sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ATENÇÃO!



O Projeto A Turba Literária foi idealizado por escritores, que necessitavam de um espaço para divulgar suas Obras não publicadas. Um local onde a literatura independente fosse tratada de forma séria e atraente.

Seu objetivo é a divulgação de material não publicado por editoras e união de pessoas ligadas à literatura, como escritores, leitores, professores, estudantes, artistas num só lugar e promover o fortalecimento da cultura literária nacional através da troca de opiniões, informações e experiências.

No dia 20 de novembro de 2006 o site entrou no ar, após exatamente 8 meses e 27 dias do nascimento do Vale das Sombras (23/02/2006). O Vale vocês já sabem, um lugarzinho onde jovens almas provam que goticismo literário é um saudável exercício de aprendizagem e não precisa estar ligado ao sentimento de depressão.

Juntos, Turba e Vale, convidam você a esse mega evento de literatura gótica e erótica.

-Concurso de Natal do Vale das Sombras e Turba Literária-

Participe e divulgue o que você tem de mais precioso, o seu talento.

Confira o regulamento abaixo:


REGULAMENTO DO CONCURSO DE NATAL "VALE DAS SOMBRAS & TURBA LITERÁRIA"

DAS INSCRIÇÕES DO CONCURSO DE NATAL

O CONCURSO DE NATAL SERÁ UMA PARCERIA ENTRE VALE DAS SOMBRAS E TURBA LITERÁRIA E DEVERÁ SEGUIR O SEGUINTE CRITÉRIO:

Art. 1º - As inscrições terão início em 01/11/2008 e serão finalizadas em 22/11/2008. Poderão ser efetuadas VIA EMAIL valedassombrasmemorte@gmail.com ou memortesp@gmail.com

Art. 2° - A votação terá início dia 23/11/2008 e irá até dia 03/12/2008.

O resultado será em três etapas a serem divulgadas posteriormente.

Os poemas deverão ser enviados conforme a seguir:

§ 1º – Cada participante deverá enviar dois poemas em estilo GÓTICO/ERÓTICO com no máximo trinta linhas cada.

§ 2º – Os poemas deverão seguir a linha do estilo SOMBRIO/ERÓTICO ou somente SOMBRIO ou somente ERÓTICO, sem fugir ao proposto, com pena de desclassificação se assim ocorrer.

§ 3º - Inscrição pelo ORKUT: o participante poderá enviar a inscrição pelo orkut desde que por depoimento, sem jamais dar informações do poema por scrap, com pena de desclassificação se assim ocorrer.

§ 4º - Os trabalhos deverão ser inéditos e NÃO PODEM SER DIVULGADOS, sob qualquer hipótese, em sites, em tópicos de comunidades, em scraps, em blogs, até a DIVULGAÇÃO FINAL DOS VENCEDORES, com pena de desclassificação se assim ocorrer (entende-se por inédito a obra que não tenha participado de outros concursos, nem publicada em sites ou blogs da internet); apresentados em língua portuguesa, sem artifícios estrangeiros, seja no título ou texto e sem expressões que identifique o autor.

DAS PREMIAÇÕES

Art. 5º - Os vencedores serão premiados conforme a seguir:

- 1º Prêmio – A Turba Literária fará uma linda montagem do poema em HTML para que o autor possa enviar por scraps aos membros do Orkut e ficará a disposição de todos num site prório; Publicação no site do Vale no NING; Publicação no Blog do Vale e Divulgação;

-2º Prêmio - A Turba Literária fará uma linda montagem do poema em HTML para que o autor possa enviar por scraps aos membros do Orkut e ficará a disposição de todos num site prório; Publicação no site do Vale no NING; Publicação no Blog do Vale e Divulgação;

-3º Prêmio – A Turba Literária fará uma linda montagem do poema em HTML para que o autor possa enviar por scraps aos membros do Orkut e ficará a disposição de todos num site prório; Publicação no site do Vale no NING; Publicação no Blog do Vale e Divulgação;

  • Publicação de todos na comunidade prêmios do Vale e blog dos concursos.

  • Outros prêmios que por ventura sejam doados por artistas e colaboradores do Vale serão divulgados durante o concurso.

DA AVALIAÇÃO

Art. 6º - A avaliação, classificação e julgamento dos trabalhos serão efetuados por uma comissão composta por elementos de reconhecida idoneidade e competência, ligados ao meio literário, por email para a Me Morte e também por membros do Vale das Sombras em tópico específico na comunidade, sendo que:

-Comissão: cada voto vale 10 pontos

-Membros: cada voto vale 5 pontos

§ 1º – Não poderão participar do presente concurso Me Morte (Vale das Sombras) e Daniela Marins (Turba Literária) e estão LIBERADOS a participar moderadores do Vale e demais integrantes do site a Turba Literária.



DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 7º - Qualquer dúvida deverá ser encaminha por email ou scrap no Orkut.




Me Morte


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A ânsia


A ânsia



Como vômito saem as palavras,

passeiam por minhas vísceras,

até que me fazem suar, lavando e levando,

num embrulho o nojo, o rancor

Vêm pulsantes, cavalgando

dentro, por, entre

insistentes, em vão, tento contê-las

subitamente, pulam, escapam-me

líquidas, gosmentas

de tempos, em momentos

são involuntárias, não as domino,

quando querem

saem!


