quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Retrospectiva do Vale das Sombras - 2008





31/12/2007 - 01/01/2008
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Retrospectiva 2007 - É lançada a primeira Retrospectiva do Vale das Sombras.
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03/01/2008 - Uma notícia na folha uol dando esperança a tantas famílias de dependentes químicos "Uma vacina contra o vício da cocaína", Me lança o Grupo de Amigos da Me, não deu muito certo mas foi história.



05/01/2008 - A Valeblogueira Sirlei Passolongo ganha um prêmio literário.

06/01/2008 - O prêmio mais esperado do ano, o ebook do vale das sombras foi anunciado. Era um anjo "René Ociné" entrando para o Vale.

16/01/2008 - Rafael Pereira desenha Me Morte.


26/01/2008 - O Vale discute Pedofilia na Internet.

15/02/2008 - Adroaldo Bayer dá uma notinha sobre o Vale num jornal de Porto Alegre.

20/02/2008 - Concurso de poemas Góticos Edição de Aniversário (2 anos).

22/02/2008 - Thiers musicou o poema "Inexplicável que te amo" da Me.

09/03/2008 - Me lança o Lápide da Fama onde cada membro ativo da comunidade é exposto.

Comemoração do aniversário do Vale e o anuncio dos vencedores do concurso.


22/03/2008 - Uma das primeiras discussões da comunidade "Muro das Lamentações": Vc faria sexo num parque público?

21/04/2008 - Lançado o protesto do Vale contra a violência infantil no Overmundo, com texto de Giselle Sato.

Sai notícia do Vale das Sombras no jornal Fala Brasil de Porto Alegre.

27/04/2008 - Sai a relação dos prêmios dos vencedores do Concurso de Aniversário.

29/05/2008 - Aniversário da Me.

30/05/2008 - Me dá explicações pelo sumiço no aniversário que coincidiu com as votações do concurso do Vale.

08/06/2008 - Sai finalmente o resultado do concurso em comemoração ao aniversário da Me.

16/06/2008 - Ebook do Vale I é um sucesso e sai o Ebook II e as pesquisas demonstram que foram um sucesso.

Vale Blogueiros saem na Revista da Estalagem do Escritor.

29/06/2008 - É lançado a comunidade Ebook dos Amigos da Me.

05/07/2008 - Flávio Mello homenageia Me no Overmundo.

09/07/2008 - Me ganha a comunidade Amantes da Literatura e abre um concurso em parceria com a comunidade.

22/07/2008 - Me apresenta ao Vale o artista plástico Alex Plunk (a bruxa estava solta, rs).
Sai o site do Vale no portal Ning, um sucesso!

13/09/2008 - Vale das Sombras sai novamente no Zine Brasil.

20/09/2008 - Me abre um entrevista ao artista plástico Alex Plunk na comunidade (contagem regressiva para a exclusão do Vale das Sombras)

24/09/2008 - O Vale das Sombras é deletado pelo Orkut.†††
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†††Me lança o Vale das Sombras Brasil e abre um tópico para um abaixo assinado em favor da volta do Vale das Sombras original (a casa caiu, uma denuncia é feita sobre conteúdo inadequado referente a entrevista do artista plástico Alex Plunk e o Orkut excluiu a comunidade)†††
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Depois de muitas mensagens e emails (perto de oito/dia):
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03/10/2008 - O Orkut devolve a comunidade Vale das Sombras e envia um pedido de desculpas a Me:
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[#340850390] Deleted community
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19:45 (34 minutos atrás)
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Obrigado pela sua mensagem.
Para manter a confiabilidade de nosso site,
temos um sistema de revisão para identificar e suspender usuários que cometem abuso no orkut.com. Entretanto, essa revisão está sujeita a erros esporádicos. Restauramos o conteúdo reportado e lamentamos o inconveniente causado. Ressaltamos que poderá levar um ou dois dias para que todo o conteúdo volte a aparecer em seu perfil ou comunidade. Agradecemos sua paciência. Recomendamos que nossos usuários sempre revejam nossos Termos de Serviço, nosso Estatuto da Comunidade e as informações de nossa Central de Segurança.
Stay beautiful,

A Equipe orkut

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04/10/2008 - O Vale entra em festa literalmente...Me lança vários tópicos de comemoração do seu retorno.

09/10/2008 - Sai o resultado do concurso do Vale & Amantes da Literatura.

18/10/2008 - Lucasi faz a primeira história em quadrinho da heroína Me Morte.

22/11/2008 -Começa o "Amigo Secreto do Vale das Sombras" onde várias pessoas se divertem.

24/11/2008 - Me lança poeMetos, livreto de poemas picantes.

26/11/2008 - Sai o Ebook Liberdade Condicional, o primeiro romance policial da Me.

21/12/2008 - Sai o resultado do Concurso do Vale & Turba Literária.

22/12/2008 - Começa a Revelação do Amigo Secreto do Vale.

29/12/2008 - Começa a remodelagem do blog do Vale das Sombras, agora os membros tem foto no perfil.

31/12/2008 - O que se espera para 2009?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

MEU AMIGO SECRETO DARKNESS


Darkness,


Eu tentei colocar um presente pra vc no mural, mas lá tem algo que fecha minha internet automaticamente quando entro no mural, acho que um vírus ou sei lá. Isso não acontece aqui no blog, só no mural. Não pude te dizer o quanto desejo muitas felicidades pra vc não só no Natal, mas em toda sua vida.

