sábado, 28 de março de 2009

Poema Ganhador do concurso do Vale das Sombras...

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Âmago Analítico

Ainda que eu
Não tivesse o dom de amar
ainda que no necrotério de mim mesmo
meu sentimento vivo
porém inútil
não teria tamanha ignorância
de não te amar.

Seria Egoísta dizer
que o futuro
não chegaria sem você.
E no presente
Quando nossas entranhas
decidem se encontrar...
Eu, analista cego do nosso amor,
encontro um sereno jeito de revelar:

- Eu te amo!

Por Emerson Sarmento.

quarta-feira, 25 de março de 2009

DISFORME&INCHADO




disforme&inchado
** Gaivota **



semiaberta porta

no peito d’agonia

cobre negro véu

torrencialmente chove

canetas di mãos vazias

Uma a uma enfileiradas

não escrevem palavras

porque a agonia que se preza

dorme dentro do soluço

disforme&inchado



*

terça-feira, 24 de março de 2009

Musa enfarada exonera o poeta e espanca Cupido


Inesperado, inédito e inusitado acontecido
A musa demitiu o poeta, decantada enfarada
E, de lambuja, de quebra, de troco, cupido
levou umas pancadas, que os vi estropiados
poeta descoroçoado, cupido desasado, ambos
no meio-fio sentados, após um litro mamado
de vinho barato, deles um já vomitado era.
Olhando a dupla, penalizado, procurei pela
razão da musa, ora pranteada, já decantada
E só consegui ir adiante, sem falar, dizer
o quê numa hora dessas, sem poder maldizer
Musas enfaradas há, quando a poesia não há
o poeta que, por inverso, conserte o verso
ou leve à breca, cure-se, sebastianize-se
flechado, apare no ar a seta e impeça amor
que traga mais dor. Dê-se a cupido um pito
e, nem pasmo,nem aflito, siga à frente que
a fila anda e, quem sabe, fados aliados se
comportem diversos e divertidos aparecendo
com flores, uma nova musa alevante o poeta
quem há de tanto saber, saber do que virá?

domingo, 22 de março de 2009

Não brinque comigo!

Não brinque comigo!

Grenda era filha de um veterano alemão, acusado de ter matado milhares de pessoas em Auschwitz e refugiado no Brasil. Seu pai estava preso atualmente e Grenda administrava os bens com a ajuda de Bernt, empregado fiel de seu pai, pau para toda obra. De sua mãe nada sabia, nem uma foto havia. Gozava dos privilégios da fortuna do pai.
Malu era sua amiga de longa data, aceitava as esquisitices da amiga e vez em outra usufruía das benesses de Grenda, como hospedar-se no sítio, verdadeira mansão fortificada, com guardas e segurança absoluta.
Na faculdade, Malu havia conhecido Grenda e um outro amigo que acabara se tornando seu namorado, Rique.
Em dois anos, o namoro entre Rique e Malu era uma paixão só. Ela estremecia cada vez que se tocavam, lembrando cenas das horas de sexo estonteante. Rique era bem aquinhoado. Tinha um membro enorme, o que fazia com que só tivesse uma ereção. Todavia, as preliminares e a transa eram tão gostosas e excitantes que Malu nem reclamava. Estava satisfeita.
Até que Rique começou a esquivar-se dos afagos, beijos e sexo. Alegava cansaço, precisava dormir cedo, tinha provas de alunos para corrigir... No início, Malu ficou amuada, mas aceitou. Queixava-se para Grenda e esta ria maliciosamente, dizia sempre que homem não era para se confiar.
Como fêmea, Malu pressentia que algo estava errado. Rique era jovem e forte, cheio de tesão. Resolveu certificar-se e começou a segui-lo discretamente. Grenda acompanhava-a. Foi então que vira Rique sair da faculdade acompanhado por uma jovem, morena, bem atraente, cheia de curvas. Os gestos diziam tudo...
O coração de Malu apertou-se, sangrou, doeu, mas a raiva, o ódio provocado pela traição impôs-se ferozmente. Passou a arquitetar um plano de vingança. Grenda solidária como sempre.
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Rique foi convidado assim como outros amigos para um churrasco no sítio de Grenda. Muita música, comida e bebida à vontade, alguns baseados. Todo o dia tinha sido alegre e Malu conseguiu disfarçar os sentimentos como se de nada soubesse. Combinou com Rique de permanecerem no sítio à noite para só retornarem ao centro da cidade na manhã seguinte. Rique, satisfeito pelo dia, não se opôs.
Retiraram-se todos, permanecendo somente os três na casa e Grenda, informando do quarto destinado ao casal, encaminhou-se ao dela. Rique já se despia para deitar-se embora Malu permanecesse vestida. Chamou-a para a cama insinuando uma noite de amor. Ela vencida mais uma vez pelo desejo daquele corpo moreno, deixou-se agarrar. Enlevada, retribuía cada beijo, mordia, chupava, retorcia-se em gozo, o orgasmo chegando como cascata, a inibir-lhe os sentidos. Apenas um átimo de segundo e veio à lembrança a imagem dos dois, Rique e a morena... Lembrou-se, então, do motivo da festa. Beijou Rique, pediu-lhe que aguardasse, ia ao banheiro.
Encaminhou-se então ao escritório do pai de Grenda, os filas rosnaram, arreganhando os dentes. Com o pacote de carne crua sob o braço, Malu foi incitando-os até o quarto. Rique deitado de barriga para cima já meio dormitava, nem percebeu o que havia sido jogado sobre ele. Os cães precipitaram-se sobre ele buscando os pedaços de carne crua, encontrando o corpo de Rique atacaram vorazmente. Se alguém ouviu os gritos, não se manifestou, acostumado às excentricidades da patroa. Malu saiu do quarto, fechando a porta, no semblante um ar maligno. Dirigiu-se ao quarto onde Grenda já a esperava.
Pela manhã, o fiel Bernt limparia a bagunça...

sábado, 21 de março de 2009

O BARRETE DO DEMÔNIO

A velha mansão desenhava-se imponente diante dele.

As pilastras de mármore erquiam-se em curvas sinuosas. Alpendres em estilo jônico, ladeados por caramanchões carregados de trapadeiras, folhas secas espalhadas pelas aléias do grande jardim da frente, e muitas correntes participando do conjunto arquitetônico -todo o monumento lembrava um colossal mausoléu.

Os grandes portões de aço transmitiam hostilidade em suas lanças pontiagudas.

