segunda-feira, 31 de março de 2008

Capa do Ebook do Vale das Sombras II
Obra prima de LUCASI

Luís Carlos Adriano Silva...
Em casa era o ADRIANO...
Depois fui pra escola e descobri que
meus primeiros nomes eram
LUÍS CARLOS... que confusão !!!
Me chamavam e eu "nem bola"...
Comecei a trabalhar, então ficou
só LUÍS...
Fora as inúmeras outras coisas
das quais fui chamado ao longo da vida...
Mas meu verdadeiro "Eu"
apenas aparece quando desenho...
! ! ! LUCASI ! ! !
o D e s e n h i s t a .
.

Luís entrou na vida de Me Morte para ficar. Desenhou-a como personagem do mundo dos quadrinhos e desde então selaram uma amizade. A promessa ficou no ar e, se depender dele, em breve se concretizará: Me fará parte de uma história de super heróis.

LUCASI tentou erotizar a Me, como se isso fosse possível,rsss.

.

Perobé/Rio Grande do Sul
lucasiart@hotmail.com

(EM ABRIL TEMOS NOVO CONCURSO NO VALE, FICA ATENTO!)

domingo, 30 de março de 2008

Me ajudem a procurar...



Estou com frio
Procuro você e não encontro
Quero uma lápide
Quero uma flor que me tranquilize
Quero e não acho...Seu monstro!

Onde está você José Mirolha?






Abandonaste a Morte a propria sorte.
E agora ouvindo o tema de Don Ruan de Marco eu quero morrer...
(acabou a cerveja,rss)

Me Morte

sábado, 29 de março de 2008

OUTONO


Homenagem a chegada do Outono


A brisa fria da tarde sopra levemente
Fazendo as folhas douradas caírem de seus galhos.
O sol cai no horizonte em rubro fogo, majestoso,
Trazendo a noite com seu manto estrelado.
A brisa transforma-se em vento frio,
Que varre as calçadas desertas.
Meus olhos percorrem a escuridão.
Buscam-te em cada canto escuro, em cada beco abandonado.
Meu coração está dilacerado pela solidão.
Todo meu corpo anseia por este amor perdido.
Foi numa noite assim que apareceste pela primeira e última vez.
De dentro das trevas, surgiste de repente.
Teu olhar em brasas, teus braços abertos em mudo apelo.
Sucumbi, hipnotizada, totalmente entregue.
Tuas presas cravaram-se em meu pescoço.
E entre dor e extremo prazer, bebeste do cálice sagrado.
Em troca deste-me a morte, em eterna vida.
E simplesmente se foi, deixando-me só com o negro dom.
É outono outra vez, e te busco ansiosa.
Já sem esperanças de te encontrar.
Vago assim, noite após noite.
Voando junto com as folhas secas.
Tão seca e perdida quanto elas.
É outono outra vez.............

By Ana Kaya
24.03.04

sexta-feira, 28 de março de 2008

Lua



Lua,luazinha
onde adormece os cândidos plebeus desiludidos
e donzelas de castidades proibidas.
Que te rezam,que te imploram,um amor.

Lua que segue sem rumo
perdida na imensidão
de um amor sem testemunho,sem se aventurar
por um equivoco de não ter em mãos
um punhado de lágrimas mal vividas.

Mas lua é isso
Lua é como o mar
que além do horizonte
sempre tem mais uma desculpa
de nos aproximar.

Por Emerson Sarmento

quinta-feira, 27 de março de 2008

Sobre as luzes borradas


Tudo correu ótimo. Sitcom, tacinha e tiradinhas sarcásticas no time. Inclusive foi a primeira vez na vida que ouvi: "Na minha casa ou na sua", sem ter sido na Tv.
Não sei que merda eu tenho, mas algo em mim faz as pessoas se confessarem como se eu fosse um maldito padre. Talvez sejam os drinques coloridos. Talvez saibam que em dois minutos eu nem vou mais lembrar da história simplesmente por que percebem que eu não estou nem aí pra relativamente nada. Mas após todo aquele papo de James Bond de calça larga, não havia como esquecer daquela celebre frase (ou o que veio depois dela).
Saca a cena:

[Interior. Noite casa dela. Sala. "Brincadeiras" orais, vez dela].

Confisssões vem à tona.
Eu mereço. Eu mereço...
- Eu mereço...
- Hum?
- Nada, tá muito bom, muito foda, não pára.
Aquela mulher me dava umas mamadas em um ponto onde a sensação é como se estivesse disparando um rojão contra meu próprio rosto, de emoção.
- É aqui que você disse que gosta, né?
- É, hmmmmmmmm, Santa califórnia... - eu mereço!.
Ela parou. Ficou ali com aquela cara de "Sou uma vadia satisfeita, independente e toda essa produção não é insegurança, juro", batendo uma pra mim e disse:
- Sabe, eu adoro ser submissa!
- E eu tô adorando essa submetida.
- Minha maior vontade é ser escrava...
Um sorriso demoníaco rutilou em meu rosto como um holofote ganha o céu de uma noite nublada.
- Escrava, escrava???
- É! B.D.S.M. mesmo - ela disse com aquele jeito de "Dondoca achando ser inteligente" que acho style, quando elas fazem isso nuas.
- Então você quer ser escrava, é isso?
- Muito!
Ah, meu depravado leitor. Tive de perder a sutileza e forçar meu caralho goela adentro da danada, empurrando a cabeça dela para baixo e segurando impiedosamente, só para denotar, subliminarmente, que a história havia mudado.
- Levanta.
- O quê?
- LEVANTA. - estendi a mão e recebi aquela mãozinha linda e bem cuidada de presente. E, porra, que estouro ela só de calcinha!.
- Onde fica o banheiro?
- Por aqui... - me indicou e foi me seguindo, de mãos dadas, com a cumplicidade que só tem aqueles que vão se foder pelados de madrugada na garagem.
Abri a porta. Puxei-a pela mão indicando que entrasse e:
- Ajoelha... escrava.
Ela arregalou os aqueles olhões dignos da minha mais tenra porra matinal e disse:
- Sim, meu senhor - e minha cadelinha ajoelhou bonitinho (né, cadelinha?).
No campo de visão só havia uma toalha, mas não era o que queria. Abri o gabinete da pia e achei um secador de cabelo.
- Perfecto!... Minha cadela, escrava, coloque as mão para trás e segure os tornozelos - amarrei pés e mãos - O plano é o seguinte escrava. Eu vou até a sala relaxar, aquecer o cerebelo e já volto pra abusar de você. Qualquer eventualidade você grita "joga a chave", pois se gritar socorro, com essa cara que eu tenho, eu tô fudido.
- Sim, meu senhor.
Apaguei a luz. Fechei a porta. E abri a porta.
- Tem algum álcool bebível nessa casa?
- Na geladeira, na parte do freezer, meu senhor.
- Valeu - tranquei.
É style ser chamado de senhor por uma dessas madames donas de franchise que são chamadas de senhora por seus vassalos mentalmente proletariados.
Rumei à geladeira peguei duas latas com a mão esquerda. Voltei à sala. coloquei as brejas sobre a mesinha de centro e me acomodei. Abri uma das latas e deixei lá em cima. Peguei a paranga no bolso da camisa (tirei um belo camarão) e joguei em cima da mesinha. Dei uma golada na breja e a devolvi à mesa. Peguei o controle, liguei a Tv.
-Legal: natgeo.
"...na terceira cerveja eu volto". Sem querer cochilei.


MaicknucleaR
(foto de www.noprumo.blogger.com.br)

quarta-feira, 26 de março de 2008

CONVIDADO DO VALE...Juliana T. P.


REAL?


Eu já falei que sou uma rainha? Não sou muito modesta, por isso não me acanho em dizer que sou muito bela. E rica também.
Meu Rei partiu há algum tempo. Ele está numa batalha defendendo os interesses do nosso reino, lutando contra forças malignas que querem nos derrubar.
Eu fico quase o dia todo nos meus aposentos reais. Estes são alvos e revestidos com plumas de ganso. Tenho uma criada que me traz comidas indescritivelmente deliciosas, ela usa um uniforme branco. Algumas vezes por dia ela me traz, em uma bandeja de metal, balinhas de coco. Que são meus doces favoritos. Geralmente eu sinto sono nessas horas. Não necessito de cama meu quarto é revestido de plumas de ganso, vocês sabem sou uma rainha.
Eu tenho um escravo forte ele me ajuda com meu espartilho algumas vezes, ele é escuro de pele e também usa uniforme branco. Tem dias que mal posso respirar com o aperto do acessório. Mas preciso manter-me esguia. Meu corpo deve estar impecável. Uma rainha deve ser sempre linda e esbelta. Por isso deixo que meu escravo aperte bem as cordas.
Estou indo para meu banho agora. Minha criada está comigo, me faz companhia enquanto me deixo mergulhar na água quente da banheira.
É estranho. Aquele não parece ser o meu banheiro.
Vejo um chuveiro grande e coletivo. Meu corpo estremece. Tem uma velha senhora com olhos brancos em baixo da água que corre até um ralo de metal enferrujado, ela ri sem parar, os seios caídos balançam sobre o tronco magro e molhado. Uma moça obesa está sentada de cabeça baixa numa poça de água bem ao lado da velha, ela balança-se num ritmo frenético da sua boca escorre um fio de saliva que se une com o chão. Estão nuas. Elas também têm suas acompanhantes que usam uniformes brancos como a da minha.
O que está errado aqui? Essas pessoas me dão medo. Elas não deviam estar no meu castelo, nos meus aposentos íntimos.
Desvio o meu olhar tento pedir que minha criada explique o que se passa, quando vejo meu reflexo na água. É odioso, sinto repulsa. Aquela mulher do reflexo sou eu?
Ela tem grandes olheiras, o rosto se parece muito com o meu, mas é magro e velho os cabelos caem em mechas cinzas grisalhas.
Eu grito então, grito, pois aquilo só pode ser um sonho, um feitiço, uma maldição, É LOUCURA. Eu continuo gritando os olhos bem fechados. Tudo escurece.
Acordo no meu quarto forrado com plumas de ganso. O espartilho bem preso a minha cintura, mal consigo mover meus braços eles parecem estar presos as minhas costas, tudo está normal outra vez. Graças a Deus tudo fora um sonho. Tudo está no lugar onde deveria estar. Vem chegando minha criada de uniforme branco ela traz uma bandeja de metal com balas de coco. A propósito eu já contei a vocês que sou uma rainha?

Juliana T. P.

terça-feira, 25 de março de 2008

CONVIDADO DO VALE...Bruno [Narkan]


Volto ao mesmo canto
por onde fui sozinho
onde solei meu caminho
em trilhas e lágrimas de pranto

volto aos dias de céu cinzento
secos e cortantes de solidão
de palavras mortas de fim incerto
pois nem me cabe a dignidade de um caixão

eu vejo as flores na chuva pisadas
flores que nas mãos levei pra ti
enfeitiçado por vós , donzela sonhada
e na promessa de amor que não conheci

ide , ide vós e caminhais
não olhais para trás
não presenciais o fim
ide , ide e voais
pelos céus noturnos
no receio turvo
e no deleite da lágrima
que arrancaste de mim !

No obscuro poeta tornei-me
e por estas noite fiz-me peregrino
em teus lábios com deleite inspirei-me
e em teu corpo eu compunha um hino !

Do que vale agora tê-la
se teu lábio é frio como a madrugada?
Do que me vale vê-la
agora que da morte te alimentas calada ?

Torturará-me em sonhos
hoje, amanha e no sempre
o doce imagem do teu olhar distante
e as noites de prazer sobre o teu corpo quente ...

volto as memórias que tinha
e só peço a ti ó vida minha
neste mesmo dia de céu cinzento
escuridão morbidez e tormento
o alívio do descanso final

ide , ide vós e caminhais
á melancolia dos funerais
não presenciais meu fim
ide , ide e voais
com a vida que arracais
e que jamais devolverás a mim !

Bruno

segunda-feira, 24 de março de 2008

A Hospedaria do Diabo - Capítulo 1

Uma novela de Adroaldo Bauer





O silêncio compacto tornou tétrico, feral e lúgubre toda a ala sul, onde era localizada a Hospedaria do Capeta, como os demais presos batizaram a 666, cela isolada, de chegada e trânsito entre as alas que se definiam por níveis de periculosidade na Casa de Detenção.
Os vizinhos da hospedaria estranharam o repentino silêncio. Certo que era já noite alta, mas o preso do cubículo 666 esmurrara paredes e grades desde que chegara ainda no final da tarde da véspera e nada o fizera parar até aquele momento, seguramente umas três da madrugada, conforme a posição da lua vista detrás das grades.
Ou dormira ou desmaiara.
Os demais ainda insones estalaram olhos e aguçaram ouvidos.
Nada.
Talvez estivesse morto.
A carceragem não se surpreenderia.
O passeio da manhã no pátio interno de certo seria tenso para o novato.
A lenda do lugar era que matador de criança ou estuprador de mulher morria cedo ali, muita vez antes de ter sentença em julgamento. E de motivos diversos. Até suicídio aparecia como causa das mortes assim.
Dois dias antes a imprensa dera copiosa cobertura da casinha destruída por incêndio, do cadáver de mulher incinerado junto a dois outros, de crianças.
As primeiras informações, ainda nos noticiários de rádio, reportavam incêndio, descuido da mãe, curto-circuito. As hipóteses ligeiras e comuns sempre sustentadas pela pressa incauta de dar publicidade à tragédia.
As imagens de televisão foram de um bombeiro operando o rescaldo dos escombros, revirando cinzas. E uma boneca de plástico enrolada em um cobertorzinho rosa num carrinho de bebê milagrosamente intacto parecendo coisa plantada ali para animar a cena que as outras imagens tornava banal.
Os diários da véspera mais parcimoniosos todos, menos o escandaloso Berro da Hora, já especulavam hipóteses de crime passional ou latrocínio.

Direito à alma do autor


(2001 Uma Odisséia no Espaço, Stanley Kubrick)

Os ladrões de alma
são geralmente quem
alma não têm

Ocorre que deambulando
pelo mundo de gente
vivem à procura de vida de outrem

E se apegam tanto à alma minha
à tua alma, que se apossam delas
como se fossem uns casacos, uns vestidos

São pele, no entanto
são fibras, sangue e músculos
seu prazer será sofrer a minha dor

Amará melhor que eu amo?
Sangrará o meu amor melhor que eu?
Bem, se ao menos assim for...

(autorizada a reprodução, citada a autoria e a fonte de inspiração: o amor ao outro)

domingo, 23 de março de 2008

O PIOR DIA PRO DIABO




















Mote:

Pior dia pro Diabo
há de ser o do Juízo,
vai ficar desempregado.


(re) voltas:

Em meus dias de arrelia,
após tudo dar errado,
contra Deus volto m'nha a ira
perguntando amargurado:
_Senhor, qual então seria
pior dia pro Diabo?_
O Senhor, que sabe tudo,
me responde irritadiço:
_Já Estou ficando é Puto!
de tanto responder isso!
Pior dia para o Cujo
há de ser o do Juízo!
Sabes tu que Satanás
de almas perdidas dá cabo,
mas quando Eu trouxer a paz
e tiver tudo acabado,
dô-lhe um ponta-pé no rabo!
vai ficar desempregado!

Ho! ho! ho! ho!...



Marcelo Farias - Para Entender a Mágica.

sábado, 22 de março de 2008

O Algoz...




Estava de costas contra a parede, braços abertos, grandes pregos de nove polegadas fincados nas mãos espalmadas afixando-as à parede; nu, joelhos quebrados. Não conseguindo se manter de pé, o peso do corpo lhe rasgava as mãos. A dor, lancinante, tornava-se então insuportável a ponto de o obrigar a tentar se erguer.
As articulações do joelho queimavam como brasa, de dentro pra fora. Caía. Nessa balança torpe se partiam nervos, pele, ossos e juntas. Desmaiou. O corpo pendendo pra frente com os braços pra trás em V.
O Algoz se aproximou. Na mesa de aço com precisos filetes de sangue repousava um cutelo, reluzente, brilhando de tão limpo, pegou-o. Viu os próprios olhos refletidos e os observou com inusitado espanto. Voltando-se para a vítima o agarrou pelos cabelos de fios longos e ergueu-lhe a cabeça com violência.
Um pescoço branco e molhado, de pele grossa, se exibiu miserável. O rosto encharcado de suor, os dentes quebrados; salivava muito, a garganta ressonava em um som gutural, profundo e intermitente.
O Algoz se agachou aproximando seu rosto inexpressivo como que para ouvir melhor aquele som. Sentiu o odor salubre que exalava dos poros dilatados. O cheiro do medo.
Fechou os olhos em deleite, gozando aquele momento. Lambeu todo o rosto do homem inconsciente. Sentiu na língua a aspereza da pele com barba por fazer e gosto de sal.
Ergueu o cutelo que segurava na outra mão, o desceu com força no pulso esquerdo do homem nu separando a mão do resto do corpo. Lascas de parede se misturaram ao sangue. O corpo pendeu para a direita preso pelo outro braço. O cutelo foi novamente em direção ao alto, apontando o telhado do armazém velho. Caiu em um arremedo de violência decepando a mão direita.

A gravidade puxou o corpo maneta para frente; a cabeça embicou lançando-o de testa no chão. Tombou para direita ainda desmaiado, grunhindo e debatendo os braços em espasmos esquizofrênicos.

O Algoz caminhou seus passos vagarosos e sem emoção que o levaram até uma velha fornalha. Ele a abriu. Com um pegador velho e enferrujado agarrou os dois braceletes incandescentes. Se voltou à vítima que ressonava alto e salivava ainda mais. Com a ajuda de uma pinça menor encaixou os braceletes nos pulsos que minavam sangue. A cauterização foi imediata e o cheiro de carne queimada invadiu as narinas do Algoz, grudando nas mucosas como moscas em papel-cola. A vítima convulsiva se debatendo sobre o sangue que lambuzava o chão.
Arrastou o corpo semimorto até um tonel cheio d’água e o depositou lá dentro. Ensaboou todo aquele corpo sujo de sangue e suor. Esfregou a bucha cuidadosamente, lhe raspou a cabeça e fez-lhe a barba. Agora ele estava limpo. Com esforço, porém, com muita cautela, deitou-o em uma maca de hospital, fria e sem lençóis, inoxidável.
Os passos desritmados do Algoz desta vez o guiaram à enorme porta que selava a câmara fria do frigorífico. Levou suas mãos cinzas até à alavanca mecânica, que com um estrondo alto, que ecoou por todo o armazém vazio, destravou-a, a deslizando pesada para a esquerda. Apertou o interruptor acendendo as luzes que piscavam cadenciais.
Carcaças de animais pendiam de ganchos, congeladas. Dezenas delas. Organizadas em fileiras na grande câmara.
O Algoz se adentrou no recinto indiferente ao frio cortante, com seus passos de homem morto. Avistou no fundo da câmara uma pequena caixa de metal. De seus olhos escaparam um fraco brilho, oblíquo de satisfação. Achava que estava feliz. Talvez aquilo que sentiu fosse felicidade.
Caminhou seus passos vazios e arrastados. Foi buscar sua caixa. Ao alcançá-la seus lábios tremularam esboçando algo semelhante à um sorriso. A segurou, preciosa, exposta de fronte os olhos como jóia rara. Não se contendo, a abriu pra dar uma espiada.
Ouviu-se então o som áspero dos milhares de microscópicos cristais de gelo se partindo esmagados pelas dobradiças.
Ao ver o conteúdo prendeu a respiração, obstinado, como um garoto em uma noite de natal ao encontrar seus presentes.
Um estrondo ecoou na amplitude da câmara fria ricocheteando nas paredes. O Algoz se virou e viu a porta que se fechava lentamente. Fechou sua preciosa caixa e deixou seus passos descompassados o levarem rumo à saída.
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Do outro lado o pobre diabo se arrastara pelos cotovelos, levando consigo as pernas mortas. Dos pulsos, da cabeça e das pernas eram emitidos impulsos pelo sistema nervoso alertando seu cérebro da grave situação. O cérebro, por sua vez, traduzia-os na linguagem que melhor entendemos: A dor. Entretanto, maior que a dor, é a vontade de viver. Ao acordar e ver o Algoz na câmara fria percebeu a única chance de sair vivo dali. Mesmo com o choque de se ver sem as mãos, conseguiu se arrastar, como um verme, até a entrada, e agora, desajeitado, empurrava a pesada porta de ferro que se movia devagar por sobre seus trilhos, rangendo.
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O Algoz caminhava seus passos sem emoção, movia as pernas uma por uma e olhava sua caixa muito limpa que abrigava seus brinquedos limpos e reluzentes. Esterilizados. Esboçou mais uma vez aquela coisa que devia ser um sorriso. Ele queria se divertir, como qualquer um. Todos se divertem, cada qual à seu jeito. Aquele era apenas o jeito dele. Vinha tendo uma noite agradável. Uma noite especial. Conheceu-o "Como era mesmo o nome dele?" naquele bar escuro - Achou que se se esforçasse poderia lembrar o nome - Era um homem que se mostrou muito culto e gentil. Ofereceu uma bebida para o Algoz, mas o Algoz não bebe. Não gosta de nada que possa lhe afetar a consciência.
Ia naqueles bares só para conhecer caras legais, que gostavam de se divertir, como aquele.
Esbarrou em uma das carcaças penduradas, que então balançou, ele a olhou e se lembrou do nome deste. Se lembrava... Sim. Este tinha os braços fortes e bonitos. O Algoz os amputou e costurou-os em uma carcaça de boi. Costurou os braços e a cabeça à carcaça. As mãos estavam lá fora, junto com as outras, pregadas na parede. Ornamentos macabros naquele armazém cheio de maldição.
Dava seus passos mortos, admirando suas obras de arte ali penduradas. Sua coleção particular. Cabeças de boi em cadáveres humanos, porcos com pernas e pênis humanos. Sentiu novamente aquela coisa que devia ser alegria ao imaginar como faria com este. Mas e a porta? A porta se fechava devagar. Pensou que alguma coisa estava errada. "Isto nunca aconteceu" Pensou o Algoz. Mas estava em êxtase com as possibilidades de criação.
Lembrou-se novamente de quando conheceu aquele homem no bar escuro. "Castelo". - 'Olá, meu nome é Castelo. Não quer se sentar pra me fazer companhia?'
Esse é o nome..."Castelo" Como os castelinhos de areia que nunca fez. Ná memória veio algo estranho. Não entendeu. Algo relativo à sua infância. Não soube o que sentiu. Castelo lhe ofereceu uma bebida, mas o Algoz não bebe. Castelo sim, bebeu muito, segurou a mão do Algoz, acariciou-a. Chegou mais perto e começou à lhe beijar. O Algoz não sabia o que achar quando faziam isso. Desde criança era assim. O pai o beijava também. Beijava e tocava como esses homens desses bares escuros gostam de fazer. Ele não sabia o que achar, mas considerava que fosse uma troca justa. Eles se divertiam com ele e depois ele se divertia com eles.
Ele e Castelo saíram do bar escuro com cheiro de fumaça e o Algoz o levou até seu esconderijo secreto. Lá deixou Castelo se divertir à vontade. Fizeram muitas das coisas que seu velho pai gostava de fazer. Aquelas brincadeiras secretas, como o velho dizia. O pai era açougueiro, e ao fim do expediente, fechava o açougue e fazia o que queria com seu filhinho.
Ria muito. Esfregava gordura no corpo do garoto e o lambia e esbofeteava. Obrigava-o a comer carne crua enquanto o penetrava. Ficava até altas horas da madrugada nos fins de semana. No fim, expelia seu sêmen sujo na cabeça do pequeno e depois se sentava e fumava um cigarro.
Ao ficar mais velho o Algoz decidiu que queria se divertir também. Ele tinha a sua própria idéia de diversão e julgou que era seu direito. Em uma daquelas noites, quando seu papai saciou sua jactância orgástica e se sentou pra fumar, o Algoz pegou um cutelo engordurado e o cravou na nuca do velho de calças arriadas. O pai levantou-se de um salto só, assustado. O cigarro caiu da boca e ele debatia os braços para trás tentando alcançar o que quer que fosse que parecia lhe arrancar a alma. O cutelo balançava. O sangue jorrava forte, esguichando nas paredes. O velho se movia engraçado. O Algoz adorou aquilo e riu muito. Dessa vez ele estava se divertindo. O seu velho pai perdeu então o equilíbrio e caiu de cabeça sobre o balcão de vidro, quebrando-o e afundando o rosto em uma bacia de fígado cru. Debateu-se um pouco mais e então parou, desta vez, pra sempre.
O Algoz se divertiu muito. Riu como nunca e ali mesmo o esquartejou, separou as partes e pôs a carne junto as outras do açougue. Vendeu toda aquela carne. Ouviu muitos elogios sobre a qualidade do produto. Depois conheceu esses bares escuros, com cheiro de tabaco e álcool, onde sempre haviam caras legais que gostavam de se divertir com ele, mas agora, ambos se divertiam, cada um ao seu modo.
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Com esforço Castelo conseguia rolar a pesada porta, faltava pouco. "Esses maníacos desgraçados, maníacos desgraçados" Algo assim rodava em sua cabeça. Ouviu um baque forte seguido de um clic. A porta se fechou. Soltou uma gargalhada curta e demente. Se arrastou para a frente da porta e viu o trinco fechado. Começou à rir histericamente e caiu num choro forte.
Chorou muito alto.
Olhou suas roupas jogadas no chão perto de um colchão velho, não muito longe, e se lembrou de seu celular, discaria com a língua pedindo socorro. O pior já havia passado.
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A porta selou-se num som pesado e surdo. O Algoz achou estranho. Aquilo nunca ocorrera antes. Ouvira falar de pessoas que morreram congeladas, esquecidas trancadas dentro de câmaras frias. "Deve ser um jeito triste de morrer" Um pensamento fraco nesse sentido embaçou sua cabeça. Não sabia se estava triste ou feliz. Não entendia dessas coisas. Pensou nas pessoas que morreram daquele jeito. O frio lhes apertando os pulmões, endurecendo-os. Sem ter como destrancar a câmara por dentro, essas pessoas eram depois encontradas com o semblante em uma expressão eternizada, de pavor. Pensou no quanto era importante ter aquela câmara moderna, que destrancava por dentro e por fora, não gostava de sentir pavor. Talvez sentisse isso quando seu velho fechava as portas do açougue. Levou as mãos cinzas até a alavanca mecânica, destrancou a porta e a rolou para a direita. Olhou para a maca e a viu vazia. Sentiu algo semelhante a tristeza. Ouviu então um gemido engasgado à sua direita. Lá estava seu amigo Castelo. Arrastava-se nu e patético, suando e sujando-se no chão. Teria de lavá-lo de novo. Abriu novamente sua preciosa caixa metálica. Lá estavam seus brinquedos. Todos muito limpos, polidos, reluzentes e afiados. O Algoz gostava de tudo muito limpo.


Marcus Gonzalles
(publicado no Ebook do Vale das Sombras "Edição 2° Aniversário)

sexta-feira, 21 de março de 2008

JUDAS ISCARIOTES

A taça de vinho reluzia sob as luzes incrivelmente refratadas do colossal templo. Sentado à sua frente, Yashua olhava-o gravemente.

-Nunca poderei me sujeitar a tal papel! - Judas falava decisivamente.

Era o seu melhor amigo. Haviam estudado nas mesmas Escolas de Magia, no Plano Superior. Suas linhas de ascensão eram idênticas.

-Tu és o mais preparado para tal missão. - disse Yashua. Sabes que é chegada a hora de descermos.

Judas não quis ouví-lo. Tomou um gole de vinho. Estava inquieto.

-Os homens me odiarão. Nunca compreenderão um gesto tão sublime. Eles são obtusos.

Yashua encetou a destra.

-Vede, Judas: Belém, uma cidadela miserável. Jerusalém a desconhece. Nada que sai de Belém tem valia. Roma esmagaria a Judéia com apenas uma legião de soldados...

E mostrou as regiões misteriosas e retiradas dos Essênios.

-Eles detêm a Tradição. Enquanto o Sinédrio e os Fariseus estão imersos no fisiologismo religioso, os essênios são os herdeiros dos Egípcios...

Judas replicou de pronto:

-E tu, Avatar, exige-me um ato inglório que perdurará por dois mil anos...

-Eu sofrerei no corpo físico todas as dores insuportáveis do flagelo. E peço-te somente um beijo em minha face. E com isso o selo de um pacto de fidelidade na execução do Plano Maior.

Judas baixou a fronte. Era um Espírito de luminosidade extraordinária. Yashua amava-o com a um irmão dileto.

Por toda aquela noite passaram a beber vinho e falar sobre tudo: os rumos que o Globo ia tomando, a hegemonia dos romanos e sua ulterior decadência. Os séculos sem-fim do Cristianismo adulterado que acabaria fazendo tantos agnósticos. E como Espíritos elevados, por todo o tempo mostravam-se fraternos, desprendidos, informais - como sucede entre os amigos verdadeiros.

Acima do tempo e do espaço, podiam ver do Alto o cenário como um todo. E para eles, tanto os Atlantes quanto os primeiros líderes da Nova Ordem Mundial, musturavam-se no presente imutável.

quinta-feira, 20 de março de 2008

A BAIA DOS MISTÉRIOS



A tempestade passou e, das cinqüenta pessoas daquela vila pesqueira, só foram encontradas vinte.
Não se sabe, ao certo, o que aconteceu. Alguns dizem que os ventos, que chegaram sem avisar, levaram os trinta moradores que se encontravam despreparados, fora de suas casa ou de qualquer outro abrigo.
Outros dizem que o mar levou aqueles que estavam pescando, ou à beira da praia.
Porém, o mais intrigante é que dez dos sobreviventes contaram uma história totalmente diferente das duas anteriores. Eles afirmam que os demais moradores estavam em suas casas e só viram partes distintas do todo dos acontecimentos.
Estes dez sobreviventes contaram que poucas pessoas estavam dentro de suas casas e as demais trabalhavam pelas ruas, praias e na baía local, quando um objeto voador, não identificado, com formato ovóide e luzes brilhantes e intermitentes, pairou sobre a vila. Dele saíram raios que provocaram uma tempestade que rodeou a vila, mas não a atingiu. A mesma tempestade interferiu nas transmissões de rádio e TV e até a rede de energia elétrica foi afetada.
Minutos depois, um clarão invadiu a vila, cegando a todos por cinco ou seis minutos. Conversas foram ouvidas, em dialetos e idiomas diversos. Quando a intensa luz desapareceu, trinta dos moradores haviam sumido.
Naquele momento, o Objeto Voador Não Identificado começou a girar em torno de si mesmo e a se distanciar da vila.
Instantânea mente, a tempestade se fechou sobre a vila, enquanto a nave sumia por entre as nuvens e trovões. Foi nesse momento que os moradores, que estavam em suas casas, saíram às ruas. Daí se explicam os depoimentos anteriores.
Apesar de os radares da base aérea local não terem detectado nada, a história do suposto disco voador é a mais aceitável para os moradores da região. Afinal, a tempestade só atingiu a vila pesqueira, enquanto no restante da área da Baia dos Mistérios, o sol brilhava.
Na verdade, só poderíamos saber a verdadeira versão dos acontecimentos, se os desaparecidos voltassem.
Esses fatos aconteceram há dez anos e, até hoje, quando se pergunta sobre os desaparecidos, os moradores da Baia dos Mistérios, simplesmente exclamam:
- Estão todos juntos dos Deuses!


1990.
Fernanda e Beto Reis

quarta-feira, 19 de março de 2008

Encontro com a Morte




Era escrava da dor que cultivava se auto-infligindo em ritos as
piores provações. Bulímica, anoréxica, esquálida, tão magra que os
familiares não suportavam sua figura. Vivia no quarto trancada.
Restos de comida e sacos de vômito escondidos no fundo das gavetas e
armários. A enfermeira contratada havia se demitido naquela manhã, o
soro estava jogado no chão.
Sentia um enorme prazer em exibir as marcas de gilete que marcavam sua
inúmeras internações. Eram tantas que os dois braços inteiros já não
bastavam. Após entupir a sonda gástrica que a alimentava, ouviu passos
suaves próximos à sua cama. Um vulto diáfano envolto em véus escuros a
observava. A tão ansiada visita da morte finalmente se apresentava.
Apurou a visão, o rosto era familiar, mas tão apagado, quase não via as
feições e muito menos o que o fantasma murmurava...apesar da fraqueza,
tentou enxergar alguma coisa e mais uma vez reconheceu fragmentos de
um espectro débil e quase incolor. Sentiu o corpo tremer em espasmos,
as articulações doíam, as vísceras ressecadas ardiam em pontadas, mal
conseguia respirar...
Mais uma vez a figura espectral se aproximou e desta vez uma luz muito
fraca iluminou a face cadavérica. Horrorizada a menina viu seu próprio
rosto, a boca muito aberta tentando emitir algum som, os dentes haviam
caído, ossinhos no lugar das mãos tentavam tocá-la. Ela gritou,
gritou de horror diante do espelho da Morte. Seu reflexo seria o
castigo e sua única companhia na longa travessia desejada. No último
instante se arrependeu da existência inútil, mas era tarde demais.
No vale dos suicidas almas gemiam em desespero, abutres aguardavam a
carniça, o ar pesado, denso, nenhum rosto amigável nem mão estendida,
apenas dor e lamentos. Caminhando por estreitas vielas tropeçava em
meninas e meninos jogados no chão, sem forças, derrotados, esperando,
não falavam nem se moviam. Alguns estavam tão desfigurados que nem
pareciam serem humanos, eram restos distorcidos, mutilados, fiapos de
carne ...como ela, só tinham o vazio e a desesperança.
Uma menina vinha caminhando apressada e com ela uma legião de crianças.
Quando estavam próximos ela percebeu que não eram crianças e sim
adultos e adolescentes descarnados numa procissão de horrores sem fim.
Eles vinham buscá-la, eram seu comitê de boas vindas. Reconheceu
antigas amigas de hospitais, se abraçaram, rindo e chorando, entre os
seus o lugar já não parecia tão inóspito. Sorriu. Estava em casa.

Giselle Sato
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terça-feira, 18 de março de 2008

O encontro do orvalho e dos gatos podres




Uma criatura pequenina pintava toda sua casa escura, com os dedos, quando a campainha tocou, como alarme de incêndio.


Coração disparado,todos os gatinhos despertaram e correram em direção ao portão de ferro,ninguém nessa história conhecia esse som.


Nunca havia recebido uma visita ou saído de casa e a solidão avassaladora tornou-se companhia diária, comportável até.


Correu para o portão e o abriu sem hesitar, a curiosidade era maior do que ele, não respondia por si.Uma mulher arrepiante o aguardava do outro lado da grade,sua beleza era de outra esfera.-Por favor, posso morrer mais cedo? Perguntou a fêmea.


O menino nunca tinha ouvido uma voz antes e tamanho foi o efeito que lhe causou: um principio de convulsão, mais psíquica que de qualquer outro gênero . Debateu-se contra as ferrugens, mordeu lábios, mãos, língua, caiu no chão, mas isso durou pouco.


-Entre moça, tem leite quente e sopa de batata aqui. E minhas flores são sempre orvalhadas.Foi o que escapou de sua boca rosada.Ela entrou e a cada passo que dava um gato morria.Sentaram-se munidos de líquidos, sólidos e fragrâncias orvalhadas, o menino não percebera ainda os óbitos dos gatos.


-Como se chama?Perguntou com o leite puro na boca.


-Deus. E Você? Queimando-se com a sopa.


-Criança do eclipse abismal.


-Acho que bati na porta certa então...Fecha os olhos?
Ele fechou. Deus não estava mais lá quando abriu novamente, os líquidos ainda fumegavam, o cheiro de gato podre e flor fresca era enlouquecido.


segunda-feira, 17 de março de 2008

Indefinível


Descamba pelo escorregadio calçamento urbano,
Foge desesperado do seu próprio preconceito medroso,
Não reconheceu a ginga noturna,
Ouviu gargalhadas distantes que o enfraqueceram.

Cada vez mais longe de sua correria sem rumo,
Que se aventura na agilidade da noite e a desconhece.
Estranha no frio, as poucas vestes e o luxo,
Que se encontram nas esquinas arborizadas da zona sul.

Indefiníveis homens falsos, humanas mulheres...
Encarnam tons vivos em sublimes feições,
Malícia de leopardo numa coragem jagunça,
Na calada passarela sombria, desfilam...

Para desconhecidos executivos,
Falsos homens, mulheres que encarnam sublimes,
Que buscam suas indefiníveis coragens,
Longe de suas correrias sem rumo.

Descambam urbanas gargalhadas
No preconceito escorregadio e medroso,
Fogem na agilidade da noite,
Desesperados, distantes da zona sul.

Jagunços falsos enfraquecem no frio,
Encontram-se nas esquinas da noite,
Poucas vestes que se aventuram,
Correria humana e a agilidade noturna.

Falsos homens encarnam sombrios,
Leopardos jagunços na passarela desconhecida,
Nem homens nem mulheres,
No preconceito escorregadio dos seus próprios demônios.

Giroflex vermelho. Um corpo indefinível...
Preservado por homens desconhecidos, urbanos, noturnos,
Longe de suas correrias sem rumo,
Até a chegada do IML.

domingo, 16 de março de 2008

Mundo




O MUNDO CAI.
EU MORRO SOZINHO.
APESAR DE EU TER ASAS NÃO CONSIGO VOAR.
AS FLORES MORTAS NO MEU QUARTO ME MOSTRAM O QUANTO O ALIVÍO DO ÚLTIMO SUSPIRO ATRAI MINHA DOENÇA PARA FORA DO MEU CORPO.SOU UM GAROTO DE PELE DESCARTÁVEL.PRECISO SER LIBERTO.
O DIA INTEIRO PASSA. MORRO.MORRES.MORTO.
PRECISO MENTIR PARA SABER A VERDADE.
FLUTUO SOBRE UM CHÃO DE ESPINHOS SEM SABER AONDE CHEGAR.
CORTO-ME.CORTES.SANGUE.A MINHA VIDA INTEIRA CAI NESSAS GOTAS DE SANGUE.AS NUVENS CHORAM.É PRECISO CHEGAR A UMA PENUMBRA.
ASAS.SONO.VENTO.MULTIDÃO.CEGOS.ALEIJADOS.O MUNDO É POVOADO POR SERES DESCONHECIDOS.VELHOS.CRIANÇAS.PEDAÇOS DE CORPOS NO CHÃO.AMORES.PAIXÕES.DORES.ÁPATIA.MEDO.SANGUE.TRIPAS.BONECAS ESTRUPADAS.SANGUE.CORTES.COÁGULOS.ÓDIO.DOR.
O DIA INTEIRO SERÁ SEMPRE NOITE NESSE QUARTO...ONDE EU DESPERTE...NO MEU LEITO SOLITÁRIO...

RAXDSON.... AOS 20 ANOS QUE ME RESTAM...

sábado, 15 de março de 2008

Onde estará nosso herói?




O que aconteceu com José Mirolha?
Teria sido devorado por um tubarão em suas viagens fantásticas pelo Atlântico?
Ou teria levado uma mordida de um terrível Vampiro?







Nada disso,rsss
Ele apenas está sem net.
Aguardem notícias do Front...breve.

sexta-feira, 14 de março de 2008

By Flá Perez


Apócrifo

Primeiro Cavaleiro

Saliva Incendiária
esparge:
vários pontos encarnados,
grandes pintas
no mapa de guerra
da raça quase extinta.

Segundo Cavaleiro

Molesta
e pinta
em ossos destroçados
febre, convulsão,
multicoloridas tintas
Envenena a pele,
o sangue, o cerne
da raça quase extinta.

Terceiro Cavaleiro

Cobre as caveiras das gentes
com Nanquim podre
da fome retinta,
dos dentes inexistentes
da raça quase extinta.

Quarto Cavaleiro

Tem compaixão
e treme a terra
abre fendas
arremessa enormes pedras!

Destrói de vez
e ressuscita
a raça quase extinta!

quinta-feira, 13 de março de 2008

>VOZES DE MONTPARNASSE<



Vozes de Montparnasse
Thiers R>


Localizado na França vive o mais imortal dos cemitérios: Montparnasse. Lá residem grandes personalidades -> Beckett, Cortázar, Maupassant, Marguerite Duras, Sartre e meu muso.
Da tumba que te acolhe no calor infernal, do cheiro vomitado que floresce em amarelo-disforme, das palavras putrefatas que cuspiste Baudelaire, metamorfoseemos.
Era noite, o portão rangia orgasmos e eu a desejava. Cobri-me no capuz negro( essa coisa tem um charme!)
Segui os passos da deusa cravados na calçada, sentia o cheiro peculiar de suas coxas a me invadir, seguia tonto. Tenho tanta facilidade de me entorpecer!
As formas desenhadas ao corpo dançavam. Meus pensamentos paralisaram:
Era ela e meu desejo...
Do tumulo num país distante, ouço tua voz sussurrar ->
“..... à carne que se arruína,
ao verme que te beija o rosto,
preservei a forma e a substância divina
de meu amor decomposto! ....”


Enlouqueci! Por que razão vinha Baudelaire morto em 1867 dormindo entre personalidades do cemitério de Montparnasse, destilar este fragmento?
Paranóico que sou, gelei...
Fazia calor mas suei frio. Meu pensamento respondia: - faz isso comigo não, acaso querido poeta algum dia empatei tuas fodas?
O vento começou a rasgar árvores e eu na minha paranóia dizia: É o juízo final... É o juízo final...pequei e pequei feio.
Parei num bar e bebi. Cheguei à porta onde uma Rose já perfumada abriu e
olhou-me dizendo:- Que foi, viu algum fantasma?
Entrei calado, olhei pra TV onde em letras grandes lia-se THE END.
Que alívio! pedi uma toalha e fui pro banho. Eu fedia tumular mente...
Puxei-a ao Box decidido a embriagar-me di Roses.


2008>>
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quarta-feira, 12 de março de 2008

Souvenir




Acorda cedo. Mãos imundas. Lava uma vez, muda o sabonete, este já esta contaminado, pensa, cinco ensaboadas em cima de cada mão, sete nas palmas. Entra no chuveiro, liga três vezes, antes de sentir a água, escova os dentes, trinta giros completos dentro da boca. Vai para a janela, limpa a vidraça, pano umedecido com álcool três vezes.
Olha-a, de camisola, na mesa de café, cabelos perfeitos bem penteados, com cachos nas pontas, estética perfeita, mãos que seguram uma xícara de porcelana, quase tão alva quanto a sua pele. Ela o nota e encosta a persiana da cozinha. Ele sente a rejeição. Dá rejeição ao desejo. Do desejo à volúpia.
Coloca suas luvas, não gosta do seu tato, sente suas mãos amortecidas, como se fossem de outra pessoa e não as suas, as usa quando é necessário, de forma precisa. Confere a porta quatro vezes antes de descer as escadas. Afasta-se do corrimão marcas de dedos e manchas de suor na madeira clara lhe dão náuseas.
Para no caixa eletrônico, com ajuda de um lenço de papel retira as notas de dinheiro e coloca dentro da carteira de couro escuro.
Entra no consultório, senta e espera à hora passar, lê um panfleto que se encontra sob a mesa de centro, a secretária o olha, não o conhece ainda - deve ser funcionária nova- pensa- estranha minhas roupas, luvas em um dia de verão, talvez sinta medo do meu rosto pálido.
O panfleto mostra exemplos de síndromes e transtornos comuns, TOC, transtorno obsessivo compulsivo, depressão, bipolaridade, síndrome de turet.
Sai do consultório sabendo que aquela terapia não serve para ele, nada muda nem seu comportamento nem seus desejos.
Chega em casa limpa a janela, pano úmido com álcool três vezes, cinco voltas para a direita cinco pra à esquerda, três nas laterais.
Ela não está em casa só chega em algumas horas, sabe que ela foi trabalhar, pois acompanha todos os dias a descida dela até o ponto de ônibus e o embarque as 9:00 horas.
Contenta-se em ficar olhando seu quarto, ela está trocando as cortinas desse cômodo, o que o favorece muito, pode vê-lo completo. Mobília escura, decoração sóbria. Admira cada centímetro, imagina que cheiro tem o ambiente. Talvez sua pele tenha o mesmo odor. Suas mãos, dedos incrivelmente longos e alvos.
Pensa enquanto desliza a mão sob o seu delicado souvenir.


***

Observa seu corpo nu sobre a mesa. Perfeita, exceto, pelo bisturi em que ele delicadamente introduziu em seu ventre. O utensílio não a deforma apenas a modifica.Ele deleita-se em sua beleza ainda mais quando a corta nas extremidades. Um corte perfeito da altura da vagina até o pescoço, mãos talentosas e odiadas. Limpa o bisturi com cuidado, cinco mergulhado no álcool antes de começar.
Incisões perfeitas resultam em bons suvenires. Dedos? Bons suvenires.

***

Organiza a coleção -bela- conclui. Porém um colecionador nunca se satisfaz sempre existe algo mais a buscar, a perfeição está sempre no próximo toque.
Senta-se e limpa seus suvenires um a um. Belos. Dedos de damas.


Juliana T. Padilha

terça-feira, 11 de março de 2008

Já não oro


Já não oro:
Calo.
Deixo de recorrer
A deuses pequenos,
Mundanos,
Que nada sabem
Dos meus planos.

Nego-me fazer promessa,
Chantagem
Que descumpriríamos
Parte a parte
Em negociata
Tacitamente
Mentida e sabida.

Só sei,
Sem que este me saiba,
De um capeta
Que me arde os olhos
Feito malagueta,
Me suja os dedos
De tinta preta.

Único dono
Com posse e direito
Do que me é
Arrancado do peito.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Para mi Pica



Picácea pica que procura
A cura cetácea de outro dia
Picada em rija pica dura
Em picardia ardia a pica.

Falácias fáceis da loucura
A pica livre louva a Gina
E Gina louca em vê-la dura
Gruda, agrada e grita viva.

Cálida pica que plena rasura
A rasa e rígida vagina
Desliza leve pra obscura
Parte que sol não ilumina.

Do afã anel afável se ouvia
A pica dura em mais uma picardia.
___________________
Leandro de Almeida

domingo, 9 de março de 2008

Na noite carioca


Ele a avistou próxima do Copacabana Palace, na Avenida Atlântica. Ela era ruiva, usava uma mini-saia de vinil roxo e um top branco. Seus seios eram pequenos e seu cabelo era curto.
Ela era perfeita.
Sem dizer nada, ele parou seu carro próximo à ela e abriu a porta do passageiro. Ela fez sinal para sua amiga, que assentiu e voltou a se oferecer aos carros que passavam. A ruivinha entrou no carro e fechou a porta.
- Qual é o seu nome, querido? -, perguntou ela, tímida. Ou era muito nova na profissão, ou fingia muito bem.
- Papai. Apenas me chame de “papai”.
- Aonde vamos, papai?
- Fique quieta, querida.
- Sim senhor.
Ela não disse mais nada.
Eles dirigiram por vários minutos. Durante o caminho, “papai” colocava a mão nas pernas da pequena ao seu lado, e ia subindo até a entrada de sua vagina, e pensava no que faria com ela. Ele já tinha tido várias putas como essa, magrinhas e branquinhas, de peitos pequenos. Lembravam a ele sua filha. Para falar a verdade, ele ainda preferia sua pequena Irina, porém ela se certificou que ele nunca mais a tocaria, cortando seus pulsos na banheira.
“Primeiro a foderei, depois talvez eu a estrangule ou esfaqueie. Ainda não sei qual dos dois”, era o que ele pensava durante sua viagem. Ela, por outro lado, ficou quase que completamente calada, fora alguns gemidos que soltava quando o dedo dele roçava em seu clitóris.
Chegaram à uma área florestada, na Tijuca. Estavam completamente sozinhos.
Ele removeu a capota do carro e mandou ela se sair. Ela se levantou, calada, e ele logo a seguiu. Abraçou-a próximo a si, segurando em suas nádegas.
- Agora você vai agradar o papai, não vai, querida?
Ela olhava para baixo. Ele segurou seu queixo, levantou sua cabeça e olhou em seus olhos.
- Não vai, querida?
- Sim, papai. -, foi sua resposta.
Ele ficou mais alguns segundos esfregando-se nela. Então, sentou-se no banco traseiro e mandou ela se ajoelhar.
Abriu sua calça e retirou seu pênis. Notou os olhos dela se arregalando. “Um bom toque”, pensou ele. Não era tão grande assim. Ele sabia que ela estava fazendo um teatrinho. E adorava.
- Agora, chupa o papai, chupa.
Reclinou-se e fechou os olhos enquanto ela timidamente segurava seu pau, movendo o prepúcio para cima e para baixo.
- Sim, sim -, murmurava ele.
Ela passou a punhetar mais rápido, lambendo ao redor da glande. Depois, começou a chupar, enfiando o pau até o fundo de sua garganta.
Ele adorou. Ela mantia seu pênis em sua garganta, e fazia movimentos de engolir. Após um tempinho, passou a punhetá-lo enquanto enfiava um dedo em seu ânus, massageando sua próstata.
Ele, reclinado em bancos de couro já acostumados a receber corpos de putas mortas, pensava em mil maneiras de vióla-la, após sua morte.
“Fazer um buraco em sua bochecha e foder ali mesmo... é uma boa. Ou então comer seu cú até as pregas rasgarem. Mas tudo ao seu tempo”.
Enquanto isso, ele, deitado de olhos fechados, sentia algo que nunca havia sentido antes. A maneira com a qual ela chupava, era celestial! Ele sentia que seu pau ia explodir, de tão bom que estava.
Visões de morte permeavam seu pensamento. Era um psicopata, e adorava isso. Mal sabia aquela pobre putinha, que iria morrer depois de ser fodida.
Sentindo um êxtase até então nunca sentido, ele abriu os olhos e olhou para baixo.
Era no mínimo engraçado.
Os olhos da menina haviam mudado. Tinham se tornado negros, completamente. Sua testa adquiriu rugas estranhíssimas, quase que inumanas.
Quase não, inumanas mesmo. E o mais estranho não era isso.
A boca dela tornara-se um buraco negro. Ele se viu quase meio corpo para dentro dela, porém não sentiu isso. Sentiu o maior dos prazeres que já havia experimentado até então.
Ele se viu afundando cada vez mais, e pensou na ironia que era a vida.
“Não parece uma maneira tão ruim assim de morrer”, pensou ele.
“Ah, mais é”. Ele ouviu isso em sua mente, uma voz tão horrível, que mesmo essas poucas palavras lhe causaram um terror que nunca sentira antes.
Após ouvir isso, a dor começou.
Ele começou a gritar. Parecia que estava entrando em um triturador de lixo. Seus pés foram primeiros, estilhaçados. Suas canelas, joelhos, coxas. Quando chegou a vez de seu pau, a dor já se misturava em um turbilhão em seu cérebro, e ele não distinguia mais nada. Ela, por seu lado, gemia e soltava sons de prazer.
Enterrado até o pescoço, triturado da cintura para baixo, ele olhou nos olhos dela.
Negros como a noite.
“Eu como por fome. Mas você, eu comerei com mais prazer ainda”.
E ele afundou completamente naquele poço da morte, já morto quando sua cabeça entrou por fim na boca daquele demônio.
Ela se levantou, boca de tamanho normal, olhos verdes e testa lisinha. Olhou para o carro do homem a quem acabara de ingerir.
E sorriu, saciada e contente, antes de voltar para seu ponto, curiosa para saber se sua amiga também se dera tão bem naquela noite.

sábado, 8 de março de 2008

EM NADA SEMPRE




Quando eu deixar o Orbe antes de ser gente
Muitos lembrarão do meu fim legado
Todos sentirão meus nervos de passado
E saberão dessa insônia de ser ente.

Quando eu me for pra sempre desta casca
Muitos nem lembrarão que inexisti
Nem ficarão avisos que existi
Meu nome será levado na borrasca.

Eu vou como quem cumpre em si um momento
Vou para um além de nunca imerso
Sem respirar de volta inferno em ar

Vou sem me compor de mim um verso
Esquecer-me do que fui: destroço em mar
E acabar com as mentiras do meu nascimento.

dos Anjos

sexta-feira, 7 de março de 2008

A Fúria da Foice





Foice de amarguras
sua fúria ceifou
minha alma , deixando
minha aura escura.


Fúria da foice que domina,
vem chegando e podando
toda alegria, numa fúria incessante
e enlouquecida.


Cortou minha trilha,
ceifou minha vida,
arrancou do meu peito
a esperança contida.


Esta fúria que move
montanhas, que parte
em duas partes minhas
feridas, feito a foice da morte
marcada para aquele dia.


Mata tudo que vem pela frente,
a fúria da morte...
feito foice demente, afiada,
de dois gumes delinqüentes


Nessa ira que me envolve,
nessa foice que me corta,
entregar-me-ei ao ócio e naquele
pódio que nunca pertenci, deixarei
que a fúria da foice me dilacere até me
sucumbir.


Fúria da mente
Foice do ódio
Morre tudo que se tem
Mata tudo que se pode.


Leni Martins

quinta-feira, 6 de março de 2008

CONVIDADO DO VALE... Adroaldo Bauer


"Não há baile de máscaras em Palmares"


Woodstock não é gulag de paz em Hanói
As pedras rolam da memória de Shatila
Não da desastrada jornada de Altamont
Há rosas consentidas em Hiroshima
O Mardi Gras nunca será em Dachau
Treblinka ou Buchwald não fazem festival
A diáspora africana aferrolhada, senhora
É mais que samba-enredo na avenida agora
É uma caratonha no retrovisor senhorial
Só quer ser tragédia humana na história
Dar fim, Anastácia, à farsa ainda universal

Adroaldo & Juliaura bauer
28.02.08
.
.
.
.
Nu e cru, um fio de navalha
.

Em essência, sobrepaira o aroma da presença tua.
Passo a passo na linha, uma alma desalinhada, nua.
Enredado em teus cabelos, um fio de navalha, crua.
.
.
Adroaldo
.
.
Adroaldo Bauer - Jornalista, autor da novela O dia do descanso de Deus -
http://coisaegente.blogspot.com

quarta-feira, 5 de março de 2008

A Bruxa e a cidade Solidão


De Angela Oiticica


A bruxa voava
e a vassoura
armava
a direção
entre a lua
e a espada
sua sombra
se agigantava
a vomitar
a maldição
que caia
enlutarada
na cidade
Solidão

Passou a bruxa
e a cidade
agora ruínas
lacrimeja
sem espada
sem lua
nem nada
envolta
pelo véu
da escuridão

Angela

terça-feira, 4 de março de 2008

Resíduos





Há flores sintéticas
Anjos nem tão anjos
Risos falsos... Poemas
Mutilados de emoções
Há vozes roucas
Sufocadas... Num canto
Da boca.
Há sonhos pulverizados
Pétalas solitárias
E se ouve ao longe
O ranger da alma,
O espelho não pode reter
Há fogo... No âmago do ser.

(Sirlei L. Passolongo)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Criatura sem alma


Criatura sem alma
Por Adriano Siqueira


O Melhor vinha depois da mordida!
Elas ficavam imóveis e sem reação.
Podia carregá-las sem problema!
E normalmente as levava para o carro.
Odeio sujar o chão do meu carro.
Dessa vez eu tinha que ser rápido...
Eu tinha outra "visita" ainda hoje.
Amo a marginal! Amo aquele rio fétido.
O corpo já era! O caso agora, era tirar o cheiro!
Preciso me lavar com as terras do meu caixão!
Eles devolvem o meu cheiro normal!
Droga... Minha sala está um lixo!
Pelo menos as roupas estão passadas e bem cheirosas, não terei problemas!
O gel que peguei no banheiro! Essa merda lembra sangue coagulado!
Meu carro quase não pega! Vou ver isso depois.
Odeio carros de dez anos atrás! Não posso dar bandeira!
Essa rua .. Era aqui mesmo o encontro!
Ela é uma mulher e tanto!
Mas que diabo.. A vadia me feriu?
Maldita ainda arranhou meu carro!
Meu braço está cortado pela estaca quase ela me pegou!
Água benta nas minhas pernas..
Minhas calças sujaram .. Vadia... Tudo rasgado...
Pelas costas não... Sua covarde...
Olha isso!!! Tudo rasgado... Sujo... Preciso me lavar... Preciso...

domingo, 2 de março de 2008


Derramando tinto vinho

à mesa de um maçom

O cálice pretotorneado

pedia por arte bárbara

Tantas que fossem

ao quarto de Azul

nenhuma escapava

ao terrível maçom

E ele as possuía

as seduzida... e mais

Até que delas se cansava

e seu frasco de vinho

enchia... e mais... e de novo.