sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

UM DIA EM NOSSA VIDA IMORTAL


Ah, aquela tarde fria de outono,
As folhas cobriam o chão.
Formando um tapete natural,
Por onde caminhava nossa paixão.

Eu e você envoltos,
Na suave bruma do fim de tarde.
Recém acordados de nosso repouso.
Mais uma noite de nossa eternidade.

As estrelas já estavam a brilhar,
No profundo e escuro azul do céu.
Pequenas amostras do brilho
De seus olhos, atrás do véu.

Profundamente inspiramos,
O ar da noite que cai.
Sentindo a fome que cresce lentamente.
Fome eterna, que nunca se vai.

Hoje caçaremos outra vez.
Acobertados por séculos, sem punição.
E beberemos o sangue morno,
Num doce brinde a nossa união.

Eu e você, assassinos sanguinários.
Temidos, odiados e malditos.
Mas ninguém sabe da imensa dor,
De viver sempre neste horror.

Só temos um ao outro.
Para sobreviver aos séculos que virão.
Nosso amor é forte e sem fim.
Lindo em sua perfeição.

E mais uma aurora se anuncia,
Detrás dos montes verdejantes.
Voltemos amor, ao nosso descanso.
Onde seremos, como sempre, imortais amantes.

By Ana Kaya

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Poema


-

Luna

Rabiscando a imensidão
deste luar inquieto
percebo que naquele momento
milhões de estrelas dançam
com a música transmitida
da beleza do teu raro olhar.

Luna, trás consigo
toda uma constelação
jardins desabrochando em suas mãos
e anjos que bailam em sincronia
destilando em cada um...
o segredo de viver a cada dia.

Veja a noite iluminada!
que descarado o por do sol
no meio do espetáculo
arruma uma desculpa
e diz que quer ficar só.

Dia ou noite...Não importa!
Luna, sofre a dor do parto a cada instante
dando vidas em formas de canções
vidas que explodem em mil emoções
para trazer de volta o grande espetáculo
de amor e recordações.

Por: Emerson Sarmento "O palhaço"

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008


No paradoxo, sem controle remoto, simplesmente automático
(MaicknucleaR)

Canal 15
Os solitários cômodos daquele minúsculo casebre tornavam-se gigantes salões de castelos diante da pequenez deste pobre homem… Vaguei entre as paredes surdas que não ouvem minhas lamúrias e deixam que o vazio de minha mente seja o hospedeiro de pensamentos diabólicos, satanicamente devassos.

Canal 22
Ligo o som em uma rádio de rock qualquer. Apago a luz da sala. Deito no sofá, cubro-me com um edredom. Meus pensamentos tornam-se uma TV imaginária com quatrocentos bilhões de canais conectados em rede; canais sem grades de programação fixas sujeitos a mudanças na velocidade da luz e sem nenhum controle remoto, simplesmente…
Os fantasmas do passado me assombram com uma tela de recordações frustrantes que alterna para uma série de decepções e são seguidas por novelas de final infeliz. Ali não me vejo como galã, mocinho ou vilão. Sou apenas um figurante da vida, um mero coadjuvante de um filme B que não deu certo. Um fiasco, com pulsos que choram puz e sangue.

Canal 39
Uma solidão suicida corrói lentamente meu espírito como a ferrugem corrói a lataria de uma brasilia 1972 em péssimo estado de conservação...

Comerciais
30 segundos:
Meus pensamentos agora se tornam um macaco cheirado que tomou uma super-dosagem de adrenalina intravenosa bem no meio da aorta.

15 segundos:
Viajo mentalmente sem nenhuma espécie de posicionamento global via-satélite.
Ajuste de tela
O mar em meus olhos contrasta com os esqueletos que dispensei no armário.

Nitidez
O cadáver no porta-malas cheira a essas péssimas lembranças que desejo enterrar no esquecimento de meus neurônios inativos.

”Televisão dá sono”
Ajusto para desligar em meia hora, mas após dois minutos durmo sem nenhum ajuste e de mau jeito. Simplesmente: automático.
THE END

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Mortos acima de qualquer suspeita

Geraldo e Cláudio são amigos inseparáveis. Aposentados, podem ser vistos a partir das duas da tarde, todos os dias, na mesa exclusiva da dupla, no Bar do Cardoso. Nos últimos vinte anos, só falharam um dia. Foi no domingo passado, pois naquele dia o bar fechou devido ao recrudescimento da violência que toma conta da cidade há uma semana.


Geraldo abre o jornal e lê para o companheiro:


— Vê essa, meu: "Já somam 107 os suspeitos abatidos pela polícia desde sexta-feira passada".

— Suspeitos de quê?! — perguntou Cláudio

— Aqui só fala em suspeitos.

— Mas quem são esses suspeitos?

— Ora! eu já li isso pra você, são os mortos, meu!

— Sei, mas quem são os mortos?

— Putz!, meu, você não saca uma! Quer que eu desenhe? Os mortos são os suspeitos, meu!

— Mas, meu, eu quero saber quem são os mortos suspeitos.

— Fácil: são os caras que a polícia matou.

— E esses caras têm nome?

— Tinham.

— Como "tinham"?

— Agora são somente números.

— São suspeitos de quê?

— Suspeita-se que alguns desses suspeitos participaram de um movimento suspeito, supostamente ligado ao suspeito crime organizado.

— Mas, se depois de investigados os casos, descobrirem que alguns dos suspeitos são inocentes?

— E daí?!

— O que acontece com esses que já morreram?

— O que acontece?! Ora, meu!, não acontece mais nada, os caras já morreram.

— E a polícia está procurando novos suspeitos?

— Claro.

— Mas, pelo que estou entendendo, qualquer pessoa que estava na cidade, nos últimos dias, é um suspeito.

— Claro que não!

— Por que não?

— A polícia, antes de atirar, não pergunta onde o cara estava nos últimos dias.

— E se ficar provado que o morto suspeito não estava na cidade há mais de uma semana e não tinha nenhum envolvimento com organizações criminosas?

— Aí o suspeito morto passa a ser apenas morto.

— Hein?!

— Torna-se um morto acima de qualquer suspeita.


Fernando Soares
( O Fernando sumiu, não deu as caras...Talvez umas férias prolongadas, um imprevisto, etc...O fato é que tirei esse texto do seu blog lá do arquivo de junho de 2007. Muito bom! Volta Fernando!rss)
http://assazatroz.blogspot.com/2007_06_01_archive.html

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O Vampiro da Luxúria

Já que tenho a esperança de um dia não morrer em vão,
Vago por essa terra a escrever meus versos
E arrastar a minha dor dentro do meu caixão.
Na campa, vejo o símbolo do passado
Riscado com a raiva ensandecida,
De todos os amores que tenho desprezado
Ao longo de minha maldita vida.

Sorvo da luxúria em carne viva,
Saciando-me com o sangue da desilusão,
Sou vampiro da libertinagem aflita
Que bebe o sangue do coração.
Não tenho dó das ninfas em meu leito
Que se entregam aos prazeres dionisíacos,
Faço de seus esteios o meu peito
Como um amante vulgar e empírico.


