domingo, 31 de maio de 2009

1° Lugar no Concurso do Vale - Niver da Me




Essa Densa Floresta.





. Floresta
Escuras flores aos montes
Sombras incolores constantes
Não há ausência de cores como esta

Caminha por essa densa floresta
E teu sangue esvai-se a cada passo
Tua alma destroça-se em pedaços
Caminha, pois teu corpo não contesta

Rasteja por essa cálida floresta
E não se esqueça de fechar os olhos no final
Descansa e julga o injusto e o anormal:
“Não há uma morte tão morta como essa”

. .


Meu nome é Álex Marcondes, nasci em 13 de novembro de 1990. Sou de Maceió, Alagoas, e no momento, faço faculdade de letras.

Sou um Rapaz caseiro, não gosto de festas, nem lugares badalados, dou mais valor as coisas simples da vida, e prefiro ficar em casa lendo um livro ou escutando uma boa musica..

Comecei a escrever meus primeiros poemas aos 15 anos, e confesso que, nem que eu quisesse, eu conseguiria parar de escrever. As palavras simplesmente tomam conta de mim. É nessas horas que geralmente escrevo, ‘quando as palavras falam comigo. ’ Meus poemas são baseados em situações vividas e/ou presenciadas. Não me pego influenciado por algum autor, eu levo comigo um pouco de tudo o que admiro. Posso dizer que tenho ‘estilo próprio’, e se meus poemas apresentarem semelhanças com grandes obras,posso afirmar,de fato, que não passa de mera coincidência.

Fotolog: www.fotolog.com/papai_cruel

Recanto das letras: http://recantodasletras.uol.com.br/autores/wintersun

E-mail: requiescat_in_pace@live.com


2° Lugar no Concurso do Vale - Niver da Me




Meu Breu

.
.

Meu quarto escuro adentrou a noite

Lacrando a vida



Apenas breu

Apenas eu



O olhar negado pela obscuridade

Me interrompe



A imóvel espera

Do ressuscitar

É a esperança-luz-porvir

Numa fresta de janela

Que não sei se há



Atento

Aguardo

Me guardo



Talvez prossiga
.
.



Natural de Itapetininga – SP

Reside atualmente em Itapira – SP


Formado em medicina pela UNICAMP (Campinas) onde também fez sua especialização em pediatria.


Casado, tem um filho e duas enteadas.


Cresceu lendo Lobato, primeiro grande escritor com o qual teve contato. Adorava ler de tudo, mas, após iniciar estudos de medicina, infelizmente, a literatura médica aliada às atividades profissionais tomou praticamente todo seu tempo. Vive se prometendo retomar, mas parece que vai ter que se aposentar primeiro. Como trabalha on-line, lê bastante na net, no intervalo de seus atendimentos e, após ser apresentado a comunidades de escritores no Orkut, começou a postar alguma coisa de sua autoria e ficou viciado nisso. Escreve por prazer, como hobby, sem pretensões maiores. Mas passou a ser sua compulsão e sua terapia. Nunca escreveu livro algum e está aqui de gaiato, brincando de escrevinhar.

3º Lugar do Concurso do Vale - Niver da Me






Um Olhar

.

Trago em minha face traços de cansaço
Vivo triste e sozinho

Olhe nos meus olhos e veja
Um olhar vazio
Sombrio
Doentio

Um olhar Fúnebre
Que derrama lágrimas vermelhas
De sangue

Meu olhar negro como a noite
Não esconde minha dor

Revela minha alma
Oca
A alma de um sofredor

Olhos tristes e doloridos
Não esconde de ninguém meu tormento
Meu coração dilacerado por um amor Ilícito.

Meu Olhar vazio...
Triste e sombrio...

Não esconde de ninguém o que me destruiu...





.
Meu nome é Álex Marcondes, nasci em 13 de novembro de 1990. Sou de Maceió, Alagoas, e no momento, faço faculdade de letras.

Sou um Rapaz caseiro, não gosto de festas, nem lugares badalados, dou mais valor as coisas simples da vida, e prefiro ficar em casa lendo um livro ou escutando uma boa musica..

Comecei a escrever meus primeiros poemas aos 15 anos, e confesso que, nem que eu quisesse, eu conseguiria parar de escrever. As palavras simplesmente tomam conta de mim. É nessas horas que geralmente escrevo, ‘quando as palavras falam comigo. ’ Meus poemas são baseados em situações vividas e/ou presenciadas. Não me pego influenciado por algum autor, eu levo comigo um pouco de tudo o que admiro. Posso dizer que tenho ‘estilo próprio’, e se meus poemas apresentarem semelhanças com grandes obras,posso afirmar,de fato, que não passa de mera coincidência.

Fotolog: www.fotolog.com/papai_cruel

Recanto das letras: http://recantodasletras.uol.com.br/autores/wintersun

E-mail: requiescat_in_pace@live.com

sábado, 30 de maio de 2009

E-Book do Vale IV .




Um arquivo em PPS de extrema qualidade (apresentação de slides), idealizado por Me Morte tendo como designer Denise de Souza Severgnini e co-produção dos poetas: Giselle Sato, Mariana Lopes, Diego Balin, Rafaela Malon, René Ociné, Álex Marcondes, Thiers R>, Rommel Werneck, Fabrizio S. Silva, Ivy Gomide, Fillipe Jardim, Paulinho Dhi Andrade, *Gaivota*, Ruy Villani, Wilson R., Caio Tadeu de Moraes, Antônio Celso Mendes, Flávio Mello, Valéria Callegari, Flá Pérez, Émerson Sarmento, Claudio Cavalcanti, Adroaldo Bauer, Me Morte e Denise de Souza Severgnini.
Ligue o som e se prepare para momentos especiais de grande emoção.

.
baixe o seu no:

RECANTO DAS LETRAS

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Híbrido Metamórfico

No antigo Egito busquei minhas missões e aventuras,
Conheci faraós e seus sacerdotes, a opulência e a desgraça.
Li e escrevi textos registrando o notável e oculto,
Prestei oferendas aos deuses por dias melhores,
Cresci com dualidades descobrindo minha identidade.

Descobri mais sobre mim e na Plenitude encontrei o Poder.
Hoje sou um Mistério, um corpo bélico com mente mutável,
Um sangue de tinta e uma alma como um livro obscuro.
Como Imortal, estou acima de meros conceitos mortais,
Sou um livro complexo, um pergaminho interminado.

Aprendi e ensinei Magia, Ciências, Artes e Guerra,
Usei trajes, jóias, artefatos e armas, vesti-me de Negro.
Sentei imperativo em um trono e dormi em um sarcófago,
Subi degraus da Pirâmide e encontrei a luz da Lua.
Conhecimento, Intelecto, Magia e Ciências são o meu deus.

Sou antropo-zoomórfico como meu Grande Mestre Thoth.
Apareço como um urso pardo, homem jovem ou um híbrido.
Descobri minha essência, sou um híbrido metamórfico,
Renasci como um Iniciado no Templo-biblioteca de Thoth,
Busco ser poderoso como o Escriba dos Deuses.

Sou quem sou e o que sou: o Mensageiro Obscuro.


- Mensageiro Obscuro
Fevereiro/2007.


-- Glossário --

Antropozoomórfico = Os deuses egípcios em sua maioria eram animais que mais tarde ganharam formas humanas e conseqüentemente ganharam suas formas híbridas, sendo que esses deuses podiam ter a forma animal (primária), humana (secundária) e por fim a híbrida consistente em um corpo humano com a cabeça animal. Esses são valores arquetípicos e simbólicos profundamente complexos que abrangem a dualidade e a tríplice.

Degraus = Níveis hierárquicos de um grupo ou evolução.

Escriba dos Deuses = Um dos muitos títulos atribuídos ao deus egípcio Thoth que era representado por uma íbis ou babuíno (macaco).

Iniciado = Membro de um grupo que agora pertence a um grau interno da ordem mística da qual participa.

Imortal = Estado espiritual avançado no qual o indivíduo é lembrado por sua obras em vida e filosoficamente está vivo atemporalmente após sua passagem enquanto haver mentes fluindo seu patrimônio intelectual deixado.

Mistério = Cerimônias secretas no culto de certas divindades.

Negro = Cor que representava Potencialidade.

Plenitude = Estágio espiritual no qual o indivíduo não necessita de muita matéria para ter um bem-estar razoável que o impulsione a viver para cumprir seu caminho.

Pirâmide = Construção funerária que servia de mausoléu para guardar um cadáver e seus pertences, sua forma representa os raios de Ra, o deus sol supremo deus egípcio das eras antigas. Tem grande poder espiritual e um significado profundo.

Poder = Conjunto complexo de Filosofias que preparam um homem para uma vida na qual ele produz melhorias em si mesmo e no meio em que vive.

Renascimento = Um estágio espiritual no qual o iniciado de uma ordem mística alcança uma evolução espiritual além do convencional, isso exige um bom prepraro da mente e espírito.

Sarcófago = Era um esquife adornado no qual os corpos mumificados eram postos para que seu Ka aguardasse a resurreição material tão esperada pelos egípcios.

Templo-biblioteca = É o estilo de templo para celebrar cultos a Thoth, consiste em um local de orações e estudos com uma biblioteca a disposição, isso reforça o compromisso desse deus com os estudos e outros aspectos.

Thoth = Deus egípcio com muitos títulos, entre eles o de Escriba dos Deuses. É o deus egípcio da Lua, Conhecimento, Intelectualidade, Ciências Lógicas e Terapêuticas e Magia. Sua cidade é Hermópolis e possui templos-biblioteca para o treinamento de seus discípulos e cultistas.

Trono = Local onde autoridades políticas, religiosas, místicas e outras importantes personalidades sentam e demonstram seu poder como sua representatividade, da mesma forma outros símbolos ostentam tais características arquetípicas.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sonetando.



-

De tanta inspiração lamentosa e bela
Beijarei a esperança nua e santa
sobre as pétalas de flores, descansa
o meu tardo peito desfeito por ela.

Nessa lira que choras em seio frio
tão castos e cruéis derrama-me lágrimas
de uma fonte celeste,de puro néctar brio
com um leve desejo iluminado por luas pálidas.

Dei-me agora a aurora mais nobre
mais espaçosa,sem amores ignotos
a suspirar gotas de ódios iludidas.

Sou bardo triste,como antigas monódias
que lume na primavera dos teus olhos
num monótono e pardo encanto de amor.

Por Emerson Sarmento.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Catálogo




Um inseto busca o endereço do vazio
A invenção do flerte
aprisionou as canetas turcas
Coleiras perderam-se em seus alvos

Toques, bulas, talas do inconveniente
A maneira brusca do inseto cantar
Não pode escrever
O borrão delicado em sua cabeça

Na paisagem dos mundos que não se evitam
O inseto fez a reza e o mote
De estar na caixinha
Do teu próximo verão

È noite no inseto
Quando sabe-te vazio
Mas urge o delírio
De te habitar

Lacres vazam no perfume dos inseticidas
Deitando a alma em cartas
E as patas algemadas
No infinito encarnado
(Imagem:Mark Ryden)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

DESFALEÇO




DESFALEÇO

** Gaivota **


Há uma corrente na dor

vapor desfeito divaga

teus dedos

espalho-me

como poeira

meu sorriso se quebra

lateja o pulso

olho-te irrequieta

afinal o que queres?

a casa se abriu

no olhar se uniu

aberta noite de estrelas

em negro véu fazem-se confidentes

entreaberta boca

desfaleço

de teus lábios

toquei flores

abracei pétalas



no transe reconfigurei a ponto de não mais me pertencer



* * *

domingo, 24 de maio de 2009

pedaços teus e meus




doação que não se entrega

***

como se vê,
nada é só o que se vê,
nem chuva é apenas a água

***

prisioneira da garrafa
é mar alto e nenhuma praia
medra o pânico
de que a rocha a acolha
que ninguém lhe saque a rolha

***

quando pés assim pisam o chão,
as flores tapetes lhe dão,
as folhas farfalham canção

sábado, 23 de maio de 2009

Lembrança de viver










Lembranças de viver


Mesmo sem ter descoberto,
O momento certo de morrer,
Remexendo em meu ser,
Tentando entender se ao certo,
Eram as lembranças de viver que acreditei,
Mas que a morte era o correto,
E as lembranças da vida eu tentei esquecer.

Tentei esquecer as lembranças da vida,
Pois de nada vale lembrar o que dói,
E a vida tem estas feridas,
Lembranças que nada constroem.
Por vários momentos, lembrei de morrer,
Mas nunca lembrei do que vivi.
Minhas lembranças de viver morreram,
Assim como em minha morte, morreu o que vivi.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

ANJO MORTO




Só e perdido na mais negra necrópole,
Encostado na cruz de um vil sepulcro,
Revelando um sorriso puro e pulcro
No mais distante ponto da metrópole.


Anjo defunto, corpo cadavérico...
Carnes magras, sublime e santo rosto
Em que o célere tempo deixou posto
Um grito morto, um canto forte e histérico.


Apetecido, surge ele tão vivo
Pra eu cometer meu próximo delito.
Dragão que se aproxima tão lascivo,


E me deixa perdido em mais conflito,
E crava em mim seus dentes diabólicos,
E vê graça em meus olhos melancólicos

Rommel Werneck
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/rommelwerneck

POESIA RETRÔ- A poesia de sempre http://poesiaretroapoesiadesempre.blogspot.com/
Participem de nosso blog, endereço acima...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Eu te quero


Eu quero de volta a rosa negra
Que plantei no seu coração,
Eu quero mais uma vez
O nosso belo jardim e nossa canção

Eu sempre lembro daquele beijo
Que nos deixava sem fôlego,
Não tenha medo do ceifado
E venha para a morte comigo.

Um minuto aqui longe de você
É como abraçar o demônio no inferno,
Eu quero de volta minha casa em seu coração...
Eu quero sentir de novo o frio do inverno

Os anjos caídos dançam a sua espera,
Eu dou um suspiro de alivio
Por que sinto que você está perto...
Então venha logo, eu quero seu sangue...
Eu desejo sua alma
Eu espero por você
Eu sinto sua alma
Eu anseio por teu amor
Eu quero seu amor
Então venha comigo na morte.
Breno Filth

OBS: Meu blog ta com visual novo

terça-feira, 19 de maio de 2009

Depois do fim do mundo- Giselle Sato












Tafetá de seda, sonhos brancos em organza, miçangas costuradas com cuidado, compondo intricado bordado: Lenços multicoloridos, xales franjados, cetim de seda, pés descalços deslizando... O vento frio, varreu as folhas e apagou o rastro, me peguei sozinha caminhando pela cidade nua, muros altos, céu cinzento...
Em uma esquina qualquer, olhares enviesados de gente que não faz parte de nada. Algumas vezes, meus sonhos se confundem com a saudade e finjo que ainda existem cores. Imagino o azul e o verde embora não saiba muito bem se um dia realmente os conheci. Tons rosados em luzes traslúcidas como a névoa que cobre a cidade.

Atravesso ruas em fogo, buscando a direção seguindo o cheiro da maresia. O vazio e o silencio tragam os que temem. Não há lugar para fracos no mundo das sombras. Houve um tempo e uma noite, em que valeu por toda a existência. O céu despencou em incandescentes pingos mortais e o povo correu desesperado. Mas não houve tempo e muito poucos assistiram o caos e a maldição de ser um sobrevivente.
Dos escombros eles surgiram, presos em cárceres da alma sofrida. Condenados, famintos, desfigurados, marcados em bandos exilados. A humanidade perdida em dores atrozes. Pedaços de gente sem forças e esquecidos. Desejo experimentar o toque e lembrar a suavidade da pele. Os aromas perderam-se desprovidos do essencial. Pedras, pó e terra vermelha são as únicas coisas que restam e nada mais faz sentido.

O amor são sombras que colhi em ramos: Buquê dos sonhadores, filetes e farrapos que tranço em meus cabelos.Na ponta da saia rota que arrasto, sou ninguém que segue sem rumo. Muito alem da eternidade. Ainda ouço os gritos das crianças e o balanço do jardim onde meu filho sorria inocente. Foi a última imagem que guardei...Ele subia e descia embalando o corpo e impulsionando cada vez mais alto:

- Veja mamãe, as estrelas que estão caindo do céu são lindas, brilhantes...

Mortais meu amado, mortais e eu nao sabia...E tudo que me importa hoje são catar pedaços de lembranças que me ajudem a não te esquecer. Que me mantenham sã neste inferno onde até o sonhos são negados.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Uma Maria qualquer... (by lucia czer)





James parou o carro na rua escura. Estava a fim de um programa, algo que tirasse o marasmo do que tinha sido aquele dia infame.
Olhou com atenção as prostitutas que andavam sem meta, daqui pra lá, de lá pra cá à espera de cliente. Algumas meninas, magrelas, desnutridas. Nem bunda tinham... Outras, já coroas com ares afetados, fenecidas, meias arrastão costuradas, escondendo o gasto, sapatos de salto alto, velhos, meio tortos. Era deprimente.
Quase desistiu. Mas o tremeluzir da lâmpada fraca no poste iluminou a silhueta esguia, vestida de vermelho. O vestido sugeria uma cigana... “-Será?”.
Despertada a curiosidade, piscou com os faróis do carro. Acudiram outras que ele espantou com um simples gesto da mão. Acendeu um cigarro e esperou. O vulto de mulher foi se aproximando, requebradamente, felinamente. Aí, deu pra ver a cabeleira preta ondulada batendo à cintura. Tinha na boca uma piteira com uma cigarrilha. Sentiu-lhe o perfume almiscarado em meio ao cheiro de fumo.
Usava uma blusa folgada transparente, seios aparecendo, e por cima um colete preto. A saia rodada com babados, vermelha, enfeitada com rendas pretas. Traje incomum. Isso apenas acendeu-lhe mais o instinto caçador.
Ela abaixou-se até por o rosto à altura do vidro, sorriu mostrando os dentes alvíssimos, perfeitos. Tinha um cheiro de ervas, sândalo, algo sedutor e indecifrável, na boca pintada com batom vermelho. Olhos escuríssimos.
Ele mostrou-lhe o assento do carro e ela entrou, ajeitando a saia. James deu partida ao carro e rumaram para um motel de baixa categoria ali por perto. Ofereceu-lhe um baseado que ela recusou com um meneio da cabeça. Sem falar, ela foi logo tirando a roupa, meias, sapatos. Era divina, escultural. Não usava roupas íntimas. Tudo no lugar, seios altos, cintura fina, quadris cheios, coxas roliças.
James foi ficando meio atordoado, mas, excitado, rolou com ela pela cama, beijando, mordiscando, tragando o perfume daquela pele trigueira. Ela ativa, movimentava-se, ora cavalgando ora deixando-se galopar, num gingado perfeito de quadris.
O sexo foi estonteante. James urrou como doido e caiu para o lado, extenuado e satisfeito. Por um instante ela pareceu lânguida, domada, vencida. Sem falar, levantou-se e começou a vestir-se. Ele mirava, contemplativo, a beldade nua, ainda sem fôlego para conseguir falar.
Deu um salto quando ouviu baterem à porta. Escondendo o corpo nu, entreabriu-a e deu de cara com um homem de cavanhaque, usando terno completo e cartola.
O homem ignorou-o. Pos a cabeça para dentro do quarto...
- Senhora...!
James, atônito, ainda foi em direção à carteira, tirando umas notas que tentou por nas mãos delas.
Ela jogou a cabeça pro lado, soltando uma gargalhada que ecoou por muito tempo na cabeça de James. Girou na ponta dos pés num redemoinho de saias vermelhas, sempre gargalhando e foram sumindo no ar, homem e mulher.
No quarto, um cheiro enjoativo de rosas e enxofre. James caiu desacordado e foi assim que os empregados do motel o encontraram no outro dia.
Não demonstraram admiração nem surpresa. Simplesmente benzeram-se e atiraram água benta que já traziam à mão, espargindo-a pelo ambiente.
A criada comentou, crucifixo na mão e a benzer-se:
- Maria Padilha escolheu outro incauto pra ser pai do seu filho meio humano!

domingo, 17 de maio de 2009

Certidão



O ritmo marcado afro
Oito velas tremem acesas
A nona à conclusão

Sete fitas e um nó sacro
Do túmulo sua certeza
Rudimento cingido à mão

Remove o livro do saco
Assinala páginas ilesas
A lê-las na atuação

Tragou puro tabaco
Destilado escorre à mesa
Arranjo da sensação

O arrepio é de um fraco
Que espera por gentilezas
Da faca a cortar-lhe mão

Gagueja o escrito opaco
Deita noite à sua Peleja
Nega o próprio coração

O sangue escorre ao prato
Retoma sua ruiva beleza
Confiou-se em gratidão

Obriga ao malogro trato
Do belo pela esperteza
Em vermelho na certidão

A nona marca no ilíaco
Escrava de uma destreza
Concebeu sem intuição

sexta-feira, 15 de maio de 2009

QUANDO A NEVE PLANTAR OUTRA TARDE



Quando a neve plantar outra tarde
Thiers R >




‘....O verme perdoa o arado que o corta....’

Blake, no paraíso putrefato pisastes

farsante escondido por frestas

não lambeste o sepulcro e infame verme

Podre! Era podre, verde e ranhento

arrastava-se nos beirais

sentava a calcinha ensangüentada da diva

a chorar dor maldita pela TPM

sofredora diva nestes dias manchados por sangue

ardia fome

Ma belle gritava: '- imundo! Sai de cima...!'

o verme a sorrir como porco espinho

chafurdava líquido sangue cristalino

duas patas, uma orelha, língua partida em cinco

expelia pus

-sai verme maldito deixa que escorra o sangue.

deixa o quase feto livrar-se do mal

deixa que as luzes do universo cantem sinfonias

nesta tarde tepeênica

deixa que a diva cante sonetos

quando a neve plantar outra tarde

que me venha a diva de vestido longo aguçar sentidos




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quinta-feira, 14 de maio de 2009

A DAMA DA MORTE




A tempestade não possui força suficiente para aplacar a sede que arde em minha garganta fazendo-me desabar sob o peso de minha maldição. Olhos injetados de desejo, analiso as possíveis vítimas que transitam desavisadas nas proximidades de meu covil. São tantos ardis e os emaranhados de pensamentos que não consigo decidir-me.
Os segundos parecem intermináveis para aqueles que possuem a eternidade a seu bel prazer. Enquanto tantos se esbarram em um afã sem fim, posso esperar o tempo que for necessário até ter certeza de ser a vítima mais apropriada. Minha única contrariedade e a maldita sede irascível.
De repente percebo passos que se aproximam em uma cadência tão suave que poderia pertencer a um anjo planando sobre a rua mal cheirosa e empilhada de silhuetas que em nada lembram os formosos seres que chegaram a este mundo.
Apuro meus sentidos focalizando a origem dos passos. Um débil e irônico sorriso ganha meu semblante. Meus olhos dardejam o desespero originado pela sede implacável. A graciosa silhueta de uma dócil donzela transita totalmente absorta em seus pensamentos.
A visão de sua jugular e o odor de seu sangue penetram em meus sentidos fazendo-me olvidar tudo o mais. O quadro restringe-se a rua e minha próxima vítima. Toda vez que a escolha é feita, amaldiçôo-me com rancor. Que famigerado e desprezível ser sou!
Os demais elementos são consumidos pela premência de minha sede. Minha razão concentra-se no caminhar tranqüilo enquanto preparo-me para mais uma abordagem triunfal. Não tanto pela beleza peculiar a minha espécie, mas principalmente pela capacidade que possuímos de hipnotizar nossas vítimas.
Os ruídos característicos a agitada rotina da cidade, mesmo considerando o adiantado das horas, não interfere em minha investida. Primeiramente meus lábios se movem imperceptivelmente entoando uma monótona canção. Apenas os ouvidos de minha vítima serão capazes de percebê-la. Ao notar que sua atenção foi conquistada, prossigo em minha caçada, suave como se fosse uma folha de árvore a planar soprada pelo vento, aproximo-se totalmente silencioso. A última fase começa com o olhar envolvente que antecede minha abordagem:

-- Lugar errado para uma moça tão bela estar andando em uma hora tão imprópria.
-- Estou voltando para casa.
-- Não tem outro caminho para seguir?
-- Este é o mais curto.
-- Alguns atalhos podem ser muito perigosos.
-- Não mais do que o outro caminho que poderia ter utilizado.
-- Neste caso, deveria fazer-se acompanhar por um cavalheiro.
-- Que cavalheiro se disporia em acompanhar uma proletária até um local tão suspeito?

A consciência da moça tocou-me de um modo que não estava habituado. Diferente da maioria de sua geração, ela parecia possuir uma maturidade incomum. Novamente a sensação de extrema consternação apossou-se de meu âmago. Uma raridade em pessoa e eu estava preste a por um fim a sua existência.

-- Talvez queria acompanhar-me no restante do percurso.
-- Não deveria confiar em qualquer um que a aborda.
-- Sei que não é perigoso.

O tom de sua voz incomodou-me. Mesmo tendo sob efeito de minha energia hipnótica, ela foi autentica em proferir a afirmação. Será que eu estava fadado a perder-me e sucumbir à estúpida noção de piedade que aflorava de meu íntimo toda vez que realizava uma caçada?