Que tudo possa ser lindo pra vc.

Um grande abraço de sua amiga secreta


Ana Kaya

AHHHHHHHHHHHHH MEU AMIGO SECRETO OU AMIGA, AVISE QUEM É, ESTOU CURIOSA E NÃO SEI AINDA. NÃO CONSIGO OLHAR NO MURAL, ELE FECHA ASSIM QUE ENTRO. ME MANDA ALGO AQUI OU NO MEU EMAIL anabuonanato@gmail.com

BRIGADAAAAAAAAA

MEEEEEE DESCULPE ESTAR USANDO O BLOG PRA ISSO, MAS NÃO TIVE OUTRO JEITO.

BEIJOS E MORDIDAS




SAUDADE


Aqui estou sozinha a chorar
Deveria haver uma pílula que nos fizesse sonhar
Sonhar acordada olhando as grades da janela
Sonhando estar livre e que a vida é bela

Pensando em você no seu cheiro na sua voz
Saudade apertando o peito na garganta um nó
O que será de mim ó grande Thor?
Prefiro a morte e meu coração virar pó

Pois esta saudade nunca vai me deixar
Será que algum novo amor vou achar?
Nem sei se quero que isto aconteça
Assim talvez meu pobre coração não mais padeça

Um robô eu queria ser
Uma pedra um toco
Ou uma linda árvore a crescer
Com folhas verdes e frutos a florescer

Mas sou nada pra você
Minha vida perdeu o sentido o rumo
Não há jeito de eu ficar em prumo
E a saudade dói corrói eu sem você

Não quero mais viver
Nem ver o sol nascer
Não ao botão a florescer
Só quero mesmo é morrer

E te sei triste e desolado
Tão longe que parece foi para outro estado
Tão longe de mim não mais ao meu lado
O ciúme que destrói matou tudo

A falta de atitudes se fez maior fazendo com que os olhos enxergassem melhor
Quem é o trouxa afinal?
Eu aqui.
Meu corpo podia estar num matagal.

Está tudo sem sal.
Nem sol!!!!


By Ana Kaya

sábado, 27 de dezembro de 2008

1° lugar Concurso do Vale & Turba Literária



Os Estranhos - Moisés Bentes de Siqueira Cavalcanti
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Tantos pedaços meus
espalhados pelo quarto.
Passado e presente dizem adeus
E saúdam um futuro que já estou farto.

Tão cinza e fria,
a luz que invade a sala.
Sozinho, pois quem mais entenderia
a dor que violenta e cala?

Por que me preocupar?
Eles virão me buscar
E não haverá nada que poderei fazer.
Minhas angustias irão alimentá-los
enquanto desapareço nas profundezas do meu ser.

Dias que vivi ao luar
distorceram meu coração e mente.
Derrubaram a fé no ato de amar
e parece que tudo acabou tão de repente.

Olhe para os meus pés,
por demais feridos da caminhada.
Minhas mãos tão úmidas das marés
que roubam a paz de uma vida já tão cansada.

Por que me lamentar?
Eles vieram me buscar
e não há nada que eu possa fazer.
Minhas súplicas não irão comovê-los,
estou desaparecendo nas profundezas do meu ser.
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Droga - Cristiana Passinato



A maior droga
É a que amortece
Não só a que entontece.
Quero desintoxicar-me
Desse absinto,
Desse labirinto.

Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2005
Código do texto: T68164

Inevitável





Não quero ir...
Não quero...
Não...
O cortejo,
O choro,
As velas,
A cova,
A reza,
A rosa
E eu...
Pó.


Me Morte
(homenagem a Sandrinha ultrapassou o portal do Vale)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

AÇÃO & INDAGAÇÃO



AÇÃO & INDAGAÇÃO
** Gaivota **

A rua
a pista
a lua
a prata
desce a mata
escorre voraz
sem ação
abre a boca
noite adentro
perfura
balança
escura
sem ação
ilumina
brilha
em prantos domina
por que o silêncio acompanha
os passos seminus desta hora?


* * * * * * * * * *

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Das perdas e ganhos


Imagem: criação de Juli Bauer


Tudo de novo é tudo novo, se é outro dia, se somos mesmo as mesmas pessoas, outras pessoas somos.


Eu não acho estranho que sintamos dor, nem que se leve essa dor ao âmago se boas pessoas somos.


Perdemos todos os dias pessoas queridas, pessoas conhecidas, pessoas desconhecidas.
Perdemos todos os dias um pouco das nossas vidas, muito dos nossos sonhos, mais ainda da possibilidade de vê-los concretos um dia.


Perdemos todos os dias fios da teia da esperança.


Perdemos todos os dias, até o nascer do sol, porque estamos ainda dormindo, ou o pôr do sol, porque está chovendo, o céu é cinza, e não saímos a rua para molhar os pés.

Perdemos todos os dias o que ganhamos todos os dias.


E, não vou ser insensível: perdemos em muitos desses dias pessoas por demais queridas, jamais possível de serem por outras pessoas substituídas, porque com elas perdemos parte das nossas vidas, grandes pedaços de nossas almas com parte mesma da nossa carne.


