já existia. [<



††Me

Eu acredito que essa entrevista marcou uma fase bem importante aqui no Vale, o antes e o depois de Alex Plunk, rs
Pensando assim pergunto:

Alex, em algum momento vc sentiu-se mal pelo ocorrido?
Não que eu culpe vc, ao contrário, acreditei no teu trabalho antes, lutei por ele e ainda te acho o mesmo artista talentoso, só que agora com uma diferença: "tenho gratidão por vc ter sido o pivô de uma nova fase aqui do Vale, a fase onde a democracia e a justiça novamente venceu". MUITO OBRIGADA>
Mas pergunto isso pelo barulho que causou com sua obra.

Continuem perguntando ao nosso artista e convido o Alex a continuar respondendo.



Glauber

Alex

Particularmente sou curioso com a vida pessoal dos artistas: então, me responda: onde vc nasceu, onde vive, no que trabalha (já que a maioria dos artistas de nosso país não consegue viver da própria arte) e onde espera estar daqui há dez anos, em termos artísticos.

Alex

Gente, minha banda gravou uma demo!

Alex Plunk e os Imaginários "DEMO"!!!

Álbum: Lady Murphiee

01: O amanhecer e a Humanidade
02: Mãe, eu pinto quadro com merda
03: Modess social
04: Preciso fazer cocô
05: Escadaria para o inferno
06: Big Joe
07: Wizard of commodities
08: Ahhhhhg!
09: Meu pai
10: Alegria
11: Tijolos (Bonus Track)
12: Camon let'it be (Bonus track)
13: Aya-Yuppie-Hippie-Yee (Focus cover Bonus track)

Baixe pelo link: http://www.megaupload.com/pt/?d=ZPEPFBG1

Veja a foto do encarte no meu álbum pelo link:
http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom.aspx?uid=7300430983028843025&pid=1223043751772&aid=1223018323$pid=1223043751772


Alex

Obrigado Mariana :)


Alex

Eu acredito que essa entrevista marcou uma fase bem importante aqui no Vale, o antes e o depois de Alex Plunk, rs
Pensando assim pergunto:

Alex, em algum momento vc sentiu-se mal pelo ocorrido?
Não que eu culpe vc, ao contrário, acreditei no teu trabalho antes, lutei por ele e ainda te acho o mesmo artista talentoso, só que agora com uma diferença: "tenho gratidão por vc ter sido o pivô de uma nova fase aqui do Vale, a fase onde a democracia e a justiça novamente venceu". MUITO OBRIGADA>
Mas pergunto isso pelo barulho que causou com sua obra.

Continuem perguntando ao nosso artista e convido o Alex a continuar respondendo.

Me,
me senti mal pela comunidade ter sido deletada, pelo aspecto do coletivo. Eu é que tenho gratidão pela oportunidade.


Alex

Particularmente sou curioso com a vida pessoal dos artistas: então, me responda: onde vc nasceu, onde vive, no que trabalha (já que a maioria dos artistas de nosso país não consegue viver da própria arte) e onde espera estar daqui há dez anos, em termos artísticos.

Glauber,
Nasci no Rio de Janeiro, Ilha do Governador, bom, nasci em uma maternidade na Tijuca mas vivi até hoje na Ilha.
Já trabalhei como panfleteiro, pedreiro, pintor, atendente de telemarketing, secretário.. meu ultimo emprego foi como monitor dos laboratórios de informática da faculdade ESPM. Atualmente estou estudando pra passar no vestibular da UFF e vivo de algumas aplicações financeiras.
Daqui há dez anos espero estar com a mesma esperança que tenho hoje e que me motiva a fazer arte. Meu sonho é palestrar em faculdades e ser aplaudido no final.





Alex

.

A tela "Criança Morta" é de autoria de Cândido Portinari.
.


Alex,

Fantástica a sua Arte Plástica, em todos os sentidos! Eu diria mesmo tratar-se de um ato de coragem!
Não me considero artista-plástica, mas gosto de fazer minhas artes. Já utilizei em minhas pinturas materiais diversos como cimento, areia, argila... Mas fezes, acho que nem as minhas. E olha que a bosta do dono não fede... Só a do vizinho, rsrs.

Eu te pergunto, após observar seu trabalho no blog:

Não dava para suprir a necessidade de ser diferente utilizando materiais mais perfumados, do tipo frutas e legumes, casca de certas madeiras, tintura de cabelo e outras coisinhas menos extravagantes? Até porque daria para fazer uma certa economia nas tintas, já que o seu trabalho tem colorido intenso.

Bem, o que eu quero dizer é que, embora eu não seja tão corajosa e excêntrica, não poderia deixar de elogiar o seu trabalho. Parabéns!

Maria Goreti
.

Sirlei,
Atualmente estou cultivando uma obra com urina e sabão em pó sobre uma mala direta pedindo dizimo, que recebi da igreja católica. Qando estiver na textura q eu quero, pretendo pintar com algum material, acho o que faz a arte são os contrastes, anteriormente peintei um quadro chamado "Armele" com pasta de dentes.
Obrigado.


Alex

Então Alex, a minha primeira pergunta agora se torna ainda mais consistente já que eu mesma fui preconceituosa em relação à sua arte. Como é para você assimilar ou trabalhar com o preconceito (quando ele existe, claro) em relação ao que escreve e pinta?

A segunda pergunta: Você escreve usando palavras que a uma maioria não usa, o faz para chocar ou o faz como um expurgo, uma catarse?