Angel Ilanah

Mais poesias aqui

quarta-feira, 29 de outubro de 2008



DESEJO A TODOS UM FELIZ HALLOWEEN CHEIO DE TRAVESSURAS E GOSTOSURAS

Ana Kaya

AINDA NÃO ENTARDECI




Hoje falei esta frase, num repente.
“Ainda não entardeci”.
Achei-a tão linda e contundente
Tão profunda engraçada até, mas eloqüente.

Pensei em mim como uma manhã,
Como um início primaveril.
Que aguarda ansioso a chegada da tarde,
Que se traduz na experiência de uma quase anciã.

Noite, noite alta e a lua passeia no céu.
Futuro de todos nós, um dia.
Sermos estrelas neste céu infinito
Iluminando a vida de outros espíritos

E nesta manhã onde sobrevivo,
Aguardo à tarde que ainda não veio.
Sonhando com a noite estrelada, esteio.
Quando então, finalmente, serei estrela e puro brilho.



By Ana Kaya



terça-feira, 28 de outubro de 2008

Com Todos os tons




Com todos os tons alentos de repente
a face do meu horror fez-se encanto
enquanto encantas o drama sem espanto
carne e sangue, união,amor somente.

Ah, meus olhos desfaz quando te chama
pela manhã, meu peito aberto sente-se amante
junto à morte,que chora o sangue que derrama
em teu esplendor bêbado do meu vinho errante.

E assim tão frágil te fez rosa moça
vermelha,branca,morena misteriosa
do espinho folhado que verte na minha boca.

De tão somente melancolia reunida com ela
de versos e prosas proclama ansiosa
carinhos de amor da rosa mais bela.

Por:Emerson Sarmento

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

REGULAMENTO OFICIAL DO CONCURSO DO VALE DAS SOMBRAS


CONCURSO DE POESIAS GÓTICAS DO “VALE DAS SOMBRAS” - ME MORTE - ORKUT

REGULAMENTO OFICIAL

O concurso é promovido pela comunidade do Orkut e Me Morte – VALE DAS SOMBRAS com o APOIO de POETAS, ESCRITORES E ARTISTAS EM GERAL

R E G U L A M E N T O

Art. 1º - O Concurso de Contos e Poesias, promovido pelo Vale das Sombras –tem como finalidade abrir espaço a todos e quaisquer cidadãos (ãs) brasileiros (as) residentes no Brasil e Exterior, com qualquer idade e que queiram divulgar seu trabalho em âmbito Nacional e Internacional.

Art. 2º - Cada concorrente poderá participar com até dois trabalhos em cada categoria, com, no máximo uma lauda cada um.

Art. 3º - Serão aceitas participações através de pseudônimos, desde que devidamente identificados à organizadora por email aninhalopes0000@gmail.com e que atenda às exigências:

Anexo 1: Cada participante poderá concorrer com dois poemas somente, por isso, quando existir um pseudônimo além do perfil verdadeiro, deverá enviar um (1) poema por perfil (no caso de existirem apenas dois perfis) ou se optar por um perfil somente para participação.

Anexo 2: Os participantes deverão enviar seus dados verdadeiros, apenas mencionar sua opção de divulgação através de PSEUDÔNIMO, o qual deverá ser informado no ato da inscrição, JUNTO COM O POEMA.

Art. 4°: Os poemas deverão ser de autoria própria e PLÁGIO será punido com EXPULSÃO da comunidade e o poema será apagado.

Art. 5º: Os trabalhos deverão ser inéditos e NÃO PODEM SER DIVULGADOS, sob qualquer hipótese, em sites, em tópicos de comunidades, em scraps, em blogs, até a DIVULGAÇÃO FINAL DOS VENCEDORES, com pena de desclassificação se assim ocorrer (entende-se por inédito a obra que não tenha participado de outros concursos, nem publicada em sites ou blogs da internet); apresentados em língua portuguesa, sem artifícios estrangeiros, seja no título ou texto e sem expressões que identifique o autor.

Art. 6º - A avaliação, classificação e julgamento dos trabalhos serão efetuados por uma comissão composta por elementos de reconhecida idoneidade e competência, ligados ao meio literário, por email para a Me Morte e também por membros do Vale das Sombras em tópico específico na comunidade, sendo que:

-Comissão: cada voto vale 10 pontos

-Membros: cada voto vale 5 pontos


Art. 7º: Qualquer problema ou dúvida envolvendo o concurso deverá ser tratado diretamente com a organizadora.

Art. 8º: Fica a critério da organizadora o acréscimo de qualquer artigo, que se julgue necessário, à esse regulamento.


Me Morte

26/10/2008

sábado, 25 de outubro de 2008

SANGUE CAMBALEANTE




SANGUE CAMBALEANTE
** Gaivota **


Este sangue
que derrete
a torturante
miséria humana
este sangue que
pulsa
cambaleante
na calçada da vida

Este sangue
derrama-se
nas taças
e nos jardins
este sangue
esvai-se
dentro de mim

*

*

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Metábola por uma amiga pela dor da perda



Tudo de novo é tudo novo,
se é outro dia,
se somos mesmo as mesmas pessoas,
outras pessoas somos.


Eu não acho estranho que sintamos dor,
nem que se leve essa dor ao âmago se boas pessoas somos.

Perdemos todos os dias pessoas queridas, pessoas conhecidas, pessoas desconhecidas.
Perdemos todos os dias um pouco das nossas vidas, muito dos nossos sonhos, mais ainda da possibilidade de vê-los concretos um dia.
Perdemos todos os dias fios da teia da esperança.
Perdemos todos os dias, até o nascer do sol, porque estamos ainda dormindo, ou o pôr do sol, porque está chovendo, o céu é cinza, e não saímos a rua para molhar os pés.

