sábado, 31 de maio de 2008

Um Aniversário Conturbado...por Me Morte

Alguém poderia me falar a respeito de inferno astral?
Sobre urucubaca?
O dia 29 foi meu aniversário! Que aniversário! Mas ainda não passou, apesar de se fazer uma luz no fim do túnel...
Bom, tudo começou:
Dez dias atrás eu tive um problema no meu estabilizador e, ao contrário dos conselhos que ouvi, continuei navegando. Uma oscilação na energia resultou numa pane em meu computador. Cogitou-se que seria a placa mãe e que eu teria um gasto fenomenal. Constatou-se depois que era o processador. A "ventuinha" teria parado de girar e queimou o processador.
Rapidamente acionei minha carroça velha que estava guardada há muito no guarda-roupas. Lenta e com algumas limitações, mas era tudo que eu tinha para dar continuidade ao meu trabalho aqui no orkut e internet.
Daí surgiu a idéia idiota, colocar o HD da minha máquina que estava no conserto na que estava me quebrando o galho. Achei que, assim, teria acesso ao meu material e tudo seria mais fácil. Enganei-me redondamente...A máquina era antiga demais e o HD da outra entrou em conflito. No começo não me toquei, afinal tinha colocado o HD de uma máquina com XP numa que possuia o Windows 98, rs.
Pifou tudo e bem no dia do meu aniversário...
Agora o gasto dobrou e somente hoje, dia 31, pude ver os recados de "parabéns" no meu scrap.
Isso é inferno astral?
Eu tenho um concurso para finalizar, um ebook para lançar, um livro (Concursos do Vale) interrompido, o projeto "Filiais do Vale das Sombras" parado, o lançamento da Revista em quadrinhos (embora esse eu possa finalizar por aqui mesmo), recados para responder, agradecimentos, etc...etc...
Isso sem falar dos trabalhos nas comus sociais. Eu vi na TV sobre o desmembramento de mais uma organização de pedofilia na internet, crianças desaparecidas...Realmente a vida continua apesar da minha inobservância (Graças a Deus pegaram esses monstros).
Bom, de qualquer maneira, tem um ditado que diz "Mulher quando quer dar ninguém segura...", a Me Morte é assim também, mesmo que eu não conseguisse mais acesso à virtualidade, daria um jeito de explicar...Como faço agora!
Obrigada do fundo do coração a todos que lembraram de mim nesse meu dia, eu amo vocês de verdade e, talvez por ser virtual, meu amor seja mais forte. Uma relação sem cobranças e de muito carinho, somos especiais mesmo...
E, independente de eu ser a "fulana" ou "sicrana" aqui do outro lado, o coração que sente é um só e hoje percebo o quanto isso tudo é importante para mim.
Se bebi? Se tive festa? Se trepei (rs)? Com certeza...Fui plena nesse aniversário, com direito a escândalo e tudo (ou não seria a Me), mas faltou algo...Meu coração deixou um buraco...Vocês!
Os que tem fé, rezem, os que não tem, façam macumba, promessa, ou só torçam...Para que meu PC volte logo!!!

Beijão

Me Morte

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Convidada do Vale "JULIANA T. P."


Cada quadro era uma realização em sua vida.
Ele amava sua arte, mesmo ela sendo considerada medíocre muitas vezes.
Há algum tempo vinha procurando uma musa inspiradora pra suas obras, mas as mulheres que visitavam seu ateliê geralmente eram superficiais demais.
Ele não procurava modelos ou atrizes, cuja beleza já se conhece. Ele precisava de alguém de beleza incompreendida, bruta algo a ser rebuscado e decifrado.
Cada tela em que ele ousava tocar o pincel era como tinta escoada ao esgoto. Seu trabalho já não vinha sendo o mesmo, ele sentia o quão perdido estava. Passava horas fitando a parede branca em seu quarto, imaginado onde estaria o que ele procurava, o fogo que reavivaria sua vontade de criar. Desperdiçava madrugadas devaneando, esperando.
Naquela noite ele dormiu e sonhou com a beleza que procurava, ele não a viu por completo apenas nuances de uma donzela com rosto longo e nariz eqüino exibindo madeixas negras caindo sobre as costas.
Acordou e na mesma noite pôs-se a pintar os traços lindíssimos que ele vislumbrara em seu sonho.
Estava preparando as tintas quando por instante fitou a alva parede e notou algumas protuberâncias, caminhou até ela e tocou-a. Sobressaltou-se ao perceber que as elevações na massa corrida formavam claramente uma silhueta feminina.

Num primeiro momento a idéia que lhe veio à mente foi apenas uma infiltração por dentro da tinta que estragara a sua parede porém percebeu que era simultâneo, ele a pintava, ela mostrava-se de forma espectral no concreto do apartamento. Agora seus seios eram nítidos e belíssimos olhos iam aparecendo aos poucos sobre o concreto.
Seus dedos estavam doloridos ele não conseguia para de pintar, pois cada pincelada era mais brilhante que a outra, eram suaves e ao mesmo tempo marcantes.A beleza da tela prendia a atenção, e conforme o trabalho evoluía ela ficava mais nítida na parede.
Ele embriagava-se de sua beleza enquanto que antes do final da obra prima a moça estava movendo-se na parede, linda e sensual insinuava-se a ele. Murmurava baixinho “Um artista deve ficar com sua musa eternamente”. Os últimos acertos foram dados na pintura, o artista estava visível e literalmente excitado, uma ereção grande e brusca latejava em seu ventre, em brasa, incessante.
Concluiu a tela e num suspiro profundo deixou levar-se pelo desejo. Achou que se tratava de mera ilusão quando a moça de corpo esguio desceu da parede como que transportada por encanto. Com passos ágeis ela prostrou-se à frente do artista e passou a acaricia-lhe:
_Não lhe parece boa idéia juntar-se a mim meu querido. Pois ouvi suas súplicas dias e noites implorando por minha beleza.
Inebriado pelo aroma doce do corpo da jovem, qualquer proposta pareceria lhe maravilhosa.
A musa encantou-lhe com beijos ardentes e profecias de grandes maravilhas ao seu lado, enquanto ela o falava inconscientemente pendurou a gravata em uma viga saliente em seu ateliê, preparou o nó ouvindo a voz melodiosa da musa entoando uma cantiga doce e enfeitiçadora.
O orgasmo veio quente e rápido, deixando-o frágil exaurido.
Deu por si quando estava em pé sobre um banco com a gravata atada no próprio pescoço, em suas pernas o gozo ainda escorria quente. Espantou-se consigo mesmo, porém era tarde demais, o banco virou.

Ouviu-se apenas um estalo seco na noite, a sombra de um corpo balançando.
E na parede pode-se enxergar uma silhueta de um homem ao lado de uma mulher, a única testemunha uma tela bem pintada, mas sem assinatura.

Juliana T. P.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

AMIGAS INSEPARÁVEIS - FOTO ILUSTRATIVA


FELIZ ANIVERSÁRIO ME, SOMOS ASSIM INSEPARÁVEIS, AMIGAS PRO QUE DER E VIER.
TUDO DE BOM PRA VOCÊ. ESTA BELA AMIZADE ILUSTRA BEM O QUE SINTO POR TI.

