quinta-feira, 31 de julho de 2008

Convidado do Vale "Glauber Vieira"













Acidente na clínica de aborto (nano)

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(Inspirado na morte de uma grávida - em Brasília - que pediu ajuda para um comerciante, dono de uma clínica de aborto. A mulher acabou morrendo).


Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

E assassino que mata assassina?


Glauber Vieira é mineiro e mora em Brasília. Tem participação em algumas antologias literárias brasileiras. Em 2007, criou o Fanzine "O Observador".

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Convidado do blog " Angel Ilanah"




















. .
Só quer me comer?!


. .

Vai, isso mesmo!

Disseca meu ser me engole

faz-me de osso,

lambe depois morde

al dente à mesa estou

suor e nervos,

encima do prato

corta de leve,

finca teus dentes na carne que te espera

e mastiga bem de leve,

é assim que me vê,

só quer me comer

nas suas entranhas me perco,

divago idéias

teço tocaia te enalteço e me esqueço

sou de lamber os dedos

apetitosa, assim que me chamas?

de sobremesa me abro escancaro meu ser

te lambuzo de creme, daquele molhado

saliva safado

pode vir que já estou à mesa!




Angel Ilanah


Quem sou ? Aprendiz eterna, porém insaciável. ...produzo mais textos quando estou em momentos intensos, creio que é assim com todos, não me inspiro, as palavras simplesmente saltam pra fora como num vômito, sem pedir licença, quando vejo paft, já foi!
Cometo tal insanidade no meu blog
Sushi de Banana http://www.sushidebanana.blogspot.com/

meu perfil do blog
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=9990492995772604586&pcy=3&t=0

meu perfil pessoal
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=4248769478003048092

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terça-feira, 29 de julho de 2008

MAIS UM ANÚNCIO NO JORNAL

















Silêncio total, onde antes sarais
Roupas rotas e sujas onde antes varais.
Terra seca, deserto, onde antes florestas.
Vazio, tristeza, onde antes alegrias e festas.

Cortam-me as arestas.
O sangue flui livremente.
Escoando a vida sofrida.
Dando o tão almejado descanso à mente.

Não mais as lágrimas sangrentas.
Não mais a garganta sedenta.
Só o silêncio imenso em volta.
Posto que, aqui, não venta.

Dizes-me, tu só lamentas.
É só o que sabe meu coração.
A dor lateja e fere, sem comoção.
E tu, tu o que fazes? Desorientas-me.

Busco o alívio final.
Atitude fatal.
Não quero mais o Natal.
Serei apenas mais um anúncio no jornal.
By Ana Kaya


segunda-feira, 28 de julho de 2008

Espetáculo à saudade




Qual teu espetáculo?
-Dor e solidão!
Mesmo distante
destrói minha cena
e enfarta meu coração.Adeus!
Misérrima lembrança!
Sabes o quanto te procurei
na vossa infância?
Enfim, te achei, sofri!

A cada morte espero te encontrar
só para purificar o porre louco de prazer...
A cada primavera exalar-te
para sangrares minhas narinas em teu leito pálido...
A cada espetáculo interpretar-te:
Que a tal saudade é demais.

Fim!E o teatro de mim declama em lágrimas:
”As pétalas que a te veste
não esconde que tu entristeces
pois, saudade nunca é demais.”

Por Emerson Sarmento

domingo, 27 de julho de 2008

VENHAM PARA A COMUNIDADE DA ME


Eu escrevo poemas góticos

Quem na vida em algum momento não escreveu sobre o sentia? Poemas góticos são o espelho da alma num momento triste ou desesperador. Não dizem que desabafar faz bem? Soltar para fora em forma de versos é melhor ainda.
Se você gosta de escrever sobre as sombras que assombram seu coração venha para a nova comunidade da Me "Eu escrevo poemas góticos".
Espero você lá...


Me

sábado, 26 de julho de 2008

Solidão


Solidão
dói, não
Saudade,
Acabou a felicidade
Traz o além
Pois onde encotrarei alguém
Afinal
O grito fatal
Da dor
Do amor

sexta-feira, 25 de julho de 2008

DIGO: CORTA!



DIGO: CORTA!


Na mesa os elementos
gritam sim
vestida de negro aponta
minha palavra desmonta
digo: Corta!
Punhais, facas, lanças e minha dor,
lado a lado
sorrio sem jeito
estou desfeito
imperfeito
quase surreal
afia-se a navalha
habito o precipício
vejo-me na lágrima
que aflora
estou nu por fora
sou uma solidão
um retângulo enquadrado
um raio fulminado
uma tristeza sem parênteses
um tambor
um olhar sem cor
um desejo desfeito.

** Gaivota **
Julho - 2008



********************

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Conversa Vultuosa



Uns vultos arrojados à parede desassombrada pela fraca lâmpada desde um poste perfilavam alarmantes figuras. Pareciam quase tão ameaçadores quanto a conversa meio gritada, meio fanfarrona entre as pessoas de quem as sombras eram arrancadas pelo bruxuleio da lâmpada pendida do alto.

O vento assoviava no frio gelado do início da noite. Estanquei à janela que fechava à umidade e à friagem, querendo ajudar a esquentar um pouco o pequeno quarto em que mesmo a mata-junta da madeira parecia tiritar frente àquela inusitada baixísima temperatura de outono, próxima a zero grau.

- Eu não vou trabalhar um mês inteiro, oito horas por dia, mais extra no sábado pra tirar seiscentos paus. Isso não é vida. Isso é osso, carne de pescoço, escravidão até.

- É, mas como tu vai descolar grana pra fazer o tudo que tu queres?

A sombra mais alta agitava nervosa na ponta de um dos braços um 38 de cano longo e acompanhava, como um maestro regendo uma orquestra, a fala que lhe dava sentido espetaculoso: ora, com o ferro. Numa noite eu arranco uns trezentos na mão grande e completo a outra metade passando coisa, xará!
A sombra menor pareceu recuar um passo, medindo da outra a fala e abrindo a ela o espaço que a imponência do tom e do conteúdo estava exigindo. E, tão intrigado quanto eu, perguntou: sim, e se responde bala do lado de lá, que qui tu faz?

- Eu me garanto, ô mané, não tenho mais só 12 anos feito tu, já fiz 14, não sou mais criança ô perrengue!

Quando se afastaram dali, os dois meninos me avistaram à janela e sacudiram as cabeças em cumprimento, que respondei também com um meneio ligeiro, cortês, mas sem entusiasmo. O que mancava sorriu um tanto amarelo, um tanto escapista, o outro desviou o olhar duro muito rápido.

Sob a lâmpada, as sombras tornaram-se miúdas, comuns. O discurso, no entanto, não me pareceu mais fantasia vultuosa, ficara grudado na memória como aquelas sombras fanfarronas na parede.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

AMOR EUROPEU:

















o meu olhar
encontra o teu.
Marcelo Farias - Para Entender a Mágica.

Contos de Bruxas - por Adriano Siqueira

A Receita da Vovó
Uma aventura com a Bruxa Jassy-Aba e o Vampiro Vandiraçu
Por Adriano Siqueira
Siqueira.Adriano@gmail.com

Em algum lugar na mata atlântica existe um estranho povoado indígena, a Aldeia de Abá.
A linguagem que eles usavam era praticamente desconhecida. Isso dificultava o contato com a civilização e além disso, a aldeia convivia com muitas criaturas que alguns homens brancos considerariam uma lenda: Vampiros, Bruxas, Lobisomens, Fantasmas da floresta etc.
As bruxas desta aldeia estavam fazendo os preparativos para a grande festa do Dia das Bruxas. “O grande Beltane”
Bem perto da oca da aldeia principal que seria usada para a distribuição dos doces, a Bruxa adolescente Jassy Aba preparava os doces para serem distribuídos durante a festa.
Ela estava olhando atentamente as receitas da sua avó e seguia a risca todas os requisitos quando o vampiro Vandiraçu, um dos seus colegas mais arteiros do colégio da mata aproximou-se.
- Cacilda! Tô doidão por doce de festa!
- Ihhh!!! Zóio de Pitanga! Vai tirando a fuça dos doces que não são pro seu bico.
- Demorou bruxata! Vai colocando no pratinho pra viagem ou vou ficar bicudo!
- Chega de léro-léro!
- Ah... Está de zoeira né? Então tá bem Sirigaita! Vou ajudar você a fazer os doces! Garanto que vai ser uma doideira só!
- Tudo bem palermão! Vamos nessa! Mas se você bancar o Zé Pilintra, vai virar um sapo-boi!
- Sossega Leão! Jassyfoi Jassyvai! Jassydanou! Hahaha!
Vandiraçu queria mostrar para Jessy-Aba que ele era o mais forte e deliberadamente começou a usar a sua influência hipnótica de vampiro para prejudicar os seus doces.
- Deixa eu ver essa receita... Ah... Tô por dentro do bagulho! Agora vai colocando os ingrediente que vou te falar.
- Tudo Magickic. Mas não tente tirar uma da minha cara pois sou imune aos seus pseudo poderes de influência.
- Haha! Maneiro! Sinistro! Coloque 2 quilos de sal e pense que é açúcar!!
- Sim senhor!
- Coloque um litro de pimenta e pense que é leite!
- Sim senhor!
- Agora... Espirre dentro da tigela!
- Atchim!
- De novo!
- Atchim!
- Hahaha!!! De novo!!!
- Atchimmmmm!
- Ficou Duca!
- Ah... Obrigada por ajudar Vandiraçu!
- Foi um prazer Jassydanou-se! Eu vou indo agora. À noite eu colo aê!

O vampiro Vandiraçu sai da aldeia todo orgulhoso por ter conseguido ludibriar a Jassy-Aba.

- Eu sou Batuta mesmo! Eu sou demais! Hehehe!!! Não vou perder essa festa!

No caminho Vandiraçu percebe que todos que passavam, estavam rindo dele.

- Qual é a graça bando de trambiqueiros!
- O Lobisomem que passava disse:
- Adorei sua fantasia! Já entrou no clima da festa? Hehehe!
- Festa uma pinóia!
- Mas você está parecendo um Sapo Boi!
- Quê?!? Sapo-boi uma ova! Coach!!! Coach!!! Ah Não!!! Aquela bruxa estava tirando com a minha cara! Coach!!! Coach!!!
- Não fica assim não cara! Você ficou uma vampireréca maneira! Posso jogar sal nas suas costas só para ver se queima?
- Vai colocar o catso! Sai pra lá! Coach!


Autor: Adriano Siqueira

terça-feira, 22 de julho de 2008

Convidado do Vale "Alex Plunk"


A linha trêmule
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O rábula-porteiro do paraíso me negou o visto
Já sete peles me deu cachaça e vinho
Na linha do trem tirei a blusa, o short e as havaianas
Fiquei só de calcinha cor de rosa
Num montinho de terra fiquei de cócoras e dormi
Acordei com grossas caricias em meu intestino grosso
Que delicia, sou um homem feliz
.
Alex Plunk...(veja a Galeria AQUI )
.
(foto "Bar do Escretor" do artista Alex Plunk - feita com fezes humanas, de cobra, rato, guano, wassabi, corante...).

segunda-feira, 21 de julho de 2008

UM PASSO NA ENCRUZILHADA.

E, de súbito, sentiu penetrar-lhe as narinas um nauseante odor de enxofre.

O homem, temente, estremeceu.

Tomou a Bíblia. Brandiu-a, pupila miúda, olhos esbugalhados. E conjecturou sobressaltado que a porta do seu templo estava já a dezenas de metros distante de si.

Orou fervorosamente, sentido que era exíguo o tempo de que dispunha.

Estava numa encruzilhada. O diabo ameaçara-lhe no culto, sacudira sua carne, subjugara-o ao solo eletrizado do templo, o constrangendo a ensaiar esgares, lançar espuma pela boca, a revirar os olhos nas órbitas inquietas.

E ele, crendo-se liberto, rira-se do diabo, após palavras veementes do pastor, e sob a vigorosa intercessão deste.

Num instante, pareceu-lhe ver diante de si um ebó, farto, belo – a comida a transbordar do alguidar.

-Senhor! – ele clamou, sentindo-se tão dúbio e tão fraco diante do maligno.

Precisava passar adiante. Ousou faze-lo. A Bíblia caiu-lhe das mãos, como que surrupiada por lufa desconhecida. E, na seqüência, sentiu uma terrível vergastada nas costas, num golpe seco, acre, vigoroso.

O nosso crente não pôde suportar a investida. Como esses garotos estouvados que tremulam diante do perigo, conjurado após traquinadas imprudentes, ele saiu em disparada, dementado, espavorido, pisando cegamente na oferenda, derrubando os círios, esparramando a farinha, o azeite e o aguardente.

A horda de quiumbas gargalhava, no domínio daquela egrégora, e ainda embriagada pelos efeitos dos últimos fluidos da macumba.

Não tocaram nas Escrituras. Mas sentiram-nas impregnadas pelo religiosismo fisiológico, em seus laivos de fanatismo risível. E viram, formando-se naquela plaga circunscrita, as imagens ideoplásticas dos cultos infecundos e o seu mediunismo levado às instâncias do pragmatismo maquineista.

As Escrituras estavam conspurcadas pela concepção confusa e distorcida da excelsitude da divindade e das verdades espirituais.

-Um tolo. – riu-se por fim um dos capetas, chutando o duplo da oferenda, e conclamando os comparsas às novas investidas ainda prementes àquela noite.

Aos bons e aos maus, toda a honra e toda a glória. Aos dúbios e lânguidos, a escravidão, mental e espiritual - na sua relativa eternidade.

sábado, 19 de julho de 2008

Amor em 3 atos- giselle Sato


Ela - Carta ao Amado.

Meu amor,
Estou tão cansada, a vida perdeu o sentido depois que você me deixou. Juro que tentei perdoar, mas as promissórias das nossas dívidas não paravam de chegar. Os telefonemas de cobranças, os agiotas de plantão na porta da nossa casa, as ameaças dia e noite.

Procurei por você em todos os lugares que freqüentávamos e ninguém sabia dizer seu antigo endereço ou qualquer detalhe da sua vida. Entendi que fui ingênua acreditando em tantas mentiras, que deveria ter investigado seu passado antes de ter aberto a porta da minha casa.

Frágil, carente, recém viúva e ainda jovem o suficiente para atrair seu desejo. Em poucos meses gastamos em farras a fortuna do falecido. As jóias de família penhoradas para construir suas excentricidades.

Vez por outra você desaparecia sem qualquer explicação. Com medo de te perder jamais fiz exigências e cobranças. Aceitava as migalhas do teu amor e isso me bastava.

Vivíamos reclusos e aprendi a amar as noites. Saíamos pelas ruas de madrugada, era como se o mundo parasse para nós. Nunca temi nada ao seu lado, desafiamos o perigo mil vezes, éramos inatingíveis.

A paixão me consumiu, respirava seus passos, atormentada em súplicas. Tornei-me uma mulher viciada em seus fetiches. Nos jogos amorosos, na urgência jamais suprida, no limiar do gozo insaciável.

Era sua escrava, suplicando que aliviasse meu tormento. Sinto tanto sua falta. Aqui é frio e solitário. Sou uma mulher morta sem você e vivo de lembranças. O desespero e a saudade consomem meus dias. Tudo que desejo é a morte.
Com amor,
Ana.


A história por trás do bilhete.

A polícia revirou a cela e não encontrou nenhuma evidência. Uma gilete e o bilhete apontariam o suicídio mas não haviam lesões.

O corpo da mulher era uma máscara de horror. Sem uma gota de sangue, parecia um boneco de cera em posição macabra. Completamente retorcida, a boca escancarada em um eterno grito de horror.

Um completo mistério que o delegado tratou de encobrir. A família ficou aliviada com a notícia do suicídio e não exigiram qualquer explicação.


Ele- Um homem da noite


Em um piano bar exclusivo,na cidade que nunca dorme, Domênico tocava melodias italianas ao piano.

A figura incomum ao piano atraía todos os olhares. O pequeno salão lotado de casais extasiados. Ele tinha o poder de despertar os sentidos.

Isto era mais que perfeito para atrair qualquer mulher.
Dom analisava todas as possibilidades, sentia o cheiro de cada uma, o som do sangue fresco circulando no corpo macio, o tremor do desejo mal disfarçado em olhares cobiçosos.

Por um minuto, pensou ter visto Ana, sua quase assassina. A pobre coitada, descarregou a pistola em um homem inocente, um sósia quase perfeito.Frequentador do piano bar que adorava explorar a semelhança para conseguir mulheres.
Infelizmente mortal.

Dom agradeceu os aplausos. Ana era mais uma alma perdida na coleção do Vampiro.

Apenas...um fantasma a mais...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ameaça



Não me vigie
Estou com o coração na palma do despenhadeiro
Uma inanição enroscada na garganta
E o corpo semeado por cadernos virgens

Não me descubra
A manta decepa meus olhos de fel
A dose quente é um invólucro materno
Rasgando-me bestial

Mantenha o segredo
Há um choro de fogo bastardo
Que vadia minhas gestações
E becos iluminando o tráfico de desejos
Nas palmatórias das delícias

Sou um corredor nu
Apostando corrida com o inflamável

quinta-feira, 17 de julho de 2008

11


Acontecia de vez em quando, pensar que eu deveria me lembrar dela. Da maneira saudosa de todos os outros ao se referirem às suas mães. Isso só durava até que algum ruído me chamasse à atenção. Não havia nenhum trauma de consciência e as coisas retornavam aos seus lugares, na escala de suas importâncias, sozinhas, e a vida continuava acontecendo naturalmente.
Madalena mãe e Catarina tia, que não pretendeu ser mãe, me lembrando com freqüência, mas sem deixar faltar sopa e pão. Eu podia retornar sem esforço, pelas lembranças, aos oito anos. O dia da pescaria, a cor dos peixes balançando na transparência da água. Dela não. Desapareceu. Lembro de ter ouvido furtivamente, aos onze, pela primeira vez, os comentários da professora, sobre choques que algumas pessoas sofrem, explicando para alguém que eu me recusava a resgatar momentos muito difíceis. Pura bobagem, simplesmente não existia e não me parecia assunto suficientemente interessante para cativar a minha mente. Prendia-me, sim, por longo tempo, as supostas razões que levaram o povo de um passado distante, a dedicar dezenas de anos de suas vidas à construção dos muros de pedras ao longo das laterais da estrada, que levava até aquele lugar. Não dava pra saber muito bem qual era o lado de dentro, o protegido, pois se a única coisa que havia eram mais pedras e alguns tufos de mato baixo, insignificantemente bem guardados.
Eram duas a lidar com os pães, depois só a tia, que não alterou nada. A cadeira atrás da gaveta do dinheiro, sempre na posição alta, assim dava para ver a estrada por cima da renda que ornava o vidro da vitrine de pães. Tudo estava ao alcance da mão, uma praticidade desnecessária ao ritmo do lugar. Planejado em cada detalhe, com inteligência de quem ama, disposto fácil a quem vai ficar. Não me importava por não lembrar do seu rosto, mas mesmo não intencionado, sabia dela, do seu jeito preparado de quem sabe da ida, bem antes.
A professora sempre volta a falar sobre ela, conversando com uma outra mãe qualquer, me olha pelos cantos dos olhos, estranhando a minha indiferença, mas não soube explicar o porque dos muros de pedras ao longo da estrada.
Ocorre-me num pensamento frouxo, de que talvez ela também não possa mais se lembrar. Penso um pouco em tudo branco, perto de uma inteligência igual à dela e talvez assim, ela também possa sentir como eu, que mesmo incompreensível, está tudo no lugar certo. Como aqueles muros da beira da estrada, que não é preciso transpor, para se saber que não há nada lá.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

AUTO-RETRATO

.
Olhe este corpo que sangra diante de seus olhos,
parece de porcelana fria, parece frigido.
Toque seu rosto, sinta a umidade o cheiro de mofo
veja seus pulsos rasgados feito um estupro.
Chore...
olhe a profundidade orbitante desse olhar morto
as olheiras e os hematomas espalhados pela pele podre.
.

Parece um anjo de porcelana fria, frigida,
parece o mal gosto, e o pecado inocente.
Veja o som de sua grossa voz fúnebre,
suas vestes esfarrapadas e ensangüentadas,
veja como ele está adulterado e descontrolado.
Não se mexe, não se move, de fato é uma estátua,
só que de excrementos e placentas.
.
Olhe para seus cabelos, sem vida e sem brilho,
assim, é o poço de seu olhar.
“Não posso escrever o Amor nessas condições.”
Lembro-me da noite passada, que no calor do vinho
eu queria morrer. Fenecer-me.
Extinguir à chama descontrolada e fria de minha alma perturbada.
Não há poesia num corpo de madeira
feito fantoche, feito fantoche nas mãos do diabo.
.
Acaba de cair, uma muleta do quadro de Dali
e nem mesmo ele sabe me dizer o que fazer.
Acabo de participar como ator coadjuvante
de seu terrível quadro de terror.
Não é tão simples quanto cantar desafinado
e ser heterossexual num mundo de canibais.
Meu auto-retrato...
Orgia, bebedeiras, drogas e violões.
.
A percussão repercutida, repercutidamente,
repetida, repetidamente num compasso sem ponta.
Numa cabeça que não gira
quero chorar, mas tenho medo de olhar
Meu rosto diante de seu espelho.
Até quando o sol ira se esconder atrás de seus cabelos?
Não sei...
.

Veja como a pintura derrete lentamente
a dificuldade das tintas em se misturarem.
Como é difícil ouvir o que tenho a dizer
ou a cantar sem que os pássaros parem de voar.
Veja o fundo opaco e sem vida que tenho atrás de mim...
ele se movimenta devagar fazendo o resto enojar.
A ânsia se transforma em tesão e o orgasmo
vira um demônio manco sem asas e cabelos.
Tenho nojo...
.
Meus pés estão afundando num limbo negro de tons em vermelho,
Há uma voz de um ser engasgado no trilho do trem.
O esmo, o terno engomado do anjo homossexual...
sim, belo – feito o Deus que o criou, e, agora o abandonou.
As cores sem vidas da tela refletem um palco de terror,
parece que estou num lugar apocalíptico.
Ouço ao longe você me chamar, mas não quero voltar,
vivo atrás do espelho em uma overdose de orgasmos...
.
meu auto retrato – o flagelo, o medo, a agonia amestrada
o sol negro surgindo dentre o limbo.
Sou eu o filho pródigo desenhado pelo coitado.
As pinceladas lúgubres revelam minh’alma.






Flávio Mello





um das artistas que mais gosto:
Propped-1992 (84"x72") The Saatchi Gallery, London - Oil on Canvas

terça-feira, 15 de julho de 2008

AMADO & DES-ALMADO



Amado & Des- Almado
Thiers R>



Sou amado
na ponta da faca
no corte da destreza
na gota do sol salgado
no espinho
que perfura e sangra
no sensor incrédulo
do que se espera
sou des-almado
no escarro
que vomita
pétala decrépita
na roupa que infesta o quarto
sujo e infame da vida
apenas porque te disse
palavras corretas
apenas porque esperas
algo mais
de meu pálido semblante
onde a boca derrama mel
espetei meus dedos
o espinho da rosa feriu-me
assim despi-me
no mágico espelho
da vida

março>2008>


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segunda-feira, 14 de julho de 2008

By Flá Perez

Gólgota


O escapulário que deixaste
de teus dedos em meus seios

não mais vejo.

Meu sexo
- pequeno escrínio
de teu sêmen -
foi fechado à chaves.

Não se abrirá nem com teu beijo.

Já sumiu do meu corpo
o sudário de tua pele
e teu cheiro,
pois foi longo meu calvário.

Trataste com escárnio
o milagre, a coisa sacra
que habitava os sotãos
cheios de arcas:

Eu, teu relicário.

domingo, 13 de julho de 2008

CONCURSO VALE DAS SOMBRAS & AMANTES DA LITERATURA



A Comunidade Amantes da Literatura e Vale das Sombras se uniram e estão promovendo um super Concurso de Poesias O Concurso vai presentear duas pessoas com:

1) Agenda "Vale das Sombras / 2009"

2) Agenda "Amantes da Literatura / 2009"



Cada participante deverá enviar dois poemas, sendo que um em estilo SOMBRIO e outro NÃO (PODENDO PARTICIPAR COM UM POEMA EM UM ESTILO SOMENTE) OS POEMAS EM ESTILO SOMBRIO DEVERÃO SER MANDADOS PARA:

valedassombrasmemorte@gmail.com

OS POEMAS EM ESTILO CONTRÁRIO DEVERÃO SER MANDADOS PARA:

amantesdaliteraturamemorte@gmail.com


A PARTIR DE 01 DE AGOSTO DE 2008
OUTROS PRÊMIOS (DOAÇÕES) EU ANUNCIO NO DECORRER DO CONCURSO. AS REGRAS A PARTIR DE 30 DE JULHO NAS DUAS COMUNIDADES.

Vale das Sombras
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8910225



AMANTES DA LITERATURA
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=171403

sábado, 12 de julho de 2008

AUTO-EXTINÇÃO



Essa tarde, mais uma vez, eu me precipitei até o banheiro. A pressão dos dedos na garganta ajudou a comida a voltar e espirrar para todos os lados, acertando a parede.


Depois do ato de violência com meu corpo, eu não tive forças para sair do chão úmido do banheiro; onde estou sentada até este momento.

Vomitei, expeli de novo minha culpa, meu medo de mudar meu corpo. Estou fraca agora.

Noto que as manchas de mofo atrás do vazo sanitário estão muito grandes. Faz algum tempo que não as limpo, elas estão crescendo à medida que eu diminuo com minhas explosões de vomito.

Uma aranha pende no canto do meu banheiro, a teia, onde ela desce e sobe é cristalina. A aranha é marrom, é muito bonita, algumas vezes em que me encontro no banheiro eu converso com ela, invento diálogos onde ela quase sempre me responde, e eu tenho passado muito tempo no banheiro agora. Ao lado da aranha há uma pequena janela, e por essa mínima fresta eu noto os últimos raios de sol do dia indo embora.

Escuto o barulho das pessoas entrando e saindo da pensão onde vivo. A maioria inquilinos, pobres, miseráveis, sub-nutridos, negros marginalizados, brancos sem-teto, semi-mendigos, adolescentes, viciados e prostitutas. A escória da sociedade. O vomito da evolução - Uma pequena associação engraçada.

A pensão uma casa velha, de madeira com a pintura descascada fica em uma esquina, torta, mal colocada. Quartos coletivos. Quartos semicoletivos. Quartos privados com banheiro, como o meu, o luxo do lixo.

O lugar tem um cheiro acre e adocicado, eu pensei em restos humanos quando inspirei pela primeira vez aquele odor estranho. Eu já não me incomodo com isso há algum tempo. Posso dizer do fundo de minha alma que gosto muito de ficar sentada na parte mais fria da minha pequena e fétida residência. Sinto paz aqui.

Observo as manchas na parede, não sei se meu estado de profunda fraqueza me faz ver coisas irreais, mas essas manchas estão me parecendo maiores hoje. Uma delas parece se avolumar e descer pelo piso de azulejos antigos do lugar.

Gases. Eu ainda sinto meu estomago um pouco cheio. Quem me dera conseguisse colocar mais um tanto de comida para fora. Força, queimação, dor na garganta machucada. Um pouco mais de excrementos expelidos pela boca. Um pouco de saliva escorrendo.

A lateral do vazo sanitário está cheia de mofo agora.

Eu me encolho no canto do lugar. Meu corpo se sacode em pequenos espasmos. Durmo. Acordo. Durmo outra vez.

Quando acordo novamente, fico realmente desperta. Está escuro e eu quase não vejo nada. Ligo a luz.

Tento gritar, não existe força para tanto em mim.

O banheiro todo está tomado por grandes manchas de fungos. Manchas, já não mais. Aquilo se estende como um grande tapete por todo o lugar.

Aos poucos o pânico que sinto acaba. Não consigo me preocupar com aquilo. Desvio meu pensamento para meu corpo, meu peso.

A ultima vez que me levantei do piso do banheiro foi para me olhar no espelho sobre a pia. Notei que há um pouco de mofo nascendo nos cantos de minha boca, minhas orelhas já estão cobertas e meu cabelo agora é verde escuro. E, no entanto não consigo sentir medo.

Amanheceu novamente. A aranha que estava no canto do meu banheiro não se meche mais é apenas um ponto redondo e bolorento em sua teia. Olhando para o pequeno animal assim tomado pelo mar de mofo eu penso em quanto tempo ainda me resta até ser engolida também.

Por incrível que pareça essa idéia já não me parece tão ruim.

Juliana T. P.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Roleta

Gira e gira
E para
Tão aleatória
Quanto precisa

Agulha percute
Matéria expande
Expulsa o fragmento
Rompe o tempo

E o temporal

Trespassa a massa
Apaga memórias
Anula sonhos
Desfaz passado
E futuro

Rompe o osso duro
E se vai perder.
Deixa para trás
O que não há mais.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

DRUMMOND SABIA



No meio do caminho - ele dizia.
O impasse em pedra se fazia
A imagem tatuada na retina
A ruptura
Da usura de uma sina
Tudo à que um mortal
Mataria.

Mas não,
Não ao homem (?),
Ao poeta que via

Por que
Para saber
Que se encontra
No meio do caminho

Há de primeiro saber
Onde o caminho termina.
E ele sabia,
Desgraçadamente sabia.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Dois contos curtos e um poema

Confissão

Eu tinha uma esposa. Eu a amava.
Nós casamos jovens, e nosso relacionamento era muito apaixonado. Porém, depois de alguns anos, seu fogo apagou.
Ela era linda.
O que eu mais amava em seu corpo eram seus longos cabelos ruivos.
Depois que o fogo apagou, ela se tornou frígida. Não queria mais nada comigo.
Pensei que estava me traindo, portanto mandei seguirem-na.
Nada. Nenhum amante.
Ela simplesmente ficara gelada.
Então a joguei em um incinerador.
Gelada ela não está mais, lhes garanto isso.