Perdemos todos os dias o que ganhamos todos os dias.
E, não vou ser insensível: perdemos em muitos desses dias pessoas por demais queridas, jamais possível de serem por outras pessoas substituídas, porque com elas perdemos parte das nossas vidas, grandes pedaços de nossas almas com parte mesma da nossa carne.

As vidas que ganhamos e reproduzimos devemos sempre elevar, todos os dias, por beijos, por abraços, por palavras doces, por carinhos, para que nos sobrem as boas lembranças sobre as más recordações, para que deixemos ao partir saudades de bons momentos, de amizade, de amor, de alegria aos que sobreviverem a nós.

O que posso dizer a mais é que devemos sempre celebrar incondicionalmente a vida!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008
















Olhando o retrovisor,
o blusman vai divisando
o que ainda não passou.

Marcelo Farias - Para Entender a Mágica.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Turmalinas Decadentes




No vento um perfume parco
E um toc, toc, de salto alto.
Nos postes a pouca sorte,
Nas bocas o batom forte...

Em cada esquina calado gesto,
Em cada sina reflexo inerente,
Inconsciente neblina...

Moças crianças, trazem suas lembranças,
Seus ideais, desesperança fugaz.
Velhas meninas, Carolinas, Catarinas...

Abençoadas loucas, turmalinas decadentes,
Apaixonadas bocas, roucas de sina
E fé descrente...

No vento um perfume parco
E um toc, toc, de salto alto.
No rosto o olhar sombrio,
No gesto um convite frio...

domingo, 19 de outubro de 2008

A MENINA DO BORDEL - Giselle Sato


Angela, a menina do bordel


Debruçada sobre o piano, a menina ouvia a valsinha, sorriu para o rapaz tímido e deu uma volta pela sala repleta de móveis finos e bibelôs. As chaise-longue bem posicionadas, almofadas de veludo e franjas, brocados e seda italiana. Mesinhas com abajures e estatuetas de finíssima porcelana. Tudo era lindo naquele ambiente: - Rafael, porque você trabalha aqui?
-Preciso viver, vim estudar na escola de música e não tenho parentes na cidade.
-Sua mãe sabe que você é pianista no Bordel?
-Que isso menina, isto é jeito de falar?
- Não sou tão bobinha, vou fazer oito anos semana que vem- O rapaz perdeu o sorriso e parou de tocar.

Madame Desirré desceu a escadaria silenciosa e elegante. Observou a neta, cada dia mais parecida com a mãe, não sabia se era uma bênção ou castigo. Tocou a sineta que sempre trazia no bolso. A criada chegou correndo e sumiram pelo corredor lateral:- Vou acabar perdendo meu emprego por sua causa.
-Eu só estava conversando com meu amigo. - A empregada tinha pena da garota magrinha e atrevida.

Qual é a vida que uma criança pode ter em um puteiro? Trancada no quarto, vigiada pela babá, brincando, montando joguinhos ou folheando livros de gravura. Sozinha no mundo de faz-de-conta alquebrado.

Apesar da pouca idade, o convívio com adultos trouxe maturidade e compreensão. Não queria de maneira alguma viver como as moças do salão. Sabia muito bem o que acontecia no andar superior. A maldade e desvios haviam forjado uma mente ágil e inquieta.

Ouvindo as conversas das criadas, descobriu que a avó obrigou sua mãe a trabalhar na casa. Leiloou a primeira noite da filha e fez vencedor o próprio amante. Advogado famoso e de idade avançada. Diante da novidade, o doutor caiu de amores pela filha e dispensou a mãe. Pior, em poucos meses anunciou orgulhoso a gravidez da jovem.
Quando Angela nasceu, a mãe fugiu para Manaus. Penalizado com a situação, o advogado ofereceu uma boa mesada em troca dos cuidados com a criança. Crescendo naquele ambiente festivo, as prostitutas e os empregados foram a única companhia.

Nada disso faria diferença. Em poucos dias deixaria a casa e iria para o colégio interno. Na cidade serrana, estaria longe o suficiente para ser esquecida até a maioridade. O que Madame desconhecia, era que a menina e o pai e encontravam-se com a ajuda da cozinheira.

Breves escapulidas entre uma ida ao mercado ou um passeio até a queijaria no centro da cidade. Aos poucos o velho advogado foi conquistado pela menina de olhos de boneca, redondos e escuros. O que começou com uma simples curiosidade terminou em um grande apego.
Muito bem recompensada, a cozinheira implorava permissão para a jovem acompanhante:- Ela vive presa no quarto senhora, vamos depressa pegar os queijos. A pequena adora andar de bonde.
-Pode levar, desde que não atrapalhe. Como da vez passada, os pedidos vieram trocados.
-Perdão senhora, não irá se repetir, pode ter certeza.
-Minha única certeza é que você será dispensada se acontecer novamente. Leve a criança e pegue um carro de aluguel. Nada de bondes.
Desciam a ladeira apressadas, o carro do doutor aguardava na esquina. A rotinha semanal nunca era alterada, compras sempre as terças e quintas. Ele esperava pela empregada e a menina. Quando não avistava a figurinha ficava triste e limitava-se a pedir notícias:- Hoje a mocinha está muito calada- Angela balançou a cabeça confirmando-
- Vou embora para o colégio interno semana que vem, vou morar com as freiras.
-Querida, quem sabe não será melhor viver em um ambiente saudável?
-Minha avó disse que tem planos. Vou aprender a ser fina e educada para ajudar nos negócios.
-Isto é um absurdo. Sua avó está louca, traçou seu destino como fez com sua mãe. - Dr. Muniz compreendeu que ela iria exigir uma fortuna para entregar a menina.

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A festa de aniversário

Madame Desirré nunca tocou a neta, nenhum beijo ou abraço. A única concessão acontecia diariamente quando partilhavam o chá das cinco: - Amanhã você deixará esta casa. As moças insistiram em um lanche de despedida. Hoje é terça e quase não temos movimento.

Angela observava a avó com um misto de raiva e admiração. Nunca havia visto mulher mais bonita e elegante. Tudo nela era perfeito, as unhas polidas, a pele clara, jóias finas e discretas:- A senhora gosta de mim?

A pergunta inesperada não afetou a frieza do olhar, fez um sinal para que a neta servisse mais chá:- Esta marca inglesa é bem melhor que a da semana passada. - A menina deixou a varandinha do quarto da avó cabisbaixa e triste.

Sentada em um canto da cozinha observava o preparo do banquete. Naquele dia, o pernil bem temperado estalava em cozimento lento. A cozinheira Doralina fatiava o prato principal em tiras finíssimas:- Separei um pouco para o jantar dos empregados, tinha que ver a alegria quando viram a carne no prato- A pequena não respondeu, torcia a ponta do casaco, vez por outra consultava o relógio.
- Calma , está tudo pronto e será servido sem demora.
-Estou triste com a sua partida.
-Não posso perder esta chance, seu pai me deu dinheiro para voltar para a Bahia e começar meu negócio.
- Vou sentir saudades.
- Você é muito esperta, vai ficar bem, tenho certeza. Hora da festa, ajeite esta carinha, quero um grande sorriso.

Enfeitado com frutas secas e batatinhas coradas, o assado ocupou local de destaque. Canapés delicados, patês e o bolo de aniversário. O refrescante ponche descansava sobre cubos de gelo e as taças eram servidas pelas próprias moças. Dia de folga e comemoração eram raros naquele lugar.

A grande mesa estava repleta e as moças muito maquiadas, erguiam brindes e brincavam como meninas. Angela sabia que no fundo não eram felizes e que a alegria era falsa como as jóias que exibiam. Ninguém sentiu falta da dona da casa, a cadeira permaneceu vazia e o jantar foi servido.

Aos poucos, gemidos escapavam abafados, todos sentiam-se mal e enjoados . Angela acompanhou a agonia dos adultos intoxicados. Alguns tentavam levantar, não tinham forças, a grande maioria terminou caída sobre o prato, olhos vítreos e inchados. O jovem pianista foi a única perda que sentiu, tocou de leve a testa do moço:-Eu avisei que não viesse, quase estraguei tudo por sua causa.

Encontrou a avó estirada na cama, contorcendo-se de dor e vomitando negra substância, viscosa e fétida. A mulher parecia hipnotizada pelo semblante tranqüilo da menina:- O que está olhando?- conseguiu pronunciar entre golfadas- Ajude, chame a ambulância, peça socorro.
-A senhora não respondeu, eu só queria saber se gostava de mim e a senhora não respondeu. A senhora não foi uma avó boazinha.

Um velho conhecido entrou sorrateiro, Angela correu ao encontro do pai:- Procurei por toda parte. Venha filha, precisamos sair o quanto antes– Os olhos de Madame brilhavam de ódio. Tarde demais.

De mãos dadas deixaram o casarão da rua Alice. O homem explicou que um famoso estudioso de venenos havia feito várias misturas e não havia como identificar a fórmula original. Tudo indicaria uma grande intoxicação por botulismo.
- No meio deste caos levarão algum tempo para perceber sua ausência. Em algumas horas embarcamos para Europa em um grande navio.

Angela sorriu enquanto acariciava o vidrinho no bolso do casaco. Não havia derramado tudo no chá da avó como ele havia ensinado. Apenas algumas gotas foram suficientes. Sabia que o pai não era um poço de candura. Ele estava fascinado pela sua semelhança com a mãe. A cozinheira facilitou a aproximação e deixou bem claro o perigo que corria.

A menina de casaco vermelho, correu para o carro sem olhar para trás, sentia-se como chapeuzinho vermelho, a personagem favorita , a grande diferença é que não haveria vitória para o lobo mau.

sábado, 18 de outubro de 2008

Idéia fixa




Minha pátria era teu corpo
Invadido por hóstia bestial
Cultivando feras mansas
Esqueci asas tortas
Na neurose de Deus

O absurdo me convidou para uma dança
Mas a exaustão me vendeu no mercado negro
Segredos prostituídos em boate russa
Queimaduras nas noções de intenso

Por que me contou do silêncio de outros mundos?
Devastações visitaram meus copos de leite
Estados de pele correndo perigo

O culto da ardência é um milagre
Escorrendo entre meus dedos

Nenhuma ode para tuas dádivas
Apenas o sulco primordial
Luzindo sentenças
Para uma fascinação