AMIGAS CELESTIAIS




Para Me Morte neste dia tão especial, Feliz Aniversário amiga.







E lá do céu, os anjos aplaudem
Quando duas almas se encontram
Em completa sintonia e harmonia
Amar ao próximo é uma grande alegria.

O vento entrando pela janela
Trás os ares de novos tempos
Coloridos, como perfeita aquarela
Pintada por Deus e seus arcanjos

E eu, rezo por você amiga.
Para que te livres do peso do mundo
Para que libertes teu pensamento mais profundo
E nos brinde outra vez com tuas palavras

Acredito que esta possa ser nossa missão,
Abrilhantar as palavras, alegrar as pessoas.
Mostrar que as palavras de Jesus,
Devem calar fundo ao coração.


By Ana Cristina

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Soneto da insanidade

Ouço o que a noite fala.E me calo!

e falo pouco de amor qualquer, pois

me dano em lua cheia.Encontra-me “Falo”!

Outra vez me calo a fundo, pois irei amá-lo.


À meia-noite ameaça declamar o enigma

as cortinas fecham-se onde penetra agonia

onde fazia frio,talvez em um prazer confuso

de absurdo choro, envolvendo-me à redenção.


As rosas pretas absorvem meu veneno selvagem

te tento,atenta por milhares de maneiras inocentes

entregando-me a tal luto,pois esquecerei de morrer.


A noite explora a palidez cínica do meu outro lado

do outro a brisa áspera condena-me em luzes mortais

deixando apenas meu coração que chora,nunca de amor.





Por Emerson Sarmento


segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dança exorcista















Na ponta da sapatilha
Esmago o instinto
O mortífero desejo
Mais nefasto e infeliz
Sai desejo maldito
Que vem da escuridão
Deixa ver algo mais nítido
Sai neblina densa
Que turva meu olhar
Quero olhar o arco-íris
Lá longe, mas possível
O raio de sol
Sentir na tês e não mais
Na sombra apodrecer.

Cristiana Passinato

domingo, 25 de maio de 2008

*** MAIS UM GOLE ***





MAIS UM GOLE


Bebo-as
atormentadas no copo
mais um gole
peço gentilmente
entre loiras e morenas
entorpeço famigerado
descem a garganta
rasgando dores
que ali moram
etílicas dores
não posso mentir
quando te bebo
estanco sangue
arroto cotidianos
no hálito infernal
a conta no banco
adormece
a parede rabiscada
se pinta
o condomínio zera
quando te bebo
mulher fatal
sorvo no gole
prazer visceral


** Gaivota **
*2008*



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sábado, 24 de maio de 2008

A Hospedaria do Diabo - Capítulo 3

Uma novela de Adroaldo Bauer
Acesse aqui os dois primeiros capítulos em 24 de março e 24 de abril

A intermitência da estrepitosa sirene de um carro de bombeiros acordou de supetão o Morro Carlota do Piá. Adultos e crianças correram às janelas e portões. As de colo e os bebês desataram em choro. Polvorosa era aquilo. As vielas estreitas e o barral não permitiam progresso rápido à viatura. Enfiados em improvisados abrigos contra a chuva, que iam de chambres a toalhas, passando por sacos de aniagem à moda de capotes, a multidão que se formou rápida amorteceu ainda mais a velocidade da marcha. Formou-se procissão à entrada da pequena vila onde o chamado telefônico dizia estar acontecendo o incêndio.
A sirene convocara mais que a urgência. Espicaçou a curiosidade do povo. A guarnição emperiquitada no carro parecia de santos em andor. Não faltaram sombrinhas, guarda-chuvas, até guarda-sóis de praia arremedando estandartes. O séqüito transmudou-se em fúnebre cortejo no minuto mesmo em que o alarma serenou. No cume do morro, isolada a um canto de uns matos, uma casinhola ainda ardia em poucas chamas sob um chuvisqueiro ralo, que já amainara a tormenta de há menos de meia-hora.

Valafora escolhera a perua preta com faixas brancas largas para subir Ao morro, argumentando ao parceiro que o veículo maior emprestava mais autoridade à operação que o pequeno sedan. Na embarrada curva de acesso à via principal da vila, com a redução de marcha, a perua refugou o aclive e quase desanda morro a baixo, em ré. Cheguêva grudou-se ao freio-de-mão enquanto gritava para o colega engatar a primeira marcha que acavalara a transmissão.
- Aí doutor! Essa lomba dá trabalho até pra caminhão de gás. Toca de freio puxado que ajuda.
Cheguêva não estranhou o cumprimento nem a orientação, que acabou sendo ajutório. Venceram a lomba em curva em segundos que pareceram horas de aflição, mais pela expectativa do vexame que dariam em público do que pelo risco corrido. Não estranharam a quantidade de gente acompanhando a perua à frente e nas laterais por terem já ouvido há bem dois quilômetros dali o inconfundível sinal dos bombeiros.
- Então, colega, adiante! Roda a manivela e faz soar a sirene e vê se afasta esse povo que não tá ligando pra autoridade do teu camburão.
Valafora não respondeu, mas obedeceu. Ele mesmo improvisara a sirene manual desde que a de fábrica há muito pifara sem conserto. Pegou uma extensão de fios por debaixo do painel dianteiro do carro, ligou nos contatos e rodou com volúpia quase infantil a maquineta posta para fora pela janela.
Abriram alas muito lentamente na multidão e invadiram o pequeno sítio da funesta ocorrência. A guarnição dos bombeiros encerrava já os trabalhos. Pouco pudera fazer além de recolher os corpos carbonizados de uma mulher e duas crianças para um rabecão e isolar o acesso à casinhola em escombros, as toras de madeira do telhado arriado pelo fogo ainda esfumaçando do rescaldo ajudado pela chuva.
Uma câmara de televisão perseguia o facho de um pau-de-luz por sobre a ruína calcinada recolhendo para a edição da manhã as imagens de uma boneca de plástico num carrinho de bebê.
- Que circo é esse? Que vocês pensam que tão montando? Não chega a desgraça, tem que ter crueldade? Tenho certeza que vão dizer lá no jornal que plantaram o brinquedo aí, com cobertorzinho rosa delicado e tudo e que a casa queimou toda e matou três e a boneca de plástico se salvou do tenebroso incêndio. A crueldade não tem mais limite! É tudo urubu em banquete no inferno! Arreda, arreda!
O protesto do inspetor Cheguêva era dirigido fisicamente aos jornalistas da TV. A peroração contra a farsa óbvia também justificava entre os mais próximos a encenação própria, o trovão da voz impostada, os gestos de comando, tudo há muito estudado em laboratório de dezenas de cenas iguais era destinado à alma do apinhado, que não movia milímetro de espaço para a investigação ser iniciada se não fosse tocada em profundidade.
E ao público da TV se a edição não cortasse a tomada dele.
Cheguêva arrematava como sempre naquelas circunstâncias: “quem ficar é testemunha, se tiver algum crime pode ser indiciado como suspeito, podem ir dando lugar ao trabalho da polícia”. As últimas três palavras eram sempre soletradas, pausadamente, ainda em voz alta, mas já em tom conciliador e conselheiro, dirigidas agora só ao povo presente.
Explodira um botijão de gás. A alvenaria da cozinha viera a baixo, arriando também a madeira do telhado. O fogo pegou nas treliças, nos tabiques, na mata-junta, no soalho de pinho, nos escassos móveis da peça feito fogueira junina.
- Na urgência de acudir, pulei duas valetas vindo para cá e me arranhei toda segurando no arame farpado pra não cair no lodo, repetia a quem chegasse uma vizinha de fundos da casa incendiada. Falava e erguia a mão à altura dos lábios, o gesto dando extensão às palavras. “O fogaréu era junto. Uma chama só, lambendo toda a outra peça de madeira, que era quarto e sala”, tagarelava compulsiva, reiterando o detalhe do próprio acidente com a cerca.
Aglomerado na viela ainda ladeada por duas caudalosas corredeiras resultadas do aguaceiro, o povo lamentava condoído a rapidez do sucedido sem chances ao socorro mesmo de vizinhos de lado e frente, coisa de 150 metros no máximo do lugar da tragédia.
Eram já quase três horas da madrugada, Valafora dentro da perua conversava com uma outra pessoa e teve um estalo. Despediu rápido e sem rodeios a mulher que já se debruçava na janela do veículo em prosa solta e só não correu no encalço de Cheguêva para não resvalar no lamaçal e rolar para uma das valetas da viela, agora já sem as cachoeiras antes evidentes.
- Chê! Chê!
- Calma, respira fundo e fala...
- Guardou a lata do sujeito contra o Chile?
- Que língua é essa, homem? Fala feito gente.
- Cheguêva, te deste conta que só uma pessoa desceu o morro enquanto nós vínhamos para cá e todo o resto era essa romaria aos céus? Justo o sujeito que te mandou grudar no ferro pra eu tocar fundo, lembra?
Cheguêva fingiu que não era com ele a provocação capciosa da malandragem e respondeu à altura do perguntado:
- Vamos investigar, doutor Valafora, vamos investigar...

sexta-feira, 23 de maio de 2008



















Entre dois mil anos e agora,
Sodoma é qualquer cidade,
Jezebel é qualquer mulher,
o deserto de asfalto é largo
e o mundo jaz no malígno.


EVANGÉLICO



Marcelo Farias - Ultramodernidade. Ilustração: Torre de Babel - Pieter Breughel

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Aflitivo e Estafermo Amor


Uma vez mais eu tentei cara! Eu tentei!
Sem a insistência dos humanos, tampouco as taras de Sade, um desumano por natureza fisiológica. Sem a volúpia das prostitutas ou cinismo dos políticos, tentei apenas, calar tua voz e abusar de teu corpo como mera necrófila insatisfeita...
Gosto da morte e gozo com estados avançados de putrefação. Gosto do além túmulo e trepo com vampiros da minha solidão...
Se gozo é porque sou medíocre, gozo para não morrer, pois quer estado mais vivo que o de um gozo? Quer passagem mais conflitiva aquela em que temos que ir, mas o tesão nos impede? Um sopro de vida numa gota de esperma que escorre... Um sopro de morte num coágulo de algum ser que morre...
Quero o amor. Mas não amor dos bestas, bestial estado estafermo de um tarado e uma lesma...Quero o amor imensurável de dois corpos que se afinam e se confinam e se unem e se amam e se...Acabem. Juntos! Pois só assim será amor.
O último adeus no túmulo. O último beijo. O último choro antes do cravar da lâmina no peito para o encontro final...
Já vou...Me espera! O que em vida foi união de carnes e orifícios percorridos, agora em morte a eternidade e o amor...Bendito!


Me Morte

††† Vale Notícias ††† "Será esse o fim da literatura?"





A empresa também oferece a possibilidade do cliente colocar seus próprios textos no papel






O velho hábito de ler no banheiro ganhou um componente moderno: o papel higiênico literário.
A empresa espanhola Empreendedores está lançando rolos de papel especial onde aparecem impressos clássicos da literatura mundial para que o usuário vá lendo enquanto permanecer no banheiro.

O produto, vendido só pela internet, inclui trechos de literatura clássica, teatro, poesia e até textos sagrados da Bíblia e do Budismo.

"Hemingway dizia que clássico é aquele livro que todo mundo respeita, mas ninguém lê. O que estamos fazendo é levar os livros aos banheiros, aproximando a literatura do homem", disse o dono da empresa, Raúl Camarero.

"E surge aí um conflito interessante: limpar o traseiro com uma bela obra e o dilema moral que isso representa", disse.

Da Bíblia foram escolhidos trechos do Apocalipse, do Cantar dos Cantares e dos Provérbios. Os textos sagrados budistas são O Sutra do Loto e o Livro Tibetano dos Mortos.

A intenção dos sócios da companhia era incluir também trechos do Corão, mas tiveram medo da possível reação dos islâmicos. "Tivemos medo, sim, de provocar ira e vingança. Alguns até ameaçaram sair do projeto, se insistíssemos", explicou o empresário.

Peça de teatro

A idéia surgiu a partir de um espetáculo teatral. Camarero, que dirige uma companhia de teatro, escreveu uma peça intitulada "Empreendedores", onde uma empresa imprimia clássicos literários em papel higiênico.

A peça ganhou um prêmio no Festival de Teatro de Sevilha e a companhia decidiu então transformar ficção em realidade.

Os trechos escolhidos para a impressão são clássicos de domínio público, pelos quais não é preciso pagar direitos autorais. Mas a empresa avisa que está aberta a propostas de novos escritores.

Os rolos custam 3,70 euros (cerca de R$ 9,80) cada, e o "leitor" tem a opção de escolher os textos e a cor do papel higiênico.

Eles estão disponíveis nas cores branco, laranja e rosa, feitos de uma celulose mais resistente. A maioria dos pedidos tem sido de trechos de livros de Federico García Lorca.

"Usamos letras grandes com espaço entre as palavras para que seja uma leitura fácil e relaxante. Às vezes você não tem muito tempo no banheiro e tem a tentação de usar o papel e não ler. Mas se pensar que esse material vai ser desperdiçado para sempre...", comentou Camarero.

Desde que apareceu em um programa de televisão, a companhia Empreendedores, que anuncia seu produto apenas na internet, está ficando famosa na Espanha.

Fonte: http://diversao.uol.com.br/ultnot/bbc/2008/04/22/ult2242u1617.jhtm

quarta-feira, 21 de maio de 2008

PROMETEU


No alto de despenhadeiro, o castigo.
Ah, maldito! Insano foste.
Porque a imortalidade é um pesadelo
Aos mortais que só entoam o “Carpe Diem”.

O Cáucaso é tua morada.
A águia é tua ferida.
Imortal... Clamas? Inútil.

És tão imprudente quanto Ìcaro,
Ou Pandora, tua desgraça.
Amaldiçoaste o Fogo para sempre.