Rio de Janeiro
11/10/2007

A diferença entre desejar e receber

Igor estava sentado numa cadeira, em sua faculdade. Essa se localizava próxima a um famoso morro, lar de uma famosa favela, que por sua vez era lar de alguns não tão famosos traficantes. O dia estava quente, a aula estava chata, e Igor estava debruçado numa janela, pensando. Sobre balas.
"Doeria", pensava ele pela milésima e última vez, "tomar um tiro?".
"Pessoas diferentes reagem de maneiras diferentes a um tiro. Talvez, eu poderia tomar um tiro no braço e gritar que nem um louco, ou levar um na cabeça e não sentir tanta dor".
"Claro, idiota, você estaria morto! Como sentiria alguma coisa?".
"Ora, eu não sei! Talvez eu não morresse na hora. Talvez eu ainda sentisse algo".
"Meu Deus, que idiota! Bem, não posso discutir com isso. Você venceu".
"Mas e..." - Só que nesse momento o sinal tocou. O professor e os alunos se foram. Apenas Igor ficou, olhando para fora, os olhos abertos, uma bala em sua testa.
No fim, só ele soube o que sentiu. Ou não.

Rio de Janeiro
29/10/2007


Nosso desejo ocasional

Eu, que da miséria fiz minha história
Avistei-te lá, do outro lado
E fiquei todo enciumado
De quem reparte tua glória

Cobri rápido, a distância entre nós
Falei com você, envergonhado
Olhava curvado, para todo o lado
Como se brilhassem mil sóis

Levou-me para casa, chamando-me de rei
Disse para mim: “Eu te amarei,
Disso pode ter certeza”

Disse eu: “Então eu me libertarei,
Com esse martelo abrirei
Essa sua linda cabeça”.

terça-feira, 8 de julho de 2008

SONETO

O Céu agora é um canto de cor virgem
Plasmado nele mesmo pela rua
Cantando seus demônios pela Lua
Deitado a namorar uma vertigem.

O Céu caiu do fundo de um abismo
Sangrou até calar-se nele todo
O Céu é um diabo em fino lodo
Na soma de um viver em demonismo.

Há horas em que o Céu se cala cego
Falando de si mesmo numa jaula
Da vida que em si nunca nasceu.

O Céu é a grande foice que eu renego
Sentado num bueiro em uma sala
Mostrando para o mundo onde morreu.

dos Anjos

domingo, 6 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Hermenêutica lupina



Aguardam-se longos caninos destes dedos que se desfiguram em sangue.

À noite qual uma várzea grande me esconde as fumaças brumosas.

Intolerância!

Não nos escritos. Não creio em censuras acho-as dilacerantes. Meu eu licantropo de há muito ri dos pequenos erros humanos. Hermenêutica.

Nem nos passos alados de Hermes há segredos. Atrofiar o sonambulismo opiato? As palavras são livres, já dizia Aluísio de Azevedo.

Transporto-me ouvindo aquele grito mais velho do Coruja. Lá, anterior a minha rapinada, encontrei o significado destas garras rubras. Caço sim, é inevitável. Meu ser lupino anda nas ruas em busca de sangue.

Como são curiosas as extravagâncias de um sorver dos lábios licantropo. Um arranhão proveniente das nebulosas em que me escondo, forja em teus lábios entreabertos o meu encontro.

Caço manadas de soberbos humanos, estou a limpar a noite do que lhe causa dano, me permuto também em sábios encontros. Nesta troca ambígua de valores restam os pântanos refeitos pelo sangue; a guardar vaga-lumes, estórias, mitos e incertezas.

Se são covardias nossas desonras? Conclusões amorfas que deixaram rastros de baba respingados. Há as desonras que vêem dos inventos dos sabujos rotos nas calúnias. Invertem o tempo como fazem os tolos.

Meus pelos crescem e a matilha saúda a lua.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

No instante em que meus olhos se fecham





.

No instante em que meus olhos se fecham
Tua imagem surge diante de mim
Minhas veias agonizam... A saudade
queima impiedosa.

Torpe, o corpo te implora
Insensatas,
as mãos te buscam no vão do desejo
sem fim...

É teu o gosto que salivo
É teu o cheiro que respiro
Mas não é tua a dor que vivo...

No instante em que meus olhos se abrem
Uma lágrima molha a foto que eu segurava contra o peito.

(Sirlei L. Passolongo)

Direitos Reservados a Autora

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Conto de Vampiros e Bruxas

Passo a passo

Conto escrito em 1997
por Adriano Siqueira

Eu gostava de caçar monstros à noite, e eu sabia que a floresta à noite tinha vários deles. Como sempre, peguei o meu cavalo negro e minha espada. Estava também com meu misterioso manto negro. Saí do castelo, andei alguns quilômetros, mas não encontrei nenhum monstro. Eu escuto um aviso... Mas era como se viesse de dentro de mim.
-- Cuidado, ele esta atrás de você!
Eu virei com a espada para trás e aquela Besta enorme sentiu uma de suas mãos abandonarem seu corpo. Ele gritava e, com o espanto, meu cavalo tombou. Eu caí, e minha espada estava longe de mim. Era meu fim. Eu estava suando muito quando ouvi explosões fortes. Apareceram duas bolas azuis e enormes em direção ao monstro... Eu fui me proteger do impacto, pois sabia que se fosse água, eu estava em maus lençóis. Com a explosão,o monstro caiu, peguei minha espada e terminei o trabalho.
De onde teriam saído estas bolas gigantes? E quem entrou na minha mente para me avisar do perigo?
Isto era magia, sem dúvida, mas de quem? Já enfrentei bruxas antes.
Bonitas e feias, mas todas extremamente perigosas. Tenho receio de algumas pois eu sou um Vampiro e elas sabem usar os poderes hídricos, o que, para mim seria fatal.
Meu corcel se machucou na batalha. Terei de abandoná-lo e seguir o resto do caminho andando.
Mas... o que é isto?! Uma águia! E quase arrancou minha cabeça... Pousou no meu corcel.
As feridas estão se cicatrizando... Mais magia!
Pelo menos meu cavalo melhorou.
Seguindo em frente com o meu corcel, encontro uma plantação de Rosas no meio daquela floresta. Não sou muito fã dessas flores pois elas geralmente fazem parte de religiões. Mas confesso que aquelas cores vermelhas misturadas com a lua deram um tom diferente... Apeei para averiguar uma de perto... Uma delas se enroscou em minha mão... Saindo do meio daquela plantação um bruxo... E dizendo:
-- Lord Dri! Meu Nome é Pedrunsk Barkos... Eu o proíbo de ir em frente, pois você destruiu vários monstros que criei! Eu sou o único bruxo que pode com seus poderes de Vampiro, e eu irei destruí-lo!
Já com a espada em punho e pronto para cortar a cabeça daquele bruxo eu me coloco em posição de batalha:
-- Nada neste mundo me fará esquecer tal maneira arrogante como se dirigiu a mim! Pois eu sou o Lord Dri, Sr. das batalhas e das conquistas e, você não é nada a não ser um homem sem honra escondido em plantas! Saia daí e me enfrente!
Com uma gargalhada o bruxo desaparece... mas deixa alguns amigos para fazer me companhia...
Nunca vi nada igual àquilo... Fantasmas com armas. E seus rostos... Não! Eu não conseguia olhar. Estava com medo. Talvez alguma magia que o amaldiçoado bruxo me lançou! Isto eram sentimentos de humanos, talvez o bruxo tenha realmente me enfeitiçado!
Apavorado, eu coloquei um braço em frente aos meus olhos e balançava a espada de um lado para o outro. O mais estranho é que meu corcel estava quieto como se não houvesse nenhum perigo aparente. Seria tudo uma ilusão?
Comecei a ouvir um barulho de correnteza, mas como? Eu sabia que não havia nem lagos nem rios naqueles lados da floresta. O barulho aumentava e quando olhei, achando que iria ser engolido pelo mar, todos os fantasmas haviam sumido! Não havia nada de água... Deve ter sido outra Ilusão!
Estava indo mais para frente da floresta... Já não queria mais caçar monstros... Só estava mesmo curioso com todas estas magias e Bruxos.
Aquela águia estava voando por cima de mim... O que será que havia de tão especial naquele pássaro? Fui seguindo o com os olhos. Nós vampiros podemos ver muito bem no escuro. Estranho... A águia se dirige para um castelo que eu nunca tinha visto antes nesta floresta... Seria outra ilusão daquele bruxo?
Três palavras entraram em minha cabeça e eu não conseguia entender seu significado:
-- Tire o amuleto!
O castelo deveria ter todas as respostas.
Coloco em punho a minha espada e começo a subir aquelas escadas. Tudo o que existia de mais sagrado em bruxaria estava lá!
Entrei em um quarto sombrio e úmido! A águia na janela praticamente me dizia que aquele era o lugar exato!
Havia uma cama e em cima dela um balde de ouro com água dentro, e na água... Um amuleto!
Peguei o amuleto com a espada, tirando do balde... A água começou a aquecer! Eu fiquei nervoso... Não sabia o que estava acontecendo... Eu odeio ficar nervoso! Joguei o amuleto no chão. A águia voou até ele e o levou embora.
O vapor da água estava me sufocando e eu pude, naquele momento, ver todas as batalhas que tive passarem na minha mente.
Meus olhos estavam embaçados quando apareceu alguém na minha frente.
Acho que era uma mulher. Comecei a levitar e desci em um lugar macio.
Ela estava em cima de mim... Senti o seu corpo com o meu... Mas estava tendo visões estranhas; o quarto estava começando a se encher de sangue por todos os lados. As paredes, os móveis... Apareciam luzes brancas em toda parte... Ela me dizendo:
-- Preciso de você! Preciso...
Senti minha energia de Vampiro enfraquecer tanto que conseguia beijá-la sem sentir meus caninos. Eu fiquei participando de tudo aquilo sem praticamente me mover. E... Eu estava querendo mais e mais, até que tudo voltou ao normal, ela me empurrou e me disse:
-- Já chega! Já tenho poderes suficientes!
Ela virou para a janela:
-- Minha águia deve ter levado aquele maldito amuleto que me aprisionava!
Suas roupas apareciam do nada... Era como se o vapor daquela água se transformasse em roupas.
-- Nunca imaginei que vampiros tivessem tanta energia!
Ela sorriu para mim:
-- Meu nome é Shyenne Mayfair! Eu era a bruxa mais poderosa até o maldito Pedrunsk Barkos tomar o meu espelho secreto!
Eu estava um pouco confuso.
-- Olha aqui bruxa! Eu não tenho nada com isto e não vou ficar aqui nem mais um minuto! Passei a noite inteira para cá e para lá, enfrentando até os meus temores humanos e minha energia sendo sugada só para ficar tirando um amuleto de um balde!?
-- Pois o Sr. está livre Lord Dri! Sim, eu sei seu nome. Foi eu que o trouxe aqui! Mas pode ir embora e leve esse balde de ouro como recompensa!
Ela havia realmente se sentido ofendida.
Foi quando eu olhei para porta e uma enorme sombra apareceu. Pedrunsk Barkos.
-- Hahaha! Não, meus caros amigos! Ninguém sairá deste castelo.
Ele continuou:
-- Lord Dri e Shyenne! Meu Nome é Pedrunsk Barkos. E eu sou dono do espelho!
Shy> -- Está vendo, Lord? Vai embora agora... Enquanto eu enfrento essa coisa medonha.
Dri> -- Vai nessa Shyenne! Eu não saio sem dar uma surra nesse safado.
O Bruxo Pedrunsk fez surgir um monstro em nossa frente! Um monstro de metal... Enorme!
Minha espada não penetrava em sua couraça. Eu estava sem saber o que fazer. Quando Shyenne chegou perto de mim e me jogou uma bola azul na espada. Ela me disse para segurar a espada com as duas mãos:
-- Agora Lord! Use seus poderes para eletrificar a espada!
Eu olhei para a lua e meus olhos pegaram fogo, surgindo um raio e indo em direção à espada. Transformando a em uma espada reluzente.
Comecei a cortar o monstro em pedaços... e pouco a pouco foi desaparecendo.
Quando olhei para os lados procurando Shyenne não havia mais ninguém naquela sala.
Eu sai dali desesperado em busca de algum deles.
Olhei pela janela... Meu cavalo, inquieto, indicava que havia alguém em cima do castelo.
Fui correndo ao topo e quanto mais perto chegava ouvia barulhos cada vez maiores. Eram os dois que brigavam sem parar...
Isso tinha que acabar... corri atrás do espelho que eles diziam ser tão especial e trouxe para cima do castelo.
-- Está aqui seu bruxo idiota! O espelho está comigo e levarei para o inferno!
Pedrunsk> -- Nãaaaaaaaaaooooooo! Não faça isso! Seu tolo, você não sabe o que esse espelho pode fazer! Ele pode transformá-lo em humano novamente!
Aquelas palavra me deixaram paralisado, seria verdade que este espelho fosse tão poderoso?
Shy> -- Quebre o espelho, Lord!
Eu não conseguia ouvir... Estava vendo minha forma humana dentro do espelho!
Shyenne olhou para a águia... Ela foi voando em direção ao meu cavalo.
Aparece uma luz envolvendo os animais.
E surge um Centauro, que voa em minha direção e arranca da minha mão o espelho, e o leva em direção à Lua.
Pedrunsk> -- Malditos... Vampiros e Bruxas! O meu poder... Meu poder!
Shyenne cria uma névoa em forma de águia e carrega o Bruxo para o alto. Ele se debateu... até que finalmente explodiu!
Shyenne olha para mim e diz:
-- Seu cavalo estará bem, eu o mandarei de volta para seu castelo!
Chegou perto de mim e me deu um beijo:
-- Para um Vampiro até que você foi bem valente!
Estava gostando da idéia de ficar perto dela, eu dei um sorriso, ela levantou as mãos e disse:
-- Olha a água!
Eu me assustei e me afastei! Ela desapareceu na névoa... Mas ouvia sua risada... Ela realmente gostava de brincar!


Autor: Adriano Siqueira

um dos autores do livro "Amor Vampiro"

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O pouco


Os cacos de vidro esparramados pelo chão lembram um pouco a minha vida. Toda trincada e estilhaça. Separada em cacos pelo chão do destino. Pisada, varrida e por fim, no lixo. Os cacos de vidro esparramados pelo chão lembram um pouco a minha vida. Que se quebrou inteira e se mostrou partida quando o meu era só meu apesar de ter dado a você. Os cacos de vidro no chão já formaram, um dia, algo uno, que já não o é mais. Um dia, um pouco de vidro caiu e rebentou numa cachoeira de vidros, menores e menores. Um pouco de vidro é o que resta ao final, para ser varrido e posto no lixo.

Minha vida também lembra um pouco a sua, um pouco de morte em contraste comigo; um pouco de sabor em contraste ao cinza; um pouco de barreiras em contraste a sonhos. Eu que sempre tive um pouco de insossa, de chata e de pedante. Um pouco de tudo e sempre um nada. Sempre minha vida foi pouco grande e muito medíocre, pouco de aventura e muito de rotina. Um pouco avessa aos valores sociais, mas só um pouco, só o que me basta. Sempre quis um pouco de tudo, e sempre tive pouco ou nada.

Um pouco de nada é o que faz tudo. Um pouco de não-paranóia com um pouco de não-preocupação é o que dá gosto na sopa. Afinal, é melhor ter um pouco de não-tédio do que passar a vida procurando por uma felicidade inóspita.

Todas as pessoas dizem que são um pouco. Um pouco de tudo, de marceneiro, carpinteiro, ferreiro, ferrenhas, ferradas. As pessoas dizem: de louco todo mundo tem um pouco. Mas a verdade é que o normal é uma utopia criada pelo homem para se sentir menos distinto dos demais; e a verdade é que de normal ninguém tem um pouco. De bruxas e cavanhaques que entremeiam meus sonhos cavaleirescos ainda há um pouco de sanidade, o que me torna mais insana do que realmente sou. Mas o caso é que sempre estou e sempre posso mudar, mudar um pouco, mas que baste para tanger outros horizontes.

Ainda pouco é o que penso ou que o que deixo de sentir. Pouco, sempre é tudo pouco e mirrado nos corações e mentes humanos, conforme se abatem os pássaros mais altivos das montanhas para que se estabaquem nos vidros da realidade. Pouco é o sangue que percorre a cabeça, pouco é o sal que salga o mar, pouca é a morte em relação à vida, pouco é o céu que enjaula o ar. O universo é pouco, o calor do sol é pouco, o homem é pouco.

O pouco é uma palavra pouca, de poucas letras, poucos significados, no entanto, de muitas ilusões. Sempre gostei da palavra pouco, sempre quis pouco. Pouca tristeza, pouca mágoa, pouca raiva, poucos amigos verdadeiros, poucas alegrias intensas, escrever poucos textos bons. Algumas coisas me foram poucas, outras me foram fartas... mas acabo por lembrar sempre das poucas, são elas as que marcam, que ferem, que alegram. O pouco sempre é o suficiente, talvez a humanidade seja insatisfeita por sempre desejar o bastante, nunca o pouco.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Exótico


Como uma gota de sangue em dia de chuva
Dez passos e um abismo
O Padre, o dízimo
Uma viúva...

Necessário como a noite
Hilário como um cão correndo atrás do rabo
Ou o homem e seu cigarro
Uma tosse e um escarro...

Um chicote, uma corda e duas mãos
Uma mulher, um homem e seu caixão
Antes da morte a safadeza
Libido e tristeza...

Me Morte