Seria conhecida como alegria
Se o chicote não dedilhasse tanto a garganta

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Paz




Padecer em sílabas não ditas, que fervilham o meu silêncio distraído, desapercebidas por tua dormência que me olha nos olhos e sorri nos intervalos. Apenas minha forma de te amar, poupando-a de que se dê conta das tuas mãos atadas, como as minhas. Para que? Ao ver não terás mais o engano que supõe paz, dita pela hipocrisia em alta resolução digital, que não nos permite enxergar a nossa inaptidão para a verdade.
Eu não me atei, conhecer não é suficiente para que eu me liberte. Dos tantos sábios que se contradizem, ganhamos o direito de rir, nada mais.
Que se escolha um charlatão qualquer a seguir, crendo neste ou naquele indiferentemente, não signatários de si próprios, ou seriam mais cuidadosos ao apresentarem suas certezas a quem lhes aplaude sorrindo, que me olha, sem supor que o meu silêncio a poupe de mais uma verdade contrária e plausível.
Engulo palavras ocas, adaptado-me a tua atmosfera propícia. Minha verdade não se enquadra no teu senso favorável e crente. Eu, frontalmente divergente ao clã que desagravo, dou-lhes as costas, quando em trajes de seda negra solicitam a minha última camisa. Recuso sua conveniência, banindo-me consciente e me desobrigo prazeroso do seu fervor dominical.
Quis crer que pudesse ir de encontro ao autêntico, vi que, se autêntico, me sabe, apenas. A maior distância que cumpro assim, é a da minha própria respiração, até quando isso a ela mesma provier.
Vá, salve-se do meu falso silêncio, regozije-se como quiser, enquanto penso que a tua felicidade ilusória possa ser a minha suposta paz.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Abismo da Perdição



Galgando a soleira do penhasco
onde dormem, frias, penadas almas,
em meu cavalo negro, sob céu cinzento,
vejo a lua, cor sangue, emudecendo!

Na beira deste abismo vejo uma mulher
Cujas vestes brancas, sedas encardidas,
Rasgadas, tremulam, tal seus cabelos negros;
Com o laço, medonho, envolto ao pescoço.

- Há lividez em seu rosto!
De olhos fundos, sepulcro de culpa,
Arte negra da traição e do traído...
A mórbida lágrima rasteja perdida!

Não mais, que, de repente,
Nas pontas dos pés precipita-se ao abismo,
Seu grito jaz perdido, em silêncio, em medo...
Seu corpo busca o esquecimento.

A corda ao esticar faz zunir um som rouco
Duma garganta rota, seca e rasgada.
Como num susto, o som do osso fraturado,
O corpo mole jaz dependurado!

Não mais, que, de repente,
A mulher que a pouco chorava
Agora, morta, jaz dependurada...
Servindo de provisões as aves de rapina!

E a língua solta entre os lábios
Libera o sangue morto, morno...
Servindo de um grito rouco,
Que se propaga no ventre do abismo!

Saltados os olhos às órbitas,
Secos grãos de areia escura, suja,
Olham, amputados, a lua nua,
Que banha-se em sangue quente.

Vendo essa cena em único ato
Não tão profana, nem tão estranha,
Sinto um arrepio, como num susto,
Mais uma virgem perde-se neste mundo!

Meus olhos estupefatos, sinistramente,
Desfaz-se, debulham-se em lágrimas...
Tão frias quanto o vento que sopra,
Que balança a virgem dependurada e morta!

Meus olhos percorrem a carne morta,
Que outrora era viva, linda e delgada,
E num susto, em medo, meu peito triste...
Abre-se ao amor profano, e parte.

Ai, ai de mim, apaixonar-me por esta cena,
Que profana em meus olhos se tranca,
Medonha, desgraçada, e errante...
Morte, Bela e Delicada, que me invade!


De: Flávio Mello

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

ACIDENTES COM ARMAS


acidentes com armas
Thiers R>


desafio-te
nesta linha imaterial
insensata, estúpida e ignorante
onde estão as armas?
onde esquálido e putrefato sangue
rasga desumanidade?
eles vinham na noite
atravessando rios
melodiosa música calou-se
silêncio gutural
invade semblante
dum povo des armado
selvagens!
crianças como brotos de flor
na esteira insultando fuzis
crianças do meu Brasil
semi-inocência desnorteada
acirra tiro teio
grito a dor da alma
que ama
grito ao silêncio, acuda!
mas eles
ácidos dentes
cravam memórias
tracejam flores
pingam sangue
na terra branca
>>

Às flores abatidas
2007

________________________

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Antologia Poética Ano 3


Acabo de receber, fresquinha ainda, a Antologia Poética Ano 3 de Valdeck de Jesus, onde participam vários escritores, entre eles Doroty Dimolitsas, o escritor e parceiro da Me Morte Giovani Iemini, Bruno Resende, Me Morte e muitos outros.
Está lindo! Capa, seleção, acabamento, tudo!
Amei! E fiquei feliz de me ver entre tanta gente talentosa!
Valeu!

(Lançado na 20ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo - Antologia Poética 3 organizada por Valdeck Almeida de Jesus)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

NO BECO DOS RATOS.




Conta à lenda, nesse lugar, numa valeta úmida numa rua sem saída, uma moça cujo ventre esvaído em sangue iniciava um aborto forçado veio a resolver seu suposto problema.

Ali entre a imundície, fez com que o feto que carregava no ventre viesse ao mundo, estripando-lhe, decepando-lhe os membros cortando-lhe a vida muito antes dela começar.

Há quem diga que a moça de cócoras mesmo, colocou e pequenino para fora de si. Num baque pesado e úmido o bebe de quatro meses de gestação já um feto quase que formado caiu no chão. Com um grito de alívio e alegria a moça - uma menina de não mais que quinze anos - deixou-se cair por um momento ao chão pensando nas inúmeras possibilidades de futuro para sua vida sem aquele filho indesejado.

Mal percebeu ela que estava num lugar inóspito. Seus músculos contraiam-se devido ao grande esforço, ela se permitiu por um instante fechar os olhos e descansar. Os cabelos longos e claros se misturando com o lodo do solo.

Mal notou quando um grupo de ratazanas grandes e famintas devoraram o feto que ela a pouco havia expelido a força para o mundo.

Ela ainda arfava de cansaço quando uma dor horrenda e feroz subiu-lhe as entranhas. Era como se adagas lhe penetrassem o baixo ventre.

Ocorreu-lhe por um instante a idéia de que Deus lhe punia por seu ato de covardia, ou que o próprio demônio a arrastava em brasa castigando-a por seu pecado. Porém a realidade era ainda pior que seus devaneios religiosos.

A menina pode ouvir o barulho de roer, seu abdome em poucos segundos se tornara uma massa ensangüentada. O pensamento ficara para trás então, ela não tinha condições de entender a triste ironia ocorrida, do infanticídio ao semi-suicídio.

Enquanto a criatura agonizava esvaída em sangue naquele pedaço de rua escura, as ratazanas – que de tão grandes pareciam gatos – arrancavam tiras de carne e corriam incessantemente para seus ninhos.

Afinal as ratazanas tinham muitos filhotes para alimentar. Eram boas mães. Mães dedicadas aos seus filhos.

E assim aquele lugar escuro no Bairro Industrial ficou conhecido como Beco dos Ratos

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Juliana T. P.

domingo, 12 de outubro de 2008

†††Meu Cãopiro†††



-Pôxa! Essa história de ser filho do Drácula não é fácil! Daqui a pouco papai chega com um saquinho de sangue O-, gritando “Feliz Dia das Crianças”. Um saquinho surpresa, que de surpresa não tem mais nada...Meia dúzia de baratas, um escorpião, uma lagartixa, um ou dois mosquitos, um pernilongo, uma tarântula e, se fui bonzinho, uma ratazana. Foi assim no último dia das crianças...Uma droga! A loura gostosona da farmácia ficou para ele! A morenaça do laboratório também! Até mamãe se deu bem com o pescoção do Alfredo, segurança da boate da esquina. Ser criança não é fácil! A única vantagem é que não preciso sair a caça, a comida vem até mim. É...Bem, por esse lado até que é bom. Nunca vou ficar com fome. Outro dia mamãe não coseguiu comida, o laboratório estava com falta de sangue, sabe o que ela fez? Pegou o Rex, aquele pulguento que o coveiro cria e trouxe pra mim. Até que não foi ruim...Tive que raspar o pelo embaixo da coleira e colocar um pouco de açúcar, mas de resto estava muito bom...A única coisa ruim é que hoje ele disputa comigo o alimento do dia. É, porque não tive coragem de matar o coitadinho, deixei virar um Cãopiro, me faz companhia.

Mamãe está demorando hoje! Estou com uma fome! Deve ser pela data, Dia das Crianças! Está me preparando um banquete!

Não vejo a hora de crescer...Morder um pescoçinho! Pôxa! Tem coisa melhor?



Me Morte

(Personagem Zé Vampir de Maurício de Sousa)

HURU!!! HURU!!!


(Penadinho e sua turma/turma da Mônica)

sábado, 11 de outubro de 2008

Punhalada

Punhal cravado no peito
Até o cabo
Nada há de direito
E tudo previsível.

Ainda apunhalado
Sou indivisível
Neste momento

Não há bálsamo
Não há ungüento
Que me torne a dor
Tolerável.

Não há palavras
Amigos ou abraços
Passos junto de passos
Que me extraiam
A tristeza presente.

Mais que presente
Encravada
Como esse punhal
A agonia anunciada.

Agora, tempo de espera
De hemorragia
Que se esvaia a vida
Pela previsível ferida
E por outras expostas
À traição
Nas minhas costas.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

1º LUGAR DO CONCURSO DO VALE








Cale-se... - LOLA

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A essência da vida se apresenta em um brinde
Minha alma, se retesa, cambaleante,
tropeça em minha língua... Não quero o fel, engolir...
Um olhar entristecido em meus retratos
traz-me na boca o gosto do mel derramado


O cálice de fel, a mim, oferecido
debocha da minha vã existência
Aqueles que deixei enterrados sem lápides...
borbulham vibrantes em mais um convite
para um último trago...


Covardia!
Não quero e não quebro o cálice maldito
Nada faço, me calo, e ele, não se cala...
Intragável líquido com seu cheiro pútrido
A me sufocar... de vida...Grita...


Amarras, santas amarras...
Corto-as com meus dentes, na marra!
Quebro o cálice, sangro aos pedaços
Rego o solo com minha carne in vitro
Não à impotência, fim da minha ausência
Fim da minha vã existência...
Enfim, o cálice, se cala...
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2º LUGAR DO CONCURSO DO VALE






Não temo mais - LENI MARTINS

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Não temo mais aos fantasmas que me perseguem,
eles já fazem parte das minhas noite e tardes,
convivem comigo em meu cárcere,
fazem-me companhia em dias de nuvens negras,
onde o sol não brilha.


Na lama, onde atolo minhas poesias...
escureço meu olhar, perco minha alegria,
confesso em versos as tristezas dos meus dias.


Não temo mais ao confrontar-me comigo,
já me vejo no espelho como assombração,
admito...
ser um ser abatido, meio sem cor,
pálido e ferido.


Vou ficando frio, sem emoções neste meu vazio,
no oco do meu mundo vou desfilando letras e
compondo meu absurdo.


O escuro não me aflige mais...
se não tenho estrelas, fico apenas com os vendavais,
se nem o vento aqui passar, fico apenas com o silêncio
a me silenciar.


Não temo mais a boca seca...
nem as mãos cruzadas...
nem ao arrepio que me chega em horas desesperadas,
ajoelho e me entrego ao exílio de minhas palavras


Durmo entre as navalhas...
acordo entre os punhais...
tornei-os desprezíveis,
não me cortam nunca mais.
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3º LUGAR DO CONCURSO DO VALE









ODOR DE TREVAS - GAIVOTA

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Criaturas das
trevas
presas
contidas
corroídas
choram dores


Por não saber
ser
exalam odores
de enxofre
que triste
persiste


Entre frestas
das paredes úmidas ( pelo calor)
um estranho ritual
- Carnificina! -
em frente à janela
que
espreita minha
vontade.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

PRINCÍPIO PELO CHÃO

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Fui sopro que viveu em cama alguma
Garganta sempre muda e numa voz
Achei o meu espelho vivo em foz
Na boca que engoliu a vida em bruma.

Parti de um hoje mesmo pelas costas
Saído dos meus dias sem sossego
Na fala do meu ser é onde mais chego
E encontro assim mesmo a alma em postas.

Eu parto de um princípio em todo chão
Que acusa o meu sol em “sol de escombros”
Caminho de um dia a pés descalços.

Sorri do meu viver na minha mão
E dei de rosto em vão nos próprios ombros
Guardei meu fim pra todos os percalços.

dos Anjos

domingo, 5 de outubro de 2008

Sem Lágrimas




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Aguardo sem lágrimas


A passagem do desencanto




Imundos muros


de névoa e sangue




Escrevem nódoas


estes brutamontes




Agulhas rodam


penas falantes




Aguardo sem lágrimas


a passagem do desencanto






Angela NadjaBerg Ceschim Oiticica

sábado, 4 de outubro de 2008

A luz do teu olhar


Procuro o riso perdido
No vão das lembranças,

O amor que antes iluminava
Hoje, nubla meus olhos
Nessa busca inútil
Pela luz dos olhos teus.

Uma dor que corta
Feito lâmina afiada,
Sangra sem sangrar...

O peito rasga,
Num desatino
Em que alma
Pede pra morrer.

E o riso se faz mito
Sem a luz do teu olhar.

(Sirlei L. Passolongo)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Editora Maldita

Editora Maldita


por Adriano Siqueira






http://escuridaonoturna.blogspot.com/

- Finalmente chegou a oportunidade de escrever meu livro de contos de terror.

Carlos Osborne, um escritor frustado por escrever apenas para internet. Seus amigos admiravam as suas obras mas as editoras nunca o via como um bom escritor. Mas hoje era diferente. Ele foi convidado para ser o escritor da maior editora de terror da américa do sul. A Editora Maldita.
Ninguém conhecia pessoalmente os escritores daquela editora. Eles usavam pseudônimos. Os escritores desta editora nunca apareciam no dia do lançamento e isso intrigava muitas editoras concorrentes. Mesmo assim a editora vendia milhares de livros pelo mundo todo.
Carlos estava na recepção da editora quando finalmente o editor aparece.
- Olá Carlos! Meu nome é Reinald! Que bom que aceitou o convite para participar de nossa editora.
- É um convite que nenhum escritor recusaria.
- Tenho certeza que não! Mas venha! Vou apresentar a editora.
Reinald leva Carlos para conhecer todas as salas da editora, menos uma, com uma porta pintada de preto. Isso deixa Carlos curioso.
- Senhor Reinald, o que tem naquela sala?
- É o departamente de criação. É lá que os escritores escrevem as suas histórias.
- Puxa! Eu não sabia que os escritores têm que escrever trancados lá dentro.
- Isso são normas da empresa. Espero que isso não trave a sua criatividade.
- Ora Sr. Reinald. Eu já escrevi contos dentro de um cemitério, certamente eu escreveria em qualquer lugar.
- Que ótimo! Então vamos começar.
- Já? Mas eu nem pensei em nada ainda.
- Não se preocupe Carlos. Quando você conhecer melhor esta sala, você certamente terá uma avalanche de idéias.
Quando Carlos entra na sala sente um cheiro estranho. Ele vê muitos móveis cobertos com panos pretos. Olha uma cadeira e uma mesa cheia de papeis com muito sangue seco. Carlos arregala os olhos e diz:
- Nossa! O senhor sabe mesmo como fazer um clima para contos de terror.
Quando Carlos se vira para encarar o Sr. Reinald ele vê apenas um Marcelo de madeira enorme indo ao encontro da sua testa.
Carlos não sabe quanto tempo ficou desmaiado. Ele abre os olhos e vê que está amarrado em uma cadeira e bem amarrado. Sr. Reinald estava segurando um livro bem antigo e estava recitando algo em uma língua completamente desconhecida. Carlos tentava falar mas Reinald diz:
- Vejo que acordou Carlos. Por favor não tente falar agora. A anestesia que apliquei em você só deixa o seu corpo ardomecido mas seu cérebro está bem acordado. Estou quase terminando o encantamento e logo tudo isso vai acabar, mas antes quero que conheça os outros escritores.
Sr. Reinald levanta o pano preto de um dos móveis e Carlos fica desesperado. Ele vê muitas mãos guardadas em vidros. Ele tenta se soltar mas sente algo errado com seu corpo...
- Não tente se mexer Carlos! Não até ver o que tenho guardado aqui!
O Editor pega o cesto que estava na frente dele e leva para o Carlos ver. Carlos arregala os olhos e fica cambalendo seu corpo. Balbuciando.
- Sim Carlos! Vejo que conhece bem a sua mão. Agora que fomos todos apresentados, deixe-me contar como as histórias aparecem. Foi por volta de 1970 um mago que conheci. me deu este livro... Não deu exatamente... Ele sofreu um pequeno acidente e eu fiquei sendo o novo dono deste livro. Este livro Carlos. Ele escreve sozinho. De um modo geral, Ele trás alguns espíritos de alguns escritores conhecidos. Mas para dar certo eu preciso de uma mãozinha. Irônico mas é verdade. Eles usam a mão de uma pessoa viva. E escrevem por apenas 2 ou 3 horas, até que a mão comece a ficar dura como pedra. Como vê eu não posso perder mais tempo.
Reinald tira a mão do cesto e coloca em cima de um papel na mesa, logo em seguida encaixa uma caneta e começa a proferir umas palavras estranhas. A mão começa a se mover e agarrando a caneta ela começa escrever mas só sai garranchos e rabiscos. Reinald fica furioso. Ele bate na mão várias vezes mas logo para. Ele olha furioso para Carlos e diz.