As vidas que ganhamos e reproduzimos devemos sempre elevar, todos os dias, por beijos, por abraços, por palavras doces, por carinhos, para que nos sobrem as boas lembranças sobre as más recordações, para que deixemos ao partir saudades de bons momentos, de amizade, de amor, de alegria aos que sobreviverem a nós.


O que posso dizer a mais é que devemos sempre celebrar incondicionalmente a vida
Um poema de amor
O amor faz alegre festa.
Sacode a poeira das estradas.
Há perfumes, jasmins... rosas.

Há luar nas noites.
Estrelas até o alvorecer.
Mais vida nas pertenças dos dias.

Quero vê-la
Quero tê-la
Que me queiras.

Estás em mim
E também o teu perfume
Teu riso de luz.

Meu coração palpita
Minh’alma repousa
Conforta-me teu colo

Nós estamos sós
Nós apenas somos
Um para o outro agora

És meiguice, amor.
Flama que acalenta
Voeja a alma e flana

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A DANÇA DE SALOMÉ






















O sabor do fruto comido à noite
Tem algo de inebriante.
O jogo entre a luz e a sombra
É como o espelho da alma.
A paixão é a pena que escreve o enredo da estória
E a felicidade é triste,
Pois é triste ser feliz.
O amor dói
E o sono é o conforto temporário.
Meus sonhos não me deixam dormir.
Sonho como uma noite de verão!
O dia é a noite de uma estrela só
E a noite é o dia dos que sonham.
Não tenho religião.
O herói é filho dos deuses!
Deus criou a loucura
Pra brincar de São João
Perdendo a cabeça num prato
Na dança de Salomé.
Vamos perder a cabeça!
E brincar de esconde-esconde!
Na noite de São Nicolau
Ressuscitaremos ao terceiro dia!



Marcelo Farias - Ultramodernidade. Ilustração: Salomé - John Coulthart.

sábado, 20 de dezembro de 2008

RESULTADO DO CONCURSO DO VALE & TURBA LITERÁRIA

1º LUGAR - Os estranhos - Moisés Bentes de Siqueira Cavalcanti
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2° LUGAR - EMPATADOS
- Finados - Marcelo de Oliveira Souza
- Versos que pertencem ao ar - Thiers R >
- Despertar - Moisés Bentes de Siqueira Cavalcanti
- É Natal - Carlos Aparecido da Silva Abreu (Darkness)
- POR TODAS AS NOITES - Nathiele Quirino
- O PESO DO MEU MEDO - Rafaela Malon


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3° LUGAR -EMPATADOS
- Negra obsessão - lucia gonçalves
- caminhos de fogo - lucia gonçalves
- ESSE É MEU MUNDO - Ivanildo Barbosa
- Morte - Marcelo de Oliveira Souza



PARABÉNS A TODOS!!!!

TODOS GANHARÃO PRÊMIOS...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

HÁRPIAS- A DISPUTA DAS FÚRIAS- Giselle Sato


AS FÚRIAS

As irmãs estavam reunidas. Temidas, odiadas, retratadas em mármore precioso e telas
de incalculável valor:

Aelo, porte e altivez. Tudo em sua figura esguia em perfeita sintonia com a moda atual.
Poder e magnetismo nos mínimos gestos. A voz embriagante escondia a manipulação
em todos os graus e sentidos. Trazia o inseparável gato Enigma, o intragável guardião.

Ocípite , a menina de olhos sonhadores e frescor cheio de promessas. Musa sempre
cercada de poetas e artistas. Cativante, amante da música e Belas Artes. Devaneios e
precipícios são irresistíveis convites aos jovens Ícaros, iludidos e impetuosos
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Celeno a sombria. Veludo italiano e renda francesa compunham o visual gótico
sofisticado. Botas de couro altíssimas, tatuagens e piercings de brilhante. Se a noite
tivesse uma rainha, definitivamente seria Celeno, a mais obscura e cruel das irmãs. O
lobo negro deitado aos pés da dona resmungava, vigiando o gato de Aelo.

O casarão em algum ponto perdido no vale das almas, construído com ossos e lágrimas
dos eternos escravos, estava iluminado. O piso de pedras escuras refletia o fogo da
imensa lareira, poltronas de couro espalhadas pelo salão.

O aparador repleto de bebidas exóticas e taças de cristal. Se não fosse a ausência de
janelas o lugar pareceria com qualquer castelo europeu muito antigo e conservado.
Aelo bebericava absinto acariciando Enigma:- Podemos começar nossa reunião.

Levantaram-se em profunda reverência e entoaram as Palavras:- Por Gaia e Urano, as
filhas, de Thaumas e Elektra evocam a Tradição e os antigos sábios em mais um embate.

O grande salão exibia tênues sombras esgueirando-se pelos cantos. Ocultas na escuridão, antigas formas, entoavam encantos de proteção, em linguagem milenares:

-Sim, podemos iniciar. Hoje decidiremos, quem conduzirá a alma negra que todas
desejamos.

-Posso abrir mão queridas irmãs, tudo é negociável- Ocípide riu-se, deliciada.

As três Fúrias sem a capa da polidez mediam forças. A sina maldita era o convívio
eterno. Lentamente os traços humanos deram lugar as verdadeiras faces das Harpias.

O homem em questão era um poderoso líder político e espiritual responsável por
milhões de mortes no Oriente. Ganancioso, inescrupuloso, sem um pingo de caráter ou
moral.

Ocípite movimentava-se, brandindo os longos braços como se fossem asas. Volteios
exagerados, narrando as terríveis cenas que aconteciam naquele instante:- Bombas
explodem cidades, meninas mães choram os filhos e homens caem aos pedaços. Montanhas de corpos no deserto, ódio, sangue e medo. Desespero nos olhos dos soldados. Inexperientes...

- Pare com isso, poupe-nos de seu teatro. Já partilhamos tudo. Sabemos que o caos é
engolido, com sofreguidão pelas trevas. Disputado, incentivado, gerido como um filho
mal parido.

-Tamanha sordidez, supera os tempos mais remotos, quando a bestialidade e a
ignorância se confundiam.Precisamos nos apressar...

Aelo e as irmãs, caminharam para o terraço. Debruçadas no parapeito, apreciavam a
paisagem árida em tons vibrantes. Do vermelho fogo, ardendo em fendas e gargantas
alimentadas, permanentemente com o magma. A dor e o suplício da Terra.

No mais profundo dos abismos o ar irrespirável confundia-se com o frio gelado das
almas perdidas. A constante mudança de temperatura, assim como, a chuva ácida eram
detalhes do mundo criado pelas criaturas.

O ar quente chegava em lufadas fortes com a mesma intensidade das tempestades:-
Vejam que quase confundo este inferno, com o campo de batalha terreno.

- Algumas vezes, penso que eles vão nos superar, na destruição da grande
Obra.

-Muito bem, não chegamos a acordo algum. Em poucas horas, ele terminará o ciclo e
uma de nós fará as honras.


A outra irmã não prestou atenção, tinha o costume de ser imparcial em todas as
decisões: - Ossípede, não vai opinar, como sempre.

- Aelo sempre quer arrebanhar o máximo. Já não te bastam as guerras? Centenas de milhares de mortes diárias.

- Sim, sou gananciosa. O que nos rendeu um aumento considerável de almas. Viver na América, tem diversas vantagens. Devo lembrar que a escolha dos continentes, foi uma decisão conjunta?

- Mas não estou arrependida, incentivar a eterna guerra Santa, é um prazer. As disputas, retaliações, embates eternos que nunca terão fim. Apenas penso que por direito, ele me pertence...

- Ossípede! Fora o presidente, que deseja governar o mundo,em que tem trabalhado?- Aelo, tentava ganhar tempo.

- O Brasil, está cada dia pior e mais perdido. Guerras urbanas, tráfico e miséria . Além do mais, apontam o Brasil, como o grande celeiro do mundo. No futuro, o mundo disputará cada pedacinho. O povo deixará de ser tão pacífico.

Um tremor suave anunciou a chegada do Senhor dos Submundos. As fúrias agitaram-se
em mesuras e boas-vindas:- Minhas queridas, estão aprontando novamente?- o cheiro forte de enxofre, marca registrada.

- Senhor. Íamos pedir sua inestimável ajuda.

- Acredito. A resposta é não. Regras claras, ele falhou e morrerá na forca. Aelo, isto é uma ordem, as eleições não tardam. A história terá o primeiro presidente negro. Isto sim. É importante!

- Mas Sahan é uma lenda. O mistério que incita os delírios terroristas.

- Mentiras. Nada me diverte mais que assistir estes pequenos embates. Quase não
preciso interceder...Humanos!

- Como queira mestre, acataremos suas ordens- Aelo, a eterna diplomata, assentiu em nome de todas.

- Ocípede, minha garotinha deliciosa, concentre-se. O ouro negro é o pomo da disputa. Incite as lutas pelas terras, desfaça acordos...Intrigas ainda funcionam nos dias atuais. Os cartéis estão indo muito bem. O vício cada dia mais forte e incontrolável.

Caminhou até a figura altiva e visivelmente contrariada. Tocou a face pálida, desfez o
penteado, soltando as fivelas de ouro. Os cachos caíram em ondas perfumadas.
Delicadamente aspirou, sussurrando : - Linda Celeno! Minha favorita. Vou conceder esta honra, em nome da nossa velha amizade. Estarei vigiando, naturalmente...

- Perdi sua confiança meu senhor?

- Nunca a teve! Cuidado! Reunião terminada. Porque está tão admirada com meu terno Armani? Sou um empresário e vou a uma reunião importante. Roma. Ciao meninas.

As Fúrias emitiram um rosnado assustador. Celeno, saboreando o momento de triunfo, emitia risadas agudas, de puro escárnio.

Não se despediram. Cada qual tomou seu rumo. Eram os arautos da discórdia e
miséria. Da fome, dor e desesperança. Adaptadas aos tempos modernos. Existiam.




Foto- Ricardo Pozzo

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

“AMAR SÓ SE FOR ARMADO”




LANÇAMENTO
Flávio Mello


SINOPSE


“Amar só se for armado” é o segundo livro de Flávio Mello, um dos destaques da nova safra de escritores contemporâneos.
O livro é uma reunião de dezessete contos/crônicas: crontos, que falam do amor em suas diversas manifestações. Com uma linguagem simples, o autor revela o fantástico, os mistérios, as dúvidas e os traumas das relações amorosas cotidianas, em situações que mostram a beleza e os conflitos ao nos relacionarmos com o outro.
Crontos carregados de sentimentos e interrogações, que convidam o leitor a refletir sobre o amor que sente por alguém, pela vida e por si próprio.


Espaço Idea


FLÁVIO MELLO - ESCRITOR E PROFESSOR


Há duas jóias nesse livro: a nota do editor, mais irmão que amigo do que editor, que sintetiza minha obra em uma única estrofe metafísica:

“Então, leitor, se também te enganas ou se enganas..., o amor deste livro é uma sombra. Mas se te declaras, o amor deste livro é uma arma. Se te privas, o amor deste livro é uma pista e se pensa que amas, o amor deste livro é um drama.”
E meu mais novo amigo de pena, pena sem tinta, mas cor, que escreve com o peso da experiência e com a paixão de um verdadeiro gentleman, Hildebrando Pafundi em seu prefácio que nos diz:

“Posso assegurar que o contista Flávio Mello reúne neste livro, Amar só se for armado, excelentes histórias produzidas numa prosa, que possui a beleza da melhor poesia já escrita em prosa. Embora todas as histórias deste volume sejam excelentes, eu destacaria outras três, mais por uma questão de preferência pessoal, além de O Pilão, citado no inicio deste prefácio: O telefonema, O cheiro de frutas de dona Clô e Amor à francesa. Finalizo desejando ao leitor, uma boa viagem nesta prazerosa leitura de contos cheios de sensualidade e sutil ironia.”


fale com o autor:


prof_flaviomello@hotmail.com


Sobre o livro Seleção Natural:


“Acabo de ler um ótimo livro de contos, Seleção Natural, de Flávio Mello, Editora Espaço Idea – 2006, 105 páginas, com prefácio de Mauricio Miranda. Trata-se de um escritor estreante em narrativas curtas, contos e crônicas, mas que possui grande potencial para novas obras dos dois gêneros. Eu encontrei no livro, Seleção Natural, a vocação natural do escritor Flávio Mello para o conto e também para a crônica, em especial a narrativa poética.”


(trecho)


Hildebrando Pafundi (www.cliqueabc.com.br)


SITEs:




(com maiores informações)


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

PARÁBOLA PARA AMY



PARÁBOLA PARA AMY
Thiers R >


Corre a veia
droga e risca
penetra
chove
distorce
sou vinho e pó
veneno
dilato-me
escavo volúpia
aterro ferida
perco-me
sintetizo
química mente
sou fezes
merde
vapores
cheiros
música
amores
sou cool
also horrorres
sou som
catado no peito
sou traste
cravado na vida
triste agonia
ópio que dilata
mentira
cotidianos
vida inerte
mortalha
sou corte
que sangra
e teima em existir
sou Amy W.


>>>>>

domingo, 14 de dezembro de 2008

MEA CULPA

Edward Hopper
Ouço as batidas graves, mas, não vejo o teu sorrir.
Ao longe singram nuvens inúmeras aves
em busca de um sul, em busca de um sol.
E o horizonte finito de realidade
abre-se em leque encarnado,
tal os lábios de porcelana.

Vejo as leves silhuetas de sombras,
mas, não anseiam ver a luz.
Ao passo que por ironia
ouço a cigarra desafinada,
resplandecendo a pós-chuva.
E os coágulos solares
despejando-se sobre a moldura cor de terra.

E meu corpo que de menino tem-se nu,
meus passos que a terra esqueceu de encobrir,
laços de fita cor de rosa que a menina, querida,
preferiu esconder ao me dar em presente (de passado).
Entretanto, o céu me parece mais amável,
e os sons dos corvos, enfim, cessaram.

Ecos de palavras não reverberam nas encostas rochosas.
Meus dedos não encontram areias de praia,
não sentem espumas de ondas,
meu rosto ruborizado, vergonha, não sente a maresia,
e a maresia de minha preguiça não me denuncia.
Agora ao ler do livro, monumento ideológico,
sinto as palavras digerirem,
e o estomago empapado de lirismo
Vomitar versos semiescritos.
E então, o sol e o sul e as aves,
singram em meu cérebro, dando-me além de medo
incentivo intelectual.

Consigo definir o que é real, o que é razão,
porém não sei definir Amor, Saudade, Emoção.
Meus dedos não encontrando a areia para riscar seu nome,
curvam-se em sinal de dor.
E o amor que como ave parte de mim em duas metades, vai ao horizonte de finita razão despedir-se de mim...
a razão, a emoção e o amor...
partem em revoada em ventania em trovoada.

E mea culpa de ser poeta...

Desfragmenta-se nas páginas amarelas dum livro
Na cabeceira de seu peito.




Flávio Mello

sábado, 13 de dezembro de 2008

O CORAJOSO - Marcia Szajnbok


O corajoso

O Tuta era aquele menino que todos os demais invejavam: grandão, musculoso, metido. Foi o primeiro a fumar, se gabava de ir ao puteiro desde os 10 anos, conhecia palavrões que nenhum dos outros tinha ouvido ainda. E, o principal, era corajoso, muito corajoso mesmo.

Toda sexta-feira, os meninos apostavam: quem é que consegue ficar mais tempo sozinho no portão do cemitério? O Tuta sempre vencia, e vencia de lavada. Naquela noite, fez uma proposta diferente:

- Vamos ver quem é que consegue ir mais longe dentro do cemitério... Cada um entra, os outros vão contando os passos... Aposto que vou levar esta também!

Não que os outros acreditassem que podiam vencer o Tuta. Mas, uma aposta dessas menino que é homem não recusa. E lá foram, perto da meia-noite, se embrenhar no cemitério.
Foi um, depois outro, ninguém dava mais de vinte passos. Chegou a vez do Tuta. Depois de dez passos, virou-se para o portão e gritou:

- E aí, cambada? Não tem nenhum macho aí pra me acompanhar?

Diante do silêncio, seguiu em frente. Do lado de fora, os outros ouviam os passos e contavam: trinta, quarenta, oitenta, cento e vinte, cento e vinte e dois...

Silêncio.

Os garotos se entreolharam. Cadê o Tuta? Ninguém fez a pergunta, mas ela pesava no ar escuro e absolutamente silencioso daquele início de madrugada de sábado. Quando uma nuvem escura tapou completamente a luz da lua e um vento gelado uivou por entre as árvores, saíram todos correndo, cada um rumo à sua casa, ansiosos pelas cobertas e pela própria mãe.

O Tuta? Nunca mais foi visto.


http://marcia-poeticamente.blogspot.com

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Canto a Noite


Noite, noite que dorme em silêncio,
Noite que menina brinca com estrelas,
Que no frio se esconde entre as nuvens,
E as nuvens que lhe servem como vestes.
Menina noite tão anoitecida de amor,
Vem-me calada, obscura, nua de verdades
Aos sons de corujas ao perfume das magnólias.
As rosas de teus dentes estrelados
Perfumam o hálito adocicado de teus sabores.
Noite fina e leve, morna feita a água do chá,
As ruelas e bares e lugares vazios em mesas
Que postas aguardam os boêmios enoitecidos.
Entorpecidos são os morcegos hematófagos
Que procuram nas caladas as vacas
E o sangue que sugam em mancha obscura,
Profanam a noite num gesto são de sobrevivência.
Noite dona das obscuras profundezas,
Noite som de viola e acordeom,
Noite de rio e de são...
Noite de meninos e meninas...
De pecados e de sabores.
Noite filha mais nova da existência!


Flávio Mello

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

DOCTOR.............PULGUENTO!






AVE GURIA CHEIA DE GRAÇAS






***

AVE GURIA CHEIA DE GRAÇAS


Nua, espera que uma prece eu recite

Talvez, por ajoelhar-me à sua frente

Tuas carnes, são o que me põe crente

Que faz com que o caralho meu palpite.




Entre o sim e o não, brincas comigo

Se refere ao meu desejo com pirraças

Me tortura por querer em tuas graças

Mostrar-lhe que sou mais do que amigo.





Ouso, macular-te com a língua o abdômen

Passeio com a boca o redor do teu umbigo

Lambendo a tua virilha, em fim lhe digo

Te quero mais que amigo, mais que homem.




Em fim, por sobre mim te desfaleces

Agora sim dentro de ti vale minhas preces.



DOCTOR

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Gosto Refinado - Pedro Faria


Eu sempre tive uma fantasia com as pernas dela. Não com os seios, com a boca ou com a bunda.

Além do mais, era sempre o mesmo sonho: O facão, o sangue, o pote de molho barbecue...
Fico duro só de pensar.

Acordei ontem de manhã depois da, não sei, milésima vez que sonhei com aquelas pernas grossas dela. Tinha sujado meus lençóis, e decidi que não agüentava mais. Esperei chegar a noite (só a antecipação me obrigou “liberar a tensão” cinco vezes durante o dia), pus uma toca preta, peguei o facão que guardo com minhas ferramentas no galpão e marchei até a casa dela.

Todas as luzes estavam apagadas, menos a do quarto dela no segundo andar. Subi na árvore e abri a janela do outro quarto.
Entrei, e assim que saí para o corredor, ouvi um grito vindo de seu quarto.
Congelei de medo, porém sabia que não tinha como ela ter me visto, e, além disso, eu não tinha feito nenhum barulho.

Eu sabia que se desistisse agora, eu nunca ficaria livre dos sonhos.
Então me dirigi de encontro ao som.
Com o ouvido encostado na porta, eu consegui ouvi-la, berrando e chorando, e gritando com uma voz mais aguda do que eu pensei ser possível para um ser humano.

Assustado, chutei a porta com força suficiente para arrancá-la das dobradiças, e o que eu vi, eu nunca esquecerei enquanto viver:
Ela estava deitada na cama, o choro interrompido, substituído por um olhar que era misto de dor e surpresa.

Havia um homem de pé ao lado dela, um homem que eu reconheci como sendo um vizinho nosso em comum. Ele segurava com as duas mãos a perna esquerda dela, decepada na altura da cintura, um machado sangrento deitado no tapete junto à cama.

Ele a tinha lambuzado com algo, e estava arrancando com os dentes, grandes pedaços da parte carnuda da coxa.
A situação seria cômica; e de fato foi, por alguns segundos, nós três nos olhando com expressões de surpresa estampadas em nossos rostos, nossos olhos arregalados. Até que os gritos dela voltaram, lavando a graça embora.
Uma expressão de fúria tomou conta de minha face, e eu o encurralei, meu facão em seu pescoço.

“Mas o que é isso?”, gritei.
Seu olhar era o de um homem morto.
“Você está usando mostarda?!”
E nós dois caímos na risada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

DAS TEORIAS DO ABJETO.

Onde posso habitar pela foice do mundo
Que me cortou de onde vim
Para um lugar imaginário na face
De um tépido dicionário que me fez
Ver o que realmente mereci?


O mundo em que me vejo
É a cruenta, cruel sobrecasaca
Que amarelou a dança do Fausto.

Onde renasci comigo mesmo
De um obscuro hidrante sem nenhuma
Vergonha de (não) ser chamado de alguém.
Por que se envergonharia?
Se na inanimada dolência há um
Cacto puro, como aquela vez em que eu jurei
A uma pedra que não ficaria do mesmo jeito.


Passei pelo corte abrupto da celas
Em uma outra esfera que montada
Pelo asco em forma de jarro, alargou
A cara de um albergue infeliz.

Mas era ainda dia, quando apareceu
Aquela música dita sem repetições
E nenhum clima de fim de noite.

E eu avistei a dura cicatriz de um câncer
Moderno, infiltrado pelos dentes, bocas, vozes
E vezes que ainda andando pela rua
Pedia ajuda de porta em porta sem receber nada.ou
Quase nada.

Os portões dessa visão de masmorra
São colocados lado a lado de uma esperança
Que se degenera pela súmula do meu sexo.
De onde não valho a mínima coisa
Que se procure habitada em fastio:
Doce fome de não mais viver em cima
De outro tempo que nunca se foi.


E me coço, com a certeza plena de já
Ter existido em um lugar onde nunca
Estive.Mesmo sendo ultrajado pela cara
Da mesma forma que um carvoeiro
Coberto pela fumaça dos seus pensamentos
E que dia(sem noite) vaga pela crosta inundada
De uma costa inexistente.

Ah, cantaram de vez o réquiem magistral
De uma abertura sem condições físicas
De um azulejo sem brilho.
Cantaram de vez pelos narizes que brotaram
De algumas vozes sem nenhum tamanho.

Neste endereço supremo, de uma carta longe
E rasgada, sem as mãos do inconsistente
Labor vitorioso, jogado pelo sertão do
Desconcerto.

Favor imerecido duplamente descoberto
De exilado em uma cama com lençol
De giz e muletas.


dos Anjos

domingo, 7 de dezembro de 2008

DEVORADORES DE ALMAS- FABIO ONEAS


- DEVORADORES DE ALMAS-


Certo dia andava distraidamente, quando notei uma cena curiosa. Algumas pessoas tiravam do bolso um papel amassado para logo em seguida, cabisbaixas; seguirem em uma determinada direção.

Parei junto a uma arvore e acendi meu ‘’baseado’’. Queria descobrir com qual freqüência isso acontecia.
Em poucos minutos, observei seis jovens, fazendo exatamente a mesma coisa. Paravam em algum lugar e levavam a mão ao bolso. Descobriam um papel amassado e seguiam a mesma direção.

Não agüentando conter mais a minha curiosidade, resolvi seguir a sexta pessoa.
Era uma adolescente; não devia ter mais que dezesseis anos. Jeito de doidona, desgrenhada e suja. Eu a conhecia de vista, era da turma do ‘’crack’’.

Ela estava triste, cabisbaixa e algo assustada.
Caminhou até a multidão, reunida em frente a uma sepultura. Aproximou-se da jovem mulher que chorava, descontroladamente.
Jogou-se aos pés dela e começou a gritar: - Mãe me perdoa, estou aqui! Me leva com você, mãezinha...

Ninguém pareceu ouvir suas súplicas. E ela ficou, agarrada às pernas da mulher, implorando ajuda.
Avistei vindo em direção à menina, as quatro figuras sombrias.
Cada uma usava um manto preto, que escondia todo o rosto. Deviam estar há uns cinco metros da menina; mas à medida que se aproximavam, cresciam...

Uma delas soltou um uivo assustador. Pude ver uma parte do rosto que o manto escondia. Os olhos vermelhos sangue, bolas de fogo e maldade.
Bolas de pelo e pus, tomavam conta de toda a extensão do queixo.
Levantei e corri. Ouvi a garota gritando, ela tinha sido capturada. Não tive coragem de olhar para trás.

As pessoas em volta do túmulo, nada perceberam. As figuras medonhas, também não pareciam notá-las. O que elas eram?
Algum tipo de devoradores de espíritos? Se fosse o caso, eu não teria com que me preocupar. Eu estava vivo! Doidão mais vivo.

Subitamente, as figuras tomaram minha direção. Tentei me lembrar o que fui fazer no cemitério, mas não consegui. Que diabos! como eu havia chegado ali?
Levei minhas mãos ao bolso, num ato de nervosismo. Senti algo e puxei. Era um papel amassado.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Todas as andorinhas andam nuas...




Me visto de sangue...

Ando sozinho...

Todas as andorinhas andam nuas

Todo horizonte é como a lua

Intocável




Me visto de ódio....




Vou perseguindo

Velhos inimigos invisíveis


Belas lutas sempre invencíveis

Falta coragem...




Me visto de Trevas...



Trago o rosto marcado

Dos meus dissabores, de tudo

E todas as dores do mundo

Trago nas mãos

Na solidão

No viver...




Me visto de choro...





Ando sozinho

Sou como a lua

E as andorinhas

Só andam nuas




Me visto de amor...



Me Morte

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Louca evidencia





Pintam-se os gritos
Mas, não imprimem
A dor


Os pedaços pós tortura
Rolam
Isto é um homem?
É uma mulher?
Esconde-se na
escuridão da rua?


Os dedos escorrem
A alma que sangra
Depois da seção
No porão
Sem lua


Autor:Angela NadjaBerg Ceschim Oiticica

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Ritual





O cálice

que empunho agora

nas mãos

trêmulas

suadas

ainda guarda as digitais

do nosso pacto

insano.




Da febre

de almas inconseqüentes

o nosso sangue

selamos

num ritual

quase satânico.




Juras de vida

e de morte.

A lâmina

brilhou nos

pulsos... Movidos

pelo impulso

em cena repleta

de signos,

sem medo

do desconhecido.




E hoje,

o cálice que empunho

não tem vinho

servido à luz de vela

em castiçais de prata.

Mas o veneno voraz

que findará a dor

da quebra do nosso pacto

e a saudade suas

que aos poucos me mata.




(Sirlei L. Passolongo)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Olhos Negros




Olhos Negros

Por Adriano Siqueira


Selma: — Você havia ligado e eu vim correndo.
Angelo: — Que bom que veio. Sempre é bom ter alguém ao meu lado.
Selma: — Por favor, não diga isso. Para mim é um prazer.
Angelo: — Preciso de outro. Aquele que me deu ontem não durou nada.
Selma: — Não posso. Aquele que dei ontem era pra durar mais de uma semana.
Angelo: — Você não entende... Está muito forte... Pequenas doses já não adiantam mais.
Foi quando ela me abraçou e desabotoou a camisa.
Nunca consegui que ela parasse de me ajudar. Acho que era paixão, mas não sei... Ela se sacrificaria por mim. Levemente, ela levou a minha cabeça para seu pescoço e me alimentei por um longo tempo.
Vomitei aquela noite toda. Seu corpo na sala, jogado no sofá, me fazia pensar se a fome era tão importante assim para matar a única pessoa que eu realmente me amava...
Sentei ao lado dela... Seus olhos vazios... Seu corpo frio... A pele branca... Deitei no seu colo.
Liguei o teto solar. Estava quase amanhecendo.
O sol! A grande estrela que iluminava os homens, agora me abraçava com seus raios quentes e mortíferos. O calor que não sentia há anos, agora estava ao meu alcance.
Abraçado a minha adorada, a quem devia minha vida, vi seus olhos se abrirem na imensidão do fogo que já havia tomado todo o local.
Ela me olhou com seus olhos negros, me deu um sorriso e nos beijamos.
Finalmente todo o meu sofrimento acabou. E agora estamos juntos.
Até que a vida nos separe.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma bela e tenra espiga de milho cozida



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Eu disse para você o quanto amo uma boa espiga de milho! Na forma de um bolo crocante, um mingau, vulgo Curau, como chamam em Minas Gerais ou assada direta no fogo.Hum...deliciosa! Mas nenhuma das formas se compara a uma boa espiga de milho cozida na água e sal. Você abocanha ela, crava seus dentes e arranca grão por grão, no final dá uma bela chupada na espiga e vem aquele caldinho saboroso. Só de descrever sinto a boca cheia de água! Eu perco minha cabeça quando devoro um milho assim!
-Avisei você, não foi? Não tens o direito de morrer agora esvaindo-se em sangue! Sabias que eu odiava sexo oral.Então por que, cargas d'agua, foi dizer: ___Imagine uma bela e tenra espiga de milho cozida!?
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Me Morte

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O QUE ESTA ACONTECENDO NO ††† Vale das Sombras†††





INICIA-SE NO ††† Vale das Sombras††† O PERIODO DE VOTAÇÃO, LEIA OS POEMAS E VOTE AQUI.
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JA FORAM SORTEADOS OS AMIGOS SECRETOS E VC JA PODE ENVIAR OS PRESENTES PARA aninhalopes0000@gmail.com E ACOMPANHAR NO MURAL DO VALE OS QUE ESTAO CHEGANDO.

BOM DIVERTIMENTO!

ME MORTE




Repostagem para 2008 - Cartão de Natal da Me Morte

(feito em 2006):

Versão Gótica:

Desejo a todos um Infeliz Natal
Regado a choro e sangue
E que o Ano que se inicia
Não chegue, que você morra antes!!!


Versão depravada:

Desejo a todos um Natal libidinoso
Com direito à Papai Noel armado
Com saco e tudo, nú e barbudo,
E um cacete enooorrrme em 2009!!!

Versão amiga:

Desejo a vocês nesse Natal
Uma montanha de beijos,
Um continente de abraços
E Paz, muita Paz, saúde e coragem!


E mesmo para os que não gostam de mim,
meus mais sinceros votos de longa vida e muito amor!

Me

GOTHAM CITY



Prisioneira de mim.
Joguete dos Serafins.
Chafurdo no lodo do manguezal.
Mas não sou um siri.

Sou fruta madura.
Que esqueceram de colher.
E agora apodreço.
Sem ninguém nem perceber.

Nem os pássaros me querem.
Passei do ponto, esqueci de descer.
Quis a noite repousante.
Fizeram o dia amanhecer.

O fogo arde e queima
Mas não existe saída,
Pela porta principal.
Batman, onde está você?


By Ana Kaya