Do livro Orações Licenciosas (Cancioneiro Erótico), de Romulo Narducci.
Imagem: Lucien Freud ( I po ślubie, 1993 ).
Romulo Narducci é poeta, escritor e idealizador do evento de artes Uma Noite na Taverna, que acontece mensalmente no SESC São Gonçalo, RJ.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

1° Lugar do Concurso do Vale das Sombras de 2° Aniversário


DE VOLTA ÁS ESTRELAS...de Ana Cristina Kaya


Quando, neste mundo minha alma pousou relutante,
Já sabia, que longe de ti estaria, e isso me era revoltante.
Mas, com o choque da luz em meu rosto, cortante.
Simplesmente esqueci e abracei a energia mutante.

E nos braços ternos de minha mãe, embalada,
Cresci feliz e completa, de nada desconfiava.
Ainda alguns anos de felicidade me foram doados.
Meu destino, pelos deuses perversos ainda guiado.

E foi quando meu tormento teve inicio.
Tudo que tinha e amava caindo num precipício.
E fui ao inferno, guiada pelo senhor da escuridão.
E voltei a Terra, mais sábia e com minha missão.

Minha mente desabrochou, agora desperta.
No fundo de meu coração surgiu a centelha divina.
Meu corpo, até então intocado e virginal.
Agora clamava, gritava, exigia.

Em vários receptáculos procurei por tua alma imortal.
Alma que eu sabia e sei, me completaria de forma total.
Enganos, desencontros, mal entendido mortal.
E nem sei se nunca te achei ou se o erro foi fatal.

E nos anos que se seguiram, até hoje, continuo nesta busca infinda.
Sei que existes, paixão de minha vida, metade de mim.
Posso te sentir em todas as células deste corpo, desta alma sem fim.
Não é possível que o demônio me tenha enganado com promessa tão linda.

Sei que existes de verdade, que não foi uma mentira ladina.
Sinto-te, te anseio, te busco, te sei minha sina.
Mas onde te encontras, grande amor de minha vida?
Pois já não vivo, morro a cada dia desde minha partida.

Clamo aos mesmos deuses, todos eles malditos.
Que me levem daqui, deste paraíso mentiroso.
Quero morrer, sim, e voltar a viver em teus braços macios.
Quero sair deste corpo e voltar às estrelas, acarinhada por teu sorriso.

2° Lugar no Concurso do Vale das Sombras de 2° Aniversário


AMOR DE VAMPIRO...de Ana Cristina Kaya

Quem dera fosse digna deste amor tão puro que me dedicas.
Minhas noites têm sido tão frias e solitárias.
Quem dera em meu peito, ainda ardesse sentimento tão belo.
Mas na passagem dos anos, dos séculos, perdi de vez o elo.

Quem dera pudesse te amar, te dar meu corpo e minha alma.
Mas meu corpo está morto e minha alma entregue ao Demônio.
Quem dera sentir teus lábios molhados, tê-lo nu e inteiro em minha cama.
Mas meu corpo está frio como a morte e vai te afugentar de meu domínio.

Não, não quero teu amor obtido á força.
Não quero usar de meus poderes fantásticos.
Queria ver em teus olhos, a chama que dança.
Não este amor de mentira, de olhos apáticos.

Suprema dor da eternidade obtida.
Desta vida de terror, desta vida perdida.
Sonhei ser a rainha das sendas noturnas.
E eis-me aqui sozinha, reclusa nas brumas.

E me espanto com a capacidade que tens de me amar.
Mesmo que teu rosto me mostre o asco que sentes.
Sei que teu coração está em minhas mãos ardentes.
Posto que o amor é mais forte, é belo Avatar.

Teu coração guerreiro, enxerga atrás desta muralha fria e soturna.
Mas não pode alcançar minha alma perdida.
Tenho que ir agora, mesmo que sangre a ferida.
O sol já vai nascer, trazendo a morte para quem já perdeu a vida.

Adeus amor, adeus para sempre.
De este amor tão imenso a quem realmente o mereça.
Não chores por mim.
Não vertas lágrimas, não padeças.

De nada vai adiantar tua dor.
Sou um ser da escuridão.
Destinado a servir ao terror.
Sem beijos, sem glória, só tendo a solidão.

.

3° Lugar no Concurso do Vale das Sombras de 2° Aniversário


Tormento...de Flávia da Silveira Perez


Fizeste o primeiro corte
dos cem
a que tens direito
(tortura indolor,
descomedida).

Precisão cirúrgica.

Escondida,
a marca (sanga)
silenciosamente
sangra
teu vinho
tinto de curare.

Preciso da tua língua
na minha;

curativo...

Preciso do teu sexo
que me invade:

curetagem...

Senão
empalideço devagar,
Curandeiro.

Morte tardia:
cada corte aos poucos
te esvai
e deixará minha boca fria...

E tu escorrerás belo bueiro.



.

1° Lugar do Concurso do Vale das Sombras de 2° Aniversário


RITUAL FATAL...de Ana Cristina Kaya (contos)


Era uma pequena vila de pescadores a beira mar. Viviam em pacata felicidade, longe da civilização moderna.
Tinham ainda cultos e rituais antigos, herdados dos antigos ancestrais.
Nesta noite de lua cheia, um vulto destacava-se no alto das pedras do mirante. Usava uma capa negra, que esvoaçava ao vento. Parecia esperar algo ou alguém.
Lá embaixo, na areia da praia, Petra caminhava, alheia ao movimento do festival.
Todos os meses, durante a lua cheia, os aldeões acendiam fogueiras na praia e depois de danças e músicas, deixavam um carneiro amarrado, em oferenda aos antigos Deuses da fertilidade e da abundancia.
Fato era que, ninguém sabia o que acontecia com o carneiro, mas quando o dia amanhecia, ele não estava mais no lugar em que havia sido amarrado.
E a aldeia continuava sua jornada, parindo novos filhos e pescando e plantando tudo que necessitavam para a subsistência diária.
Nesta noite, a lua estava particularmente bonita e brilhante e Petra não resistiu ao impulso de caminhar a beira mar. Era como se estivesse pisando na lua redonda e prateada. Como se andasse no céu.
Todos os habitantes da aldeia, em noites como esta, não saiam de perto das fogueiras e, logo que o festival terminava, entravam em suas casas como se temessem algo desconhecido.
Petra era uma mulher muito teimosa, e não temia a escuridão.
Não ouviu os gritos de seu pai que a alertavam para que não se distanciasse de todos. Continuou caminhando, alheia ao perigo, pensando em sua vida tranqüila e no futuro que a aguardava em breve.
Seu pai havia prometido sua mão, em casamento, muitos anos atrás quando ainda era uma menina. Era este o costume. Petra não amava o seu futuro marido, o achava velho e feio. Mas seria obrigada a aceitar a vontade de seu pai. Era assim que sempre tinha sido. Foi assim com sua mãe, sua avó e todas as mulheres que conhecia.
Mas Petra não aceitava aquela imposição, sempre sonhou em casar-se por amor com um lindo homem, forte e viril.
Caminhava, perdida em seus pensamentos, e não notou que estava sendo observada. Olhos noturnos e vermelhos observavam sua caminhada. Olhos que não perdiam um único movimento. Olhos de admiração.
Petra era muito bela, longos cabelos claros, olhos de um verde quase transparente, um corpo perfeito, pele macia e branca como a neve. Seus lábios muito vermelhos e cheios. Seios fartos.
Muitos homens a desejavam, mas todos sabiam que ela já estava prometida ao Duque Dimaggio, dono das terras onde os aldeões moravam.
Absorta, continuou caminhando pensando no grande amor que nunca teria e no que teria que agüentar o lado daquele velho asqueroso.
Sentou-se na areia, observando o brilho prateado nas ondas que chegavam a praia.
De repente, ela ouviu um ruído as suas costas e virou-se alarmada, quem poderia ser?
Seus olhos encontraram-se com os olhos mais intensos que ela jamais havia visto. Era um belo homem, alto, forte, longos cabelos negros que voavam com o vento. Ela não o conhecia, mas ele era maravilhoso e não parecia perigoso. Estava muito bem vestido, com roupas finas e de corte desconhecido. E usava uma longa capa negra que emprestava uma aparência misteriosa ao todo. Ele a olhava intensamente, ela podia ver o brilho de fogo em seus olhos.
Algo naqueles olhos a atraia, a hipnotizava. Seu coração batia descompassado dentro do peito. Seu peito arfava, o ar entrando nos pulmões em pequenos solavancos.
Quem seria este homem?
Lentamente ele se aproximou de Petra. Sorrindo.
Ela estava paralisada. Suas pernas não conseguiam se mover.
Ele chegou ao lado dela, ainda olhando dentro de seus olhos. Seus braços se abriram e ela caminhou os poucos passos que os separavam e se deixou envolver num longo abraço.
A pele dele era fria, mas seus lábios eram quentes e ele beijou cada milímetro do rosto de Petra. Ela usava uma túnica branca e transparente, a túnica ritual. Não usava mais nada por baixo da túnica. O vento modelava seu corpo embaixo do tecido.
As mãos do estranho iniciaram um passeio por seu corpo deixando-a em brasas. Nunca ninguém a havia tocado daquela forma. Ela era virgem.
Esquecendo-se do perigo e até de quem era, Petra deixou que o estranho a tocasse intimamente. Suas mãos de longos dedos apertaram a maciez dos seios rijos, apertando de uma forma bruta, com ânsia, deixando os bicos duros quase furando a leve túnica.
Desceram pelas costas, pelas nádegas, enquanto continuava beijando sua boca ávida.
Petra nunca havia sentido algo assim em toda sua vida. Ela esqueceu do mundo, do noivo, da família, nada mais importava. Deixou-se levar por aquele estranho homem.
Ele fez com que ela se deitasse na areia e deitou-se ao lado dela, mas numa posição que suas mãos continuaram percorrendo o corpo tremulo. Sua mão gelada levantou a túnica, expondo seu corpo a luz da lua e aos olhos vermelhos que a fitavam com cada vez mais intensidade.
Suas mãos passearam pelas pernas bem torneadas, subindo até as coxas grossas e firmes. Petra gemia baixinho. A mão fria encontrou o ponto quente e úmido entre as pernas dela e ali iniciou carinhos desconhecidos até então. Petra sentiu um dedo penetrando-a, aproveitando-se da lubrificação natural. Um dedo que entrava e saia, rápido, certeiro. O mundo rodou. Petra arqueava os quadris, chorando e rindo, completamente entregue aquele homem maravilhoso.
Os dedos ágeis e molhados da paixão dela, encontraram o ponto certo logo acima de sua entrada lubrificada. Petra gemeu alto, agora implorando para que ele não parasse.
O homem beijava sua boca, com uma língua fria e exploratória enquanto seus dedos a faziam soluçar de paixão.
E no momento que Petra chegava ao clímax, num grito de prazer, o homem misterioso abaixou-se sobre ela e sorriu.
E neste sorriso Petra viu o que a aguardava. Ele não era apenas um homem misterioso, ele era um vampiro.
As presas brancas brilharam ao luar antes de enterrarem-se no pescoço alvo e puro.
Toda sua vida passou diante de seus olhos, seus pais, seus irmãos, sua pequenina casinha e até o seu compromisso com o duque. Ela sabia que não sairia viva dali.
Seu primeiro momento de prazer supremo seria o ultimo. Sua vida se escoava para dentro da boca daquele ser monstruoso.
E num ultimo suspiro ela perguntou:
_ Por que?
_ Você é uma oferenda muito melhor do que os carneiros que me deixam.
E então ela soube que estava sendo sacrificada pelos deuses ancestrais.
Os pais de Petra perceberam que ela não se encontrava ao lado deles durante o antigo ritual. Mas pensaram que ela deveria estar em casa dormindo.
Naquela noite, pela primeira vez, o carneiro amanheceu na praia, intacto.
Mas Petra, ah Petra nunca mais foi encontrada.

O CD que você me deu


Meu Nome é Conde Vortak. Sou um vampiro. Uma criatura noturna que vive de sangue. Tenho muitos amigos e alguns são humanos mas eles nunca aparecem quando estou com fome. Eu não os culpo. Afinal, eles poderiam ser meu prato principal.
As histórias que vou contar trarão muita diversão como poderão ver nas linhas que se seguem.
Você é meu convidado.


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O CD que você me deu
Por Adriano Siqueira

siqueira.adriano@gmail.com

- Não acredito que você fez isso Carlos!
- Fiz sim Cláudio! Eu gravei a conversa do Henrique com a amante dele e coloquei no CD junto com as músicas que a Cris, a namorada dele, me pediu. As músicas da Luisa Paloma.
- Luisá Paloma é uma cantora e tanto.
- A Cris é fã daquela mulher. Que mau gosto. Comprei os CDs dela e alguns pôsteres só para impressionar a Cris. Mandei até um e-mail para a Luisa só para dizer que tenho contato com ela.
- E você coloca a conversa deles no CD dela? Cara! Essa foi demais! Foi o pico da maldade.
- Eu consegui acabar com o relacionamento deles com a maior moleza... Amanhã mesmo vou pedi-la em namoro.
Carlos queria acabar com o namoro do Henrique com a Cris, por causa do ciúmes que ele tinha. Um garoto com problemas sérios ao qual eu me interessei de imediato. Eu tinha que conhecer mais este humano. Ele tinha que ser meu jantar.
Quando Carlos voltou para a sua casa, a sua mãe deu um recado.
- Carlos! Uma mulher esta te esperando na sala.
- Mulher? Na minha casa?
Empolgado Carlos corre para ver quem era.
- Luisa Paloma! Minha Nossa! Eu sou seu fã. Tenho todas as suas músicas gravadas.
- Olá Carlos. Meu agente achou você e me contatou. Você tem todos os meus CDs e vários pôsteres. Você enviou um e-mail querendo me conhecer melhor e estou aqui.
- Nossa! Eu não posso acreditar. Me belisca que estou sonhando.
- Não é sonho bobinho.
Carlos e Luisa Paloma saem para ir jantar em um restaurante. No caminho ele vê a Cris chorando e ele começa a rir.
- Do que está rindo Carlos?
- Eu contei para aquela garota que o namorado a estava traindo.
- É mesmo? Então olha de novo.
Carlos perde a graça quando vê Henrique ir ao encontro da Cris e os dois se abraçam.
- Que droga!
- É Carlos. Pelo jeito, eles se amam mesmo.
- Eu vou acabar com eles. Eu prometo!
- Calma Carlos. Olha... Escuta meu novo CD tenho certeza que vai adorar.
- É... Claro!
Quando a Luisa coloca o CD para tocar não é bem a sua música que ela escuta. É uma gravação.
- “Luisá Paloma é uma cantora e tanto.”
- “A Cris é fã daquela mulher. Que mau gosto. Comprei os CDs dela e alguns pôsteres só para impressionar a Cris. Mandei até um e-mail para a Luisa só para dizer que tenho contato com ela.”
Luisa Breca o carro e grita para o Carlos.
- Sai do meu carro!
- Mas Luisa... não fui eu que disse isso!
- Agora!!!
Carlos sai do carro e a Luisa acelera sem se quer, olhar para o lado.
- Fui enganado. Vou matar o cara que fez isso comigo.
É nesta hora que apareço.
- É mesmo! Pois adivinhe quem foi!
Carlos tenta gritar mas sou mais rápido e garanto o jantar daquela noite.

Pessoas ciumentas como o Carlos usam a maldade para conquistar. Mas o que eles querem mesmo é prejudicar o relacionamento dos outros. Só tem uma maneira de conquistar um amor! Amando!
Adriano Siqueira é um dos autores do livro Amor Vampiro
para saber mais sobre o livro AMOR VAMPIRO consulte o link abaixoAmor! Por ele o homem foi levado a realização de grandes feitos. Mas também sob sua influência cometeu grandes atrocidades! O que aconteceria se tal sentimento dominasse um ser maléfico que perambula pelas sombras buscando saciar seu desejo? Adriano Siqueira, André Vianco, Martha Argel, J. Modesto, Nelson Magrini, Regina Drummond e Giulia Moon, ícones da literatura fantástica nacional, se reuniram para responder a questão e desvendar o Amor Vampiro!http://www.gizeditorial.com.br/

sábado, 23 de fevereiro de 2008

FIM DO MUNDO






















Não sei dessa construção cristã
greco-pérsica
o poder de me abater.
Apenas sei das almas caindo no abismo
para a segunda morte.
Os céus abrem em minha mente
mesmo que eu não queira
e tudo se torna negro como um saco de crina.
O Diabo sorri na carta XV.
Em outra, a Torre desaba
e por fim o Julgamento,
seguido da Morte...
e eu dependurado,
Enforcado pelo pé,
que ousa caminhar por onde não deve.
O maior pecado: desobedecer!
Desobedecer é não cegar e querer ver,
querer provar!
Querer saber o que foi proibido:
o fruto da Árvore do Conhecimento.
Tinha que ser Eva pecadora,
sedutora ingênua, irmã
de uma humanidade dolente
filha de Pandora
enteada de Prometeu.
E quem sou eu?! E quem sou eu!...
Para contrariar a ordem de Deus!
Mesmo que ela seja injusta,
pois é justa a punição eterna
e mesmo linda!
Linda de morrer...




Marcelo Farias - Ultramodernidade.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Prozac


Cheio de dor e de decepção, começou a sentir-se mal. Suando frio enquanto que deitado na cama cheia de lençóis. A vontade de gritar tornou-se enorme, como se tivesse a alma fermentada de agonia. Não se deixava imóvel, não achava posição que lhe satisfizesse. Em posição fetal, de costas, de bruço. Sentia as famosas borboletas no estômago, mas era um pouco diferente, havia um zumbido que vinha de dentro, subia e descia como um enxame de insetos. Movimentava-se dentro dele. Respirou o ar gelado e o exalou como fumaça, cada vez mais ofegante. Tinha consciência do mundo lá fora, embora tudo tivesse a textura de plástico. Na boca, o gosto de alumínio circundava feito cobra em pedra quente. A porta do quarto se abriu; sentiu raiva, odiava que adentrassem o seu quarto, batendo ou não, pois se batessem, não atenderia, mas entraram sem bater. Olhou esperando, quase podendo ver sua mãe, seria ela, mãe, mãe, mãe... Amor de mãe... O que viu, no entanto, era maravilhoso, talvez assustador, mas tinha sua maravilha como tudo o que é fantástico e desconhecido. Viu-se, ao menos achou que sim, pois o ser não tinha rosto, era como um manequim, de plástico como o mundo que ele vivia nos momentos de depressão. Ficou ali parado de frente a cama, fitando-o com os olhos que lhe faltavam. Movia-se como fotografia, movia a cabeça, frente num instante, esquerda no outro, não tinha orelhas, cima, direita, como fotografia. Observou cada canto do quarto e o fitou novamente. Agora ele tinha certeza, não eram borboletas no estômago, eram mosquitos, começou a suar mosquitos. O primeiro saiu pela fronte, brotou, brotou e escorreu pelo rosto. Escorreu como se estivesse preso em seiva e depois se livrou e voou. O ser se moveu como fotos novamente e se aproximou arqueando-se e mantendo as pernas eretas. Mais moscas começaram a sair de seus poros e a cabeça começou a doer desgraçadamente. O zumbido alternava-se fulminante entre alto e baixo, alto e baixo. As moscas começavam a encher o quarto circundando o ser de plástico que se movia como que curioso e sempre como uma sequência fotográfica. Olhou suas mãos ao senti-las coçar e viu sua carne secando e tornando-se pó, os ossos expostos. O ser esboçava tentar falar, o plástico se desprendendo, querendo abrir uma espécie de boca. Das mãos a secura se espalhava e subia por todo o braço, a carne se tornando pó e as moscas deixando todo o quarto negro. Uma boca escura se abriu no ser de plástico e as moscas foram como que atraídas para dentro dele, como se houvesse um banquete de carniça as chamando. Tudo aquilo o deixou zonzo e sua vista se turvou, seus olhos caíram quando toda carne se foi, rolaram pelo chão do quarto, porém, continuava a ver. Dois pontos de vista diferentes. Em um via o ser criando forma, pêlos, carne de verdade e no outro, o outro globo ocular rolou para debaixo da cama e ele só via escuridão e baratas. O ser, agora vivo, semelhante a um ser humano, se abaixou e pegou os olhos que viam, no lugar de seus olhos haviam grandes buracos negros, lambeu o olho, o espremeu e dividiu em dois, colocou-os nos buracos vazios, tornaram-se um só. O outro olho foi pisoteado e aquele lado morreu. Sentiu-se firme e viu os ossos por de sobre a cama, contraiu o estômago e vomitou escuro as moscas que havia dentro de si, junto com toda a carniça. Embrulhou tudo naqueles lençóis molhados e pôs fogo. Matou aquela agonia.

autor: Marcus Gonzalles

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

DIANTE DE SATANÁS.


Que pensar sobre Satanás!

Ora, Satã apresentou-se muito audacioso, fumando em demasia, os olhos incrivelmente percucientes.

Era uma criatura que impunha respeito. Inflado de luxúria, sensual, sagaz. Mas, sob aquela pele plúmbea, aquela vestimenta afogueada, a respiração difícil e forte dos fumantes - era um pobre danado.

Sim, o diabo não era nada! Não sabia nada! Não podia nada.

E, os magos o temiam, tão-somente porque aquele Espírito milenar animara os deuses mais sanguínários da Antiguidade.

-E agora presta-se ao ridículo de baixar em terreiros, e emprestar seu eminente nome aos quiumbas andrajos dos pântanos do astral inferior.

A última vez que o vi, inspirou-me compaixão. Muita compaixão. Na Assembléia, quantos demônios emergentes, sabiamente calados, poderosíssimos, não seriam infinitamente mais habilidosos, na triste condução do Globo.

Mas, Satã, auscultando o futuro, sabe bem o que espera. Ele reinará, mas seu Reino será efêmero, e, ao fim, nem mesmo a si mesmo restará o arbítrio do erro.

É o preço altíssimo de reinar nas trevas. Porque o progresso é Lei inexorável, e precisa igualmente das sombras, para agir, absoluto, pleno, em todos os recônditos do Universo.

-Satã, a tua Era está agonizando. É o ocaso. Os homens não precisarão mais de ti, Maiorial. E tu igualmente não precisará mais do erro.

E então serás esmagado, de forma tétrica, horripilante, hecatômbica, medonha - sob o peso do seu próprio carma, acumulado de maneira gigantesca, no varar infinito dos milênios, nas distâncias imensuráveis do Cosmo.

E serás então chamado Mártir das Sombras.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

CONVIDADO DO VALE... Adroaldo Bauer



E que amigo eu seria


Ela me sorri,
meu sorriso não retorna
há de ser de mim o que
que não mais a percebo
nem se se refira ela a mim
Definiu-se-me como a dor
Estou vivo, o coração dói
Eu a amo e é isso só
que nada importa.
Faz penar
Diz que se refere a mim.
Indiferença seria ainda pior.
Muito, muita vez mais.

Nem trocamos apenas olhares
e já somos os mais fiéis amigos.
E por que, então, sinto dor
pela amizade da mulher que amo?
E por que furtar-me jamais de dizer
que é amor, aceite assim...
ou mesmo não, porque, eu sendo
louco desato aqui o que sinto,
seja doçura do grande amor,
sejam meus ais, vão ser os teus.
Desatinado. Sei que não há destino,
nem fadado está nosso caminho,
que pavimentaria para te amar
Pronuncias o impronunciável: amiga
A palavra é amor.
Ouve-me mesmo?
O clamor que me esgana e te conclama?
Um amor sem a conseqüência, assim, é
p'ra morrer de te querer, deixá-la então
por cálice a mais de tão amargoso vinho
vou-me reerguendo em prantos. Não te
aflijas que ainda não vou à tibieza
Não estou então fraco,
é apenas morto que estou,
não tenha dó, não é lamúria,
é meu modo de purgar...
o falso do verdadeiro
Serve-me em teus dedos finos a delicadeza
tua que me alcance os lábios e talvez me toquem,
que é desespero não saber se o buquê
é teu ou de qualquer
Sei da tua amizade.
escreves nos meus escritos,
És mais amiga deles que eu próprio,
que tento desvencilhar-me
como alguém outro, um não autor
à cata de que sirvam a outrem
mais do que a mim têm servido
Jornada sentimental sem melodia
"Sempre te amarei, amigo"
Um leitor de agora tão estranhas linhas,
posso dizer-te, parece a canção vulgar
não o tão belo clássico que me ofereces
com as ilustrações ainda mais belas.
És hoje uma amiga. É brega, nem luxo,
estar apaixonado assim parece
que posso fazer a canção,
mas sequer firo um violão, menos
ainda tanjo um banjo.
Desafino.
Deixa-me mal comigo mesmo,
Então, mais desespero
Vou em frente um pouco tímido,
Levo esse barco já sem leme
em busca do que, sim, do querer
e o que me espera, sei, é um amor
que nunca em mim se apaga,
nem que não encontre quem o afague
nos atormentados momentos, poucos,
mas intensamente contrariados por
um grande desamor.
(E vê que as rimas já me fogem,
empobrecem; entristecem...
É tarde, o sono me aperta os olhos,
cobra um indevido repouso
que não ouso buscar no sono)
Oh! Estranhada amiga minha.


Adroaldo Bauer - Jornalista, autor da novela O dia do descanso de Deus -
http://coisaegente.blogspot.com

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Agonia


Estou trancada num barraco imundo, amarrada por fios e cordas, deitada no chão de terra, não me sinto mais humana,sou um bicho enjaulado, fedendo a suor, mijo, imunda, à beira da loucura, só quero sobreviver ou ter uma morte rápida.Mas sei que é pedir muito.
Como policial cada minuto neste cativeiro significa o esforço dos companheiros que já devem ter cercado o morro e tomado cada viela.

Os traficantes estão desesperados porque o movimento está parado,a polícia está cercando outros morros,prejudicando as bocas que não vendem as drogas.Eles não vão aguentar muito tempo a pressão.
Tenho 22 anos, passei no último concurso para a Polícia Civil ainda estou novinha na função. Estava fazendo um reconhecimento de área em uma favela no Rio de Janeiro quando pegaram meu parceiro.Tentei revidar mas uma pancada muito forte na cabeça fez com que perdesse os sentidos.

Acordei assim. Preferia estar morta.Ouvi quando meu parceiro foi executado.Eles deram muitos tiros mas não o mataram logo, ele sofreu muito nas mãos daqueles bandidos covardes. O barraco onde estou fica no alto do morro, ouço os helicópteros sobrevoando a área e os bandidos estão monitorando cada passo da polícia pelo rádio.Estou nas mãos deles hà seis horas, são muitas vozes discutindo o que fazer.Matar, queimar, fuder, estou perdida, se pudesse me matava agora.A polícia está apertando o cerco e eles estão cada vez mais agitados.

Eles entram e me colocam em pé, são oito bandidinhos de merda,alguns ainda adolescentes, tento falar mas levo um, dois, perdi a conta dos socos.Minha boca sangra, alguns dentes caem e eles não param de bater. Um deles parece o líder, é mais velho,atarracado,olhos injetados,muito doidão.Ele arranca minhas roupas e expõe meu corpo magro, xinga,grita que sou uma puta, polícia de merda, me arrasta pelos cabelos, fura os meus seios com um facão, morde meus mamilos, suplico, imploro e eles riem. Sou uma aberração que urra numa poça de sangue:_me mata, me mata por favor, me mata.

Imploro.Eles não ouvem, estão fumando e cheirando sem parar, cada vez mais loucos e violentos.Não sei quantas vezes fui penetrada,por quantos,não sei porque não suportei tanta dor.Fui tragada pela escuridão e lá busquei conforto.Nada mais importa agora.Penso nos meus pais, chamo o nome da minha mãe várias vezes, esperando o final da dor.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Beco sem saída



Se por acaso você encontrar
Meu coração pedindo esmola
Na calçada onde você escarra
Faça-me um favor
Jogue-o no lixo
E decore com ácido
Ecologicamente correto e herói da pátria!
Indo para puta que não o pariu
No fluxo de nada
Pra quem nada teve o que te dar

O Buraco no peito já está disfarçado
Com flores,bonequinhas,fitas e musgo
O veda-rosca na boca
E as pernas amputadas
Para nunca mais seguir teus passos decorados

Se meu olho vítreo
Ainda estiver te espiando
Enquanto você alisa suas cicatrizes
Despeje nele sua fúria
Com um palitinho
Que o padre macumbeiro benzeu
Não fará falta
Cegueira,minha mãe
Me embala
Ralos tragam
Falsas palavras de amor

Eros acordou
E me deu na cara
A hipnose
A possessão
O sorriso iluminado
Tudo falecido
Não vou ao enterro
Quebro qualquer espelho
E arquivo o desesperado

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A galo teve seu tempo


É só aparecer um capacete que já atiça a memória.

Olhei no espelho e ganhei a parada, faróis baixos, mesma velocidade, eu mudava de pista eles mudavam.

_Dá um tempo cassete! É o seu marido aí atrás. Você sempre esperneia quando lhe impõem a mão na cabeça, diz o que quer e o que não quer, depois desaparece, volta pra onde vem se escondendo por toda a vida. Nos poucos minutos que você se travesti de demônio e desmorona sobre o mundo, com esse disfarce de inimigo, eu vejo a sua verdade, é igual à de todos, igual. Não preciso de demônio alheio tomando minhas decisões, tenho inimigo suficiente em mim mesmo. Já é transtorno o bastante mantê-lo quieto como está agora, eu não vou engolir nenhum dos seus me atazanando. Segure sua onda e abaixe a viseira, o bicho pegou._Ela ainda pode me ouvir dizer: _Quem vai soltar o demo agora sou eu.

Entrei sem dar sinal pra pegar a interligação, atravessamos pelo meio das latas de fogo, deitando tudo, deu pra sentir o calor das labaredas no joelho. Chamei duas pra baixo e enrolei os cabos, ali foi fácil. No túnel, parecia game, cento e setenta, duzentos e tanto. O problema era me livrar do ronco do seis bocas no encalço, eles se divertiam às minhas custas, se ela não tivesse na garupa eu já teria ouvido os pipocos. Só precisava de um pouco de tráfico para despista-los, ainda bem que tinham resolvido que brincariam um pouco antes de nos detonarem. Mas não sem uma bela canseira.

Depois do próximo túnel tem um retorno meio escondido do lado esquerdo. Se déssemos muita sorte de encontrar uns dois carros desse lado seria a conta, ultrapassando pela direita e já cortando os dois, no jeito de entrar no contorno, eles não fariam aquela curva sem capotar. Dito e feito. Deu pra ver as faíscas embaixo, no escuro, enquanto ouvia a cantada dos pneus, lá atrás. Eu sabia que não desistiriam sem brigar, mas muito difícil tirar o atraso. Na subida eu sou mais, além de que não iriam bater pelo rádio, era pessoal, eu tinha virado troféu depois que ganharam o lance. Que tentem.

Resolveram apelar com sirene. Nunca tinha visto tanta gente subindo naquela hora da madrugada, sorte, passeio no parque pra mim. O povo fica meio perdido com os faróis nos espelhos e com o ronco. Um monte de baratas tontas, só o toque no joelho pra juntar, quanto mais apertado melhor, pelo menos você sabe tudo andando junto, mas eu disse pra não usar a jaqueta bandeira, entrega muito.

Nesse horário só tem o que não presta, até uns doidos que se ligavam e dificultavam pra eles. O zunido foi encolhendo, encolhendo até sumir, mas eu só diminuí quando deu pra sair fora, pegando para São Bernardo, Cupecê e já era, terra de ninguém.

_Enquanto as válvulas estalam, toma meu conhaque com esse lindo sorriso cínico. Pelo menos ele não pode ter certeza e ainda estamos vivos. Você é o meu B.O. mulher, o sol já vai nascer e eu quero estar lá embaixo, agora vai ter que ser rápido. Gruda.

Tocou uma?... Então liga.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

CONVIDADOdoVALE- Giovani Iemini

Tunel de Luz



- Eu estou bem? Eu vi o túnel de luz...
O bombeiro olhou para o paramédico, que guardava o equipamento de desfibrilação, e sorriu.
- Sim, está bem. Por um segundo o perdemos, mas agora está bem. - Mudou o tom de voz. - Você disse que viu o túnel de luz?
- O túnel. Eu o vi! - Um flash de imagens passou em frente aos olhos de Sergio, que relembrou da tudo desde o acidente . - Eu estava no túnel. Fui para a luz, atravessei o portal. Mas... fiquei curioso e olhei para trás. Eu vi. - Arregalou os olhos. - Eu vi o túnel.
O bombeiro e o paramédico se entreolharam.
- O túnel era um pênis. - Gritou. - Um pau! - Balançou a cabeça piscando. - E éramos os espermatozóides nadando no sêmem. Um grande mar de porra.
O paramédico assentiu com a informação.
- Oras, então quando morremos nos transformamos em espermatozóides na luta pela fecundação? Uma chance de uma nova vida? Interessante.
- Não. - Gritou Sergio. - É uma vida diferente! - Trinitrou entredentes. - O pênis era de um orangotango.

Giovani Iemini
http://www.maobranca.bardoescritor.net

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

NOTÍCIAS DO FRONT



Olá a todos meus queridos amigos deste vale sombrio !




Aqui quem fala é o seu querido e amado enviado (escrito da maneira correta) especial Joel Mirolha. Até então o responsavel pelos textos antes das tiras eram de responsabilidade


de um sujeito que só tinha a intenção de destruir a minha imagem perante aos leitores.


Felizmente o mesmo tropeçou por seus próprios erros e agora eu estou no comando, e espero que seja assim para todo o sempre...hehehehehehehe...


A tira de hoje é destinada aos nossos meios de transporte , que são extremamente importantes para a vida financeira e ativa de uma sociedade e relatam inumeras vezes a batalha travada por nós e nosso cotidiano no front de batalha da vida!


Este momento não fugiu aos meus precisos olhos de águia...apesar das duas pessoas que estavam na minha frente...mas isso não importa...o fato é que vi a conversa entre duas vans, falando de sua filosofia de vida...




Até a próxima pessoal!






ps: Na última vez que foi visto, o antigo escritor dessa coluna pegava a van do intinerário Bangu-Japerí...




Clique na tira para aumentar:

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Luto

Hoje estou vazia
mesmo povoada
de mães, pais e filhas.

Sete anos de sorte
e agora o corte
dói de novo
renovado.

A casa está sozinha e reclama:
- O muro é apenas muro,
a porta da sala não mais mia chama
quando se abre.


Sete anos seus olhos
me deu por companhia
por sete anos me seguiu:
onde eu estava,
ele ficava.

Hoje lembrei,
estava quase esquecido:
fui traída , tragada
pela minha lida.

Ele foi traído.

E uma foi - se
rasgou a lembrança:
na última noite
não disse adeus...

Foice,
sem olhar
nos olhos meus.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Vote no Ebook do Vale lá no Overmundo




O Vale das Sombras precisa de voto no Overmundo
Ebook do Vale das Sombras é um projeto que começou pequeno, já conta com um blog e agora com o livro virtual.
Uma coletânea de escritores e pessoas envolvidas com arte em geral, todos membros da Comunidadee enganjados nessa empreitada de Me Morte.
"Era um projeto meu que se tornou de todos".
Assim como os famosos Concursos Góticos do Vale, o Ebook veio para ser o primeiro de muitos.

No site do Overmundo passam mais de um milhão de pessoas todo mês.
Precisamos de 70 votos para que o Vale ganhe seu cantinho lá, já temos alguns, falta o seu.
Entrem no site e se cadastrem, e fiquem de olho na contagem regressiva do quadradinho ao lado da postagem.

http://www.overmundo.com.br/banco/ebook-do-vale-das-sombras

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Agressão Prematura


_ Mutações genéticas são definidas como alterações aleatórias no DNA. Seu filho é anencéfalo. Ele não possui calota craniana, o topo da cabeça acima dos olhos.
_ Meu filho não vai sobreviver?
_As estatísticas não são muito favoráveis, geralmente os anencéfalos costumam viver no máximo dois dias. Eu sinto muito.
Silêncio
_ A culpa é minha? Quer dizer pode ser um problema herdado geneticamente.
_ Não, por favor. Não se culpe.
_ Meu marido vai me culpar por isso.
Lágrimas escorrem pelo rosto alvo da jovem gestante. O vestido solto não oculta a barriga redonda e de aspecto saudável
_ O que eu posso fazer, meu deus, eu não estava preparada para uma gravidez quanto mais uma gestação assim.
_ Você não precisa levar a gravidez à diante.
A moça olha espantada.
_Como?
_Você pode pedir autorização judicial para interromper a gestação. Seria muito menos traumático já que é seu primeiro filho.
_ Ele não vai ter consciência ou sentimentos?
_ Não, somente funções orgânicas. Será muito melhor, tanto para ele como para você.

***

_Eu não tive culpa.
_Você vai abortar essa aberração.
O homem, de rosto rústico e mãos calejadas, fala em voz alta deixando cair gotículas de saliva de sua boca aberta num esgar pavoroso.
_ Não fale assim do nosso filho.
_Ele não vai nem saber que está no mundo. Está decidido, você vai tirar e acabou. Eu mal tenho condições de sustentar um filho normal, quanto mais uma criança problemática como essa.
A expressão na face bruta suaviza-se por um momento e o jovem pousa o braço sobre os pequenos ombros da jovem mãe.
_Querida ele nem saberá que somos seus pais...


***
_Como você se sente?
_Bem.
A jovem, de rosto pálido e olhar triste está deitada sobre a cama de hospital. As coxas se contraem num movimento inconsciente.
_Faremos o possível para você se sentir confortável está bem?
_Obrigado.

***


Senta-se na poltrona branca no quarto. O lugar onde sentara vezes incontáveis imaginando o ato de amamentar, a união total com seu filho. O milagre de ser mãe, deixado para trás. Desliza a mão no ventre oco. Segura o pequeno travesseiro. Borboletas azuis a espera de um bebe que não virá.
Escuta um choro vindo de longe.
Exalta-se. Anda no pequeno apartamento.
O choro vem de todos os lados. Choro de uma bebe recém nascido, um choro forte e faminto. Volta ao quarto.
Espanta-se ao ver o menino deitado em sua cama as faces rosadas os braços gorduchos. As lagrimas escorrem em seu rosto. Ela o acolhe em seus braços e o embala.

***

O trabalho foi bastante difícil hoje, ficou preocupado com sua esposa. Anda com passos largos chega em frente ao velho prédio mau pintado e cheio de rachaduras.
Entra no pequeno apartamento e vai até o quarto.
Encontra a esposa cantando uma canção de ninar segurando o pequeno travesseiro recostado no seio dilatado e lactante
_ Veja querido nosso filho voltou. Ele não esta mais doente agora. Veja meu bem como tem fome.


POR JULIANA T.P.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Não permita que seus anjos encarnem


Não permita que seus anjos encarnem.
Encarnados, anjos perdem o seu lume.
Se mortais, anjos abdicam da agelitude
E se enrascam no pior dos sentimentos.
E assim, chegam a sentir ciúme.

Foi-se o tempo do maniqueísmo
Bons e maus, agora sei, é aforismo
São os mesmos anjos bons que se rebelam
E os maus, anjos menores, vêm à tona

Anjos são isso só: anjos pendentes,
Iminentes, nunca anjos verdadeiros.
Os primeiros querubins anunciados
São malvados como só foi Belzebu.

Anjos são, pois, referências primitivas
A cuidar de nossa insônia, nossa sorte.
Madrugada, e meus anjos frios do norte
Me carregam, sem querer, p’ra sul do sul.

Que importa? Sejam anjos de verdade
A me oferecer, não o todo, só metade.
Ainda assim são anjos. Assim seja.
Que os perdoe esse Deus que não é nada,
Só vontade.

Ruy
(foto de Anjos de Belini - Roma)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Ebook do Vale das Sombras Edição 2° Aniversário


Dizem que o Vale das Sombras é um cantinho gótico, será? Eu acho que com o passar do tempo esse cantinho criou seu estilo próprio.
Lá só aceitamos textos sombrios, risos e felicidade não têm vez, porque estado de espírito no Vale é choro, perfume só de velas, amor só pela morte.
Lá, se você posta seus escritos ou participa de um dos projetos do Vale, Blog ou Concurso, terá um texto seu publicado numa das edições do Ebook do Vale. A primeira está estreiando em comemoração ao 2° Aniversário do Vale.
No Vale das Sombras todos que são ativos saem ganhando.

“Somos um bando de jovens, de corpo ou de espírito, que acredita que estilo gótico é arte e não precisa necessariamente ser rotulado de louco ou depressivo.”

O Ebook do Vale nasceu da idéia de preservar esse movimento (como já é chamado) e dele fazem parte escritores a pessoas envolvidas com artes em geral.
Teve a apresentação da Banda Anarquia89, idealização e coordenação editorial de Me Morte, projeto gráfico e editoração de René Ociné, capa do desenhista Rafael Pereira, além de vários escritores e poetas da comunidade participando com contos e poesias.

Baixe o Ebook dia 16, sábado e delicie-se com a leitura.

O link estará no Vale das Sombras Comunidade, Blog, página de Me Morte ou peçam informação aos moderadores do Vale.


Ah...Venha conhecer a gente:

Blog
www.valedassombrasmemorte.blogspot.com
.
Comunidade
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8910225

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

CRENÇA


por Dos Anjos


Eu creio na cruz e na ausência de ser vida
Creio também em chamas do meu passado
Eu creio no credo e creio no pecado
De ser alma, corpo e forma carcomida.


Eu creio no Universo, este tudo que em mim dança
Creio no cativeiro que me obriga a crer
Eu creio que de mim subi, pra de mim descer
Creio também em horrores de abastança.


Se renego o que não creio ou me renego
Renego também o próprio túmulo
De quem sou de mim filho.


Eu renego o próprio deus que em mim eu nego
E cheguei à beira do próprio cúmulo
De procurar um pão sobre o meu trilho.


dos Anjos

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Aqui jaz


Aqui jaz um corpo ainda
não soterrado , que sobrevive
de migalhas , de sentimentos
Inacabados.

Aqui jaz uma alma
iluminada que luta para não
ser apagada,
com todas as forças que tem.

Alma penada, de corpo ainda
não soterrado, briga e guerreia
contra as trevas do medo que mora
ao lado.

Aqui jaz, mora um pesadelo
que domina a mente, que se faz
presente em cada anoitecer.

Aqui jaz minha alma,
neste corpo condenado a morrer,
que de tanto amar ,
carrega em um manto a dor do padecer.

E meu pranto será o véu
na face entristecida,
enlouquecida ....
Aqui jaz minha vida,
sobreviverei entalhando em meu peito,
– Aqui jaz – a quem tanto AMEI.

Leni Martins

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

GUERREIRO DA NOITE


De terras longínquas ele veio.
Sangrentas batalhas ele travou.
Em sua mente, apenas lembranças esparsas.
De seu povo sofrido que tanto sangue derramou.

Agora, ele pertence á noite negra.
Refém do diabo, transformado ele foi,
No auge de sua juventude e vigor.
Tomado de assalto, traído por seu amor.

Era uma noite escura e fria.
Por ela esperava, em doce vigília.
Tão bela musa, de cabelos dourados.
Doces lábios de carmim, tão macios.

Quem ela era, ele não sabia.
Sabia apenas que já a amava.
Estava enfeitiçado por sua beleza esguia.
E noite após noite, cada vez mais a desejava.

Quando ela chegava, lhe tomava de assalto à letargia.
Em seus olhos verdes, em delírios românticos se perdia.
Seus sonhos longe voavam, um futuro radioso prometia.
E nos braços amorosos e sedentos, o desejo crescia.

E, quando finalmente em lençóis se deitaram,
Consumando a paixão ardente que sentiam,
Ela lhe mostrou a verdadeira face imoral.
Não era uma princesa, nem rainha, mas vampira imortal.

A dor em seu pescoço foi até amena,
Presas de marfim se aprofundaram na pele morena.
Seu sangue ela tomou, em goles fartos e escarlates.
O silencio da morte já o abraçava, sem pena.

Como um presente, pela traição desumana,
Ela cortou o pulso com suas próprias presas,
O sangue pútrido por sua garganta rolou.
E ele, em guerreiro da noite, também se transformou.


By Ana "Kaya" Cristina
05.04.04
(foto de Nosferatu)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Menina bem vivida

de Angela Oiticica

Cantava e estalava os dedos. A vida em si se partia em direções tão diversas. Os momentos aguardavam sem rimas sua balada rítmica. Levara os tiros a queima roupa de um freguês que recusara amar.

Escorria golfadas de sangue numa noite bárbara na saideira do bar. Assim mesmo
estalava os dedos. Cantava. Marcava o ritmo das chicotadas bandidas, estaladas pela vida, numa noite sem luar.

Pequena esquina aquela. Amontoada de nódoas bordadas pelas sombras. Guardada pela solidão, tombava sem vida a sorrir da multidão que nada perguntava.

Angela

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Máscaras


Luzes na avenida
sonhos na passarela
histórias e alegorias
que nem lembram
o barracão da favela

não mostram na televisão
os sonhos dos meninos
que enfeitaram os carros
alegóricos
pra que?
esse é um problema
histórico.

não mostram as meninas
que os gringos
brincam no carnaval
deram a elas camisinhas
para o comércio sexual

eis o país do carnaval.

(Sirlei L. Passolongo)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Paixão Roubada


Meu Nome é Conde Vortak. Sou um vampiro. Uma criatura noturna que vive de sangue. Tenho muitos amigos e alguns são humanos mas eles nunca aparecem quando estou com fome. Eu não os culpo. Afinal, eles poderiam ser meu prato principal.
As histórias que vou contar trarão muita diversão como poderão ver nas linhas que se seguem.
Você é meu convidado.

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Paixão Roubada
por Adriano Siqueira
siqueira.adriano@gmail.com

Em uma das minhas aventuras, passei um tempo exilado perto de um reino chamado Duran. Eu tinha feito um pacto com o rei. Eu prometi que não iria atacar ninguém que morasse por lá.
Era um reino onde todos viviam pacificamente. Porém, sempre existia alguém dominado pelos males da inveja.
Acompanhem-me nesta história...

O soldado Ramirez e a sua amada Madalena Beijavam-se apaixonadamente perto do Castelo.
Sem que o casal percebesse, o príncipe Rhodes observava os seus movimentos.. Por muito tempo Madalena negou o amor do príncipe mas, ele sabia que um dia a teria em seus braços.
- Como pode uma mulher tão bela estar apaixonada por um simples soldado? Mas aquela plebéia vai pagar caro por recusar meu amor! Sou um príncipe! É meu direito ter tudo que quero!
Completamente dominado pela sua fúria e ciúmes o príncipe Rhodes coloca o seu plano em ação. Ele vai ate a minha casa que era fora do reino. Foi a primeira vez que nos vimos.
- É aqui que mora o vampiro. Tenho uma oferta que ele não poderá recusar.
- Príncipe Rhodes... É uma honra telo em minha morada! Por acaso não veio aqui para cobrar impostos, espero. Eu continuo sugando o sangue dos animais da floresta conforme combinado com seu pai, mas sempre estou disposto a mudanças de contrato.
- Sim, Vortak! Eu tenho um novo acordo. Quero que use seus poderes para matar o soldado Ramirez e fazer Madalena apaixonar-se por mim.
Eu estava rindo por dentro. Pobre tolo. Eu entrei no jogo. É claro.
- Isso é fácil para os meus poderes. Em troca, quero uma mulher por mês e seus soldados longe da minha morada.
- Aceito o acordo! Vá agora! Estarei esperando dentro da sua casa.
Não foi difícil imaginar o príncipe Rhodes rindo, esperando que eu obedecesse as suas regras absurdas. Mas madalena era uma mulher fascinante. Rhodes era um fraco. Até mesmo o rei não iria permitir que tal homem assumisse as obrigações do seu reinado.

Já havia passado um bom tempo até que finalmente Madalena chega na minha casa para encontrar o príncipe Rhodes.
- Finalmente a minha amada chegou. Venha meu amor. Venha abraçar o seu novo senhor.
Madalena abraça Rhodes e antes de perceber o que estava errado ela o segura com muita força e mostra para ele os seus caninos bem salientes.
- Não! Aquele vampiro traiçoeiro o transformou em uma vampira! Não!
Madalena não diz nada! Apenas morde o pescoço do príncipe Rhodes.

Tenha certeza, meu amigo! Não existe dinheiro que compre o amor. Ele deve ser conquistado apenas por uma forma... Amando.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

A queda

Caiu a uma altura considerável. Bem...não poderia morrer, sabia que não era chegada a hora. Acabou por sobreviver àquela queda, como previsto. Levantou-se, limpou-se de todo o pó e caminhou em direção à escada para voltar à chaminé e terminar a limpeza.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

†††Coma†††





Meus olhos estão fechados,
Mas sinto você do lado,
Pensando, rezando, chorando...
Alguém do lado,
Comigo.

Meu cérebro é que te escuta,
Que acolhe a tua súplica
E não responde, inerte...
No beiral da morte,
No abismo.

Barulhos desencontrados,
Imagens e sonhos, quebrados,
Meros cacos, na inconsciência...
Os dias seguem vibrantes
E eu vegeto.

Meus olhos estão fechados
E ainda me sinto amado,
Ainda me sinto vivo...
Quero acordar,
Te ver!

Meu cérebro a tudo assiste
Mas, meu peito é que resiste
E teima em voltar...
Retomar os planos,
Viver!

Me