- Acho que a noite vai ser longa Sr. Carlos! Acabei de descobrir que o senhor é canhoto.
- N-n-não!!!

Carlos vê o editor pegar o serrote e... Sorrindo muito, vem em sua direção.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ABAIXO ASSINADO PELA VOLTA DO †††VALE DAS SOMBRAS†††


>

No dia 22 de fevereiro de 2004 nasceu o Vale das Sombras.


†††Somos um bando de jovens, de corpo ou alma, que acredita que estilo gótico é arte e não precisa necessariamente ser rotulado de louco ou depressivo.


comunidade


Um cantinho onde todos os góticos ou simpatizantes eram bem vindos.Era uma brincadeira literária. A Me roubava, literalmente, a alma dos pequenos poetas:


cemitério das almas


Discutiu-se lá sobre tudo: artes, música, literatura...no começo tímidos, depois audaciosos, os membros começaram a postar sem medo de serem incompreendidos (como acontece com todos os que seguem o estilo sombrio).

Vieram os concursos:


blog dos concursos


Jovens mostravam seus poemas, seus defeitos, acolhiam as críticas e melhoravam, consideravelmente e surpreendentemente, escutavam e melhoravam! (consegui copiar até o 4°, o resto se perdeu...)

Veio o blog


blog do vale


Onde escritores postavam seus melhores textos, a postam ainda...

Veio o anjo René Ociné e seus ebooks benditos, I, II e agora (em breve), o III.

Nele participam convidados, artistas diversos, todos experts em suas artes, talentosos e amados...Os melhores!

Depois de muitas reportagens (Diário do Sapucaí, Jornal de Porto Alegre, Zine Brasil, HQs, etc...) o Vale não perdia sua humildade. Continuava com o lema de “abrir as portas para o talento novo”. Todos eram bem vindos!

E foi assim que convidamos o artista plástico Alex Plunk para uma entrevista.

Jovem audacioso, revoltado, talentoso (mesmo que muitos discutam isso), Alex é batalhador. Bate de porta em porta para divulgar sua arte (arte sim... atire a primeira pedra quem se julga “o tal”).

As pessoas sempre rebatem o novo, ainda mais quando esse novo vem com o intuito de chocar (Sade que o diga, na época foi considerado um louco e amaldiçoado).

-Alguém contestou com mais fúria

- O Alex rebateu com sua maneira característica (perdeu a cabeça e destilou meia dúzia de palavrões).




ESTATUTO DA COMUNIDADE:



Restrições das comunidades


Apesar de incentivarmos os usuários a aproveitarem ao máximo as comunidades no orkut.com para compartilhar idéias entre si livremente, temos limitações em relação a determinados conteúdos e comportamentos. As comunidades estão sujeitas às seguintes restrições. A violação de qualquer uma das restrições poderá resultar na remoção de uma comunidade.



Claro que o Orkut tem mais o que fazer do que ficar examinando os conteúdos das comunidades, mas, por isso conta com a ferramenta de DENUNCIA.

A Me é muito querida aqui na net e, por isso mesmo, causa inveja. Uma pessoa, premeditadamente, esperou pacientemente pelo vacilo que acabei dando. Não prestei atenção a tempo de evitar a denuncia.


O Vale das Sombras foi excluído no dia 24 de setembro de 2008, logo após o meio dia e com ele um trabalho enorme que desenvolvíamos por lá. Perdi tanto textos quanto documentos. Os concursos, por exemplo, só copiei os quatro primeiros, o resto se perdeu. Além de muitas outras relíquias.

Por isso hoje, depois de muito escrever para os meninos do suporte do google/orkut, decidi, democraticamente, lançar esse abaixo assinado. Não é motim, revolta, nem nada parecido, apenas a manifestação pura de quem está triste com a perda do Vale.

Quem se sentir solidário a isso que assine.

É uma das últimas atitudes que me restou. Enviar o link desse manifesto, procurando avivar algum sentimento, mesmo que pequeno nas pessoas que trabalham por trás desse site maravilhoso, que já se tornou um vício na vida de todos nós escritores e amigos das artes.

Por isso vamos começar:

Que coloque o número na frente do nome, na seqüência ok?

Eu começo: