quarta-feira, 30 de abril de 2008

LUCASI Apresenta Me Morte e seus Escudeiros Mali e Doctor



Ultor encontra Me Morte e seus fieis Escudeiros Mali e Doctor.

Isso mesmo, ULTOR, o Herói que não mata vai
se deparar com ME Morte, a justiceira implacável...
ambos lutam por Justiça, mas o choque entre ideologias
pode transformá-los em adversários... aguardem.

Esse amigo sonhador e talentoso da Me, LUCASI, fez mais uma de suas artes!
Ganhou de vez o coração da Me!

Confiram
AQUI no seu blog.

terça-feira, 29 de abril de 2008

CILADAS DO AMOR


O sol se punha no horizonte, detrás das montanhas cobertas de neve.
Era como uma bola de fogo, os reflexos vermelhos tingindo os cumes brancos num cenário quase irreal, belo e selvagem.
O vento frio soprava forte, continuo, varrendo as montanhas geladas.
A escuridão chegando aos poucos, sorrateira, avassaladora.
As primeiras estrelas já brilhando no céu de um azul profundo.
Neste mesmo instante, ele acordava de seu sono profundo. A sede imperiosa o fez acordar. Ele não queria mais viver assim, eternamente. Não agüentava mais a solidão das noites frias. Estava cansado de matar, de caçar pela noite afora em busca do tão precioso fluido vital.
Ah, ele sonhava com uma companhia para aplacar a dor de existir sozinho na imensidão da eternidade.
Em vão, havia corrido o mundo em busca de seus irmãos e irmãs no sangue negro. Alguém, com quem pudesse compartilhar a insanidade desta condição.
Ele sentia em seu coração sem vida, ele sabia que existiam outros como ele. Mas os havia perdido de vista durante os séculos que se passaram. Cada um preocupado consigo mesmo, sempre fugindo dos constantes ataques, do mundo cada dia mais perigoso. Era arriscado demais se aventurar sem planos definidos.
Mas ele continuava a ter as visões, a ouvir o chamado silencioso de um coração igual ao seu. Morto para a vida, mas vivo o suficiente para sentir, para amar e odiar.
Em suas visões ele via uma mulher, uma vampira como ele. Bela e forte. Sábia. Antiga.
Ele ouvia o chamado, ele sabia que ela estava a sua procura, a sua espera.
Ele a via em seu covil escuro, esperando por ele noite após noite. Chamando por ele.
Mas por que ela o chamava, por que ansiava por ele?
Ele tinha que saber tinha que ir até ela, não agüentava mais esperar por um bom momento.
Resolveu que seria nesta noite, uma noite tão linda e fria. Sim, ele iria até ela agora, não esperaria mais nada.
Usando seus poderes ele começou a levitar, ficando mais leve que uma pena. Deixou seu coração e sua mente livres para o guiarem na direção correta. E ele voou leve, ligeiro, as luzes das cidades lá embaixo, difusas. Um torvelinho de luzes e escuridões.
Cruzou montanhas, mares e florestas deixando-se levar pelo chamado, pelo coração.
Ela já sabia que ele estava a caminho, ele podia sentir a emoção, a ansiedade, a alegria depois de tanta dor.
A despeito de sua velocidade sobrenatural o dia estava amanhecendo, ele pode ver a claridade no horizonte. Era tempo de se esconder.
Desceu de seu vôo incansável pelo céu. Estava numa floresta, precisava procurar um local adequado para se esconder dos raios assassinos. Ele não queria mais desaparecer, agora tinha uma razão para continuar, tinha um ideal, tinha alguém esperando por ele.
Sem local aparente para seu repouso, Adolf cavou um grande buraco na terra coberta de folhas secas. Antes que o sono de morte chegasse, ainda teve tempo de enviar uma mensagem para sua amada.
_ Estou chegando meu amor, amanhã estarei ao seu lado. Finalmente juntos.
O sono chegou, nublando os sentidos.
Na noite seguinte ele saiu de seu esconderijo e iniciou o restante da viagem.
Estava bem perto agora, podia senti-la. Podia ouvir sua doce voz chamando.
Adolf voou por mais um tempo. Sentia até o perfume dos cabelos dela. Estava perto, muito perto.
Ele sentiu que chegara ao local. Olhou para baixo e viu as luzes da cidade.
Pisou suavemente no solo desconhecido.
Estava num beco escuro e fétido. Pessoas passavam apressadas na calçada. Assustado ele se escondeu no canto mais escuro e chamou por ela.
_ Estou aqui amor, apareça.
E então, de cima do telhado do prédio mais próximo ela pulou.
Adolf se virou na direção do barulho e finalmente a viu. Linda, etérea.
Vestia roupas estranhas, coloridas. Sensuais.
Seu coração a tanto morto, apertou-se no peito cansado. Ele a amava. Precisava dela.
Abriu a boca para falar algo, mas as palavras morreram na garganta.
Ela não estava só. Agora ele podia ver que havia outros três homens atrás dela. No afã de vê-la, de falar com ela, havia se esquecido de sua habitual precaução.
Quem seriam? O que estavam fazendo ali naquele momento tão esperado e particular?
Quando viu as estacas de madeira nas mãos deles, subitamente seu instinto de predador sabia que havia sido enganado.
Era uma armadilha, eles vieram para matá-lo, matá-lo outra vez. Matá-lo de vez.
E num segundo os caçadores estavam ao seu lado.
Ele havia sido traído, traído por ela. Mentirosa, pensou. Não havia amor, não havia nada, apenas ódio e vingança.
E ele sentiu as estacas entrando em sua carne fria, sentiu a dor dilacerante.
Seu corpo explodiu em chamas iluminando o beco escuro.
E finalmente sua alma vagou livre, em direção ao céu estrelado. Finalmente livre de tudo, de todos os traidores.
Livre talvez, para encontrar seu tão esperado amor e a paz para seu espírito torturado.
_ Pegamos mais um Endora, graças a você!
_ Vamos acabar com todos eles, serei a única a reinar na escuridão. Vamos rapazes, temos muito trabalho ainda. Já localizei outro vampiro. Vamos começar tudo outra vez..................



By Ana Kaya, the vampire

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Soneto


No riso escandaloso fugiste da solidão
na calma do teu espanto fez-se canto
fez-se de um pranto amor no meu coração
e dos olhos silenciosos chama sem ilusão.

Quem sabe tua boca fez de mim amante
quem diria tua boca um recanto constante
de repente acordo em lágrimas reunidas
de repente nuvens doces envolvem nossas vidas.

De tal anjo que jugaram-te és humana
és amor em primeiro lugar sem ser soberana
O seio genitor e delicado como uma bruma branca.

olhares cruzando-se leve e sem malícia
apenas me goste em milhões de tons sonoros
E sinceramente és minha face nos teus olhos.


Por Emerson Sarmento.

domingo, 27 de abril de 2008

Amônia zero
(MaicknucleaR)

Velha e boa. Viva e saudosa: Maldita!!! Uma ninfa que põem a agulha de uma quarenta e cinco, num disco do Marvin Gaye, apaga a luz da sala e come seu coração, à partir da memória. Uma vadia que rói a base dos portões levadiços, dos castelos mais troncudos, gélidos e imponentes. Criando assim, buracos que atravessam toda a extensão das montanhas de nossos prostituídos sentimentos e nos deixam imóveis, sobre os tapetes da nossa falta de fé. Aquela mãe da rua que escava nossas tripas, chupa nossos órgãos e vomita-nos numa privada sem água sanitária e piercing de pinho. A mais linda puta da zona, atirou em seu peito, de dentro para fora, com uma calibre doze, carregada com giletes e sal. Depois, largou-te à esmo, entre lápides, bares e falsos sorrisos que lhe pedem autógrafos higiênicos. Mas... se é isso que Deus me reservou e mandou que você, sua vaca, me trouxesse; diga ao carteiro que este endereço já não existe mais... ...e por favor, pare de apagar minha luz, pois já não há mais pulsos à serem cortados! E as cordas que antes me esganavam, hoje, tornaram-se frágeis linhas de costura e eu juro! juro que cansei de precipitar-me do vigésimo primeiro andar, por culpa de um deserto de solidão.

sábado, 26 de abril de 2008

Sombrio desejo

Afiado punhal
Próximo à pele
Na iminência do cortar
Nada ocorre
Nada faz sentido
Só o susto com uivo do lobo
E o frio na espinha
Por um triz
Tentando o corpo entorpecer
A carne adormecer
Mas a vida grita mais alto
É maior
Graças a maldita dor
Ressurgida do fio da navalha.

Cristiana Passinato

sexta-feira, 25 de abril de 2008

VIVO DEBAIXO DOS PUNHAIS




VIVO DEBAIXO DOS PUNHAIS


Rasgo dias em notas incolores
partido céu ensangüentado
naquela hora vermelho-crivo
ainda vivo
ainda vivo!
Mesmo o lamber-me
o crivo
Ainda vivo
nas veias incandescentes

Debaixo dos punhais
jorram palavras
ajoelhadas na alma
escrevendo textos que não são meus
ainda vivo no
sangue retalhado
transcrito
na língua
inscrito na mão
O texto?
É puro sangue
vermelho-crivo


** Gaivota **



***************

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A Hospedaria do Diabo - Capítulo 2

Capítulo 1 -
uma novela de Adroaldo Bauer


Um plantão de polícia na sexta-feira já é uma merda, com esse gelo de zero grau e chuvarada, pior será, ajuizava com dois botões de um surrado casacão três quartos o inspetor Cheguêva. A uma da madrugada, então, a geladeira em que se transformava a sala úmida de alvenaria já sem reboco do prédio da 13ª Delegacia de Polícia era um cenário que cooperava com o raciocínio do polícia, que apenas dormitava em razão de que pés, pernas e a bunda; da cintura para baixo, o corpo inteiro, não havia jeito de aquecer. Tentara todo o possível. Mover-se. Enrijecer os músculos. Descalçar os sapatos. Trocar de meias, que trouxera nos bolsos um par delas de lã, sobressalentes para aquelas ocasiões. Por fim, medida que aprendera com mendigos nas rondas de rua, enfiou jornal velho nos sapatos, que molhara na chuva para chegar de casa até ali, caminho diário de um pouco mais de dois quilômetros percorridos a pé, em qualquer condição de tempo. Olhou a folhinha do calendário e deu-se conta que também era 13 o dia do mês de agosto em que fazia aquele plantão polar na 13ª. Suspirou desalentado.
- Vai dar merda!
- Que merda que nada, considerado, é barro. Fede, mas é só barro. Cai um caldo de dar dó. Vai desabar barraco no morro. É só esperar. O mal já foi feito, falou à guisa de saudação à chegada o inspetor Valafora, colega de plantão de Cheguêva naquela sexta.
- E choveu só pra ti, ô sem alma? Eu molhei o pé no vaso aqui do mictório, é isso? É água tanta que a Várzea do Agrião já virou raia de remo e vela, mais um pouco os sem patrão vão jogar os caícos nágua do Arroio Areão, é só esperar. Boa-noite pra ti também, colega. Sente aí e vá encilhando o mate que eu já ponho a chaleira pra aquentar.

Não tinham trocado três cuias, a parelha foi interrompida pela estridente campainha do telefone, já posto em sala contígua como tática de precaução para evitar desmaios de paisanos, modo como os polícias chamavam o contribuinte que se apresentasse à DP para requerer serviços. Lembravam sempre em momentos de descontração de uma certa feita em que um paisano despenhou-se para baixo de um birô no tilintar de trovão do telefone e não havia santo que fizesse o homem acreditar que fosse apenas uma campainha.
- Me alcança uma arma que eu ajudo! Tá vendo alguém? São muitos? O ronco é de calibre grosso, podem crer.
- Tu és prejudicado de guerra, vivente! Sai daí debaixo e te apruma nos conformes que isso aqui é só local de trabalho, não temos plantão médico. Alguém traz aí um chazinho pra acalmar o moço dos nervos, convocara o delegado que ouvia a parte numa queixa contra uma vizinha.
- A sirigaita põe a vitrola no último furo, com aquelas modas de viola e fica se estufando pros moleques da rua toda. Já tem visita chegando até da rua de baixo pra bisbilhotar o ponto turístico. É pura algazarra o dia todo. Até dez da noite, quando ela desmancha o teatro e ainda fecha a cortina com um adeusinho beijado de mão, seo delegado.
O queixoso acabara de ouvir do funcionário que há direitos e bom senso, que uma conversa ia ser feita com a dona, quando o telefone tocou naquele espalhafato atingindo em pleno os nervos já abalados do homem.
- Beba o chá e acalme-se. Essa sua queixa tem remédio, aconselhava paciente o polícia quando recebeu de troco uma resposta inusitada:
- Chá eu tomo em casa, o senhor me respeite que eu quero é sossego.
A reação desmedida do queixoso foi recebida por estrondosa gargalhada dos demais presentes, uma senhora com um guri de olho roxo, a roupa rasgada; dois homens de gestos efeminados que até ali haviam sido apenas sussurros e cochichos, o gurizote faz-tudo, estafeta da repartição, e Ofelina, a servente, que quase deixa cair a bandeja em que, solícita, já trazia uma xícara de chá para o alterado queixoso.
O episódio virou lenda na 13ª.

- Atende lá, Valafora. É pra ti. Aliás, às duas da madruga só pode ser pra t, deve ser aquela...
- Pode parar por aí, considerado, já estou lá. Deixemos as privadas no recato...
- Se a privada é pública, não tem remédio, colega...

Com o retorno do silêncio ao ambiente, agora sobrestado o tumultuoso alarme acoplado ao telefone, Cheguêva apercebeu-se de que a chuva estancara. E também de que os pés já se haviam aquecido com a receita infalível apropriada dos miseráveis. “Melhor que não sou pé-frio em sexta 13”, regozijou-se o inspetor, ainda sem suspeitar do que ou quem era ao telefone, do que não retornava o colega há já uns cinco minutos.
- Tragédia! Explodiu um botijão de gás, incendiou um barraco no Morro Carlota do Piá! Tem morte! Parece que até criança! Apronta-te que vou chamar o vigia pra segurar o plantão!
Valafora era só agitamento, a exclamação em pessoa.
- Pego a camioneta ou o sedan?
- Pega um carro que ande e nos traga de volta, Valafora, deixa de suplício. Vai logo senão chegamos depois dos bombeiros saírem e o povo caga a cena do crime. Pressa, homem!
- Quem falou em crime, ô agourento? É incêndio. Explosão de botijão de gás e fogo.
- Tem morte, é quase crime. Pra mim é assim. Pressa, vivente!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

FANTASMAS




















À Cecília Meireles

Se fores de madrugada,
poderás vê-los bailar:
fantasmas! Ao vão luar!
É só íres ao sótão,
ao quarto das coisas velhas
e olhares pela janela
seu vibrante celebrar
da vida que já se foi
e que nunca mais será.



Marcelo Farias - Para Enrender a Mágica.

terça-feira, 22 de abril de 2008

INFORMATIVO DO VALE DAS SOMBRAS

INFORMATIVO DO VALE DAS SOMBRAS
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O Vale das Sombras lançou nesse último mês uma comunidade para que debatamos sobre assuntos que incomodam no nosso dia a dia. Foi o "Muro das Lamentações" que estreiou com muito barulho e vem lançando assuntos que vão desde sexo, até violência contra crianças, tão em evidência na mídia impressa e TV.
A
Me Morte, em mais uma atitude elogiada por alguns e amplamente criticada por outros, lança a comunidade "Instinto&CasaDosContosEróticos", lugar para se deliciarem com contos de libido e sacanagem.
E por fim, o
Concurso de Poemas do Vale , Edição Comemorativa dos 800 anos de Me Morte (para os que a chamam de múmia,rss), que está prestes a abrir no dia 25 próximo, lança suas regras logo mais a noite.
Lançou também o Protesto do Vale das Sombras a favor das Crianças no Overmundo e teve votos em menos de 24 horas para se estabelecer por lá em definitivo.
Ebook do Vale Volume II está quase pronto e conta com diversas surpresas que irão abrilhantar mais ainda o projeto.
Por fim, o site do Vale das Sombras está sendo construido com o empenho de Thiers R., seu amigo, colaboração da fiel escudeira Ana Kaya e necessita de apoio dos que tiverem interesse de ajudar o Vale a alavancar juntamente com seus blogueiros. Tire suas dúvidas com Me Morte.
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Me Morte
22/04/2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

E O SINO DOBROU.


Despertando bruscamente, pareceu ver diante de si o carrilhão. Mas não ouviu os repiques festivos dos sinos. Os dobres entravam, muito distantes, em seus tímpanos entorpecidos.

Que sensação terrível! A morte se lhe apresentava tétrica, trazendo com os dobres, o cheiro nauseante das rosas, dos círios, a opressão do esquife restringindo-o por todos os lados.

Enterrado vivo!

Não pôde crer de fato que vivenciava aquilo, com todas as sensações lancinantes, a escuridão medonha, o calor insuportável, o telurismo agindo já em sua epiderme abrasada e jungida ao tecido roto do paletó.

Debateu-se, num indescritível desespero. Espavorido, arrancou as unhas, crivando-as no rosto, perfurando os olhos, dilacerando a face, arrancando os cabelos, arranhando a tampa da urna que oprimia seu tórax asfixiado sob a espessa camada de húmus..

Urrou. Berrou. Gemeu. Nunca um humano mostrara de forma tão nítida os efeitos deploráveis do suplício. E o sino ainda dobrava, longe, no carrilhão do campanário da pequena urbe.

Agora não era mais a Pisadeira. Nem os Íncubos, Súcubos, Jurupari, ou qualquer entidade ideoplasmada da Projeciologia. A catalepsia patológica o atingira com todo seu poder, na quase ausência do pulso, da suspensão da endotermia, na rigidez cadavérica. Era ainda propícia essa correção cármica em época de tão rudimentar medicina.

Tal qual Lázaro, cujo amargo desígnio fôra duas vezes descer à campa, ele experimentou todas as agruras da segunda morte, esta real, lenta, sob os requintes da asfixia, do delírio, do arrependimento por suas faltas. E como todo agonizante, recapitulou episódios pretéritos, pressentiu a presença dos desafetos, sua figura de outrora sepultando vivos nos fronts das Cruzadas, e exumando cadáveres às piras da Peste Negra.

De bruços, deu o último e estertoroso suspiro, olhos esbugalhados, língua estirada para fora, seccionada entre mandíbulas incrivelmente atravancadas.

E, no plano físico, ainda não havia pago o último centil.

domingo, 20 de abril de 2008

Crianças. Questão de respeito e dignidade


Crianças. Questão de respeito de dignidade - Giselle Sato

Filhos são gerados, nascem, recebem cuidados, alimento, calor e atenção. Pequenos seres frágeis que tomamos sob nossa proteção.
Parte de mim está em meu filho.

Esta metade que amo tanto é a fonte inesgotável do amor que abastece minha alma e me faz seguir adiante. Não importa a distância ou a idade, sempre serão pontos de referência, caminhos de luz, aconchego em forma de lembranças queridas.

Crianças. Brincam no mundo colorido e doce do faz de conta. Abraçam e amam com pureza. São sinceros e instintivos. Generosos.
Pequeninos na aparência e gigantes em lições e atitudes.
Capazes de irritar, implicar, gritar, beliscar, pular e fazer birra. Por isso são crianças.
E cabe ao adulto explicar e ensinar os limites.

Direitos e Deveres. Existem porque são importantes.
Situar uma criança no mundo em que vive não é tarefa fácil. Principalmente se o meio é violento, competitivo e nada promissor.

Quantas vezes sentimos vontade de sair batendo portas e quebrando louças? O que nos impede?
Censura, comportamento social e medo.
Medo de ser apontado como louco e desajustado. Medo de ser excluído.

Criança não nasce obediente e boazinha. Testa para aprender os limites, aprende com nossos exemplos.
Um ambiente agressivo pode gerar uma criança calma e tranqüila? Dificilmente.
Um lar onde há brigas, discussões e violência física transmite boas influências?

Porque não somos honestos o suficiente para assumir que simplesmente não temos condições para ter filhos?

Nossas crianças não são objetos de experimentos, são seres humanos com alma, espírito e vida. Não nasceram para servir de cobaias e redimir o temperamento hostil e agressivo que portamos.


Até onde vai a maldade humana, a ignorância, a falta de valores morais?
Somos gerações carentes que se reproduzem.

É preciso que sejam feitas campanhas de conscientização em massa sobre Amor, Respeito e Educação.

Uma nação não sobrevive sem o alicerce.
Mil histórias são divulgadas diariamente. Impactos momentâneos e rapidamente esquecidos pelo horror seguinte.
Não é justo que nenhuma atitude seja tomada visando o futuro que está batendo em nossas portas.

O que está faltando para que tomemos cada caso de violência contra crianças como um problema social?
Não adianta varrer a sujeira para debaixo do tapete. É preciso resgatar a cidadania e dignidade.

E a pergunta que não quer calar, voce atiraria seu filho/a da sacada de um prédio? Vivo ou morto, voce seria capaz de tal ato?

Quantas cenas de mães agarradas aos filhos sem vida nas guerras são mostradas diariamente? Quanto mais seremos obrigados a suportar?

O ARRANHÃO - 20/04/2008




Toinho tinha 12 anos quando isso aconteceu. Já havia quatro anos que sua amada mãe havia morrido. A casa antiga da fazenda se tornava cada vez mais sombria.
Os dias eram solitários, seu pai não lhe falava muito.
As noites eram longas, os roncos de seu pai não lhe permitiam dormir. Ele ouvia cada som da noite. Desde o vento n plantação, até os chiados das galinhas no porão. Mas nada superava os roncos de seu pai.
Certa noite ouviu um barulho diferente sob o piso do quarto. De repente, as galinhas se alvoroçaram e subiu-lhe, às narinas, um cheiro de mata e de cachorro molhado.
Imaginou que o galinheiro estivesse sendo atacado por uma raposa. Pensou em chamar seu pai, mas seus roncos, infindáveis, denunciavam um sono de pedra.
Abaixou-se sobre o assoalho e pôs-se a olhar por suas frestas.
Viu um vulto maior que um homem. Assustou-se e quis correr para o quarto do pai. Mas os roncos emanados de lá, o assustavam mais que o vulto.
Voltou a abaixar-se e olhou novamente por entre as frestas. Surpreendeu-se ao notar, do outro lado das frestas, um par de olhos esbugalhados e vermelho-fogo.
O detentor dos olhos vermelhos falou-lhe, com voz rouca e hálito de fezes de galinhas:
- Ta olhando o que, moleque???

Silêncio!!!

- Quer chamar o Papai??? – Continuou.
- Eu chamo mesmo!
- Se ele se preocupasse com você, já estaria acordado, não acha?
- Ele só ta cansado!
- De você?

Silêncio!!!

- Essa sua vidinha pode mudar, menino!
- Como?
- Acabando com seu medo!
E terminando de falar, o estranho encheu a boca de algo que pareceu, aos olhos do Toinho, uma suculenta farofa de pinhão.
- Eu posso te ajudar! – Continuou, falando e comendo.
- Como?
- Venha até o galinheiro.
- Não sei!
- Não tenha medo, confie em mim! Venha aqui!
- Espera. – foi falando e se dirigindo à porta do quarto do pai.
O grande homem da roça dormia sobre três travesseiros esfarrapados, uma colcha de retalhos velha e um lençol que não parava sobre o colchão. E roncava forte, como uma fera faminta e desorientada.
Pensou em acordá-lo, mas depois do terceiro “rosnado sonífero” do pia, desistiu.
Saiu pela casa, andando pé-ante-pé até a porta, servido de galinheiro. Respirou fundo e entrou num só pulo.
De olhos fechados, sussurrou:
- Estou aqui!
O homem-fera soltou um urro gutural e todas as aves do galinheiro saíram desesperadas pela porta, passando por cima do Toinho e o derrubando ao chão.
Apavorado, começou a gritar e a esmurrar o ar. Por alguns segundos ficou assim. Até perceber estar completamente só.
Levantou-se com medo e olhou tudo ao redor. Não havia nada, nem ninguém...
Limpou-se rapidamente e voltou para dentro da casa. Correu para sua cama e cobriu a cabeça.
Depois de quase uma hora ouvindo os sons da noite, acalmou-se e percebeu um arranhão em seu antebraço esquerdo.

Passaram-se 28 dias e o arranhão não se curava. Por dias ouviu o pai lhe recriminando por ser descuidado e desatento e por se machucar à toa. Além disso, nos últimos dias, o ronco de seu pai parecia mais alto, freqüente e irritante.
Naquela madrugada, 28 dias depois do ocorrido, o menino ouviu o mundo se silenciar... Foi até a janela, sentiu o cheiro da mata e de fezes de galinha. Sua boca secou, seus olhos viram muito mais longe do que já havia visto em sua vida. Num instante, o mundo ficou claro ao seu redor. O menino fechou os olhos e seguiu ouvindo os roncos de seu pai.
Já à porta do quarto, sentiu o cheiro de fumo de rolo e estrume de vaca queimados, cachaça e limas da pérsia (que na verdade eram do seu quintal mesmo).
Segundos pareciam horas.
E os roncos pareciam cada vez mais altos. Sua cabeça parecia explodir. A dor era incontrolável...
De repente, ouviu-se o som de unhas afiadas em carne macia e sebosa. E não se ouviu mais nada.

Naquela noite, depois de quatro anos, Toinho dormiu como um anjo... Um anjo da noite!
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Fernanda e Beto Reis
10/04/2008.

sábado, 19 de abril de 2008

Caminhada por Pedro Faria


Caminhada

A Avenida se estendia à minha frente. Eu não tinha opção a não ser caminhar.
Comecei a andar, e logo na esquina à minha esquerda, vi um garoto. Deveria ter uns dez anos. Estava sentado no chão, encostado num poste, e observava duas formigas caminhando por seu braço.
- Não são bonitas? -, ele perguntou.
Eu não disse nada. Não podia dizer nada. Apenas o olhei, melancólico.
- Não são bonitas? -, perguntou ele de novo. Mais formigas subiram em seu braço.
Continuei olhando. Queria ir embora, continuar andando e acabar logo com aquilo. Mas não podia.
As formigas continuaram escalando o braço do garoto. “Não são bonitas?”, ele continuava repetindo enquanto seu corpo era invadido por milhares de formigas, até que ele se tornou apenas uma silhueta negra, e sua voz ficou abafada pelos insetos.
Passaram alguns segundos, e o corpo dele explodiu, as formigas haviam entrado por seus orifícios e o entupido. Os insetos se dispersaram rapidamente, e apenas uma mancha vermelha ficou na calçada próxima do poste. Continuei caminhando.
Andei, e logo vi a mulher. Ela estava nua, acorrentada a um carro. Estava encolhida, e gesticulava como se alguém a ferisse.
- Não, por favor, pare. Eu não agüento mais.
Suas costas estavam marcadas por arranhões. Cada vez que ela gritava de dor, novos ferimentos apareciam.
Ela me viu.
- Por favor, senhor, faça-o parar, por favor.
Balancei a cabeça.
- Pelo amor de Deus! -, ela gritou.
Então o golpe final veio, e seu crânio abriu-se em dois. Seus olhos estavam fixos em mim quando aconteceu. Queria desviar o olhar, mas novamente não pude.
Apenas continuei andando.
Não queria mais andar, queria parar, sentar no chão e ficar ali mesmo. Mas não podia, tinha que acabar aquela Avenida e chegar à próxima.
Andei até chegar à uma vitrine, do meu lado direito. Nela, estavam pintadas barras negras. Lá dentro, um homem estava sendo espancado por homens invisíveis, como a mulher acorrentada.
O homem não dizia nada, apenas aceitava a surra. Cortes apareciam em seu rosto, assim como hematomas. Num certo momento, sua cabeça foi lançada repetidamente contra a vitrine, até que seu pescoço quebrou. Eu vi então, num relance, alguns dos homens invisíveis, mas não reconheci nenhum deles. Não me importei muito com essa cena.
Finalmente avistei o cruzamento, e fui em direção à ele.
Na esquina eu vi a mim mesmo, sentado encostado em um poste, com uma seringa enfiada no braço.
Não pude dizer nada. A seringa estava cheia de insetos.
- É assim que você acaba. É assim que você acaba. É assim que você acaba.
Tentei tapar os ouvidos, mas não pude. Vi o meu fim e então lembrei de minha vida. Lembrei de meu irmão, morto ao cair em um poço ao seguir uma trilha de formigas. Lembrei de minha mãe, morta por meu pai bêbado. Lembrei de meu pai também, morto numa briga na prisão.
Principalmente, lembrei de mim, de minha última dose, que me trouxe para cá.
- É assim que você acaba.
Sim, é assim que eu acabei.
Passei pelo meu corpo, a agulha ainda enfiada no braço, e virei à esquerda, sabendo o que me esperava.
A Avenida se estendia à minha frente. Eu não tinha opção a não ser caminhar.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Afogamento psicótico



Afogamento psicótico
Os dentes elétricos choram tua carne
Ao meio dia de uma revelação
Enlaçada por desejos
De mimosas titânicas em espasmo cerebral
A febre na anti-sala
Não se derrete nos banhos urgentes
Nem delira anjos de gesso
Camuflando dejetos



Impossível desenho dos teus olhos
Na horizontal fábula
Do campo assimétrico
Onde dormem testemunhas
Das fugas de nossas almas
Dissimuladas quedas
Em doces alcovas

Tudo se arrebenta ao quadrado

No outro lado da existência

Do meu quarto

Acorrentado em janelas

Aramadas ao sol



Não tenho morada


Vacilo em mim mesma


Ao final do primeiro Altíssimo


Turva coleção de ciladas





Meus signos espatifados


No teu canivete cartesiano


Não é mote


Que me arranque


De não saber sorrir


Ou morrer


A meia noite de uma filosofia


Que nina na canção esfarrapada


De ruminações apocalípticas


Ou marcas nodosas


Na medicamentosa veia inchada





Do delito vivo


Eu,criança de mim


Brincando de roleta russa na expressão nervosa


Eu,minha mãe


Bastarda!



(imagem: retirada de uma revista do sesc, ,sobre questão manicomial,recomendo!
http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?Edicao_Id=281&Artigo_ID=4363&IDCategoria=4971&reftype=2)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Oculto


A meia noite não é a hora em que o oculto se manifesta. Ele se revela a qualquer instante, sem cruzar nenhum portal, nem mesmo o seu olhar distraído. Você nunca saberá o que realmente se passa na cabeça do indivíduo que está bem a sua frente. Que tipo de atrocidade ele já foi ou ainda é capaz de cometer.
Muito do que você considerou hediondo, foi obra de um bom amigo de alguém, de um bom vizinho, bom marido ou até mesmo um bom pai ou mãe. A maldade pode se apresentar sem precisar brotar das profundezas de nenhum inferno, ela pode estar dentro de qualquer um nesse momento, brotar de um instante para o outro sem que ninguém ao seu lado perceba. Deixar sem significado o que você conotou ser humano.
Aquele a quem confiou seus segredos, quando acreditou estar diante de uma pessoa do bem, de repente surpreende, indigno. Representando o pior mal que poderia supor, facilitando o trabalho do que gargalha sórdido, vencedor no seu propósito de arrastar para a infelicidade, para as sendas da degradação os que se consideram filhos, filhos de quem?Não se iluda, o mal é mais eficaz do que a sua pretensão em ser bom. Supera qualquer índole, qualquer formação, culturas inteiras rendem-se, certas de estarem matando milhares em nome de algum bem. Não se engane, dos mais cultos e mais letrados já se deixaram lograr, prestativos ao maligno, e quem seria você? Só mais uma alma que se deixa subjugar, maravilhada pelo encantamento do que crê ser um dom. O mal está no seu cerne, prestes a se transformar em letras e palavras, veiculo das forças perversas, nem tão ocultas, menos ocupadas agora, com sua disposição em colaborar com disseminação do pavor, no distanciamento de qualquer bem possível.
Muito já se escreveu, muitas poesias, com o intuito velado de disseminar a ignorância e fazer emergir de dentro de pessoas como você, o que os milênios tentam, com tanta temperança, ocultar.
Nesse ponto você, com certeza, já teve a chance de repassar para si próprio, o que esconde de todos, as suas porções sádicas, perversas, iguais as do seu vizinho, que você imagina conhecer tão bem. Esteja atento, de onde menos espera virá a punhalada traiçoeira e vingativa, pelo seu próprio descuido, provocada em algum momento pelo seu próprio mal.
Como tantas outras, estas palavras foram combinadas para lhe trazer desconforto e trouxe. Geradas com e a única intenção de distanciá-lo do que possa considerar bem, como está agora, ciente de sua capacidade de proporcionar a mesma sensação no seu próximo, seu irmão, por pura crueldade maligna e o fará, por ser incapaz de resistir a quem é mais cruel e eficaz do que a sua razão. O seu senhor, a sua desumanidade. Receba a minha maldade e pense no seu vizinho, ele está pensando em você agora.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Concurso de Aniversário da Me no Vale




data de início (envio dos poemas): 25 de abril a 10 de maio


data de votação: 11 a 26 de maio

data de divulgação dos vencedores: 29 de maio (aniversário da Me)


PREPAREM SEUS POEMAS/CONTOS

terça-feira, 15 de abril de 2008

A moça do Velório (Vigília)

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Minha homenagem a José Mirolha que passou dessa para melhor,rs




Morri.
Não digo que isso tirou o meu sossêgo. Tampouco lamentei por não mais poder trepar, meu esporte predileto em vida. Alguma compensação teria do outro lado, uma vez que estava pensando mesmo depois de morto. Quem sabe uma transa sensorial e o escambau...Contanto que eu gozasse, o tipo de foda é o que menos contaria.
Mas estava ali, parado, no canto da sala sem vontade se subir, ou descer...Enfim.
Era o meu velório. Devia ser norma, eu só poderia sair para meu novo lar depois das homenagens.
Quando a puta da Ritinha entrou confesso que a rigidez de um corpo morto no caixão foi desculpa para o volume do pau que se formou. Eita mulher gostosa! E como sabia chupar, uma profissional.
Antes de sair da sala, após uma reza em silêncio, tocou minhas mãos como a benzer para fazer o sinal da cruz...Olhou para os lados e tocou de leve meu caralho.
-Que coisa triste! Tocou meu caralho! E eu não senti nada. Morrer era brochante...
Mario, meu melhor amigo, entrou e num ímpeto, rompeu num convulsivo choro. Vieram amigos, vizinhos e a própria Ritinha. Estavam estarrecidos com o sofrimento do pobre.
-Menos cara! Pelo amor de Deus! Tu é viado? Será que me enganaste esse tempo todo?
Que não vão dizer de mim?
Teve até desmaio...
-Ai tem! Miserável! E todas as vezes que tomamos banho no vestiário depois de uma partida de futebol. No mínimo tocou umas, afinal, bem dotado eu reconheço que sou...Ou era.
Antes de Mario sair da sala me tascou uma beijo na bochecha. -Eca! Não dava para resistir, abri meus olhos...
-LUIZ...
-Calma, isso é normal. Disse uma das carolas rezadeiras fechando minhas pálpebras com aquelas mãos enrugadas cheirando a alho. É um reflexo apenas.
Foi quando Aninha entrou na sala. Uma deusa nos seus dezoito aninhos, seios durinhos e bundinha empinada...Sempre fui tarado por ela. Planejava disvirgina-la em breve. Mas não me olhem com essa cara de surpresa, não sou pedófilo, apenas um eterno apaixonado que soube esperar. Eu tinha adoração pela moça desde que tinha quatorze anos.
Ela chegou perto do caixão e, com uma mão acariciou meu braço. Enquanto escorria uma lágrima eu percebi, discretamente, com a outra mão levantou a saia e seus dedinhos tocaram a bucetinha.
-Ahh! Aí já era demais! Maldita hora que fiz aquela ultrapassagem! Eu podia estar comendo esse corpinho...Não é possível!
Num ímpeto a moça fechou os olhos e enquanto todos os presentes supunham estar chorando, percebi um leve gemido e tremor, ela gozava em silêncio.
-Por Lúcifer! Isso está acima das minhas forças. Meu corpo está sentindo. Céus! Meu pau esta duro, eu sinto!
De repente fui tragado e meu corpo astral penetrou nas vísceras do defunto no caixão.
Me recuso a sair. Quero gozar uma última vez.
-Eita tesão desgraçado! Sentei no caixão e a gritaria foi geral.
Nem preciso dizer quão grotesco foi a situação. Era um corpo acidentado. Olhos vermelhos, rosto arroxeado, faixas e gazes por todo o lado. A menina desmaiou e os presentes, um a um, saíram em disparada. Nem catalepsia seria possível pois o sangue já não habitava minhas veias.
Meia hora depois o delegado e meia dúzia de soldados voltavam à funerária para averiguar o ocorrido.
O corpo no caixão estava nu, com marcas de mordidas pelo peito e o pau, coitado, caído entre gosmas que pareciam saliva. No chão resíduos de esperma e sangue e a saia da moça...
Procuraram-na em vão. Ninguém mais soube dela. Só especulações. Alguns dizem que foi a última refeição do morto. Outros que foi para outra dimensão esperar pelo amante que a disvirginou, eu né,rs
O fato é que a partir daquele dia, todo velório de homem na cidade, a certa altura, a luz se apagava e o morto aparecia nu.
Ah, e com um sorriso enorme na cara!

Me Morte

segunda-feira, 14 de abril de 2008

By Flá Perez


Vamos embora pra África,
cuidar da raça quase extinta.

Sombras rondam – te à noite ,
esperando a recusa
dos capados lá de cima.

Quantas crianças você matou
pra andar nessa lancha cara?
já pensou?

Quantos marmitex tem
nesse vestido da Zara?


Olhe bem aquelas costelas...
Olhe bem aquelas tetas murchas...

Você não pode comprar
Uma Bic, uma calça jeans
um fusca?

Tem que ser Ferrari,Fendi,
Channel,
Gucci, Cartier
Lancôme , Cacharel?


Infeliz que não goza :
Vai ser enterrada
nesse vestido da Daslu,

enquanto aquela mãe
come poeira
e entrega os filhos
aos urubus?


Não vamos esperar o dia e a hora certa
Vamos pro inferno agora?

domingo, 13 de abril de 2008

> PRAZER, SEXO E CARNIÇA <



PRAZER, SEXO E CARNIÇA
ATRAVÉS DA LEITURA DE BAUDELAIRE

Thiers R >



Rugia o sol em meu rosto afagando com dedos arfantes
uma manhã ainda tonta
a noite passada abraçava-me à cintura
enquanto comentávamos o que acontecera
após a leitura de Baudelaire
por que a carniça teria mexido tão intimamente
ao ponto de vomitares leitoso lençol?
O cheiro abominável ardia em teu peito e
eu o amaldiçoei por tê-lo trazido
para nossa cama
Foi uma ação repugnante.

“... Zumbiam moscas sobre o ventre e em alvoroço, dali saiam negros bandos de larvas, a escorrer como um líquido grosso por entre esses trapos nefandos....”

Ah! Meu poeta
como conseguistes nos idos de 1800
transcrever passagens tão fantásticas?
Geniais!
O estômago frágil de Flávia
sucumbiu às palavras, mas o meu delirava...
quanto mais lia mais loucas ficavam
as travessuras na cama
eu assimilava uma mistura de prazeres
Eu, o poeta e um corpo feminino em pleno transe.
Enquanto te lambia por inteiro
gemias e no som de minha voz
Baudelaire dizia:

“... Dize à carne que se arruína, ao verme que te beija o rosto que preservei a forma e a substância divina...”

Gozei! Gozei literária e fisicamente
eu era o verme que te beijava
acariciando tuas formas arredondadas
senti-me divino naquele instante
enquanto eu te gozava menina
teu estômago embrulhava
fazendo de nosso amor
uma porção erótica
de porra e vômito.



>>>>

sábado, 12 de abril de 2008

CRIATURA E CRIADOR




O sol estava se pondo e o ultimo familiar, aquele mais pesaroso se movia para longe do local. O coveiro terminava de encostar a lápide de mármore ocultando o caixão de pinho em que o jovem rapaz havia sido enterrado. Na plenitude de seus dezesseis anos sua vida fora ceifada bruscamente por um carro que invadira a calçada em que ele caminhava.
O corpo havia sofrido sérios danos internos, ficando dilacerado em vários pontos. Enquanto que seu rosto ficara intacto mantendo a face juvenil perfeita. O coveiro percebeu isso quando a pequena tampa do caixão havia sido aberta pela ultima vez no cemitério, para os familiares desconsolados despedirem-se.


O homem conhecedor dos mais variados tipos de corpos encantou-se com a beleza do jovem rapaz, seu cabelo negro sua boca de lábios bem marcados era perfeita, ele nunca vira algo assim.
Esperou que a noite caísse e as sombras fúnebres do cemitério ocultassem sua presença. Dirigiu-se para o túmulo do belo jovem o qual ele havia selado de forma precária já prevendo sua visita noturna. Abriu o esquife e vislumbrou o rapaz coberto por orquídeas até a cintura. Como era lindo, parou um instante para gravar em sua memória a belíssima cena, o cadáver mais belo visto por ele em anos de serviço.
Tocou as faces do jovem, gélidas, mas vívidas como se ele estivesse a abrir-lhe os olhos a qualquer momento. Com uma pequena cerra ele demoradamente decapitou o jovem tendo o máximo de cuidado pra não lhe prejudicar a beleza. Reparou os quão destruídos estavam os restos da parte inferior do corpo do menino. Sentiu-se satisfeito por a face estar a salvo.
Ocultou a cabeça dentro de um saco e saiu rapidamente do lugar. Estava visivelmente excitado com seu ato de paixão pelo defunto.
Chegando em sua casa pôs-se a admirar seu mórbido troféu, lindo colocado sobre uma mesa de centro. Enquanto a estante da sala abrigava pedaços de corpos expostos e bem ao topo da mesma um dorso feminino com pequeninos seios.
Colocou sua bizarra coleção sobre a mesa da cozinha, costurou pacientemente a cabeça do jovem no dorso feminino, seria um belo rapaz com entranhas femininas capaz de gerar um filho, com um golpe seco decepou a vagina do dorso e colocou uma pequena vulva infantil, pois esta possuía a pureza necessária para o ser perfeito que ele vislumbrava. Igualar-se-ia a deus, então, pois ele sabia que possuía o dom da criação.


Terminou de gerar seu belíssimo ser, e se submeteu ao auto sacrifício àquele que só um pai faz por seu filho ou um amante faz por sua amada. Esfaqueou o próprio peito com uma adaga abrindo a si próprio e oferecendo seu coração a bizarra criatura morrendo lentamente a seus pés.

de Juliana T. P.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Tosca tradução


A tosca tradução de meus escritos
Suscitará renascimento dos mitos
Apenas se seus mistérios
Forem transubstanciados
Por tradutores sérios.

A reles interpretação do que escrevo
Para quem nada tenho, nada devo.
Estremecerá, embora levemente
O pouco que há na mente
De quem pensa que me lê,
Mas apenas passa os olhos.

O vil julgamento , do qual sempre serei réu
Me entranha do que sempre se embebeu,
De suposições estranhas. Logo eu
Que jamais julguei, fosse por aparência ou circunstância

A leitura desatenta do que digo
Constitui, não aos outros, mas a mim, perigo
De ser pego em um sentimento puro
Para o qual, qualquer castigo, o mais brando
Será sempre o mais duro.
O mais cruel e indevido,
Perpetuando a regra
Que diz que serei culpado,
Não importando o lado em que estou.
Apenas pago, apenas sou.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Briga De Faca


Esse medo
Esse cuidado tremendo
Esse coitado temendo
Esse medo

Esse medo
Só se mede
Polegadas
Para dentro.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Amigas por toda a eternidade


Feia, de uma magreza esquisita.
A postura alterada acentuava o aspecto da corcunda. A risada nervosa e a voz fininha soavam desagradáveis. A natureza havia pecado inúmeras vezes contra aquela criatura.

Mas nada disso a impedia de sentir-se bem. Fátima criou um personagem e vivia
encerrada na gótica figura, sombria e misteriosa atraía olhares por onde passava, era sempre o centro das atenções.Não era solitária, ao contrário, tinha muitos namoradinhos.

Usava roupas sensuais e botas de cano alto, correntes e o cabelo vermelho bem comprido. Exótica feiúra intoxicante.

Fazia faculdade de letras e escrevia poemas e músicas. Participava de todos os eventos, era popular e querida. A ausência da beleza Fafá compensava em simpatia.
No grupo de amigas Laura era a mais bonita, fazia o gênero Barbie, sempre de salto alto e muitos acessórios:_ nossa a Fá hoje está um horror, coitada da Mortícia Addams. Não avisaram para ela que o ''Halloween'' já passou?

- Que maldade , você não suporta a menina, que implicância
-Está com pena? leva pra tua casa aquela coisa horrível. Deviam proibir de sair na rua.

E Laura continuava rindo e debochando. Passava o tempo inteiro criticando e falando sobre Fátima:- Você não está com inveja? Desculpe mas você não para de falar sobre ela
- Está louca? daquele monstrinho? Tenho pena dela, maior ''sem noção''

-Não deveria. Olha o Carlinhos colado com ela no maior ''amasso''

-Carlinhos? Não acredito. Ela dá pra qualquer um , não vale nada

-Laura, cuidado que isto esta virando doença, obsessão.Fátima realmente saía com muitos homens e não dava a mínima para a opinião das amigas.

Janaína e Laura mal acreditaram quando viram os beijos escandalosos no ponto de ônibus lotado:-estão se devorando..cheios de tesão

-Estou vendo, só queria saber a macumba que ela freqüenta

-Não estou achando graça. Eu estava saindo com o Carlinhos e ele pediu um ''tempo''. O que ele viu nesta ''piranha''?

-Hum....está explicado. Desculpa Laura não sabia, não devia ter brincado, vamos sair daqui?

-Claro que não, vou ver até onde isto vai, se não for minha amiga pode ir embora, vou sozinha

Pegaram o mesmo ônibus e não tocaram mais no assunto. A viagem de quase duas horas até Jacarepaguá foi feita em silêncio. Laura estava furiosa: - Ela é metida a bruxa, vai ver fez mesmo alguma ''simpatia'' para encantar o Carlinhos

- Não viaja Laura. Vão descer no ponto do motel, não disse? Vão transar a tarde toda. Ah, desculpa, eu falo demais

-Cala a boca Janaína, vou dar uma lição nesta ''maga de araque''

Laura estava corroída pelo ciúme e sem medir conseqüências comprou um livro de feitiços na lojinha de artigos religiosos do bairro:- Laura, não faz isso, você é tão bonita, pode ter qualquer homem aos seus pés

-Vou fazer, e sabe de uma coisa? Você está me atrapalhando. Sai daqui, vai pra sua casa e me deixa em paz

Escolheu '' trabalho'' mais forte, invocações com todos os nomes do ''Malvado'', o ódio que trazia no coração era o mais potente dos ingredientes.Estava disposta a ir até o fim e obter resultados.

Fez um feitiço de separação e usou o próprio sangue para fortalecer a magia negra. Um vento estranho soprou no exato momento em que acendia grossas velas negras, um vento cheirando a desgraça.

Coincidência ou não, o casal amanheceu morto no dia seguinte. Um vazamento de gás no banheiro havia posto fim ao romance recém nascido. As famílias e os amigos estavam estarrecidos.

O enterro reuniu uma multidão. Eram queridíssimos e os jornais anunciavam a tragédia como '' O casal de namorados'' e a infeliz tragédia dos amantes apaixonados...Laura sentiu muita raiva, não havia pedido nada disto nos seus feitiços. Queria separar o casal e não matar Carlinhos.


Com o tempo, perdida em remorsos entrou em profunda depressão.Em dois meses desfilava uma apatia e magreza transfigurante. Pintou o cabelo de vermelho como a defunta e o preto era a única cor que se permitia. Longos vestidos negros e maquiagem pesada.Os amigos preocupados tudo faziam ajudar. Laura havia criado um mundo sombrio e vivia reclusa. Os pais decidiram internar a menina, já haviam tentado todos os recursos.

Sentada no pátio da clínica psiquiátrica Laura conversava animadamente com sua melhor amiga, horas e horas compartilhando histórias antigas e muitas risadas. Tinha adquirido a mesma postura curvada de Fátima e os que haviam conhecido a morta ficavam chocados com a absurda semelhança entre as duas meninas: - Fafá. Acho que nunca mais vamos sair daqui, eu não gosto mais de ficar presa neste lugar, quero voltar á faculdade

-Amiga, aqui é tão bonito, cuidam de nós com carinho, ficamos juntas todo o tempo

- Não vai me abandonar Fafá? Você me perdoou não é?

-Claro que perdoei. Vamos ficar juntas para sempre Laura, não se preocupe


Os médicos observavam Laura sozinha no banco do jardim. Após um ano de tratamento ela insistia na amiga imaginária e não interagia com mais ninguém.Os pais iam todo domingo visitar a menina.

Ficavam olhando de longe. Nenhuma tentativa de aproximação surtiu efeito:- Não sabemos mais o que fazer com Laura. Nossa filha está definhando. É uma morta viva. Laura está cada dia mais perdida.

-Estamos fazendo tudo, o caso de Laura é complicado, vamos aguardar o efeito de um novo medicamento, precisamos ser otimistas. Tudo de mais moderno será utilizado no tratamento da sua filha.

Algumas vezes discutindo com o invisível, Laura tinha ataques e desmaiava. Gritava que não conseguia respirar e estava sufocando.

A situação tornou-se crítica.Laura era mantida amarrada á cama. Mesmo sedada ela delirava:- Fátima ? Fale comigo amiga, você está aqui? Fátima não me abandone

-Claro que estou , falta pouco para deixarmos este hospital de malucos

-Você tem certeza? E para onde vamos?

-Vamos para um lugar muito bonito. Não tenha medo, não vou te abandonar, vamos ficar juntas

- Prometeu que nunca ia me deixar sozinha Fafá, você prometeu

-Nunca vou te deixar Laura . Feche os olhos querida, descanse...


Quando os enfermeiros encontram o corpo sem vida de Laura ficaram assustados com a expressão da morta. Um sorriso torto e os olhos muito abertos, as mãos retorcidas como garras. Não houve quem não rezasse uma prece ou fizesse o sinal da cruz. Ninguém acreditou que aquela alma houvesse partido em paz.

terça-feira, 8 de abril de 2008

TE ESPERO EM SONHO


Flui de mim agora as tuas tripas
De mim agora flui teu absinto,
Partem de mim teu deus e eu te sinto
Morrer em quem te estereotipas!

Podes não querer-me com a luz acesa
Eu não te condeno por ser vil e não amar
Talvez penses em mim e em não pensar,
Conta teus mistérios ao mundo e a uma mesa.

Volta a tua idéia em adeus-sem-mundo
Não te desarrumes de impureza em via férrea
Serve teus Espaços em porções de pedra.

Eu canto teu amor em um som profundo
Cantemos nosso amor sujo na guerra
Cantemos nosso amor no Fim do Mundo!

dos Anjos

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Vermelho rubro



Veja o vermelho rubro
em cada verso que escrevo
manchando uma folha em branco,
do vermelho intenso que me escorre
pelos dedos.

Vermelho rubro...
do corte feito em meus sentimentos,
derramado no manuscrito que deixo,
letra por letra escorridas dos meus
pensamentos.

Manuscrito de sangue
em cada verso que escrevo,
vermelho rubro...
que me escorre pelos dedos.

Deixarei lindas rosas rubras...
despetaladas sobre o manuscrito, tão vermelhas
e vivas, quanto o amor que sinto.

Leni Martins




domingo, 6 de abril de 2008

Atestado de óbito



"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro.

Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você".


(Friedrich Nietzche)




E disseram-me que um dia
numa nuvem de luz
viria a calmaria,

Assentar-se nos morros
de onde o mel em ondas,
como se mar fosse, brotaria.

Me disseram também
perante juízo
que o universo era todo
intrínseco desejo
de amor reunido

E que sonhos
são lentes de aumento
do destino.

Ah, que disseram inverdades
e eu, louca, acreditei:

Que a vida é bela,
que dezembros são flores
e que dores não ficam
como marcas do açoite
e da insensatez.

E que amanhã será melhor
Pois que na tempestade
singram mares,
os pássaros com suas dores,
para alcançarem a paz no sul

Mas a árvore
do meu caminho
já perdeu as folhas
e rogou a morte às suas raízes.

A partir de hoje,
ganhaste, sina
rendo aos teus caprichos
o meu antigo olhar azul

Não me terás mais como palhaça
no espetáculo que assistes

Fartem-se os urubus!




(Jessiely Soares)

sábado, 5 de abril de 2008

Era uma vez...


Era uma vez...


Longe, longe
teu ser dorme
enlameado lamê

Enrigecido sonho
de reviver

Reviver
o sol
que te cegava
a vida

Perdido ser
preso duende
nesta moringa
de vidro

Sentes a asfixia

Não me faças rir

Sem ritos, sem facas
a dormencia
te prende
na semi vida ungida

Sem promessas somes
como te fostes
na lama sanguinea
da seringa

A moringa de vidro
boia a transformação
do lodo da morte
a te transformar
em ave de rapina

Não me faças rir

Não haverá voo
Não haverá vida
Lambas a morte
que te destroça a face

A que chegastes

Retorcido
numa expressão torta
só terror

Nem meu sorriso amável
levaste

Amargura de que

Desta despedida

Se já nem ouves
nem antes ouvistes

Traga-te a morte
como um cigarro
de filtro molhado
que se descarta no
caminho da sarjeta

Minha asa negra
me leva

A noite
que me chuvisca
eu mesma
em busca
de outra presa


Angela Nadjaberg Ceschim Oiticica

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Lágrima...




Lágrima...

Purpurina dos olhos,

brilham de saudade de você

E se transformam em sóis

quando demoram a te ver.

Depois, se apagam


num risco no céu...

Um cisco que escapou

e saiu a sua procura.


(Sirlei L. Passolongo)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

pensamento vampiro


“V” de Vampiro e de Vitória
Por Adriano Siqueira

Aquelas noites onde tudo sai errado...
Aqueles momentos onde vocês perdem muitas oportunidades na tentativa de conquistar algo novo.
Ficam revoltados por não alcançarem seus objetivos.

Vampiros também passam por isso.
Os nossos objetivos não são alcançados sem esforços, sem luta.

Mas não importa quantas vezes somos derrotados.
O que importa é não sermos derrotados por dentro.

Tudo pode se destruir ao nosso lado.
Podemos perder o nosso castelo,
nosso melhor vinho,
nosso lugar para dormir.
Mas, não podemos nos perder.

Precisamos da nossa energia,
do nosso corpo e mente para prosseguir.

Dependemos do nosso poder interior para batalhar, guerrilhar e lutar.
Só assim obteremos nossa vitória, nosso sucesso.
Somos vampiros! Somos imortais.

Tenha todos uma adorável noite.

Adriano Siqueira

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O pato


O pato
vinha cantando
alegremente
quéin quéin
quando o
marreco sorridente
pediu para entrar
também no samba
no samba, no samba

O ganso
gostou da dupla
e fez também
quéin quéin
Olhou para
o cisne e fez assim
vem, vem
que um quarteto
ficará bem
muito bom,
muito bem

na beira da
lagoa foram ensaiar
para começar
um tico-tico
no fubá

a voz do pato
era mesmo
um desacato
jogo de cena
com o ganso
era mato

mas eu gostei
do final
quando mataram
o gato!!
ensaindo o vocal
quéin quéin
miau
quéin quéin
miau

o pato
foi julgado
livremente
quéin quéin
com o marreco
sorridente
soltou e confessou
a ficha criminal....




Em comemoração aos 50 anos de Bossa Nova

terça-feira, 1 de abril de 2008

Inevitável


Não quero ir
Não quero
Não
O cortejo
O choro
As velas
A cova
A reza
A rosa
E eu



Me Morte