-- Ainda está muito longe?
-- O que?
-- Sua casa.
-- Cerca de meia hora.
-- Tão longe, assim!
-- Nem todos tem condições para morar próximo ao seu local de trabalho.

Detive-nos mirando seus olhos cândidos. A coloração de um azul pastoso era tão suave que definitivamente ela deveria ser filha de algum anjo desviado de suas funções.

-- Por que me olha assim?
-- Admirando seus olhos.
-- Não deveria.
-- Por que não? São tão belos.
-- E inúteis.
-- Como assim?
-- Servem para ornamentar meu rosto, mas são incapazes de mostra-me o caminho por onde devo seguir.
-- Não consegue enxergar?
-- Obrigada pela consideração em não me chamar de cega.
-- Mas é impossível perceber...
-- Mais constrangedor ainda, não acha?
-- Constrangedor?
-- Na maioria das vezes, o galanteador já avançou muito quando se dá conta de meu defeito.
-- Não penso que seja um defeito. É claro que tem o inconveniente de não deixá-la admirar as belezas da vida, mas...
-- Não se desculpe. Posso enxergar com minha visão interior.
-- Isto é preocupante.
-- Por que?
-- Se ela fosse tão boa quanto deixa transparecer, não estaria tão tranqüila a meu lado.
-- Sei que posso confiar em você.
-- Não deveria.
-- Estamos chegando a um entroncamento, podemos parar por um instante? Meus pés estão me matando.

Matando! Próxima de se tornar a vítima de um dos predadores mais letais do mundo e ela se preocupava com as dores que seus pés estavam lhe causando. Sorri mesmo não me sentindo contente com a situação.

-- Está com frio?
-- Não. Caminhar me aquece.
-- Podemos nos refugiar naquela cabana, se desejar.
-- Sabe quem mora lá?
-- É apenas uma cabana abandonada.
-- Não está querendo...

Ela não precisou concluir sua sentença para que eu soubesse exatamente qual era o pensamento que a dominava. Seu temor despertou uma parte adormecida em minha consciência, há muito que o corpo de uma mulher não oferecia atrativo algum para mim.

-- Tudo bem, ficamos por aqui.
-- Por favor, não se ofenda. Disse que confio em você.
-- E eu lhe disse que não deveria.
-- A ausência de visão abriu-me um mundo além das aparências. Posso sentir a energia que se desprende de seu âmago.
-- Desta vez está equivocada.
-- Será que você é tão perigoso, assim?
-- Não faz idéia do quanto sou letal.
-- Só porque é um vampiro?
-- Como...
-- Senti desde quando se manifestou.
-- Por que aceitou minha companhia, então?
-- O que mais poderia fazer? Correr?

A naturalidade com que ela se expressou causou-me outra sensação há muito mortificada em mim. Um autentico, embora débil, sorriso ganhou meus lábios. Antes mesmo que alguém pudesse notá-lo, o fiz morrer sob o peso de minha maldita consciência.

-- Por que esconde seu sorriso?
-- Acredita que um ser como eu tem direito a sorrir?
-- Qualquer um tem. Fica mais afável quando sorri.
-- Eu, afável!
-- Por que o espanto?
-- Um vampiro possui apenas nuances trevosas.
-- Não é verdade! Senti suas energias mais leves quando sorriu.
-- Mas...

O inusitado que permeava o encontro impediu-me de terminar meu pensamento. Desde que me tornara um vampiro, jamais passara por uma situação tão incomum. Quem seria aquela misteriosa jovem?

-- Acho que vou aceitar seu convite.
-- O que? Convite?
-- Sim. O frio está aumentando, creio que seja melhor nos refugiarmos na cabana.
-- Quem é você?
-- Eu o amedronto?
-- Você me surpreende!
-- Você me encanta.
-- Sabe que é uma habilidade inerente a minha espécie.
-- Mesmo com quem não pode ter seu olhar defasado?
-- Não hipnotizamos os olhos, mas penetramos na mente de nossas...
-- Vítimas!
-- Droga!
-- O que foi?
-- Você me confunde!
-- Por que?
-- Você ma faz sentir pior do que estou habituado.
-- Desculpe-me, pensei que estivesse sendo uma companhia agradável.
-- Este é o problema. Como posso... posso...
-- Sacrificar-me?
-- Basta! É melhor que fique sozinha!
-- Não! Por favor, não me deixe só.
-- Não percebe que se permaneço a seu lado sua vida não tem a menor chance de continuar?
-- Não temo a morte.
-- A morte é uma bênção comparada à maldita existência que levo.
-- Sentir-se-ia melhor se morresse?
-- Sei que minha alma está perdida para sempre, mas deixar esta existência nefanda seria como atingir a redenção. Não faz idéia do quanto me incomoda o peso de minha consciência.
-- Mas faz parte de sua natureza.
-- Maldita natureza!
-- Você não tem escolha.
-- Tenho, sim! O momento era aquele. Uma luz brilhou em minha mente mostrando-me como colocar um fim a toda minha danação.
-- Não faça isso! O rogo soou com premência tão dorida que detive meus passos.
-- Não posso continuar esta sina maldita!
-- Eles não são dignos de assumir a tarefa.
-- Quem seria?
-- Podemos ir?

A insistência dela em irmos para a cabana me deixou cismado. Se antes julgava ser uma opção natural, agora começava a duvidar da identidade de minha acompanhante. Seu modo suave e sua tranqüilidade inexorável começavam a demonstrar a existência de um verdadeiro mistério por trás de sua presença naquele local.
O trajeto, curto, foi percorrido em total silêncio. As imprecisões do terreno fez-me envolvê-la em um suave abraço. O perfume fresco de seu corpo penetrou em minhas narinas impedindo-me qualquer outra sensação. Nem mesmo a sensação insuportável da sede, que queimava minha garganta, era capaz de suplantar o inebriante estado que se apoderou de meus sentidos.

-- Espere até que eu verifique se não há nenhum nômade utilizando-a.

A precaução tinha sentido. Era comum que algumas cabanas abandonadas fossem utilizadas por pessoas que vagavam sem rumo. As acomodações nas cidades, ou mesmo em alguns vilarejos, não era acessível a todos. Uma rápida vistoria confirmou que não havia ninguém no interior da construção.

-- Sinto-me melhor aqui dentro.
-- Deseja que acenda a lareira?
-- Não quero incomodar-lhe mais do que já o fiz.
-- Volto logo.

Reunir madeira em condições e quantidade suficiente para que a lareira mantivesse fogo capaz de aquecer minha delicada companheira demorou um pouco mais do que havia mensurado. O frio cortante não me incomodava, mas os efeitos mais grosseiros dificultavam os movimentos mesmo para os de minha espécie. A densa nevasca que se precipitava sobre a região impedia um deslocamento mais livre.
Depois de haver arrumado tudo para que ela não sentisse qualquer desconforto, colocamo-nos diante das labaredas que devoravam as achas. A conversa fluiu descompromissada sem que qualquer um de nós tocasse em algum assunto mais delicado.

-- De onde você veio? Perguntou-me em um tom indiferente.
-- América.
-- Não me parece ser britânico.
-- Latino.
-- Sangue quente!

Um tênue suspiro perdeu-se de meu peito. Ela percebeu o efeito de sua fala e desculpou-se e aconchegou-se mais em meu peito. Instintivamente recuei.

-- Isto o incomoda?
-- Faz tanto tempo que não sinto...
-- Você me deseja?

A pergunta foi tão direta que me deixou sem reação. Como poderia negar que o perfume de seu corpo me inebriava? Como mentir dizendo que o único atrativo que ela tinha era o frescor de seu sangue? Ah, quanta estupidez em um só ser! Sem me dar conta do ocorrido, havia olvidado, por completo, o odor de seu sangue.

-- Não?
-- Não deveria, mas, sim, eu a desejo.
-- Não me quer?
-- Não posso!
-- Por que?
-- Sou um vil maldito! Uma alma desgraçada que nem mesmo deveria estar mais perambulando por este mundo.
-- Mas está.
-- Apenas por que sou covarde demais para enfrentar a solução.
-- Não! Sei que é nobre e valoroso.
-- Talvez já tenha sido, mas desde que... desde que...
-- Você não teve culpa.
-- Isto não diminui o peso que me dobra.
-- Esqueça de tudo, pelo menos por esta noite.
-- Como?

Ao invés de responder-me, ela pousou seus macios e quentes lábios nos meus. Ah, quanta dor reprimida durante tanto tempo! As lágrimas fluíram sem que eu pudesse controlá-las. Como era possível que ainda tivesse algum sentimento humano em meu âmago? O coração acelerou-se e quando retribui ao beijo não foi com a avidez de um predador sedento de sangue, mas a de um homem carente pelo amor de uma mulher.

-- Sim, me ame como sempre teve vontade de amar uma mulher.
-- Isto é muito pior do que lhe sugar o sangue.
-- Por que?
-- Sinto que a estou conspurcando com meu desejo.
-- Não! Eu também quero.
-- Não sabe o que está fazendo.
-- Sei muito mais do que você é capaz de supor.

A última sentença deveria ter despertado meu sentido de sobrevivência, mas o enlevo era tão intenso que nada mais importava. Os lábios se devoravam com sofreguidão e as mãos buscavam as partes que as vestes escondiam. A ânsia não se coadunava ao desejo de desnudar o outro, mas de sentir o calor de seu corpo, de buscar o contato mais íntimo com a pele em efervescência.
Com movimentos ritmados os panos foram sendo suprimidos e nossas carnes se tocavam intimamente. O frescor de seu corpo feminino e a frieza do eu vampiro se chocavam, se mesclavam, se fundiam em uma mistura de fluídos distintos em uma mesma busca frenética: o prazer.
Nossas bocas avançavam por onde antes os panos impediam um acesso mais direto. Nossas mãos prosseguiam a exploração do corpo alheio. Sussurros e gemidos alternavam-se em uma seqüência desordenada sem que nos déssemos conta de quando um expirava mais fortemente enquanto o outro apenas sussurrava, os sentidos rendiam-se a febre da carne.
Delicadamente ajeitei-a sobre o tosco catre existente, admirei-lhe as formas perfeitas, saboreando seu escultural conjunto longilíneo, olhando-o mais detalhadamente, não me recordava de ter notada que ela era tão formosa. As roupas a faziam parecer mais frágil.
Agradecida pela realização de seus desejos, ela retribuiu-me aos carinhos colocando-se a disposição para tudo que fosse proposto. Os limites foram varridos, os conceitos negligenciados e a temperança perdeu-se sob o magma da fornalha que devorava nossas entranhas.
Nossos olhos se cruzavam, quando não estavam buscando outras partes mais atraentes, revelando nossas disposições irrestritas de propiciar o maior prazer ao outro. Não tínhamos posição, local, toque que fosse tido por proibido ou evitado. As sensações que nos embalavam estavam longe da erotização banal de dois amantes, nossas almas vibravam a cada contato que nossos corpos perpetravam, a vivência estava sendo intensa para ambos.
Fundentes em nossos acessos, antegozamos, com frenesi, as carícias que tocávamos. A carne invadida agradecia a investida máscula que a desvirginava tornando-a plena de sua feminilidade. O auge estava para ser consumado quando o fogo queimou minha garganta, a sede manifestou-se mais forte do que jamais a havia sentido.

-- Faça o que tem que ser feito! Ela sussurrou-me resignada.
-- Não!
-- Você precisa!
-- Não com você!
-- Por favor!

Sua voz foi um rogo tão plangente que as lágrimas voltaram a banhar minhas faces. O peito fremiu, a dor o dilacerou rompendo todas suas células. A morte seria menos atroz do que a maldita dor que me consumia.

-- Faça!

As lágrimas ainda vertiam sem controle quando aproximei minha boca de sua jugular. As presas cintilando em meio à escuridão reinante, os beijos ardiam em meus lábios, mas a sede venceu toda resistência que tentava impor a consumação daquele horrendo ato. Quando as presas vararam a carne e o sangue vazou, o ardor tornou-se maior.
Languidamente ela se deixou sugar. A tez ia se tornando pálida qual o brilho argênteo da lua que reinava absoluta no céu. Pela primeira vez não sentia a prazerosa sensação de alívio que o sangue me propiciava. Minha garganta continuava a queimar e, até mesmo, aumentava o incômodo.

-- Não posso permitir que se torne uma aberração!
-- Não serei.
-- Não posso viver sabendo que lhe impingi a morte.
-- Não viverá!

De repente toda debilidade que se percebia em seu corpo desapareceu. Seu corpo tornou-se ereto e mais maravilhoso do que antes. A altivez em seu semblante denotava o quanto ela era superior, seu espectro emanava uma energia sem igual.

-- Quem é você?
-- A resposta para suas atormentadas preces. Nem mesmo os vampiros são tão desgraçados e malditos que não mereçam comiseração. Vim para atender suas súplicas.
-- Seu sangue...
-- É um veneno para os seus. Não se preocupe, a sensação de ardor logo passa.
-- Estou morrendo?
-- Não era o que tanto desejava?
-- Por que você?
-- Não me reconhece mais?
-- Eu a...

Sim, eu a conhecia desde os primórdios dos tempos. A mais bela das donzelas que habitavam os Elíseos. A gélida dama da morte.

-- Em breve estarei conduzindo-o para o campo dos guerreiros.
-- Mas sou um amaldiçoado!
-- E ainda assim possui mais valor do que muitos que se prestam a servir aos credos que o condenam.
-- Por que desejou que a amasse?
-- Para que soubesse que não sou fria muito menos insensível.
-- O que virá depois?
-- Seja paciente e espere que tudo se fará a seu tempo.
-- Sinto frio.

Aquela foi a última sensação que se apoderou de meu corpo. Os olhos cansados cerraram-se para sempre. A existência maldita extinguiu-se e, já sem o pesado corpo material, caminhava ao lado daquela que libertará meu âmago, aquela que conquistará, no último ato de minha existência, meu amor incondicional.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

QUADRINHOS - COTIDIANO ALTERNATIVO



EBOOK
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Sinopse: Cotidiano Alternativo nada mais é que a busca pela realidade perfeita.O dia a dia idealizado. Uma fuga das adversidades corriqueiras para uma realidade de fantasia. A busca dos dias melhores através da arte. Por outro lado, nem sempre a fuga nos leva a algo melhor. A fuga não deve ser vista como a solução, mas sim como uma possibilidade ou, o mais terrível, uma grande armadilha. Venha se deliciar com momentos de pura imaginação.
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Me Morte
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Autoria: Textos de autoria de Me Morte transformados em histórias em quadrinhos por Rafael Pereira.
Certificado de Registro ou Averbação Nº: 436.751 Livro: 818 Folha: 411
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Ficha Técnica: Desenhos de Rafael Pereira, argumentos de Me Morte e arte final de René Ociné.
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baixe o seu aqui: RECANTO DAS LETRAS


terça-feira, 12 de maio de 2009

Natureza Morta




Arrombo a porta
Da natureza morta
Do instável parecer
Quem iria querer?

Tanta energia às favas
O que em poucas letras
Me falavas
O que em poucos meneios
Me e te saciavas.

Mantenho o sonho
A onírica imagem
Que, desconfias,
Mas requer coragem
Nela não te afronto
Nem te apronto
A armadilha.

Não és filha
És ilha
Cercada de medo
E dualidades
Nestas nossas idades
A de agora e a de então.

Não posso afirmar
Que te tive na mão
Não me são de direito
Conjecturas.

Mas sei que das mais rasas alturas
Há uma situação de posse
Que não aceitas
Portanto te deitas
Com querubins

Somos afins
Somos o mesmo engano
A parte mais equivocada do plano
Do qual escapamos
Mas não era para ser assim.

domingo, 10 de maio de 2009

Traição Virtual




Traição Virtual
(por Lucia Czer)
Nando pedala pela rodovia em direção à faculdade, despreocupado, fones no ouvido com rock dos anos 60/70, mochila nas costas com o notebook, presente de Adelaide. Conheceu-a quando estudava Letras. A professora miúda, loira, doce e atraente, conquistara-o com seus olhos verdes meigos e atentos. Cada olhar dela em sua direção, fazia-o inquietar-se e sonhava em viver com ela, discutir poesia e literatura, falar de lugares e viagens.
Crescera como todo moleque negro e pobre do Nordeste. Passara por todas as dificuldades que um menino criado sem pai tem e Deus provera que uma tia o ajudasse a chegar à universidade. Fora lá que conhecera Adelaide. A professora o atraíra de imediato e a desejara desde o primeiro olhar trocado entre eles.
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Adelaide passava dos quarenta, mas ainda apresentava uma jovialidade incomum, originada pelo bom trato que a sua situação financeira oportunizava com os proventos do trabalho e da herança que o falecido marido deixara. Trabalhava ainda para não sentir-se ociosa. Dentre todas as turmas, aquela era a sua preferida pelo nível de receptividade que suas aulas obtinham. Sobressaía-se aquele jovem alto e desengonçado, dono de uma enorme bagagem cultural e interessado em poesia e literatura. Às vezes, Adelaide percebia-se discorrendo sobre a matéria como se ele fosse o único da sala. No início foram olhares, sorrisos, mãos tocando-se como sem querer, depois, saíram juntos e ela se apaixonou como uma adolescente.
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Nando acordou do torpor sentindo-se molhado por um líquido viscoso e quente. Quis levantar-se, mas não conseguiu apoiar-se ao chão. Tateou atrás dos óculos sem, contudo, encontrá-los. Deu-se conta de que estava em meio à escuridão, às margens do rio que ladeava a rodovia. Cedeu à sonolência e desacordou outra vez.
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Já no quarto, Nando percebeu a presença do doutor Márcio e de Adelaide ao seu lado. O médico passava as últimas instruções para Adelaide que ouvia atentamente, com o receituário e um vidro de remédio nas mãos. Despediu-se do médico e o acompanhou até a porta, voltando logo para junto de Nando. Puxou-lhe as cobertas, cobrindo-lhe suavemente os braços enfaixados. Afagou-lhe os cabelos e beijou-o no rosto de leve. Diminuiu a claridade da lâmpada para que não o incomodasse. Despiu o robe de cetim e estendeu-se com delicadeza ao lado de Nando.
Suspirou e somente o teto pode vislumbrar-lhe o sorriso melífluo de Mona Lisa aflorando-lhe os lábios: “Andra_gatérrima” esperaria em vão por seu “Júlio” no MSN para vê-lo masturbar-se diante do monitor...
Muitas noites de tranqüilidade viriam para Adelaide...

sábado, 9 de maio de 2009

Obsessão




Seus olhos são lindos!
-Por favor...

-Quieta...Deixe-me contemplar a luz que irradia deles. Azuis como um céu, brilhantes como a lua. Teus olhos me fascinam, me dominam, me atraem como imãs. Quanto te vi pela primeira vez já sabia: seriam meus. Quero ser teu guia, teu cão, teu amor. Olhe para mim. Veja meu rosto. É tua imagem perpétua refletida nele.Aproximou-se e beijou os olhos da moça num ritual mágico.

-Por favor...

-Quieta.

Imóvel, amarrada à cadeira,não pode se defender quando as duas agulhas penetraram em sua retina...

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Me Morte
(foto de Graça Loureiro)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Contrição

(by lucia czer)

Não desistas de mim, amor,
Não desistas, ainda é tempo.
Vem mostrar-me o caminho
Pra que eu possa seguir contigo.

Não deixei nossos sonhos ao vento,
Sequer desisti de nossas vidas.
Somente sequei minhas lágrimas
Pra regar o chão no instante certo

Quando elas tocarem o solo
As ilusões caídas, fenecidas,
Folhas murchas de outono,
Amarelecidas

Serão sementes de ilusão
Guardadas à espera de nós dois.
Volta à casa tua, pois
Muitas coisas de nós aqui estão.

E enquanto no meu peito existir
Um coração a bater por ti,
Nada pode levar-te de mim.

Somos um só como no início.
Sou teu aconchego, teu princípio e fim,
Teu porto seguro...


Ainda estou aqui.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

...Precursor do Simbolismo




(foto)

Existem em todo o homem, a todo o momento, duas postulações simultâneas, uma a Deus, outra a Satanás. A invocação a Deus, ou espiritualidade, é um desejo de elevar-se; aquela a Satanás, ou animalidade, é uma alegria de precipitar-se no abismo.

Charles Baudelaire

Charles Pierre Baudelaire (9 de Abril de 1821 - 31 de Agosto de 1867) foi um poeta e teórico da arte francês. É considerado um dos precursores do Simbolismo, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Psicologia de um vencido




Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos

terça-feira, 5 de maio de 2009

Exorcismo

Dentro dessa cabeça,
demômios indigo blues
pululam e fazem a festa.

- Sodoma -

Mataram a boa moça
( que um dia fui)

- modorra -

abriram a fenda
da minha testa.

Possuída,
não os condeno, nem temo,
pois anjos efêmeros,
roqueiros, suicídas

também entraram
pela fresta distraída.

Legião agora está completa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ingrato





Agora é tarde!
Não venhas chorar
esse pranto covarde,
cuja vermelhidão dos olhos
é fruto da fumaça do teu último cigarro,
tragos roubados de algum morcego.
Agora é tarde!
Também não quero rosas
no meu enterro.
.
.
(Sirlei L. Passolongo)

domingo, 3 de maio de 2009

Vampiro: A batalha final - por Adriano Siqueira


Vampiro: A batalha final
Autor: Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com

Uma das vantagens de viver a noite é que quando estamos em um lugar onde a escuridão é total, aproveitamos para refletir sobre nossa eterna vida.Nesta pequena reflexão, dou um sorriso. Hoje ela virá! A caçadora virá para terminar de vez com a minha vida. Hoje realizarei meu mais sórdido e sedutor desejo de batalhar com ela.
Escuto passos. São passos cuidadosos. Quase imperceptíveis se não fosse meus poderes eu jamais ouviria seus movimentos. Ela abre a porta... Eu quase deixo escapar um suspiro, mas me seguro ao máximo para aproveitar cada movimento que ela faz.
E então! Ela acende a luz e com uma coragem esmagadora ela me encara e diz:
- Não me importa como o encontrei. Não me importa se esta sentindo dores. Está ouvindo?
- Sim!
Eu estava tão atento aos seus movimentos que quase deixei de responder. Seus olhos verdes. Cabelos longos, ruivos e uma pequena pinta na sua bochecha avermelhada.
- Sabe! Não é tão difícil assim, capturar um vampiro. É só pegá-lo na hora certa. Sem defesas, sem dificuldades. Consegui tempo suficiente para trazê-lo aqui. A propósito. Tem sete hóstias cravadas nas suas costas e um pouco de água benta na coroa de espinhos colocadas na sua cabeça. Suas mãos e pés estão amarrados com espinhos de uma roseira.
- O que pretende fazer?
- Não pretendo libertá-lo. Vai ficar aqui até o amanhecer. E eu vou ouvir, bem de perto, seus gritos! Assistir a cada sofrimento que sentir. Seus apelos, Suas súplicas para libertá-lo.
- Oh. Sim... Por favor.
Ela me deixava louco.
Fique sabendo que a sua espécie está acabada. Só restou você e logo estarei vendo cada parte do seu corpo ser destruído, ser destroçado, ser devorado pelo sol.
- Por favor! Não me torture mais!
- Ainda não acabei vampiro! Você jamais terá a minha piedade, a minha compaixão. Só quero te destruir. Só quero a sua dor. Só quero seus lamentos.
- Oh...! Como você é maligna!
- Uma pena que o Sol logo aparecerá e tudo será apenas uma lembrança da minha vitória sobre você.
- A Vitória será minha caçadora!
- Chegou a hora!!! Agora é hora de queimar. Está pronto Vampiro?
- Sempre estarei pronto!
- Torne-se brasa então, Torne-se fogo, quero vê-lo fervilhar. Chamas... Muitas chamas incandescentes.
- Oh... Sim... O fogo... É demais!!! Não pare!!! Nãaaao!!!
- Finalmente destruí o vampiro! Finalmente o mundo está livre desta ameaça. Agora... Eu... Estou tão cansada! Tão... Preciso dormir um pouco. Só um pouco...
- Isso minha caçadora! Sonhe com sua vitória. Recupere por completo as suas energias, pois amanhã... Estaremos nos enfrentando novamente nesta eterna e deliciosa batalha.

“And love's strange: so real in the dark - Simple Minds”

sexta-feira, 1 de maio de 2009

CONCURSO DO VALE - NIVER DA ME




OS POEMAS DEVERÃO SER ENVIADOS PARA:


aninhalopes0000@gmail.com
ou
memortesp@gmail.com
ou
valedassombrasmemorte@gmail.com
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.O CONCURSO COMEÇA HOJE DIA 23 DE ABRIL DE 2009
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E ENCERRARÁ NO DIA DO NIVER DA ME, DIA 29 DE MAIO DE 2009.

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VEJA MAIS AQUI

QUER SUA FOTO NO SLIDE DO VALE? ENVIE PARA O EMAIL ACIMA COM A OBSERVAÇÃO "FOTO PARA SLIDE DO VALE"...