A Prometeu, todo o martírio!
Aos mortais basta amarem-se,
Insuflados pelo sopro de Minerva.
Porque então serão sempre mortais,
E jamais ameaçarão a dinastia dos deuses.

terça-feira, 20 de maio de 2008

MULA SEM CABEÇA





Naquela manhã, o povo do Vilarejo de São José da Serra, teve uma surpresa que ficaria na memória de todos, por décadas:
Sob o barracão da Igreja, repousava o corpo nu, do jovem seminarista que vivia na cidade há quatro meses. Sua cabeça estava rachada, na altura da testa e seus braços e peito, traziam marcas de potentes cascos de cavalo. Sobre seu corpo, no telhado do galpão, telhas e madeiras apresentavam sinais de queimadura em apenas uma pequena área.
Uma jovem moça morena, chorava, sentada ao lado do corpo. Nua e cheirando a fumaça, ela trazia as mãos cobertas de sangue e massa encefálica. Seus olhos castanhos brilhavam num misto de alegria e libertação. E pelo resto de sua vida, ela nunca mais proferiu uma única palavra.
No quarto do seminarista estavam as roupas dele e da moça. Sobre a cama, um exame de gravidez, no nome da moça, constatando que a gestação já passava dos 100 dias.
Nenhum animal “Eqüino” foi encontrado num raio de 10 quilômetros do local do ocorrido e o jovem rapaz, que se preparava para os votos perpétuos, vinha há dias, tentando terminar uma carta de desistência para o bispado local.

O que realmente vinha acontecendo nos últimos quatro meses e o acontecido naquela noite, se tornaram o maior mistério da história do lugarejo.


Beto e Fernanda

A Última Igreja


por Pedro Faria
O homem que apenas aparentava ser um ancião rezava na igreja em ruínas. Estava na primeira fileira, próximo do altar, quase todo destruído pelos bombardeios.
Seu nome era Jovar, e ele ouviu o segundo homem entrar pelo arco destruído, apesar de não reagir de forma alguma.
- Então é aqui que você se esconde! Triste visão que eu tenho do meu soberano!
O tom do visitante era obviamente sarcástico, e alegre. Ele tinha acabado de participar de um massacre. E era isso que o alegrava tanto.
- O que é que estou vendo? O senhor, rezando? Irônico, não acha? É como um mecânico com um carro quebrado não sabendo o que fazer. È engraçado.
O homem rezando o ignorou.
- O que, não vai falar nada? Não vai dizer coisas do tipo: “Isso não ficará assim!”, ou “Isso ainda não terminou!”? Você é patético.
O ancião se levantou, mas não se virou para encarar o visitante.
- Eu não preciso dizer nada, Lucius. O tempo revelará o certo e o errado.
O visitante, o homem chamado Lucius, que na Terra usava calças pretas e uma capa vermelha sobre o peito desnudo, riu com gosto.
- Essa é sua resposta, meu Senhor? Eu não acredito. Você criou esse planeta, pegou alguns de nossos melhores cidadãos para habitá-lo, viu-os crescer e multiplicar, orar e vigiar. Eras se passaram, o planeta declinava, mas você insistia no seu povo mestiço, nos seus “seres humanos”, e muitos deles nem acreditavam que você existisse. Você pegou seu filho, um dos grandes príncipes do nosso planeta, e o enviou aqui, numa forma humana patética, para morrer! Como posso eu estar errado, ao reunir um exército para destruir esse criadouro inútil que você criara, como uma fazenda de formigas para o divertimento de seu Criador?
Jovar continuou parado em pé, olhando para o crucifixo na parede. Realmente fora uma decisão difícil mandar seu filho para morrer. Ele sabia que as almas que habitavam a Terra não mereciam, mas ele ainda acreditava. Ele acreditava em sua missão. Ele acreditava que mandar as almas menos evoluídas de seu planeta para aprenderem na Terra, para crescerem e evoluírem, era a coisa certa.
Porém, ele viu seu planeta ser arrasado por seus inimigos, como profetas previram. Ele tentara incutir algum senso de justiça, de amor, de paz, nos corações dos seres escuros que chamavam a si mesmos de raça humana, que ele mandara para a Terra, mas, no final, talvez Lucius estivesse certo, e alguns seres não merecessem piedade dos mais iluminados. Talvez, ele errara.
Lucius começou a se aproximar de seu líder, sorrindo, cheio de orgulho. Ele reunira alguns dos seres mais baixos do Universo, de planetas piores ainda do que a Terra, e os enviara para esse planeta, à qual ele se opora desde sua criação, para destruí-lo.
- Eu não sei nem como você aguenta ficar nesse planeta imundo. Essa carne me cercando me enoja. Eu me sinto fraco, vulnerável. Como você aguenta, meu soberano, eu lhe pergunto?
Jovar continuou de pé, olhando para a carne de seu filho, cuja forma natural fora erradicada do Universo como consequência de seu sacrifício.
- Não irá dizer nada? Olha só para você: Vem para cá apenas para observar a queda de seu pequeno experimento científico, e ainda por cima numa forma fraca, mesmo para um ser humano. Eu quero que você me diga uma coisa, sinceramente: Valeu a pena? Serviu para alguma coisa matar seu filho, gastar anos e energia, apenas para tentar mostrar que os pequenos podem algum dia serem grandes? Hã? Valeu a pena, ver seu trabalho arrasado por criaturas que nem entendiam o que estavam fazendo, que valorizavam apenas a destruição de tudo o que viam pela frente?
Jovar manteve seu silêncio.
- Nada, não é? Claro, pois você sabe que estava errado, só não quer admitir. Diga! Diga em voz alta que você errou, que você não é perfeito, que você não merece ser adorado por ninguém, e que você não merece ser nosso rei! Diga, o que eu, e todos nós de nosso reino já sabíamos! Diga! Diga que você se arrependeu dessa abominação chamada Terra, e que você, se pudesse, não a criaria! Diga, homem!
O ancião, conhecido na Terra como Deus, Alá, Krishna, além de infinitos outros nomes, virou-se para seu visitante lentamente.
- Mas eu não me arrependo. Eu não estava errado. Você só vê as coisas pelo seu prisma de ódio e inveja, de obstinação e escuridão. Eu faria tudo de novo, sim. E é o que eu farei.
Da traseira de sua calça jeans velha e rasgada, o Criador puxou uma pistola e abriu um buraco na testa do rebelde que um dia integrara seu Conselho. Um filete cinzento começou a sair do buraco, mas Jovar, com um sopro, o dissipou, lançando para todos os cantos do espaço aquilo que um dia fora um dos Príncipes do Universo.
- Você estava certo, Lucius. Somos muito vulneráveis aqui na Terra.
Ele olhou para fora da Igreja, para as ruínas de sua maior Criação. Podia refazê-la. Ele tinha certeza que sim.
Andou para fora, para a direção da destruição. Teria um enorme trabalho pela frente.
Ele o encararia com prazer.

domingo, 18 de maio de 2008

Rita Meduza





Entrei e...Por um momento pensei que te veria sorrir sem virar pedra.
Com a proteção dos Anjos Caídos e o Amor de Afrodite...Pensei que tivesse sobrevivido.
Mas vi que as agruras e os covardes te decapitaram outra vez.
Não chores! És forte ainda e mesmo morta, lembre de teus poderes.
Deixe para teus algozes um olhar mortal do ser mais poderoso que todo mal!
Reviva para os seus, para mim, para Deus...Que ele não pode reinar sem seus Anjos.
E seguimos te amando!


Me Morte

sábado, 17 de maio de 2008

Angoleiro




Fica velho o que conhece. Costumeiro, quando os olhares fogem, um silêncio estranho se oferece, nem a tagarelice de Dona Ge se sustenta, incontrolável depois de várias destiladas. Maliciosa, velhaca, recupera ligeiro a sobriedade e cala-se. É olhar em torno e procurar, até os vira-latas se calam nesse clima. Ainda não dá pra saber, mas que há uma razão, isso sim. Uma noite pra não ter saído de casa, mas sai, agora é esperar a hora do pulo, ela sempre chega nessa aura de mistério que toma o ambiente.
Entram dois, desconhecidos, gente de fora, perguntaram coisas por aí e alguém bateu. A traição ressoa na quietude das vielas, muito cedo pra esse silêncio todo. A determinação está estampada nas caras dos sujeitos. Um outro estranho espera do lado de fora. A única a ter coragem de me olhar nos olhos é Ge, muitos anos de conhecimento e fé. Olhou para mim e para o saco de feijão, está lá, sempre muda o esconderijo, mas hoje é lá. Confirmei com um gesto de cabeça, ela foi para cozinha e fechou a porta. Ge me conhece, sabe que eu me arranjo sem. Angoleiro, angoleiro, nem grilo nem galo angoleiro, hora do mistério, Rua do pó, não tem valente nesse silêncio.
Sussurram entre si os estranhos. Mineiro, um conhecido que conseguiu envelhecer aqui, obedece a regra e arreda enquanto é tempo. É a hora da sombra, quem sabe não espera angoleiro. Não tem molejo nem mandinga pra matraca, é o ditado. Sem B.O. no caminho, mas é certo que vieram cumprir um serviço, com jeito de encomenda. Expectador é arquivo morto. Dialogava comigo mesmo, lembrando de Ge na cozinha e do saco de feijão ao alcance da minha mão. Joga ligeiro no escuro, amanhã sorri na roda, malícia, e vê o que amiúda. Não, ainda carrego, apesar do tempo, um senso solidário sem sentido.
O gosto do conhaque de segunda se acentua de repente, o melhor sabor que um homem poderia experimentar, talvez o último. Já saímos de outras angoleiro, na calma. Hoje, Mais cabeça que coragem, na avaliação da roda não há medo, só mais uma história. Aqui, o bicho pega.
Angoleiro olha o mistério, olha geral. No canto, ao lado da porta do depósito tem espaço, são uns três metros de altura para o outro lado. Antes de poder entender direito a lambança que estava se armando, vejo o Mineiro que tinha saído. Aparece e para na esquina, longe, miudinho debaixo das sombras. Trouxe outros com ele, muitos. Os estranhos já perderam a expressão sanguinária que tinham ao chegar, não estão mais tão seguros de sair ilesos, não sairiam mais. Entraram seis, sangue nos olhos, sem margem a nenhuma reação. Duas empunhadas e destravadas. Fora tem outros da bocada, vieram defender a área, ninguém mais dá uma piscada sem ter de explicar.
Turú, o cabeça, bate nas minhas costas e pergunta se está tudo em cima, respondo que sim. Pergunta por Gê, ela aparece de repente, com um terço enrolado na mão. Pega a caixa de fichas e deixa em cima do balcão, apanha as garrafas enquanto eles escolhem os tacos e ajeitam as bolas, um deles deixa o seu ferro disposto na beirada da mesa. O clima é tão tenso e perigoso que um sujeito mais mole poderia se molhar, só de susto.
O sabor nobre do meu conhaque vagabundo parece ter passado para o do estranho, que o vira de uma vez, com muito cuidado pra não fazer movimentos bruscos, conhece a noite. Os três estão juntos agora, no canto do fundo, perto da porta do depósito. Cochicham algo de vez em quando, não demonstram medo, mas não ousam falar mais alto e nem tentam sair fora, seria a pior opção nessa hora. Sobre a laje, do outro lado tem outros, só vejo os vultos se movimentando de um lado para o outro na escuridão, fumando. Os estranhos também já os viram, não tem mais por onde.
Turú segurava o taco com as duas mãos, apoiado no chão, comentou em voz alta sem me olhar: _ Angoleiro, angoleiro, velho mestre, é hora de jogar, mas na minha regra angoleiro._ Não me lembro de ter visto esse garoto sorrindo nunca. Desde pequeno carrega amargura estampada na face. Tem mais malícia e provocação nos olhos do que todos os outros juntos. Nunca o vi distraído, pasmando, vê de longe os que chegam e os que saem. É preciso muita maldade pra tornam um homem nisso, mas o bicho é forte, destemido e comedido, ou não segurava essa onda.
Ele para o jogo de um momento para outro, olha para os estranhos e diz em tom calmo e firme:
_De costas, os três. Dispensa no chão bem devagar. Vocês vão viver mais um dia, vão levar o meu recado pra ele. Ela não está refém de ninguém, veio de livre e espontânea vontade e vai ficar. Digam que hoje foi o seu último dia de sorte e o de vocês também. Ele sabe pra onde os mandou, vocês não tem caras de bobos, então custou muito caro, mas ela vale mais que isso. Estão na minha lista, se eu ver um dos três do lado de cá da ponte de novo, não volta.
O meu conhaque vagabundo voltou a ter o sabor maravilhoso de conhaque vagabundo. Eu e Gê nos compreendíamos com arremedos de sorrisos pelos cantos da boca, o alívio que sentíamos era doer os músculos. Ela colocou um reforçado para mim e outro para ela. Olhava-me com seus velhos olhos brilhantes, marejados, uma dose moderada de felicidade, de quem vai viver hoje, ainda.
Amanhã...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

" LE SUPLICE EST SUR "




Le suplice est sur
Thiers R >


Na boca roxa do punhal
le suplice est sur (“O suplício é lento”)
treino meu francês
nesta hora inerte
quem sabe o companheiro Rimbaud
socorra rota palavra
que tenta dar forma a meus sentimentos?
madrugada de mijo...
entre os lençóis da cama
foi só o que
restou de ti
afundei-me no entardecer
dum romance acabado
louco, tenso, vertiginoso,
pueril, fragilizado e aflito
os vermes comeram a base arenosa
do que chamamos amor
nada sobrou a não ser o desmonte
estes são pensamentos
que escorrem o corpo
sim, carrego o filete sangrento
da sensatez
enfim ao descolar da pele
consumida pelo amor que te ofertei
concluo um nunca mais
e bebo o sal das lágrimas
onde mergulho
dor infinda

2008>>


__________________________

quarta-feira, 14 de maio de 2008

By Flá Perez

O Início de Tudo I

Londres, 30 de agosto de 1888

Querido Jack,
Amor meu.
Me corta em pedaços da próxima vez!
Prefiro morrer em seus braços
a viver de talvez...

terça-feira, 13 de maio de 2008

A História dos Concursos do Vale das Sombras




Os Concursos do Vale das Sombras começaram em 12 de abril de 2006 e de lá para cá muitos poetas se sobressairam e outros tantos nasceram, cresceram e se tornaram pessoas com capacidade de poetizar a morte com a beleza de quem a aceita como rumo natural da vida.
Nada melhor que um livro para guardar essa história que foi o marco de um novo conceito de goticismo.
Aprendemos que para ser gótico não é preciso necessariamente ser depressivo ou suicida.
Nesse site estou construindo um ebook, que vocês vão poder acompanhar, comentar e até dar palpites.
Acompanhe o desenvolvimento do ebook "História dos Concursos do Vale das Sombras".

domingo, 11 de maio de 2008

Pesadelos


Calo em imagens toscas, idéias desbaratadas (sou eu meu próprio veneno), imagens mal acabadas, fantasmas desnecessários, inaptidões, medos vários e uma frágil memória do que aprendi de correto.

Silenciam-me pequenas visões menos que intuídas, imitações de feridas que não tenho nem deveria, mas me roubam as nuvens brancas e me impõem tormentas indescritíveis, violentas para as quais cerro os olhos, fecho a fronte, enrugo a testa por que, por certo, não é esta a alma que em mim habita, pois que esta não acredita nem ao menos em si mesma, quem dirá nessa desdita.

sábado, 10 de maio de 2008

ESTORVO


Eu sou o cara que te ilude
Mais uma pedra no caminho
De direções mesmo que mude,
Tu se alinha eu desalinho.

Tenta andar sempre amiúde
E não estragar o sapatinho
Se rebaixando na altitude
Apenas por mais um beijinho.

Se meu carinho te confunde
Afunde-me já nesse teu ninho
E segure às mãos este açude
Rude por se encher sozinho.

Eu sou aquele que ao bom alude
Afim de findar tua fugaz beatitude.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

HERANÇA MALDITA


Dona Amélia estava nas últimas. Suspirava e torcia o rosário nas mãos ossudas e deformadas.
Há oito semanas repousava na cama cheirando a lavanda. As empregadas lavavam várias mudas de roupa por dia, lençóis brancos, camisolas de cambraia de linho bordada em ponto cruz, enxoval vindo de Lisboa nos tempos áureos da fazenda Oliveira.

A pretinha espiava da porta, queria ser a primeira a dar a notícia. A velha não morria e a menina voltava triste para a cozinha.

A cozinheira mexia a canja no caldeirão:-Dona Isaurinha, sua madrinha de hoje não passa, está por um fio, melhor chamar o padre.

- Tanto sofrimento, coitada da dinda, tão boa e caridosa, mal cheguei ela caiu doente.

-Uma pena a senhora ter vindo de tão longe, mal colocou os pés na fazenda e sinhá ficou deste jeito.

- Ela mandou me buscar só para me dar esta herança. Vês este anel? É uma jóia de família, minha boa madrinha quis me entregar em vida, estava tão feliz e animada.

- Já te disse para ir procurar o velho Bento, ele cura toda gente, quem sabe cura sua madrinha?

-Não gosto destas mandingas, sou muito católica, prefiro meus jejuns e novenas.

-Então não venha se queixar que não fez tudo que podia para salvar a pobre sinhá.


Isaura queria ter coragem para ajudar a pobre moribunda. Sentia-se culpada por não fazer esta última tentativa.
Angustiada, decidiu ia ver o tal preto velho que sabia todo tipo reza e garrafada.

Andou ligeiro no passinho apertado, meio corrido, o sol a pino queimando sem dó. Na pressa havia esquecido a sombrinha.

Bateu palmas na frente do barraco e ouviu a voz do velho mandando entrar: - Entre Dona Isaurinha, estava a sua espera.

Isaura sentia-se enojada .Um cômodo acanhado e humilde, o chão de terra batida limpo e o velho muito idoso sentado em um banco baixo.

A imagem de São Benedito e Santo Antônio na mesa tosca cercada de velas conferiam um aspecto mais fúnebre ao lugar: - Vim saber se o senhor pode ajudar a madrinha que está nas últimas

-Posso sim senhora...

-E ela vai ficar boa?

-Vai sim senhora.

-Estás a brincar ? Não vês que estou desesperada? Ai que má idéia. Mando te surrar até arrancar teu couro.

-Bem vejo que puxou sua madrinha.

-És muito atrevido velho vou me queixar da tua audácia.

-Não carece, vou ensinar o que a senhora precisa. Mas vai depender da sinhazinha ter coragem de fazer o que deve ser feito.

- E o que é? Diga que eu faço, anda logo que não tenho o dia inteiro.

O velho Bento ensinou um feitiço muito simples. Colocar uma raiz forte em uma gamela virgem, cobrir com leite quente e um pouco do sangue da donzela e a doente será curada:

-Que beleza de anel a senhorinha está usando!

- Esta jóia? Tire este olho grande que vale uma fortuna.

-Estou só admirando a beleza da pedra, muito bonita, vá depressa sinhorinha.

A mocinha nem se deu ao trabalho de agradecer o velho. Não notou que ele tinha uma expressão maliciosa e os olhos brilhantes.
Voltou para a casa grande gritando com a cozinheira e providenciando todo o material.

Sabia que quando a velha senhora ficasse sabendo quem a havia curado cairia de amores pela afilhada e a cobriria de ouro e prendas.

Meia noite em ponto foi para o quarto da madrinha.
A raiz de gengibre tinha as formas quase humanas, exatamente como havia sido instruído pelo velho.

No último momento obrigou a cozinheira a servir de companhia:- Dona Isaurinha, a senhorinha tem certeza? Não se deve mexer com estas coisas, eu tenho medo...

-Larga de ser besta que é para a saúde da madrinha. Vamos começar rápido, abra a janela para a lua clarear bem o quarto.

A moribunda gemia baixinho Isaura ajoelhada ao lado da cama, fez um talho fundo na palma da mão esquerda deixando o sangue escorrer na cabaça.

Sentiu uma dor aguda no peito e imaginou que fosse nervoso. Na alcova a velha se mexeu e resmungou o nome da afilhada. Foi a última coisa que Isaura ouviu antes de cair morta aos pés da madrinha.

Dona Amélia deu um longo suspiro e ajeitou o corpo cansado.
A cozinheira correu para amparar a patroa:- Esta deu trabalho sinhá, custou convencer a danada a procurar o velho Bento

- Deixe a defunta aí e vá enterrar o feitiço antes que o leite esfrie, você já sabe o que fazer.


A cozinheira correu para o antigo cemitério de escravos. No canto afastado o preto velho havia cavado um buraco fundo e esperava a gamela:- Desta vez quase não deu tempo. Tive dó da menina.

-Enquanto a malvada tiver parenta para vir fazer troca ela não morre tão cedo.

-Com esta são quatro inocentes, dizem que ela tem mais de cem anos.

-Quatro vezes ela barganhou com a morte. Pensar que até as filhas ela enterrou para ficar aqui tomando conta destas terras. Cruz credo.

A casa grande já estava toda iluminada, as mulheres afobadas tratando da arrumação do velório no salão principal.
Dona Amélia escolheu o melhor vestido para a afilhada. Tirou o anel da mocinha e colocou no próprio dedo, admirando o enorme rubi vermelho sangue.

Tocou com doçura o rosto da morta. Isaura aos trinta e cinco anos, virgem e pobre não tinha família para reclamar a ausência.

Ajeitou os cabelos e pensou nos cinco anos que ainda tinha pela frente.
O dia estava clareando quando o padre chegou do vilarejo acompanhado por várias famílias para rezar as novenas e velar a defunta.


Mais uma desgraça na Fazenda Oliveira.
No povoado diziam que era uma Maldição de Sinhá Amélia.

Ainda que não acreditasse em tais boatos,o bom cristão benzeu-se e rezou uma Salve Rainha antes de apear da carroça.
Isaurinha parecia uma noiva, toda de branco, um buquê de rosas brancas entre as mãos entrelaçadas.
A madrinha em luto pesado ocultava com o véu o frescor e as faces coradas.
Completamente refeita e bem disposta.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

POEMA


.
Sou do meu próprio túmulo cinza e reverbero
Sou um ser sem asa nem aconchego
Sou em mim mesmo o próprio negro
Semelhante a dois cães e a Cérbero.

Fui mandado embora sem semente
Guardada do meu fim mesmo em crepúsculo
E me queimam as feridas em mesmo músculo
Que me deram as amantes, as serpentes.

Esse barco é guardado em travessia
De um inferno liso e resguardado
Numa bolsa malsinada pelo odor.

Sou tão cego que em mim eu não me via
A mesma face de ódio declamado
E o ódio de uma face amando a dor.


dos Anjos

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Eternidade! Somente aos bons...





Entre 100 e 140 milhões de mulheres tiveram mutilação de seus clitóris no mundo todo, especialmente na África Subsaariana, mas também em outras regiões onde a prática é tradicional, e inclusive nos países da Europa e América do Norte, onde o total chega a 6,5 milhões?
A prática tem a ver com os ritos de iniciação e de entrada na idade adulta de alguns povos.
As meninas que não se submetem a essa prática são mau vistas pela sociedade e quando conseguem um casamento geralmente é com um homem bem mais velho e que já possui suas três ou quatro mulheres.
Nos outros continentes, os principais focos nos quais a mutilação feminina é uma prática tradicional são certas partes do Oriente Médio e do sudeste asiático. Os índices mais altos são em países como Iêmen, Indonésia e Malásia.
A imigração levou a ablação a países europeus, como a França.
Segundo as estimativas do Ined, de 42 mil a 61 mil mulheres francesas sofreram a extirpação do clitóris.

O que aconteceu com o ser humano?


Eu procuro respostas...
Acredito na minha capacidade de discernimento e bondade, mas quando o assunto é sentimento alheio me abstenho de adivinhações. Como dizia minha avó, quem coloca a mão no fogo pela bondade alheia tem queimaduras triplas.
Quem me garante as imagens que passam na mente santa de uma virgem enquanto se masturba ou um monge budista quando olha uma garota seminua na praia? Se é natural por que se culpam?
Saber qual é a diferença entre um pedófilo que pratica e outro que somente goza com imagens infantis em sua cabeça doentia, sem jamais concretizá-las, por medo da punição que teria da sociedade.
O que pensa um pai que por motivos ditos “culturais” entrega sua filha para um ritual tão perverso que é a extirpação do clitóris?
Eu não acredito no ser humano e o único que confio de olhos fechados é em meu filho por que ainda possui a pureza da ingenuidade das crianças.
O homem tem que ser extinto e se existe um ser superior, reinventá-lo para uma nova tentativa de adaptação, mas com vida mais curta, o adulto vive demais, por isso faz tanto mal para seu semelhante.
E quanto aos escritores, esses deveriam ter vida eterna, para poder gritar sempre entre canetas e computadores, livros e chips, o protesto por atitudes tão grotescas.
Ou que existisse um aparelho que medisse a índole das pessoas ainda no útero e nesse caso, liberado o aborto...Só nesse.

Me Morte

terça-feira, 6 de maio de 2008

Meu Pavoroso Mauer



*



Eram precisamente 15:00 na Rússia. Eu, que fingi que não olhava o relógio, sabia, que não seriam mais que 9:00 aqui. Na praça de guerra, onde vivo, a vida parecia incomum: Não havia o ruído dos canhões, nem se ouvia mais gritos. Meu rosto sangrava, mas eu fingia não ver... Nem sentir.

Tentei provar que não havia começado o regime. Não havia muro subindo. Não haveria segregação. Nikita Kruschev não ousaria pôr os pés desse lado do mundo. Não é Agosto.

Tudo era um completa ausência de nuvens. o Sol caia como flecha, como dor, como ácido. Doía de tanta beleza.
Minha vida era a mesma e pouco sangue ainda se perdia, bem pouco.

A paisagem, se é que mudava, mudava lentamente. O fato é que, enquanto o céu resplandecia, eu não pude notar que a paz que ecoava era o princípio da tormenta. Ninguém me disse que o primeiro sinal do grito é o completo silêncio. E assim, não me dei conta que tudo avançava.

Somente quando o ar se fez rarefeito, quando os raios de Sol foram cortados, quando o cantar do meu passarinho se fez agoniado, então, percebi: Havia de fato um muro!

Não gritei, não resolveria.
Juntei meus cacos, guardei-os em baixo da blusa e por sob a pele, peguei o que me pertencia, abri a porta, saí. Não era muito, apesar de ser tudo o que eu tinha, o que eu levava naquele instante e apesar de sua pouca idade já sabia andar.

Mostrei-lhe, antes que tudo estivesse consumado, todas as cores, a brisa, os pássaros e o pôr-do-sol. Disse-lhe de paraísos e sonhos, mostrei-lhe minha tia e a rua onde cresci. Passeamos e retornamos. O que me acompanhava era a dolorida certeza de que a minha frente existiria uma barreira de certezas construída de concreto... e saudade. A caminhada me lembrava a cada segundo que eu deveria agora ter meu próprio gueto.

Mas não foi assim.

Quando cruzei minha vida à soleira da minha porta, o muro ainda subia.
Aquele par de olhos doces, pediam por quem ficara do outro lado, no outro gueto.
Ao que me foi indagado, expliquei, carinhosamente: “É o Apartheid, filha minha, é o apartheid.” Tentei ser mais sutil, porém não assisti “La Vitta è bela” por completo.

Foi então, que com suas pupilas infladas de curiosidade ela repetiu:
- O ataide, mamãe? O ataide! Mas... isso vai ficar aqui?

Com a blusa manchada, notei que meu rosto não sangrava tão solitariamente



(Jessiely Soares)






*Pavoroso Mauer: Expressão pelo qual era conhecido o muro de Berlim
**Não atenham-se aos fatos históricos, o texto trata-se de um prólogo e alguns fatos estão reunidos para demonstrar um fato em particular.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Lama Balouçante



As meretrizes
passeiam qual moscas
num bolo suado
lambido profano

Olho as horas nas paredes
e vejo aquele
remoer nas ruas

Bastardas súplicas
entre seres ausentes

As arenas
ensangüencidas
carregam pequenos
viciados
detonando
lábias
mentiras
calúnias
verdades escondidas

Desvario
inerte
imprudentes gatunos
enfraquecidos
sem alento
embaixo da
abóbada celeste

Nas esquinas
a mendicância
deixa-se sorver
restos de vidas

Enquanto
réstias de lama
encobrem os
passos
nas avenidas

domingo, 4 de maio de 2008

Mais um verme!




Não me venhas com olhos vermelhos
Roupas pretas e lenço a mão
Não me venhas com falsos discursos
Desses ditos da boca pra fora
Se na vida, Não foste sincero
Agora... És mais um verme
a rodear meu caixão.


(Sirlei L. Passolongo)

sábado, 3 de maio de 2008

Um conto de Bruxas


O GATO

escrito em 2001
Por Adriano Siqueira

Em seu quarto, com o livro de partituras flutuando e folheando sozinhos, Witch fica dançando fazendo os objetos em sua volta dançar com ela, enquanto estuda para as aulas de música. Esse é o seu jeito para sentir a música.
Jonas, o mordomo, interrompe a dança mágica com um bater na porta.
- Srta. Chegou um presente, é uma caixa. Coloquei na sala.
Witch adora presentes e surpresas. Seus poderes não são tão completos para poder adivinhar o que tem dentro da caixa... mas seria terrível saber o que ganhar antes de abrir e as vezes se sente como humana, é adorável e excitante.
A caixa estava lá ... parecia ser uma gaiola. Ela abriu com toda a velocidade de uma mulher quando ganha algo.
Um gato... e preto. lindo .. ele lambia seu rosto como se já conhecessem.. foi amor a primeira vista.
- A Srta. tem certeza que quer ficar com ele?
- Claro Jonas! é lindo... já viu uma bruxa sem um gato preto?
Jonas desaprovou a idéia mas, mesmo assim, pegou o leite na geladeira...e disse ironicamente.
- Sim srta. tem razão .. vou providenciar o caldeirão e as vassouras também... Quem sabe transformamos a mansão em uma simples casa de chocolate?
- Fazendo uma careta Witch pega o gato e leva para o quarto!
- Vou ficar com ele Jonas e ...agora que notei ... Você ficaria bem de ratinho branco.
A noite chega e Witch dorme tranqüilamente. O gato na cabeceira da cama olha para a lua e depois disso nada será como antes... A transformação tem início... Aquele gato virará um homem!
- Srta... - dizendo bem baixo para a Witch...- Precisa me ajudar...
Witch acorda e com seus reflexos prende o homem com grades feitas por luzes sólidas.
- Quem é você??? Como entrou ?? Cadê meu gato???
- Por favor senhorita .. eu não posso responder tudo de uma vez. Tenha calma. Não sou seu inimigo. Apenas peço seu auxilio. Esta maldição apenas me deixa nesta forma a noite e de dia volto a forma de um gato! Meu reino está em apuros tenho que voltar mas, antes peço para que retire a maldição que esta em mim.
Witch olha para aquele homem bonito e muito alto, ele poderia facilmente dominá-la se não tivesse poderes de bruxaria mas, ela, por alguma razão confia e o liberta!
- Certo mas, se der uma de engraçadinho, eu pessoalmente deixo você com forma de gato pro resto da vida!
Pegando os livros e grimórios mais antigos ela pesquisa sobre este feitiço.
- Srta.. temos companhia.
A lua que estava brilhando como um Sol. É coberta por vultos negros. Eram milhares de morcegos que estavam indo a direção àquela mansão.
- Estou levantando uma barreira para eles não entrarem na mansão. Pelo menos por uns 10 minutos espero terminar isso antes!
Dizendo algumas palavras ela joga o feitiço naquele homem que agora é meio homem meio gato!

- Ótimo agora estou vestido para um baile a fantasia..obrigado. - Olhando com raiva para Witch.
- É o melhor que eu pude fazer seu mal agradecido. Agora você ficará nesta forma dia e noite.
- O melhor? Estou parecendo o leão covarde do Mágico de Oz.
- Pois é melhor um leão do que um rato que é no que vou te transformar se você continuar tagarelando!
- As mulheres da cidade são sempre assim? por isso gosto do campo.
Jonas entra no quarto e vê a briga dos dois e não consegue evitar em dizer.
- Srta Megera Domada os morcegos estão batendo na porta. Posso deixá-los entrar pra tomar um chá enquanto você marca a data do casamento!
- AAAAAhhhh! Odeio homens!
Usando as músicas que havia criado ela faz uma barreira de som envolta dos morcegos fazendo com que eles fiquem perdidos e sem direção espalhando-se pelo céu e terminando a ameaça!
- Ora vejam só! - falava o homem-gato batendo palmas - Consegui fazer um feitiço que funciona em menos de meia hora.
- Deita na cama agora!!!
- Hei! Essa não é a maneira certa de cortejar um homem!
- Agoraaaaa!!!
- Tá bom. Tudo bem mas, e esse garçom ai? Vai ficar olhando?
- É mordomo! E não é pra fazer sexo que quero você ai... é que deitado e parado o feitiço será mais fácil de retirar!
- Se você ficar quieto eu darei uma sardinha de presente! - Jonas disse isso rindo da situação.
- Odeio cidade grande...
- Quieto estou terminando...
- Ser um gato não era tão ruim...
- Quieto ou eu o transformo em papagaio!
- Currupacoooo... - Jonas estava no chão de tanto rir!
A luz era bem pequena e tomou, de repente, toda a parte do quarto. Quase chegou a iluminar a cidade a sua volta... Gritando palavras que apenas Merlin sabia o significado, o corpo daquele homem-gato aos poucos voltava a ser como era, humano.
- Finalmente! - disse ela!
- É mesmo! Funcionou estou inteiro de novo!
- Acho que não senhor o seu rabo sumiu!
- Engraçado Jonas... já viu mordomo partido em dois?
- Parem com isso vocês dois!
- Tudo bem ... já vou indo. As bruxas da cidade me fazem mal.
- Os homens-gatos também. -Disse Witch olhando para ele.
Aquele homem segue seu caminho. Ele olha para Witch e seus olhos mostram agradecimentos e antes dele falar Witch interrompe.
- Eu fiz o que deveria fazer. quando tiver mais problemas apareça.
- Sempre terá uma tigela de leite te esperando. - Jonas sempre irônico – é atingido pelo cotovelo da Witch.
- Não liga pra ele... volte sempre sim.

O homem sorri, e segue seu caminho para seu reino pronto para voltar a batalha.
- Corajoso. - Jonas diz - Ele voltará.
- Claro! - Witch vai até a janela e acena para ele...
- Eles sempre voltam.


sexta-feira, 2 de maio de 2008

O assassino


O sangue escorria pela face... entretanto, nada que um bom cirurgião plástico e uns três anos com psicólogo não resolvessem. E, é claro, um bom advogado para escapar da prisão.



quinta-feira, 1 de maio de 2008

Cotidiano Alternativo


A Revista em Quadrinhos de Me Morte & Rafael Pereira está na etapa final, está nas mãos mágicas de René Ociné.
Uma produção da Editora Inverso.
Será
vendida na internet, bem baratinho...
Aguardem! Vocês vão adorar!


Agora é uma questão de dias...


Beijos

Me





Leia a postagem de baixo, continua sendo quadrinhos,rsss