Ao chão, um barrete. Vermelho. Estirado num perfeito triagulo isósceles. O andarilho olhou, paupérrimo, cheio de enfermidades, perseguido por pesadelos, chibatadas, pelourinhos, por credores de um pretérito traçado a sangue. Curioso, exitou uns momentos. Mas não resistiu, e tomou-o para si.

Dois redemoinhos levantaram-se por entre os plátanos do fundo do jardim, escurecido pelas grandes muralhas da mansão. Vieram, trazendo consigo poeira e folhas secas, numa coreografia sinuosa e carregada de augúrio, desfazendo-se diante das grades.

O frontispício metálico estremeceu. O ferrolho, jungido fortemente à trava do portão, deu um rangido breve, alto, seco. Acima de si, talhado em metal, um esquadro formava os três vértices de um triângulo equilátero incompleto.

Um hálito frio baforejou num sopro as mechas do transeunte. E ele sentiu o odor úmido das sepulturas.

Olhou o barrete, em suas mãos. Um tecido rústico, parecido com a sarja, trama espessa, remates enviesados, e um inconfundível odor de pele caprina.

-O barrete do demônio. - resmungou cheio de insatisfação.

Um tanto atemorizado, ia lançá-lo fora, quando, inexplicavelmente, surgiu diante de si, além das grades, um velho apoiado num bordão.

-Finalmente, encontraste o capuz do meu menino...

O velho tragava um cachimbo. Embora decrépito, mostrava ainda sob o escuro casaco algum sinal de vitalidade.





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O transeunte estendeu o barrete ao velho. Não disse palavra. Mas sentiu um calafrio quando notou os olhos penetrantes do ancião vasculharem sua alma. Não era mais um grande Senhor de Engenho. Era um mendigo.

Teve medo. Os plátanos, agora num "background", pareciam dançar num bailado macabro, enquanto o odor carregado de pele de cabra invadia novamente suas narinas.

O transeunte sumiu-se dali. Era ainda para si o tempo das persignações, da abominação das conjuras, do Mal perscrutando cada criatura, da subjugação à Bíblia, da anatematização de tudo que incutiam os teólogos "ex-professo".

O velho mergulhou no seu jardim, lento, fatigado pela idade, apoiado em seu bordão.

Um elemental saltitava inquieto buscando administrar as pequenas correntes de ar que agitavam os ramos menores das árvores. O velho sorriu com bonomia. Atirou a ele o barrete, o cachimbo. E ficou a observar aquele fluido vivo, nos primeiros ensaios do reino inferior.

E voltou à sua biblioteca, porque era Eremita. E sorriu novamente, agora um sorriso franco, lembrando-se com propriedade das atrocidades do período escravagista: negros mutilados - pernas arrancadas, mãos perfuradas.

O mundo espiritual interagia com o material. E lembrou-se de Aparecida. Diversamente do compasso, o triângulo tinha um simbolismo mais carregado de generalidade do que podiam supor.

E o mendigo mais uma vez fugira do seu resgate, inepto na compreensão de que os algozes fatalmente se vêem diante de suas vítimas.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Perséfone - Giselle Sato

Nos campos em flor onde vagueio, sigo os aromas e cores
Flutuando em lembranças, desejos proibidos e ansiados
Tão diverso dos mistérios profanos e ocultos do teu reino
Onde mesclam-se medos, lendas, segredos e mistérios

Apelos e dores incalculáveis em detrimento do instinto sutil
A luz da aurora já não desperta nem faz qualquer sentido
O que me torna tão especial não é a pureza malfazeja
São os vislumbres daquilo que posso me tornar
Pelas tuas mãos que prometem conduzir e partilhar

Âmago do que nenhuma outra mulher possuirá
Transbordando a libido reprimida em sonhos amorais
Desperto o lado oculto da lua, negra lua...Minha lua
Companheira derradeira onde fiz minha morada

Sim! Comi a fruta que me abriu as portas e o destino
E todas as delícias e sabores que jamais imaginei existir
Bato com força o pé na terra macia que se curva. Complacente
Única passageira da velha barca de Caronte... Deslizamos

Indescritível mundo de aflições eternas em que és Senhor
Respiro o calor e a densidade. Não me importo, estou em casa!
Tomo o lugar ao seu lado: Rainha, Deusa, Musa, Maldita, temida...
Perséfone.

Gian Lorenzo Bernini (escultura)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Sem dentes para amanhã

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Formularei perguntas irremediáveis para bons cristãos.Para que em seu dever fervoroso,eles se traiam e sejam ainda melhores.Pecadores sorteados,alguém veio lhes lamber os pés.Cada chaga em iluminação.Cada dorso seduzindo o chicote,que em seu estalo mora a ternura retalhada.
Algumas pacientes histéricas vieram uivar e me trazer doçuras nas emancipações de minha janela.Mastigam cacos de minha frustração científica e sensorial.Sou um pedaço de caco nervoso ,sem efeito e elas me mastigam.Esses dentes arquitetam minha realidade.
A paciente desdentada morde seus dedos, tentando arrancar alguma seiva.Seu comportamento consiste em arrancar sua própria essência.È conhecida como "Leoa". Ela distribui tarefas com os dentes para suas colegas e sentencia as fracas.Paga-se com perpetuação do sintoma.Solidão.Leoa rói cada ponta do sol das minhas manhãs e amarga meu café sem cura.Nunca saberia o que era a felicidade, sem esta paciente me flertando,atracada ao meu corpo,babando no meu pescoço.
Jamais saberia do significado da redenção.Apenas queixas,convulsões,o furacão nú do sofrimento boaiando nas minhas pranchetas.Meu avental branco como a armadura de uma guerra particular tão ou mais densa,das quais eu brincava de lutar.Ninguém saberia dos meus tremores na sala de faxina.Nem que eu roubava tranquilizantes no ínicio da carreira.Guerrilheiro do "CID-10",o livro-pai dos diagnósticos das patologias mentais,tinha toda uma pátria a defender,enquanto era consumido na pela minha doença.O pai não falava sobre ela.Era temerosa e desconhecida.Era sublime.Eu driblara meus conhecimentos ,para me enganar,o grande pai fora submetido à minha sabedoria doentia.Lambia os beiços, sob o olhar de Leoa ,ao sol do pátio sujo.Um ensaio de sorriso ,para minha rendenção.
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Rita Medusa

segunda-feira, 16 de março de 2009

Analise Franciscana, hipocrisia Humana (...)


A sombra magra e arqueada de meu corpo
reflete apenas um fio de cabelo encharcado de sangue.
Minha imagem na ponte suspensa da persistência
é alienada feito uma adoração platônica,
emite acordes dissonantes, lágrimas de um violino
tocado por um cego no cais da alucinação inerte.


Minha sepultura vaginal
Túlipa Negra - meu único pecado carnal.
Assim, minha loucura! Casca de ferida aberta,
dilacerada feito o desejo de Pilatos...
Uma inocência me cerca, quer me possuir
como um demônio insensato dotado de ódio.
Meu medo de estar só é tão real quanto o diabo
e minha descrença é tão fútil quanto Jesus Cristo.


Sim, sou Ateu. Ateu como Galileu
e não me importo, não ligo para suas vestes
mesmo que elas recebam detalhes pesados de ouro
ou ornamentos de pedras preciosas.
Não troco minha poesia por um dobrão de sua fantasia.
Falsos profetas despencam de árvores secas
assim como a saliva de um Deus ausente.
Que toda minha aversão seja respeitada e minha
incredulidade para sempre seja lembrada.


O sangue escorre pela calçada, um sangue negro pegajoso e fétido.
Tão fétido quanto um mendigo morto!
Minha vida? É como a Dele, só que me resta ainda poesia.
Não a sol ardendo neste mundo de medo
mesmo que houvesse, ele com certeza seria de um tom negro
como o poço, como a garganta de Poe e os olhos de Hitler.
Sim, é o medo que assola meu quintal
como roupas que tremulam num fio de tecido humano.
Ouço, sim! Posso ouvir...
São os gritos dos anjos sem asas, apenas ossos. Sim...
Olhe para o céu, apenas uma lua
Olhe para os olhos de minha poesia, verás
Que ela arde nua.
Meu corpo transparente, pálido quase morto, é senão,
Uma pira sem chama.
Meu pecado é apenas o reflexo de seu descaso.

Vejo uma árvore morta, semiqueimada e com galhos
Quebrados, mas no pouco que ainda lhe resta. Nascem frutos!
Mas não frutos, frutos assim, crianças.
Seus pés estão grudados nos galhos, elas choram se desesperam.
Percebo que o que vejo, não é apenas uma alucinação,
Mas sim o reflexo de minha alma.
Aquela alma que perambula durante a noite, com suas vestes
Esfarrapadas. A mesma alma que abandona meu corpo
Quando sinto medo.

Agora amanhece, sim lentamente.
O sol se ergue – feio e quente.
Nosso destino nos olha sorridente
Sabeis, que éramos humanos e agora nos transformamos
Em roedores eretos, que se alimentam de restos.
Olhais, para o espelho. Veja...
Seu sorriso amarelo, hipócrita e sem graça
Perceba, que destruímos o mundo e aos poucos nossos filhos.
E eu nem toquei no rosto do meu.

Que o excelentíssimo Álvares de Azevedo me perdoe,
Mas o invejo. Nascerá num ano de descoberta
Eu fiquei apenas com seus reflexos.
Olhe para mim, reclamo poeticamente desse mundo
Sem olhar para o futuro.
Já sei qual será nosso futuro...
Ele será a imagem que produzimos no nosso presente.
Belo presente.


De: Flávio Mello
Data: 10/12/00

domingo, 15 de março de 2009

PERFUME ESCASSO




PERFUME ESCASSO
Thiers R >




Em fases como a lua

sorri cão

andei absinto

bebi loucura

doei paixão

tosse-me o pulmão

desejos ferem-me

na palidez da noite escassa

tateio teu corpo

abraço lençóis

desalinho a’lma

indecência do fogo

escravidão vermelha

esvai-se

o’laço apertado corrói

sou nada

vazio escarrado

cuspe

catarro

sangue co’agulado

onde abraço apenas

o perfume insolente

que na cama restou


>

. visite meu blog particular
http://thiersr.blogspot.com/


>>>

sábado, 14 de março de 2009

AMOR IMORTAL


O tempo! Para os mortais uma condenação. Para nós vampiros uma maldição! Não poderia considerá-lo de outra forma, não depois de tudo que experimentei; não depois de ter sentido o peso que a imortalidade trás.
Às vezes penso que não vivi. Terá, tudo, sido apenas um sonho? Minha alma está tão ferida que começo a duvidar de minha lucidez. E se, nem mesmo vampiro, eu for? Ah, maldita herança! Por que eu?
A senda do tempo me prende num contínuo alvorecer. Mal a noite se vai e minha carne exige o descanso. Estou só em minha danação. A solidão é mais cruel que a sina miserável de ter de me sujeitar a servir-me do sangue alheio. Um parasita!
Mas nem sempre foi assim. Minha estirpe já foi numerosa. Já dominamos mais povos que qualquer dos grandes impérios humanos. Nossa influência já se estendeu por castas e culturas tão distintas que perdemos nossa identidade, o elo que nos mantinha unidos como espécie. Este foi o começo do fim.
Não lamento o fim de minha espécie. Sabíamos que a evolução nos levaria a extinção. Só não contava em ser o último. O peso de ser o epílogo da espécie é monstruoso. Sei que não há juizes aguardando minha falta ou meu fim, nem precisa, pois já me sinto condenado.
Vago sem destino por uma praia deserta. A grande cidade margeada pelo areal não significa nada. Nem mesmo fonte de alimento. Estou cansado e desejando a morte. Os carros são como torpedos sem mira.
Ao longe os sons corriqueiros preenchem a noite. Sirenes, gritos, buzinas, motores, explosões... tiros. Os seres humanos já não precisam mais de nenhum parasita, a própria espécie se tornou um.
Dilacerado por minha dor, permaneço estático, olhar perdido e vazio. A majestosa paisagem não chega a penetrar minha mente. O frêmito que toma conta de meu peito me faria chorar, mas vampiros não possuem lágrimas.
De repente um bando vindo do nada me aborda. Infelizes desgraçados! Se soubessem quem é este que abordam. O conhecimento chega tarde demais. Mesmo desejando a morte, não a quero pelas mãos desta raça imunda...
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ÚLTIMA CEIA

O rubro intenso e tépido da vida
Umedece as pétalas fendidas
As últimas lágrimas gotejantes
Maculando a brancura da tez
Sonhos interrompidos pelo fim
Os olhos vidrados sem ver
Lábios ainda descerrados
A espera do beijo mais ardente
Um último beijo de amor
Beijo que não se fez real
Beijo que lhe roubou a alma
Tornando-a cadáver silente
Corpo sem sopro divino
Um invólucro vazio... indene...


O algoz ainda a fita com pavor
Seu peito arfa com selvageria
O liquido viscoso preso aos lábios
Gotejando em sua veste imaculada
Tornando seu viver desgraçado
Fazendo-o maldizer sua sina
Este monstro desprovido de alma
Que perambula pelas noites
Caçando como um animal
Procurando fugir à angústia
Mas que sabe ser o vilão
Conhece-se muito profundamente
E sabe que não pode furtar-se
À união com a morte... sempre...


Aquela que pende em seus barcos
Entregou-lhe a confiança
Colocou-se sob sua proteção
Amante em sua plenitude juvenil
Conferiu crédito à sua paixão
Agora jaz destituída de calor
Pende como fazenda ressecada
Como uma árvore sem seiva
Translúcida em seu momento
Apagada em seu sentimento
Tornada sombra espectral
Apenas por ser crente
Ou por ter-se tornado escrava
De um ser maldito... sedento...


Os pequenos furos em seu pescoço
Registram a pressão determinante
A região onde o ocaso ocorreu
O ponto da atração maior
Quando ela acreditava ser outra
Parte que atraíra sua atenção.
Os lábios carnudos e sensuais
Os seios avantajados e firmes
As pernas grossas e roliças
O traseiro volumoso e chamativo
O corpo precariamente vestido
Nada disto chegou a interessar
O faro da besta tinha outro desejo
O som da vida a viajar pelas veias
O odor do néctar ainda oculto
A sede infinita queimando a garganta
O instinto do predador... desespero...


Nada disto mais tem sentido
A morte aguarda pelo abandono
Que colherá a falecida
O predador não retém a presa
Vomitada a acidez de seu fel
Saciada sua insana necessidade
Lega o corpo ao tempo
Deixa-o ao relento insensível
Não é sua tarefa o prantear
Os cuidados fúnebres em questão
Ele cumpre sua desdita sorte
Logra o mal que propaga
Esconde-se na sombra do dia
Mortifica-se em seu temor... prisioneiro...


Sarcasticamente sorri do destino
Recusa-se a concluir o serviço
Ainda sente um débil suspirar
Os lábios trêmulos imploram
Pelo beijo salvador
Pelo sopro da continuidade
Há mais nesta vida cessante
Que sua própria existência
Que sua maldita solidão
Algo que grita em seu âmago
Algo que o fere no vácuo
Deixado pela perdida alma
Nascido da venda contratada
Algo que o impele ao inferno
Algo que repele a morte
Um sentir sem dor... ternura...


Sem abandonar o corpo inerte
Solta-se em voar dolente
Conhece a verdade obscurecida
Almeja a fonte ainda existente
Em lugar remoto e desconhecido
Onde poderá devolver a vida
Aquela que lhe conquistou
Aquela que tem em seus braços
Aquela que rompeu os grilhões
Quebrou a cadeia das provações
Permitiu-lhe sentir a brisa
O abarco senil da liberdade
A esperança de poder vencer
A cruel perversão de sua humanidade
A queda sem fim... tragédia...


O campo estende-se além da visão
As robustas árvores protegem
Ainda acredita ser possível
Chegar ao templo do perdão
O medo de ser muito tarde
Não incide sobre sua vontade
O sobrevôo é tão intenso
Que novos sussurros se ouvem
Ah, quanta insanidade num ato!
Que instinto é este que o torna
Caçador errante da imortalidade?
Um lampejo incerto o traz ao presente
Uma frágil imagem refletida no escuro
Será o espelho fluente da vida?
Sente o odor insípido do líquido
A unção é permitida... vencerá???


Lentamente conduz sua vítima
Caminha sobre o leito plácido
Não há resistência a sua invasão
Seus passos os levam ao centro
O frio assoma seu corpo
A silhueta alva e sem vida
Desliza de seus braços
Submerge no manto sereno
Ele agita-se e urra em desespero
Mito! A maldita fonte não é real!
A dor consome suas forças
Lágrimas de arrependimento
Soluços de agonia mortal
A razão sucumbe à dor
Que valia teria prosseguir?
Num assomo de loucura
Lança-se atrás da defunta
Sente que o gelo o sufoca
Sem conseguir respirar, afoga
A morte enfim... docilidade...


Em segundos o silêncio... o nada!


O absoluto não ser... não existir
Tão somente a paz... a liberdade
Não sente mais sede... saciado
Somente o desespero prevalece
A noite ainda é senhora inconteste
A solidão ainda domina seu ser
Mas seus olhos já divisam
As cores antes negadas... apagadas
O ensejo final é só seu... opção
Tudo o mais inexiste no momento
Um inexistir pleno de nexo
Não mais sede da seiva vital
Apenas o instinto da perpetuação
O apelo mais forte do sexo...


A bruma que envolveu seus sentidos
Perde-se na Constância da razão
O momento fatal foi detido
A mordida crucial ainda espera
A vida torna a pulsar com vigor
Olhos perdidos na inconsciência
Furor mais forte da masculinidade
O homem supera a fera
A mulher vence a besta
A sede infinita concede uma trégua
Agora impera o desejo do corpo
O apelo das carnes em fogo
A sofreguidão das libidos
A excitação... o desejo... o tesão...

Os lábios comprimidos em refrega
As mãos delirantes em compassos
Vorazes instrumentos da fome
Tenazes guerreiros da sexualidade
As presas são retraídas... suavizadas
As garras tornadas ternas lâminas
O calor consome as diferenças
Une os fluídos vivificantes
Sem vítima ou predador
Sem algoz ou perdedor
Sem derrotados... sem profanadores...
Os mais secretos ritos... coito...


Mas um riso irônico soergue do tesão
A vítima contempla o predador
Sua mão vil e certeira
Empunha a arma vingadora
No auge do ritual da comunhão
A madeira escura seguiu o vinco
Indiferente ao clamor da carne
Penetrou, o peito, sem piedade
Aquele que deveria ser o matador
Sente o abraço da morte
A estaca afunda-se em seu coração
O ar escapa-lhe pela faringe
As vistas rendem-se à penumbra
O fim está próximo... desistência...


Em uma rua deserta e escura
Sob o açoite do vento gélido
Um corpo jogado ao chão
O sangue vazando descontrolado
Os olhos vazios ainda abertos
A boca vincada em um esgar
As presas brilhando num negar
O predador abatido pela paixão
Vencido pelo ardil mais antigo
Sucumbe ao capricho da fragilidade
Perde-se nos braços da fêmea
Quanta ironia em sua morte
Assolado pela recriminação
Desiste de saciar sua sede
Decide viver a conjunção
Mas esqueceu-se da fúria
Do ódio mortal da humanidade
Olvidou sua condição de maldito
Tornando-se vítima da feminilidade...

quinta-feira, 12 de março de 2009

TERCEIRO ANDAR ANDAR: INSALUBRE





O moleque batia na porta do apartamento número 5 do Condomínio Jardim Florido. Manchando o suéter de lã verde do garoto havia uma roda avermelhada. O menino negro, agora com tom de pele quase cinza havia cambaleado até ele pedindo socorro. Ele o enxotara de lá sem dó nem piedade. Talvez fosse por isso. Uma punição divina. Talvez Deus o tivesse julgado desmerecedor de sua vida. Tudo acontecerá a 6 dias atrás. Os garotos vinham muito até ele, o perturbavam, queriam “tudo fiado”. Sem falar no entra e sai do prédio o que dava muito na vista o comércio que ele promovia. Seu nome era Raul, mudara-se para o Bairro Industrial a cerca de um ano. Ele vendia cocaína em seu pequeno e sujo apartamento dentro do condomínio. Alí a clientela era vasta. Era o bairro onde haviam mais viciados em toda a cidade. Raul não almejava nada maior para si. Não tinha nem grandes ambições de se tornar um negociador de drogas majoritário em seu bairro. Sabia de suas limitações. Nunca fora esperto realmente. Seu pai costumava chamá-lo de – Peso inútil. E ele era, acreditava piamente nas palavras do velho homem de cabelos grisalhos. Nunca havia se metido em problemas até então. O moleque aparecera sangrando em sua porta. Era possível que tivesse sido esfaqueado. Estava morrendo. Raul sabia que sim, quando o menino havia tirado a mão do furo que vertia um mar vermelho ele havia vislumbrado suas tripas. Rolos de corda cor púrpura. Uma devia estar perfurada, pois o ventre da criança exalava um cheiro forte e nausenate de fezes frescas. Tivera uma inesperada surpresa naquela noite, após a aparição do menino. Franco, um policial a quem ele eventualmente pagava propina chegou em seu apartamento. Ele e dois outros policiais espancaram-no até deixa-lo semi-consciente. _Desgraçado. Eu te libero pra vender drogas à vontade. Mas matar criança, aí já é demais. Você errou feio seu traficantezinho de merda. Aquele moleque era filho do dono da Fábrica de Couro aqui do lado. Ele sabe que foi tu. Vai te matar e eu não vou poder fazer nada pra salvar tua pele. Raul tentou falar, a boca cortada sangrava deixando a voz pastosa: _Que é isso Seu Franco. Eu não fiz nada com o moleque. Juro que não fui eu. Eu só vendia umas buchas pra ele de vez em quando. Eu não sabia que ele tinha dinheiro. Cuspiu, duas, três vezes. Junto com o sangue e a saliva veio um dente, possivelmente um molar. _Não me interessa nem um pouco o que você diz Raul. Ce é um homem morto. Já sabe se sair pra rua... O homem de farda jogou Raul com força no chão fazendo-o bater novamente com as costelas no piso de concreto do apartamento. Os homens sairam, Raul ficou um tempo deitado no chão, as mãos entrelaçadas sobre o abdome dolorido, a boca e o nariz ainda sangrando muito. Realmente o que Franco prevera aconteceu. Na mesma noite Raul vislumbrou a silhueta de dois homens dentro de um carro azul marinho na frente do prédio. Ainda descrente do aviso de Franco, o rapaz saiu na janela. Imediatamente um tiro zuniu próximo a sua cabeça deixando uma marca no concreto do prédio. E assim se passaram os últimos seis dias. Raul percebia a movimentação em frente a sua casa. Dia e noite havia alguém a espreita. Os homens geralmente eram mal encarados. Uma vez Raul pode ver um homem negro de porte grande, bem vestido com calça social e camisa verde clara. Ele soube imediatamente de quem se tratava. Conheceu pelas feições. O homem era incrivelmente parecido com o moleque a quem eles chamavam de Carlão. Provavelmente era o pai do menino. Viera conferir pessoalmente se a cabeça de Raul estava na mira. Contudo os problemas de Raul não acabavam por aí. Na geladeira ainda restava um pacote de bolachas e meio pãozinho. Logo sua pequena ração estaria esgotada e ele não se atreveria ir até o apartamento de cima, a probabilidade de ele chegar até o outro andar era praticamente nula, a probabilidade do vizinho abrir a porta para dar-lhe comida era ainda menor. O caso era que haviam atiradores por todos os lados. Possivelmente algum no próprio corredor. Na verdade era uma questão de tempo, ou os capangas do homem negro o encontravam ou desidratação profunda acabava com ele. Antes do acontecido Raul tomava água mineral, já que a que vinha da torneira tornara-se imprópria para consumo há algum tempo. A água que ele vinha bebendo agora vinha dos canos com cheiro de produtos químicos inimagináveis, a cor também fugia o padrão; horas amarelada horas acinzentada. Ele sentia-se cada vez pior. Sua barriga doía muito e a disenteria era constante. A ultima cólica forte realmente preocupara Raul. Além de fezes ele havia expelido uma quantidade de sangue vivo. A fraqueza era grande demais, agora. Ele limitava-se a ficar próximo a janela onde de vez em quando espiava por uma fresta da cortina que ficava fechada a maior parte do tempo. Na noite passada ele escutara passos e sussurros no corredor. Não teve como saber se era realidade ou alucinação devido a forte desidratação. Vomitou mais uma vez, não teve mais forças para segurar-se continuou encolhido na poltrona enquanto um liquido quente e pastoso escorria por entre suas pernas cruzadas. Ele já não ligava para o fedor, que era característico em todo o apartamento. Espiou pela fresta da janela. Imaginou mais uma vez quem venceria a batalha pela sua alma, os assassinos sob encomenda ou a desidratação. Dormiu acreditando que seria a desidratação. Não acordou, estava certo.

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Juliana T. P.

terça-feira, 10 de março de 2009

ARMAS

Em corte certeiro
Me valha a navalha
Em golpe mortal
Confio em punhal
A meia distância
Calibre e constância
A mais de uma légua
Desconheço trégua
Tão frio quanto vil
Me vale o fuzil.
Assim te aniquilo
Com mais que motivo
De arma na mão
E alma estragada
Te chamo a atenção
Mas não faço nada.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ebook do Vale das Sombras - Vol III


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Estou acostumado a ler bons autores na interNerd: Angela Oiticica, Carlos Cruz, Flávio Mello, Gaivota, Giselle Sato, Mali Ueno, Me Morte, Leonardo Quintela. Me identifico mais com eles que com os clássicos, de gerações passadas, restritos ao papel e à tinta (ainda que os idolatre). Gosto de escolher entre a infinidade de estilos e idéias que flutuam virtuais. É a anárquica avaliação dos leitores, contundente, mordaz, e desinteressada, ou melhor, isenta, pois é a mais interessada. Estamos no auge da Revolução Digital. A migração das mídias culturais para novas plataformas, a atualização da literatura para o mundo eletrônico. Nossos autores não usam lápis e papel, mas teclado e tela, nada mais justo que serem divulgados pelo mesmo meio. Bom pro escritor, bom pro leitor. É livre, independente. Para quem gosta de ler, a rede foi uma dádiva. Favorece o reconhecimento de interessantes autores (para mim) desconhecidos, como Álex Marcondes e Fred Teixeira, além de possibilitar saber da existência dos novos (ou apenas distantes), como Ana Kaya, Bruno Mourthe, Caio Tadeu de Moraes, Diego Balin, Emerson Sarmento, Rafael Orrú, Ivy Gomide, Maria Gorete Rocha, Platz Mendes, René Ociné e Thiers R – escritor é igual jedi, highlander ou vampiro: reconhecemo-nos, lemo-nos, sabemos da existência de outro como nós, com esse ímpeto maravilhoso e maldito pelas letras.Este ebook é a mais pura e contemporânea expressão literária brasileira, pela primeira vez absolutamente inserida no contexto mundial. Globalização e intimidade, sentimentos e ansiedades, perspectivas e decepções, todo o espectro social moderno está representado nesses simplórios bits que significam tanto para os autores, que é tão importante para a cultura.

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Bem vindo ao 3º ebook do Vale das Sombras.
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Giovani Iemini .

Baixe AQUI

sábado, 7 de março de 2009

A Dama


(ao Dia Internacional da Mulher)



Às damas que se foram,


às que ficam, a você que está aqui,


em parte por suas manias e caprichos


que irritam ou que fazem sorrir,


dedico esse pedaço amassado de alma


na forma de palavras e garranchos lineares


com a esperança sólida de que


em suas trevas particulares


sempre encontre alguma maneira


de tere a inspiração para mais um dia,


mais uma semana, outro mês


novo ano, renovada estrela-guia


e se torne mais feliz


e menos magoada consigo mesma


em suas insignificantes imperfeições


que em nada ofuscam sua real beleza.



Moisés Bentes de Siqueira Cavalcanti

sexta-feira, 6 de março de 2009

Despedida






Senhor,

a tarde cai
sob a palidez
da névoa

das coisas que construístes.

Cortei
os pulsos
e os desvarios

que plantei,
sombria,
na aridez da terra

triste.

A culpa não é minha

tu me fizestes de carne,
vento e sangue, neblina.

e tudo isso me dói.

Dores muito maiores
que esse vermelho que berra.

Eu não pedi coração
Menos ainda, para ser eterna.

Se me querias
Vulto de dor para posteridade

Poderias ter me feito pedra.


(Jessiely Soares)

quinta-feira, 5 de março de 2009

GRANDE EXPOSIÇÃO "MULHERES NUAS"


1ª EXPOSIÇÃO LITERÁRIA FEMININA “MULHERES NUAS”.
É com grande satisfação que o ESPAÇO CULTURAL DO POUPATEMPO do CORINTHIANS ITAQUERA vem nos proporcionar a presença literária de 17 poetisas de todo o Brasil. Venha prestigiar essas celebridades da nossa literatura brasileira. Do dia 13 de à 30 de abril de 2009De segunda à sexta-feira das 7:00 às 17:00 e aos sábados das 7:00 às 12:00
ESTARÃO PRESENTES COM SEUS TEXTOS:
Angela Oiticica
Flá Perez
Larissa Marques
Me Morte
Sônia R.Cancine
Maria Julia Pontes
Barbara Leite
Iriene Borges
Lili Ribeiro
Érica Cristiane
Carla Abreu
Betty Vidigal
Ivone F. Santos
Mali Ueno
Rosangela Primo
Alana Nunes
Jessiely Soares
POUPATEMPO DE ITAQUERA-dentro do complexo do Metrô CORINTHIANS ITAQUERA- ZONA LESTE DE SÃO PAULO.
]Maiores informações: 0800 7723633

Surgiu um probleminha no Portal do Vale





Visite Vale das Sombras




O Portal do Vale está com um problema técnico que logo se resolverá: "Toda vez que se entra lá toca uma musiquinha chata". Estamos tentando tirar e tão logo eu tenha mais notícias digo a todos. Se alguém tiver alguma dica, fica a vontade, agradeço.
No mais, resta dizer que são problemas comuns na rede, num blog que administro (Bar do Escritor) estamos com um problema grave tbém que demora a se resolver: "Uma propaganda chata do Mercado Livre fica agarrada ao site, prejudicando as pessoas de fazerem o login".
Bom, é isso...


Abraços
um tempo depois dessa postagem:PROBLEMA RESOLVIDO NOS DOIS SITES, BAR E VALE, EU SOU FODA!!!!RSSS


Me Morte

quarta-feira, 4 de março de 2009

Enigmas Feminino





Nós somos

um bicho esquisito

que chora

por quase nada

e ri por quase tudo,

a gente se irrita

pra sangrar

depois se fertiliza

e se apronta

pra amar.



(Sirlei L. Passolongo)

terça-feira, 3 de março de 2009

O prazer eterno - por adriano siqueira




Cadastre-se no The Tred, dizia um site de vampiros!
Cadastre-se e seja um de nós... Eterno e cheio de prazeres!
É lógico que eu queria isso... Quem não quer? Mentira? Claro que era! Mas a ansiedade misturada com a curiosidade não deixava que eu recuasse. Então, deixando as ironias de lado, eu cliquei no botão cadastrar... um bonito visual feito acho que em flash apareceu... Cores bonitas! Visuais gráficos muito bons, porém achei um exagero fazer um visual desse apenas para um cadastro simples, mas fiquei lá olhando... Até que apareceram olhos... Olhos de uma mulher... As cores agora formavam a sua face e sua boca, muito sexy com um batom vermelho, e as mãos mexendo no cabelo estavam como que dançando na tela!
Eu queria copiar aquilo - era magnífico, mágico e místico. Quando ouvi sua voz, fiquei quase que hipnotizado! Então eu dei o comando "Print-Screen" por instinto (costumava fazer isso para copiar algo interessante, assim fica mais fácil para ver on-line as imagens na net) rezando para conseguir capturar a imagem!
— Então você me quer?
-Claro! Claro que sim! Como faço? Eu quero! - eu digitava afoito no teclado, como se estivesse falando com ela cara a cara, e clicava no meio do rosto dela, tentando achar um botão ou abrir um link.! De alguma maneira, não poderia terminar ali, eu precisava continuar. Desesperado por pensar que o programa travou ou que tivesse simplesmente caído a linha, ouvi mais uma vez a voz dela...
— Venha...!
Naquele exato momento, eu sentia meu corpo sofrer transformações que eu não conseguia explicar. Estava tonto e meus olhos estavam distorcendo tudo o que viam - já não conseguia mais identificar nem as letras do teclado. A cor da minha camisa se misturava com as cores da mesa e do computador... Tudo ficou de uma cor só! Uma cor rubra! Eu sentia que estava cego... Aquela cor estava por todo o lugar e meu corpo estava flutuando, como se estivesse em uma grande piscina... Mas respirando!
Um túnel se formou à minha frente e uma pequena luz apareceu. No final desse túnel, uma mulher acorrentada e perdida em desejos insanos, pois eu não via nada naquele lugar para ter o tanto de prazer que ela aparentava ter, por causa dos movimentos que fazia com o rosto. Aquele sorriso, como se ela estivesse mesmo vivendo momentos de luxúria e sedução! Achei que ela estava sonhando ou drogada!
Antes que eu olhasse para os lados e percebesse que as nuvens de cor rubra tinham se transformado em paredes, ela acordou do que mais parecia um pesadelo e gritou para mim:
— Corra! Saia daqui... Sou investigadora de sites da Internet e isso não real é...
— Por quê? O que está havendo?
Nada! Nenhuma resposta. Do jeito que ela acordou, ela voltou a ter aquele sorriso. Fechando os olhos e voltando a um prazer que não entendia!
Uma mulher apareceu. Diferente do que eu achava que encontraria lá (uma vampira ou uma bruxa), vi apenas uma mulher com asas de anjo. Chegou perto de mim e disse que seu nome era Cristina e que eu teria o prazer que tanto procurava! Não como aquela mulher que estava lá vivendo feliz e sempre satisfeita de prazeres, sejam eles quais forem, mas que seria melhor bem melhor que aquilo!
Ela segurou meu braço e foi me levando para um lugar alto e mostrou para mim que não tinha só aquela mulher, mas muitas pessoas estavam da mesma maneira que ela.
— Sonhos, meu cavaleiro. Aqui todos eles se realizam!
— Não estou vendo nada! Estou vendo apenas muitas pessoas aprisionadas!
Cristina me abraçou e disse bem baixo.
— Eles são felizes. Cuido bem deles. Você! Eu quero você para me ajudar, para ficar comigo! Embora aqui tenha muitas pessoas, eu me sinto só. Eles não me desejam... - Apareceu um espelho e ela olhou como se estivesse em transe como eles: Eu sou tão linda! Tão linda e ninguém ali embaixo sonha comigo! Uma rainha com reino e súditos, mas sem rei. Juntos, realizaremos todos os seus desejos... Eternamente!
Talvez ela não estivesse mentindo. Afinal, todos tinham seus sonhos particulares. E, mesmo assim, não deixava de pensar se ela fez essa proposta a todos que entraram no seu reino, e que a resposta "não quero, sua bruxa" era uma resposta perigosa e mortal! Em todo o caso, o jogo estava apenas começando.
Uma cama, com várias luzes e móveis do estilo colonial apareceram a minha volta, e aquele lugar onde estávamos se transformou em um verdadeiro paraíso. Era real? Era minha mente que ela estava lendo? Afinal, eu estava mesmo ali?
Debatendo minhas dúvidas, as palavras dela estavam ficando mais altas. Dominar, ser Rei tendo sua companhia para sempre! Ela sabia que eu estava procurando uma saída!
Quando meus dedos passaram pelo seu cabelo, senti que uma parte parecia ter tocado meu teclado. Um calafrio correu a minha espinha. Será?
Um computador apareceu no quarto!
— Era isso que queria, meu rei?
Ela tentava me persuadir. Entendi!
Sentei no computador... Tentei imaginar o começo de tudo... O site... The Tred... Cristina me guiando... O maldito Print-Screen, que agora eu acionava e seu rosto ficava preso na tela - preso e claro. Um demônio apareceu... O encanto estava quebrado para mim e finalmente via a sua horrível face! Mas, e ela?
Gritando de raiva, Cristina me jogou a metros de distância. Fiquei bem no fundo do quarto. Aquela criatura monstruosa via a sua face como realmente era, quase que hipnotizada. Presa a sua própria imagem, o mundo que a cercava estava desaparecendo, com ela junto! Eu não sabia como sair disso, então corri para o túnel – para onde todos estavam correndo apavorados.
Cada um voltava para sua realidade e a destruição me seguia...
Até que finalmente encontrei meu quarto!
O prazer eterno permanece prazer?

Autor: Adriano Siqueira

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Visitem.
O Cavaleiro Valente está comemorando 8 anos de vidas e mortes em suas histórias.
Personagem criado por adriano siqueira e que ja morreu em muitas histórias.
Tem muita magia, aventura ação visitem o site e apreciem os contos que foram produzidos por mais de 80 autores.
Escreva uma história sobre este cavaleiro e mate ele também. Colocaremos o seu conto junto com os dos autores que já escreveram sobre ele.
visitem o site do Cavaleiro Valente.
http://www.gizeditorial.com.br/valente/

segunda-feira, 2 de março de 2009


De tanto augúrio que me tem propício
da vetusta arte que me faz arte morta
Um aulete de flauta desencantada
Uma bolha que se estouro numa picada

De tanto que já corri de medo
do nunca que permaneci parado
das pregas da minha venda até
me lembro como se fosse hoje
Talvez porque hoje é ontem
Um dia foi todo o meu passado
E do grito se escolhe o meu presente
Sonhos fazem parte do seu estado

Perniciosos olhos que lanças lançam
De fortuitos auriluzentes cravos de ferro
Seu valor não está em si, está no topo
Topo dos ares sem mel

domingo, 1 de março de 2009

Há males que vem para o bem...





-Quanto tempo faz que a gente se conhece? Dez anos?

-Não desconverse, muito mais, acho que uns dezoito, se contar o tempo em que éramos vizinhos lá no Itaquera.

-Aquela época não conta, a gente mal se falava. Lembra de como minha família era discriminada? Tinhamos acabado de chegar do nordeste.

-Vamos ao que interessa moço. Você e eu não chegamos a um acordo. Sempre essa mesma ladainha...

-Ladainha? Éramos amigos do peito, mas isso não impediu de roubar minha garota.

-Ora, admita, ela me ama. Ninguém tem culpa de se apaixonar.


-Tudo blá, blá, blá...


-É sério Juca. Acha que me sinto feliz com essa situação?




Era sempre assim. Eram companheiros de longa data, moravam vizinhos, trabalhavam sempre juntos como ajudante de pedreiro, colegas de futevol, mas desde que tiveram uma briga por conta de uma garota, tudo era motivo para discussão.




-Acho que eu devia ter arrebentado com sua cara, isso sim. E a dela também...


-Não diga bobagens. Somos amigos e isso não mudou. E além do mais você quebrou a minha cara, esqueceu? Lucas apontou para uma marca roxa no olho direito.


-Ora, isso foi pouco...



Eles estavam colocando o piso de mármore no salão da paróquia São Judas Tadeu. Todo carnaval era a mesma coisa, depois dos bailes o padre mandava refazer o piso danificado pelos foliões. Essas festas rendiam um bom lucro para os cofres da igreja que há oito anos estava em construção, parecia não ter fim devido à pouca arrecadação.


-Não entendo por que trocar o mármore, está em ótimo estado...

-Sei lá, somos pagos pra isso, sem perguntas ok? Depois o padre já adiantou o cimento, so resta o piso, vamos logo com isso.


Muitos eram contrários aos bailes de carnaval, diziam ser coisa do diabo essas festas onde as pessoas mostravam o pior de si e também pela venda de bebidas alcoolicas. Mas o padre Alfredo não pensava dessa forma, ele terceirizou o serviço e fazia vistas grossas a esses fatos, desde que rendesse um bom lucro para que adiantasse os serviços dos´pedreiros.



-Ai! Que merda! Tem um prego aqui...Juca apontou para o chão enquanto escorria um filete de sangue da parte inferior de seu pé.


-Deixe-me ver...Não é prego, parece uma ponta de plástico...


-É prego! Está cego?

-Tem que desinfetar isso, pode infeccionar.

-Ah, mas você ia adorar isso não é....Ia se livrar de um encosto.

-Eu não disse isso, mas bem que você podia parar de ser chato.

-Chato? Você me traiu porra! Meu melhor amigo me traiu...

-Cara, já passou...Eu e a Mirna nem estamos mais juntos!

-Pois é...Isso é que me consola. Juca falava enquanto tentava limpar o pé com uma toalha.

-Olhe...Engraçado, eu podia jurar que o prego se mexeu...

-O que?

-O prego...Veja!

Uma ponta parecida com um prego se mexia no chão de um lado para o outro.

-Ora, vai me dizer que o prego tem vida? Juca ria do amigo.

-Veja você mesmo...Novamente a ponta do prego se mexia de um lado para o outro.

-Deve ser alguma barata, seu idiota! Eu já entendi, você está tentando mudar de assunto...

-Nada disso...

-Então me diga, como ela era de cama?

-O que?

-Conta vai, não estão mais juntos mesmo.

-Ora, deixa disso.

-Desembucha pô! Ela tinha pudores?

-Nada. Chupava como ninguém.

-Cadela! Nunca me fez um agrado assim...

-Juca, esquece a Mirna. Acabou.

-E o resto? Conta vai?

-O que quer saber?

-Ela deixou você...Sabe o que!

-Não sei do que está falando...

-Comeu o rabo dela?

-Bom...No começo ela resistiu, mas depois...

-Comeu?

-Comi e ela adorou.

-Vagabunda! Juca estava possesso. Pegou a pá e começou a remexer o cimento fresco com ódio.

-Para com isso...Está estragando todo nosso trabalho.

-Me deixa caralho! Remexeu todo o piso fresco, resmungando palavrões.

"Cadela, toma sua cadela! Piranha, maldita!"

Foi quando encontrou um pedaço de madeira junto a terra.

-O que é isso?

-Sei lá...

-Pare com isso Juca. Me ajude aqui. Puxou a madeira e junto veio o prego que tinha furado a sola do pé de Juca.

-Maldito prego! De onde veio isso?

-Ajuda aqui cara. Tem mais...

Puxaram com força e com surpresa perceberam uma tampa de madeira...

-Isso é...Minha Nossa Senhora!

-Uma tampa de caixão. Sim, me ajude aqui.

Abriram a tampa e quase tiveram um ataque...Um corpo enrolado num pano se contorcia.

-Abra! Anda Juca, desamarre a ponta do saco.

Qual não foi a surpresa, uma moça estava amarrada e amordaçada dentro do saco de pano.

-Meu Deus do céu...Você está bem?

-Ela está em choque, não mexa nela...


Policiais, ambulância, gente se aglomerando...A igreja nunca teve tantos fiéis.


-Dizem que foi o padre...

-O padre? Santo Deus...

-Sim, encontraram oito esqueletos nesse chão. Todos dentro de caixões. Pela perícia parece que foram assassinadas uma por ano.

-Quer dizer que há oito anos esse louco vem matando moças?

-Estuprando, estuprando...E depois as enterrava viva.

As duas carolas não paravam de falar do ocorrido. Tinham assunto para a semana toda.

-Mas por que os pedreiros remexeram o chão? Pelo que eu soube eles iam colocar o piso, o cimento já tinha sido assentado.

-Pois é...Isso eu não entendi.

Será que desconfiavam do padre?

-Sei lá...Que sorte essa moça teve...

-Os moços são heróis. Eu ouvi dizer que descobriram um baú cheio de ouro...

-Que besteira...Não ouvi nada disso.

-Mas acha que seriam bobos de contar pra alguém se achassem?

-Não, claro....

-Pelo sim e pelo não...Vamos apresentá-los a Mariquinha.

-Grande idéia..

-Acho que dessa vez desencalha...