E por último: Não estariam as duas formas em que se expressa interligadas à uma necessidade visceral de deixar sua rebeldia como protesto?


Lola, posso sentir o preconceito sem fazer muito esforço, por isso criei um fake chamado Roat Franbuant Neto e comecei a expor minhas poesias atreves dele e o fato do poema não estar atrelado ao rótulo: "Poema Dedalista:" elevou as criticas e Roat conseguiu até algumas namoradas rs.

Meu trabalho é muito ligado a introspecção, claro que eu faço pra chocar, mas na maioria das vezes, é pra chocar a mim mesmo. Sou uma pessoa muito mal resolvida, mas tenho total consciência disso o que me torna resolvido, meu problema de procurar problema.

Não sou rebelde-herói, to mais pra rebelde de super mercado. Também não jogo minhas vísceras pra platéia com o intuito de que ela resolva meus problemas ou tente achar um sentido na minha arte, como disse a coisa é muito mais introspectiva e fincada no recalque.

Obrigado :)


†††Me

Alex Vc é discriminado por uns, amado por outros e USADO, literariamente falando por alguns. Explico: Tua rebeldia, teus poemas exêntricos, quadros, tuas atitudes, teu palavreado, tdo isso gera uma gde polêmica, um bom marketing para as comunidades onde posta e divulga seu trabalho. Digo isso porque no Bar do Escritor, onde começou, era tido como agitador (por postar tantas vezes), como sem talento (pelo teor dos poemas), etc... Até que tua insistência passou a ser vista como "atitude" e teus poemas como "engraçados", a ponto do moderador criar para vc um ebook onde o conteúdo era tido como "o pior do bar", "o que não fazer em literatura", ou algo assim. Era descaradamente uma jogada de marketing a favor do Bar, um golpe de mestre, assumo, adoro planos mirabolantes de propaganda, acho o máximo. Também essa entrevista é uma jogada de marketing, não tenho como negar, vc se tornou um ícone em debate e polêmica aqui no meio literário. Todos querem te conhecer (mesmo que por motivos óbvios e escatológicos) ou querem debater (combater) tua forma de criar arte. Enfim, vc gera preconceito, mas ao mesmo tempo gera NOTÍCIA, uma coisa boa para todo literário empenhado em projetos aqui no orkut. Podemos definir isso como uma "nova arte"? Vc se considera a frente para o seu tempo? Será que nem vc se percebe ainda um talentoso artista plástico? (qdo afirma que so faz isso para chocar a si mesmo).



Alex

Podemos definir isso como uma "nova arte"? Vc se considera a frente para o seu tempo?
Será que nem vc se percebe ainda um talentoso artista plástico? (qdo afirma que so faz isso para chocar a si mesmo).

Me, sempre me achei muito talentoso e sempre me admirei e admirei minhas obras, tão quanto sempre me frustrei com o resultado, quando caia na real seja através das criticas ou da perda de tempo... acho que esse é o meu combustível, esse ciclo doentio de criar e me frustrar, mas a frustração, como disse, vem apenas com o resultado, as obras estão sempre sendo degustadas por mim nos meus momentos de solidão, é isso que quero dizer quando afirmo que só faço isso pra chocar a mim mesmo.
Não me considero a frente do meu tempo, e nem a frente do tempo dos outros, meu tempo é agora, mas não faço pelas outras pessoas, faço por mim e pra mim. Eu sempre fui assim, sempre fui 100% eu, o mundo podia estar errado e eu certo, acho que o problema é esse hoje em dia, as pessoas não acreditam muito em si mesmas, "é obvio que isso que você está sentindo está errado porque ninguém pensa assim, é você que está errado e não o mundo.." e desta forma fingimos acreditar, fingimos viver e fingimos que ta tudo certo. Acho que a maior coisa que fiz para os outros foi a criação da idéia Dedalista, que exalta o artista e rebaixa a obra de arte a uma mera ferramenta, tem tudo haver comigo.
Dedalismo é a nova arte, sim, a arte dos blocos econômicos que substituirão o status que tem atualmente todas as nações deste planeta assim como os feudos foram substituídos pelas mesmas, inevitavelmente, a Arte do fim do paternalismo e da política, do político, a ascensão da Democracia absoluta e do voto on-line discriminado por cpf para toda e qualquer questão pública. Não me acho a frente do meu tempo mesmo, pelo contrário, vivo no passado, onde tudo isso já aconteceu com a Renascença e o Iluminismo, mas que agora a idéia posta em pratica do dever do estado para com o cidadão, começa a ser prejudicial a partir do momento em que o mesmo subestima a capacidade do povo de tomar decisões seja na sua própria vida ou seja no coletivo, o direito de errar e de permanecer no erro tão defendido quanto o do acerto. O Cidadão maior do que a peça teatral política. O Dedalista sempre será mais importante do que a obra de arte.


†††Me

Alex Eu agradeço em meu nome e em nome de todos aqui do Vale pela sua pronta colaboração em responder ao convite para uma entrevista, peço desculpas se em algum momento se sentiu ofendido e deixo registrado minha admiração pelo seu trabalho e pessoa. Se tiver alguma consideração final, agora é a hora. No mais fica um grande beijo.



Alex

Eu que agradeço, não me senti ofendido pelo contrário, foi uma axcelente oportunidade para divulgar minhas idéias, peço apenas para quem leia, que se interesse em baixar alguma obra minha seja musical, literária ou visual.
Deixo alguns links: